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sábado, 2 de agosto de 2014

a falta de transparência de quem deveria dar o exemplo

Senado manda ativista pedir documentos na Justiça

Casa se nega a fornecer cópias de recibos e notas fiscais de despesas de senadores feitas com dinheiro público. Ativista monta operação para solicitar papelada diretamente dos parlamentares e ameaça montar “lista suja” em caso de nova negativa




Reprodução da mensagem enviada pelo Senado a Lúcio Big. Para ter acesso aos dados, ele terá de recorrer à Justiça

O Senado sugeriu que um ativista político procurasse “os meios legais” caso desejasse mesmo obter cópias de notas fiscais e recibos apresentados por senadores para receberem dinheiro público a título de reembolsos de suas despesas. O comerciante Lúcio Duarte Batista, o Lúcio Big, solicitou os documentos para conferir se os gastos estavam condizentes com as normas do Congresso: basicamente, usar o benefício apenas para trabalho dentro dos limites da lei.
Ele pediu fac-símiles dos documentos usados pelos políticos para obter reembolsos de gastos feitos com a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceaps), o chamado “cotão”.
Entretanto, o Serviço de Informação ao Cidadão (SIC) do Senado afirmou que não era possível obter nenhuma informação além daquela que já está no site da Casa, uma lista com o nome dos fornecedores e o total gasto em cada nota fiscal ou recibo. Na resposta a Lúcio Big, os servidores do Legislativo recomendaram que ele recorresse à Justiça.
“Para que o SIC possa acionar as áreas detentoras da informação solicitada, sugerimos que o senhor entre com os meios legais previstos na lei 12.527/11 [Lei de Acesso à Informação]”, informou a assessoria do Senado.
Em reação, Lúcio Big, que é coordenador da Operação Política Supervisionada (OPS) e colunista do Congresso em Foco, criou uma iniciativa popular para obter esses documentos sem ter que gastar com advogados e esperar o tempo do Judiciário. Ele criou a “Operação Senado Transparente”, revelada em um artigo exclusivo publicado hoje neste site.
Funciona assim: cada cidadão se cadastra no site da OPS e escolhe um senador para pedir cópias de notas fiscais e recibos. Cada um faz um pedido por escrito e protocola no gabinete. “Está aberta a temporada de caça aos senadores, no bom sentido, claro”, brinca ele.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A História das Coisas: um retrato da realidade socioeconômica


Abaixo você pode assistir a dois importantíssimos e curtos vídeos. TODOS, principalmente nossos cientistas, políticos, professores e alunos, em todos os parlamentos, escolas e universidades, deveriam refletir sobre as soluções para as questões apontadas aqui, urgentemente. 
É uma obrigação da humanidade de modo geral, pensar estas questões. Somos parte do problema, somos parte da solução.

O documentário mostra conceitos complexos de forma didática, de modo que todos entendam. 
Como funciona nossa engenharia social?  como operam as mídias de massa? qual é o problema do consumismo irracional que nutre e retroalimenta o próprio sistema? 
O que significa "obsolescência programada", 'economia de materiais', 'sistema linear'? como a compreensão desses conceitos pode afetar nossa forma de ver o mundo? Como os modelos econômicos interagem com as culturas e com o nosso ambiente?  
Fique sabendo! 
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Assista também:

Story of Bottled Water (legendas em Português)

 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Programa presta desserviço à cidadania

N​ote esse interessante artigo jornalístico que transcrevo abaixo.

Ele é bem abrangente e contundente no sentido de exemplificar diversos pontos bastante questionáveis da matéria veiculada em um programa de televisão de grande audiência no Brasil.

A repórter tocou no ponto fundamental que eu já venho notado há bom tempo e sobre o qual tenho palestrado sempre que posso: o desserviço que a mídia de massa tem prestado à cidadania no Brasil, desde sempre.
Concordo especialmente com sua constatação no sentido de que as matérias dessas mídias se resumem a ​meros apelos ​sensacionalistas que não apresentam qualquer relevância para o incremento do exercício da cidadania.
O cidadão comum, já tão mal informado (ou seria melhor dizer 'desinformado'?) a respeito das ferramentas presentes em nossa incipiente democracia, acaba vítima da superficialidade dessa classe midiática, que ignora propositadamente as iniciativas de inúmeras pessoas e ONGs sérias que trabalham pela conscientização e moralização política em nosso país.

