domingo, 9 de julho de 2017

Nós Jamais Nascemos?



Excelente vídeo produzido pelo diretor espanhol Sergi Castella, que transformou uma carta escrita em janeiro de 1957 de Jack Kerouac para sua então ex-esposa Eddie Parker.
Castella transformou as palavras de Kerouac em “We Were Never Born” (Nós Jamais Nascemos), vídeo feito em 2010 e patrocinado pela fabricante de bicicletas catalã Dosnoventa Bike. 
Para pontuar o texto dessa carta, Castella escolheu duas canções: “Gonna Cut You Down”, tema de domínio público na versão inspirada de Johhny Cash, e “Time”, um dos carros-chefe de “The Dark Side of The Moon”, do Pink Floyd. 

Segue trecho da carta escrita por Ti Jean: 
“Tenho um bocado de coisas para te ensinar agora, no caso de nunca mais nos vermos, relativas à mensagem que me foi transmitida embaixo de um pinheiro na Carolina do Norte em uma noite fria e enluarada de inverno. 
Diz-se que nada nunca acontece, então não se preocupe. 
É tudo como um sonho. 
Tudo é êxtase, no interior. 
Nós só não sabemos disso por causa de nossas mentes pensantes. 
Mas em nossa verdadeira essência da mente sabemos que tudo está certo lá dentro. 
Feche seus olhos, deixe suas mãos e terminações nervosas relaxarem, pare de respirar por 3 segundos, escute o silêncio que está por trás da ilusão do mundo, e você se lembrará da lição que esqueceu, e que foi ensinada na imensa e suave nuvem da Via Láctea inumeráveis mundos atrás e nunca mais depois disso. 
Tudo e uma só coisa desperta. Eu a chamo de Eternidade Dourada. É perfeito. 
Nós nunca realmente nascemos, nós nunca iremos realmente morrer. 
Isso não tem nada a ver com a ideia imaginária de um “eu” pessoal, outros “eus”, muitos “eus” em todos os lugares: “Eu” é apenas uma ideia, uma ideia de mortais, que ocorre a todas as coisas que são uma coisa. 
É um sonho que já acabou. 
Não há nada a temer e nada a agradecer. 
Eu sei disso por olhar as montanhas por meses a fio. 
Elas nunca mostram nenhuma expressão, são como a vacuidade do espaço. 
Você acha que a vacuidade do espaço irá algum dia desmoronar? 
As montanhas irão desmoronar, mas a vacuidade do espaço, que é a essência universal da mente, o vasto despertar, vazio e consciente, jamais desmoronará porque jamais nasceu”.

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