domingo, 30 de outubro de 2016

A perda do Agora: o grande problema (Eckhart Tolle)

Quando cada célula do seu corpo estiver tão presente que você a sente vibrar de vida, e quando sentir cada momento dessa vida como sendo a alegria do Ser, então poderá dizer que está livre do tempo.
O problema não são as contas de amanhã. A morte do corpo físico não é um problema. A perda do Agora é que é o problema, ou antes, a ilusão central que transforma uma mera situação, um simples acontecimento ou uma emoção, num problema pessoal e num sofrimento. A perda do Agora é a perda do Ser.
Estar livre do tempo é estar livre da necessidade psicológica do passado para formar a sua identidade e do futuro para atingir a sua realização pessoal.O melhor indicador do seu nível de consciência é a maneira como lida com os desafios da vida quando eles surgem.”
Eckhart Tolle*



*Eckhart Tolle é mundialmente reconhecido por meio de sua obra O Poder do Agora.

sábado, 29 de outubro de 2016

porque não creio cegamente em estatísticas

"Estatística é a arte de torturar os números, até que eles confessem." 
(ou "os números suficientemente torturados dirão qualquer coisa")


Vale a pena ver: galáxia de Andrômeda (em altíssima resolução)

imagens espetaculares de Andrômeda!

O telescópio espacial Hubble conseguiu fazer a maior imagem já vista até hoje de Andrômeda, com um bilhão e meio de pixels

Em 2015, a NASA apontou o telescópio em direção à citada galáxia (localizada a 2,54 milhões de anos-luz da Terra), a maior do Grupo Local, um grupo composto por 54 galáxias (incluindo a nossa). 
Embora seja apenas uma pequena parte dessa galáxia, os astrônomos já contaram mais de 100 milhões de estrelas apenas neste trecho compreendido pela citada fotografia.O vídeo a seguir permite que você o coloque em qualidade de 2.160p (use a ferramenta localizada no lado inferior direito do vídeo).  

Imagine! Para ver a foto inteira, você precisaria de pelo menos 600 telas de alta definição. 

Veja a foto no link a seguir: http://www.spacetelescope.org/images/heic1502a/zoomable/

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

lições que aprendi com o medo

10 lições sobre o medo

1ª lição:
O apego ao corpo (e a tudo que ele remete) é o que nos faz temer a morte.

2ª lição:
O apego ao que chamam "existência", nos faz perder a vida onde a existência acontece;

3ª lição:
O apego ao que chamam "segurança", nos faz perder a aventura que advém com cada dia;

4ª lição:
O apego ao passado, nos faz perder o presente;

5ª lição:
O apego ao "que dizem", nos faz perder de vista o que é;

6ª lição:
O apego ao "que pensamos", nos faz perder o que sentimos;

7ª lição:
O apego nos faz perder o valor de fazer e dizer aquilo que viemos dizer e fazer;

8ª lição:
O apego nos faz temer perder o que de fato nunca nos pertenceu;

9ª lição:
O medo é a mãe da violência, pai do desespero e filho do apego;

10ª lição:
O medo é fantasma que só evapora quando se o enfrenta; Não há atalhos. 

uma alegoria do medo

Numa noite escura, um homem andava no meio de uma floresta quando, de repente, caiu. A única coisa que conseguiu fazer foi segurar-se em um galho. Quando olhou para baixo, só viu escuridão. Começou, então, a sentir medo e pensou: "vou cair e morrer... Este galho não vai aguentar e vou me machucar muito...".
Conforme o tempo passava, o galho aos poucos se desprendia mais, e assim o homem mais se desesperava, com medo de cair e morrer. 
A claridade foi chegando com a manhã, e só então ele percebeu que estava com os pés a poucos centímetros do chão.

primeira moral da história: medo sempre causa mais sofrimento e aborrecimento do que a própria realidade poderia causar!

segunda moral da história: se for à floresta de noite, não seja tonto: leve uma lanterna!

que fazer para ser sábio?


domingo, 23 de outubro de 2016

uma imagem vale mais que mil palavras, não é?

então, não precisamos dizer mais nada.

La falsa dilemo inter religio kaj scienco: tradução do artigo "O falso dilema da religião versus ciência"


artigo: O falso dilema da religião versus ciência
tradução para Esperanto:

La falsa dilemo inter religio kaj scienco


Antaŭ kelkaj tagoj, mi legis gazetartikolon nomata: "efikoj de meditado estas science pruvita." En alia okazo, mi vidis alian diraĵon: "Sciencistoj pruvis homan reenkarniĝon" ... Aliaj diskutas pri homeopatio... psikanalizo, metapsikio, kaj multaj aliaj konadoj, ĉu estas scienco aŭ ne ... Eĉ diskutas "sciencan evidentecon de kreismo" kaj multaj komencis meti sciencon kontraŭ religion...