Se você assistiu a referida produção televisiva (http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/06/assessores-e-ex-deputado-revelam-como-funciona-esquema-de-corrupcao.html), PERGUNTO-LHE? para você, o que ​rest​ou no final?

Para a maioria, irá restar apenas o costumeiro sentimento de raiva, frustração e desânimo em relação à participação no processo político.
Mas não era justamente essa a intenção? A mensagem subliminar mais uma vez foi implantada nas mentes de milhões de cidadãos: é inútil ter esperança ou participar, pois o sistema está completamente podre e não há nada que possamos fazer para mudar... essa foi a triste, capciosa e ideológica mensagem que fica impregnada na alma do cidadão desavisado.

Silvio M. Maximino



Abaixo a íntegra da reportagem que analisou o programa de televisão mencionado:



OPINIÃO

Programa da Globo faz reportagem que parece ser contra a corrupção, mas presta desserviço à cidadania ao fugir do debate da reforma política

terça-feira, 17 de junho de 2014

AMARRIBO apoia Márlon Reis

 

AMARRIBO Brasil apoia Márlon Reis, autor do livro "O Nobre Deputado"


A corrupção é um dos grandes males que destrói a vida social e desqualifica o poder público em nosso século, de qualquer modo que se apresente. É uma das causas decisivas da carência dos serviços públicos essenciais, da pobreza de muitos municípios e razão da penúria financeira de cidades e da miséria permanente de muitos países, como o Brasil.
A corrupção corrói a dignidade do cidadão, deteriora o convívio social, contamina os indivíduos e compromete a vida das gerações atuais e futuras. Isso ocorre quando boa parte dos impostos pagos pelos cidadãos são apropriados por pessoas que muitas vezes são pagas para defender o interesse público. Para se protegerem, os indivíduos isolam-se nos seus interesses particulares e a desconfiança mútua rompe os laços de solidariedade social. Opor-se à corrupção é, pois, um dever de quem acredita na capacidade de se construir uma vida digna. Aceitar a corrupção é deixar-se corromper por ela.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Batra e o Instituto de Planejamento

11/06/14 07:00 - Tribuna do Leitor

 

Batra e o Planejamento


Ao contrário do que se fala no discurso oficial do governo e na imprensa, a Batra jamais pretendeu que o planejamento da cidade fosse realizado de modo gratuito por quem quer que seja. Nossa proposta sempre foi fazer com que os agentes políticos que já são remunerados para pensar e planejar e executar as ações na cidade trabalhassem em um novo método de interação interdisciplinar para, conjuntamente, percebendo apenas as remunerações a que já fazem jus, apontassem os planos de desenvolvimento e sustentabilidade da nossa urbe. Mas por que esses agentes políticos e não outros a serem inseridos no instituto de planejamento com a criação de novos cargos?

Porque são esses agentes políticos, o prefeito, os secretários e servidores de primeiro e segundo escalão que têm a missão institucional de executar os planos que lhes serão apresentados, razão pela qual nada é mais justo do que oportunizar a esses mesmos agentes técnicos, que em tese têm conhecimento acerca de suas pastas, que criem, conjuntamente, os planos que podem executar segundo as dificuldades, especificidades e limites técnicos de suas áreas. Nesta formação podem ainda, fazer parte, representantes da sociedade civil, entidades representativas de classes e sempre que necessário for, professores, cientistas, arquitetos, geólogos, engenheiros e demais profissionais afetos às discussões sobre o planejamento da cidade de Bauru.

Nossa proposta não gera custos porque ele não se volta para a criação de mais um novo órgão que seguramente funcionará segundo os velhos métodos que sempre existiram na administração municipal e nunca foram suficientemente eficientes para resolver nossos problemas. Nossa proposta é melhor porque ela propõe o novo: a criação de um novo método de trabalho, não de mais um órgão, pois já temos órgãos demais com resultados de menos: DAE, Emdurb, Sear, Seplan etc.

