terça-feira, 30 de agosto de 2016

"Efeito borboleta" e destino: somos vítimas do acaso ou de leis cegas?



Você acredita em destino?

Determinismo e Acaso...
Em quaisquer ciências, sabemos todos que pequenas variações nas condições iniciais de um problema descrito por equações não-lineares podem ter resultados completamente distintos e inesperados com o passar do tempo. Ocorre que, como na natureza praticamente todos os fenômenos são não-lineares e como há um limite para determinarmos as condições iniciais de um problema, consequentemente o universo sempre terá de modo intrínseco, um considerável componente de imprevisibilidade.
Noutras palavras: todas as nossas melhores equações matemáticas e modelos físicos não passam de maquetes incompletas que tentam imitar o comportamento do universo que nos cerca.

O Efeito Borboleta*...

Deste modo, entende-se como “Efeito Borboleta” o fato de pequenas oscilações nas condições iniciais de um problema poderem causar efeitos completamente inesperados, divergentes ou imprevisíveis.
Filosoficamente, podemos dizer que a Teoria do Caos Determinístico nos ensina que o Universo é "naturalmente imprevisível". Ou seja: os fenômenos não-lineares são a regra na natureza.
Assim, parafraseando E. Lorenz, "se uma borboleta batesse as asas na China, e o pequeno deslocamento de ar provocado pelo seu movimento mudasse as condições iniciais de um sistema climático, pode ser que acabasse desencadeando uma tempestade do outro lado do planeta".



Mas será que podemos realmente afirmar que o universo é de algum modo caótico?  
Poderíamos objetar afirmando que o fato de desconhecermos todas as variáveis de um sistema não nos habilita a concluir pela regra de que o universo é 'caótico', como poderiam pensar os incautos, ao se depararem com a expressão 'teoria do caos'
De fato, o que ocorre é que nossas melhores equações (físicas, bioquímicas ou matemáticas) não dão conta de abarcar toda a gama de variáveis, nem tampouco de avaliar a precisa relevância de cada uma delas no 'resultado final'. 
Então, concluímos que nossa ignorância não pode (ou não deve) servir para ratificar quaisquer hipóteses, por mais fascinantes que nos pareçam!  

Na verdade, já sabemos que as equações lineares que estudamos na escola são 'modelos aproximados' nos quais os termos não-lineares são desprezados por serem considerados 'insignificantes' ou 'incomensuráveis' (dentro de certo contexto espaçotemporal). 
E é fato também que, graças a tais simplificações, podemos usufruir de tantos avanços tecnológicos em nosso dia a dia... 
Então, o fato de existirem 'termos não-lineares' não estudados e, portanto, desconhecidos, nos está dizendo exatamente o quê? 
Simples: Que toda a nossa ciência mais avançada não consiste de fato em uma descrição objetiva, nem mesmo aproximada da realidade. Ela é apenas uma ferramenta útil, um instrumento que funciona (pelo menos por enquanto).

E, além disso: estamos tão próximos de compreender nosso universo, quanto estavam os formidáveis cientistas gregos de 2500 anos atrás.

Conclusão: Caos e acaso aparentes não existem. São palavras-tampão, pseudoexplicações para encobrir as lacunas deixadas pela nossa ignorância a respeito da natureza do universo ou sobre seu modus operandi. Pouco sabemos do mundo visível (imaginem do invisível...) 
Tal constatação não impede o surgimento da ideologia do cientificismo, com todos os seus dogmas axiológicos e 'verdades provisórias'...  

Por outro lado, o 'efeito borboleta' pode ser compreendido, metafisicamente falando, como a última tábua de esperança ao livre-arbítrio humano, haja vista a inexorabilidade da 'lei de causa e efeito', que se mostra cada vez mais onipresente no âmbito das ciências naturais e biológicas. 

Ademais, além de sabermos quase nada sobre nós mesmos e algo mais que nada sobre nosso espantoso mundo físico, precisamos considerar a probabilíssima hipótese de que nosso mundo (tridimensional) não seja o único a ser contemplado em nossas equações e fórmulas...
Há que se considerar a possibilidade de universos paralelos, dimensões (ou mundos) onde as leis não sejam as mesmas que conhecemos aqui.
O que seria de nossa 'vontade livre', da liberdade que pensamos possuir, se considerássemos cada mínimo movimento universal (do micro ao macro), submetidos às inexoráveis leis mecânicas conhecidas das ciências hoje? 

Se tudo está submetido a tais leis, nossos pensamentos, emoções e volições seriam exceção? 
Seguindo tal raciocínio, nosso destino já estaria traçado/determinado desde a aparição mítica do 'Big Bang'?

Mais algumas questões para refletir:
Há algo na dimensão humana ou na dimensão corpórea biológica que indica sermos dotados de algo que suplante, que transcenda as leis naturais mais elementares?
Como fazemos nossas escolhas? Quem/o que nos impulsiona a agir, a nos omitir, a salvar, a matar ou a nos matar? 
Qual a fonte de nossa rebeldia espiritual, de nossa insatisfação, de nossa busca por transcendência, de nossa vontade de superar quaisquer instintos naturais?
Todas essas são questões para a Ciência um dia, quem sabe, tentar responder...
E para a Filosofia subsiste por fim, a mais importante de todas as questões: Por que?



* Efeito Borboleta: expressão utilizada na Teoria do Caos para referir a importância das condições iniciais de um sistema aberto. Foi detectado e descrito pelo matemático estadunidense E. Lorenz quando trabalhava em um sistema de equações diferenciais com o objetivo de modelar a evolução do clima.

Um comentário:

  1. então o melhor seria não falar nada? nem com ninguém? sinto que já fiz o limite de merdas possível, tenho medo de não ter um futuro, eu tenho medo de estragar tudo pra mim e pros outros.

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