Sed, kio estas scienco? Laŭ fama sciencisto Newton Freire-Maia, eĉ la sciencistoj mem ne interkonsentas. Ili certe scias ke scienco, strikte parolante, konsistas malglate, "aro de difinoj, leĝoj, teorioj, modeloj, inter aliaj, akiritaj tra specifa metodologio (nomita 'scienca'), kaj celanta koni parton de realo". Do, se vi ne uzas ĉi tiun metodologion, ne estas scienco, kaj fino.

Nu, kiuj difinas kio estas la "scienca metodo"? Respondo: sciencistoj. Kaj kiuj decidas kion estas kaj kio ne estas scienco? R: La konsento de la opinioj de sciencistoj. Kiam bona parto de sciencistoj decidas ke io estas jam scienco, do, ĝi estas.


sábado, 22 de outubro de 2016

O falso dilema da religião versus ciência








Por esses dias li um artigo jornalístico com o título: “efeitos da meditação estão cientificamente comprovados”. Noutra ocasião vi outro dizendo: “Cientistas comprovam a reencarnação humana”... Outros ainda debatem se a homeopatia, se a psicanálise, se a parapsicologia e tantos outros saberes são ciências ou não... Até se discute a “comprovação científica do criacionismo” e muitos embarcam na polêmica de colocar a ciência contra a religião...
Mas o que é ciência? Segundo o renomado cientista Newton Freire-Maia, nem os próprios cientistas tem um consenso. Sabem sim que a ciência stricto sensu compreende, grosso modo, “um conjunto de definições, interpretações, teorias, modelos, entre outros, adquiridos por meio de uma metodologia específica (denominada ‘científica’), e visando ao conhecimento de uma parcela da realidade”. Assim, se não usar essa metodologia, não é ciência, e ponto.
Bom, então quem define qual é o “método científico”? Resposta: os cientistas. E quem decide o que é e o que não é ciência? R: O consenso da opinião dos cientistas. Quando uma boa parcela dos cientistas resolve que algo já é ciência, então é.
Muitos sentem pesar ou se ofendem quando alguém lhes afirma: isso ou aquilo não é ‘comprovado cientificamente’. Ocorre que muitas coisas relevantes e valiosas não são ciência. Religiões não são ciência, obviamente. A parapsicologia e a ufologia tampouco. A literatura não é ciência, a música não é ciência (as artes em geral não são), nem a filosofia é ciência... Você já parou prá pensar em quantas coisas maravilhosas não são ciência? E que bom que não são! Nem por isso, estamos perdendo algo por tudo isso não ser ciência.
Outro equívoco é pensar que ciência seja sinônimo de verdade. A história da ciência já nos ensinou que a ciência não encontrará a verdade ‘nua e crua’. Outro grande cientista e filósofo do século XX, K. Pooper, esclarece que a ciência é a procura da verossimilhança (daquilo que parece ser verdade). A ciência lida basicamente com conceitos probabilísticos de verdade. Mesmo as teorias -meninas dos olhos da ciência- não são descrições objetivas da realidade.
Teorias, portanto, podem ser apoiadas em fatos -e assim serem boas teorias- mas é só. Teorias vão, com o tempo e com o surgir de novos aportes tecnológicos, sendo substituídas por outras descrições ou modelos explicativos da realidade mensurável.
Mas ao menos podemos dizer que há somente fatores científicos na ciência, não é? Também não. Fatores culturais não científicos como o religioso, o econômico, o político, a nacionalidade e a autoridade, influenciam no desenvolvimento e na aceitação de teorias científicas. Enfim, a ciência não é neutra.
Por isso, não esperemos por provas científicas da existência de Deus, de Jesus, do criacionismo, do êxtase dos santos ou comprovações do samadhi da meditação oriental. Não é para isso que existe a ciência. 
Já vai ficando claro que ela está colocada num plano epistemológico distinto da religião, não?
Seu objeto de estudo é específico, qual seja, o fenômeno mensurável. Distintamente, a religião possui outra metodologia, outros axiomas e propósitos, tendo como objeto de contemplação e apreciação, o imensurável, o não verificável em laboratório...
Por que então alimentar um falso dilema? São saberes distintos, cada qual com sua finalidade própria. Então, vamos combinar: podemos ser religiosos e cientistas ao mesmo tempo, mas não cair na tentação de misturar uma epistemologia com a outra, certo?
Ninguém se torna mais crente ou menos ateu porque a ciência corroborou crenças desta ou daquela religião. Ninguém é mais ou menos ético porque a ciência assim o comprovou e assegurou. O ser humano é complexo: muitas culturas, muitos saberes, necessidades de distintas ordens (físicas, psíquicas e espirituais). Nossa fé e nossa razão devem caminhar juntas, sem que uma precise atropelar a outra.


Silvio Motta Maximino – palestrante e professor de filosofia e antropologia 


publicado no Jornal da Cidade - pág.  02 no dia 22/10/2016