Bauru Transparente - Batra
 
 


 

terça-feira, 20 de maio de 2014

sociedade e representatividade

A crise da representatividade no Brasil (*)  - 
(*) Jaime Luiz Klein
 
Publicado no Jornal Notícias do Dia, em SC
A democracia – conquistada a duras penas por idealistas que lutaram contra o autoritarismo e a tirania de governos absolutistas – no Brasil, como forma de governo, encontra-se insculpida na Constituição da República Federativa do Brasil, no artigo primeiro, como pilar do Estado Democrático de Direito.
Nos últimos anos, entretanto, o Poder Legislativo – que é a instituição que representa indiretamente esse poder popular - vem se deteriorando, revelando-se numa severa crise de representatividade, sobretudo pelo fato de não ecoar mais nas Casas do Povo, muitas vezes, os anseios populares, as reais necessidades dos cidadãos, o interesse público.


quarta-feira, 12 de março de 2014

Como “aceitar” a insanidade do mundo?



Segue abaixo um interessantíssimo artigo de Jeff Foster, traduzido por Nando Pereira, abordando a questão de 'como' lidamos psicologicamente com as 'informações' que nos chegam como 'bombas', por meio das mídias... Como elas nos afetam e como, a partir disso, afetamos  as pessoas que estão ao nosso redor?

O artigo contém uma série importante de perguntas, de questionamentos que devemos nos fazer... questões que dizem respeito a todo ser humano em geral e que funciona como um bom exame de consciência cidadã.

 

 

Como podemos “aceitar” o sofrimento e a insanidade do mundo? 

Que vida terão as crianças? 

 

Uma visão por Jeff Foster

O autor britânico Jeff Foster (de “Life Without a Centre” e “The Deepest Acceptance”) pediu para divulgar esse importante artigo sobre “Como Podemos Aceitar o Sofrimento do Mundo” (Keep Your Eyes On The Prize, How Can We ‘Accept’ The World’s Suffering?), originalmente publicado em maio de 2013, e agora traduzido para o português.

No texto, dois pontos merecem destaque:
1) uma tomada de consciência da influência desorientadora da mídia. O 'privilégio' de receber notícias em nossas casas virou uma exposição diária ao medo e a uma visão pessimista da humanidade e do mundo.
Saber lidar com esse mundo passa, então, fundamentalmente, por perceber que essa noção de mundo talvez seja primordialmente a composição dos meios que propagam uma realidade intoxicada de lados, de “nós contra eles”, essencialmente ruim e focado no que está decadente como se fosse o predominante ou o principal.
2) a reflexão de como ensinamos nossos filhos ao reagir nós mesmos a esse mundo. Quando “embarcamos” nesse noticiário e saímos a criticar a loucura do mundo, emitindo todo tipo de julgamentos sobre bem e mal, nós mesmos passando a adotar éticas questionáveis e a transmitir táticas de sobrevivência que estão de acordo com a manutenção dessa mesma noção de mundo.
É um texto sobre o qual vale a pena refletir:

sábado, 1 de março de 2014

A Magia do Rodeio!

Rodeio, a crueldade revelada

Publicado . em Animais
 

Nós do V.I.D.A. (Veículo de Intervenção pelo Direito Animal) fiscalizamos os rodeios de Assis SP e Tarumã SP. Com ajuda da Promotoria de Justiça, através de um oficio, tivemos acesso livre a todo recinto dos rodeios para fiscalização de ambos eventos.
A fiscalização se deu por meio de fotos e vídeos que foram protocoladas, juntamente com os relatórios, pela Promotoria Pública e ajuizadas.
Como esperado, encontramos inúmeros tipos de maus tratos, inclusive a utilização do condutor elétrico.
Os maus tratos praticados contra os animais foram praticamente os mesmos em todos os dias de evento: "utilização do sedém, pau para condução do animal, esporas, corda americana, falta de água e comida para os animais, exposição ao barulho excessivo das caixas de som e luzes, fogos de artifício próximos aos animais, feridas e escoriações nos mesmos, excrementos nos animais devido ao pânico e estresse, tapas e chutes na condução dos animais e longo período de presença do animal no brete." (Trecho retirado dos relatórios de irregularidades e maus tratos com os animais durante os rodeios).
OBS: Os voluntários responsáveis pelas ações ressaltaram que, em momento algum, tentaram impedir qualquer tipo de entretenimento, evento cultural, ou festa. A motivação para iniciarem as ações públicas é garantir o bem estar animal assegurado por lei. A situação em que os animais se encontraram e foram tratados nos rodeios acima citados é adversa àquelas previstas na Constituição.
Veja o Vídeo


Para mais informações, visite o blog www.coletivovida.blogspot.com
FONTE: http://www.portaldomeioambiente.org.br/noticias/animais/6337-rodeio-a-crueldade-revelada

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Lei anticorrupção em vigor!



Lei anticorrupção traz nova era de responsabilidades a empresários


Nova legislação dá um tratamento mais rígido aos atos ilícitos cometidos na iniciativa privada e prevê até dissolução de empresas



Uma lei que entrou em vigor no dia 29 de janeiro promete mexer onde mais dói para empresários envolvidos em atos de corrupção com o poder público: o bolso. Considerada muito rígida por alguns, a lei 12.846, conhecida como lei anticorrupção empresarial, prevê a responsabilização objetiva de pessoas jurídicas, multa de até R$ 60 milhões e até a dissolução da empresa em caso de reincidência. Para especialistas, o projeto, aprovado em julho do ano passado pelo Senado, deverá inaugurar uma nova era de responsabilidades para o empresariado nacional.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Blue Eyes - Brown Eyes

Imperdível documentário!

Produzido pelo premiado diretor alemão Bertram Verhaag, mostra um exercício sociológico conduzido pela professora e socióloga norte-americana Jane Elliot, que dedicou sua vida à luta contra o preconceito, a ignorância e o racismo.


Elliott ganhou um Emmy pelo documentário de 1968 "The Eye of the Storm", em que aplicou um exercício de discriminação numa sala de aula da terceira série, baseada na cor dos olhos das crianças. Hoje aposentada, realiza workshops sobre racismo para adultos.

 


Tudo começou quando Elliott resolveu realizar na pequena escola na cidade de Riceville onde lecionava, no interior do Estado de Iowa - EUA, no dia 5 de abril de 1968, uma experiência que se tornou inesquecível para seus alunos, famílias e para o mundo todo. No dia anterior, ocorrera o assassinato de Martin Luther King. 
Jane Elliott resolveu aproveitar a oportunidade para expressar seu inconformismo em relação ao preconceito e racismo da sociedade norte-americana. Determinada a levar as situações até o limite, ela elaborou uma dinâmica para realizar com seus alunos do ensino elementar na manhã seguinte.
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No documentário intitulado "Olhos Azuis", a professora norte-americana Jane Elliott repete a experiência com adultos, promovendo propositadamente um "exercício de discriminação pela cor dos olhos". 
Deste modo, ela acaba por denunciar a hipocrisia de uma sociedade que se acredita justa e civilizada, mas que na realidade em seu dia a dia, encontra-se impregnada de práticas preconceituosas, assim como já havia denunciado tantos outros, incluindo Martin Luther King, assassinado justamente por esse motivo. 
Sua dinâmica nos causa um choque psicológico que nos faz pensar seriamente sobre a questão. Ela começa colocando pessoas de um grupo controlado para sentirem na pele o que as minorias sentem todos os dias de suas vidas, produto desse meio social que dilacera as minorias e as põem como inferiores. As implicações são fantásticas... 
Imperdível!! Assista!

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Avanços da cidadania

Avanços da transparência, do controle e do combate à corrupção


Publicado em 06 Fevereiro 2014
Realmente é muito contraditório que na mesma proporção que o País avança na transparência e no controle sobre os agentes políticos – facilitando a descoberta e a punição dos desvios – aumente a desilusão e o descrédito com a política e com suas instituições, a ponto de as pessoas não apenas evitarem de participar mas desqualificarem a política.
Antônio Augusto de Queiroz*
O Brasil, desde a redemocratização, já avançou muito em termos de transparência, de controle e de combate à corrupção. Mas ainda está longe do pleno controle social e do fim da impunidade.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Lei Anticorrupção entra em vigor hoje

Lei Anticorrupção entra em vigor nesta quarta-feira

29/01/2014

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Por que o MP e a polícia não podem investigar políticos?

Por que o TSE proibiu o MP e a polícia de investigar?


Ou "A absoluta e flagrante inconstitucionalidade da nova resolução do TSE".
E começa tudo de novo. A população foi às ruas pedir a derrubada da PEC 37. O Congresso, assustado, por unanimidade atendeu aos apelos do povo. Pois não é que o TSE resolveu repristinar a discussão, por um caminho mais simples, uma Resolução?
Para quem não sabe, explico: pela Resolução 23.396/2013, o Ministério Público e também a Polícia de todo o Brasil não podem, de ofício, abrir investigação nas próximas eleições. É isso mesmo que o leitor leu. Segundo a nova Resolução – que, pasmem, tem data, porque vale só para 2014 – somente poderá haver investigação se a Justiça Eleitoral autorizar.
Então o TSE é Parlamento? Pode ele produzir leis que interfiram no poder investigatório da Polícia e do Ministério Público? Não acham os brasileiros que, desta vez, o TSE foi longe demais?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

o sistema de franquia no âmbito das ONGs

Franquia de ONGs, uma nova forma de combater a corrupção
Rede de Observatórios Sociais aposta na prevenção para combater a corrupção em mais de 70 cidades
O início foi modesto, há dez anos, no interior do Paraná. Mas a iniciativa deu tão certo que a expansão foi inevitável: hoje a rede de Observatórios Sociais, ONGs que apostam na prevenção para combater a corrupção, atua em mais de 70 cidades de 14 Estados do País. O plano agora é, com a ajuda do Sebrae, ampliar a rede recorrendo à criação de franquias.
O primeiro Observatório surgiu em 2004, no rastro de um escândalo de desvio de recursos em Maringá. O ex-prefeito Jairo Gianoto foi condenado, preso e hoje recorre em liberdade. Dois anos depois, a vizinha Campo Mourão seguiu o exemplo. A iniciativa chegou a Estados como Santa Catarina, São Paulo e Rondônia.
"É preciso matar a corrupção no edital", diz o presidente da ONG, Ater Cristófoli. "A gente percebe que, se o prefeito não resolve lá no começo, pouca coisa acontece depois." Uma de suas lições: "O fundamental é que os integrantes dos Observatórios não sejam filiados a partidos políticos, para que o prefeito não possa alegar que é uma ação da oposição". Com base nas irregularidades detectadas, a rede calcula ter conseguido em 2013 uma economia total de R$ 305 milhões para os cofres públicos.
Como surgiu o Observatório?

Observatório Social: como deter a corrupção?

Rede de ONGs ensina a deter corrupção enquanto é tempo

Sem alarde, Observatórios Sociais se alastram por cidades médias e pequenas do Brasil, monitorando editais de licitação de forma sistemática, antevendo fraudes e garantindo vultosa economia para os cofres municipais. E agora querem pôr o pé nas principais metrópoles do país

 


Fiscalização sistemática previne a corrupção e eleva o debate sobre a
                                          qualidade dos gastos públicos (Foto: iStock)Fiscalização sistemática previne a corrupção e eleva o debate sobre a qualidade dos gastos públicos (Foto: iStock)
Há dois caminhos para combater a corrupção. Um deles é o de punir os malfeitos — e todos sabem como é difícil obter condenações no Brasil, e mais ainda reaver os valores desviados. O outro caminho é o da prevenção, o de se antecipar aos corruptos. É a isso que se dedica o Observatório Social do Brasil (OSB), uma rede de ONGs que se alastrou por 14 estados. O ponto de partida é a constatação de que boa parte das fraudes pode ser adivinhada nas entrelinhas das licitações. Basta ter acesso à papelada, o olho treinado e (muita) paciência para desenredar suas tramas. O mesmo método evita que erros que não envolvem má fé, mas saem caro para o contribuinte, sejam cometidos. Em 2012, a OSB conseguiu impedir que 305 milhões de reais escoassem dos cofres municipais.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Notícias sub-reportadas de 2013

Strange Fruit

           Notícias sub-reportadas de 2013

Peter H. Peng, PhD


Continuando a tradição iniciada ao final de 2012, discutirei as notícias mais seriamente sub-reportadas de 2013, segundo minha opinião, claro. Recordemos: faz um ano que inventei o que espero vire moda jornalística; identificar a sub-reportagem, um contrapeso às “Dez Mais”.
É fácil chegar a um consenso e nomear as maiores manchetes de 2013. Por exemplo, em 2013, aqui nos EEUU tivemos períodos em que não se ligava a televisão sem se ouvir sobre o Edward Snowden, Benghazi, o assassinato do Trayvon Martin, o julgamento da Jody Arias, e a vida e a morte de Nelson Mandela. No Brasil, também, fomos à exaustão com os protestos nas ruas, o mensalão e com a visita do Papa ao Brasil.
O avesso é mais difícil. Foi o que chamei de under-reporting, ou notícias sub-reportadas. São aqueles aspectos das notícias – o lado avesso – que, por omissão, ignorância, preguiça, falta de profissionalismo, ou cumplicidade dos jornalistas, não receberam a atenção devida, e assim desvalorizaram os respectivos eventos reportados em peso. É como aquele tempero tão chave no preparo de um prato que sua ausência flagrante desmonta a construção. A importância da ausência é ainda maior quanto o evento é seminal, determinante do futuro.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

onde queremos chegar?



Afinal, onde queremos chegar?



O ano 2013 ficará irremediavelmente marcado na nossa memória, por inúmeras conquistas e derrotas, no aspecto sociológico e político.  Nosso país entrou orgulhosamente no circuito internacional das grandes mobilizações e protestos massivos.  Ao lado da mobilização das ruas, destacamos a atuação perene e menos difusa das redes de cidadãos que, organizados em ONGs, também contribuíram para barrar retrocessos como a PEC 37, para ampliar a aplicabilidade da Ficha Limpa em todos os níveis da gestão pública, para fulminar o vergonhoso voto secreto parlamentar, bem como para dar um empurrãozinho na aprovação da importante Lei nº 12.846, que dispõe sobre a responsabilização administrativa e civil de empresas pela prática de atos contra a administração pública. Referida lei será sim muito útil para inibir a prática da corrupção com os contratos de obras e serviços públicos.

Questões como a Reforma Política, a busca por eleições mais limpas, as distorções de representação política do atual sistema eleitoral brasileiro, além da vil questão da permissão para que empresas financiem campanhas eleitorais, para posteriormente serem beneficiadas com contratos junto à Administração Pública, também entraram na pauta, mas avançaram menos do que esperávamos. Ao lado de tudo isto, tivemos o fato inédito de políticos do alto escalão e importantes empresários terem sido condenados por corrupção, inclusive muitos com penas de prisão em regime fechado. Por mais que estejamos frustrados com a timidez dos avanços, certamente abriu-se um precedente para outros casos que também precisam de urgente apuração, mas que jaziam no limbo tenebroso da prática político-partidária brasileira.

Paradoxalmente, o Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional mostra que a corrupção no Brasil continua alarmante, o que nos leva a concluir que muito ainda há para ser feito. O brasileiro em geral se tornou mais consciente de que em ambiente de corrupção dificilmente prosperam projetos de desenvolvimento econômico e social. O combate à corrupção aumentou, mas a corrupção (ou a percepção dela) também parece ter aumentado.

Como resolver o aparente paradoxo? Podemos efetivamente construir uma sociedade mais justa? Ou tudo não passa de utopia e engodo ideológico? Temos evidenciado que a simples percepção consciente do mal, juntamente com os duros golpes que desferimos contra ele, não o eliminam. Assim, não deveríamos focar somente no combate aos corruptos e corruptores, pois há uma lei condicionando nesse momento a psicologia e a sociologia humanas: tudo no que nos concentramos e simploriamente combatemos, acaba se fortalecendo. Tudo que se tenta simploriamente reprimir, só faz aumentar sua resistência, tal como um antibiótico mal administrado fortalece ainda mais o micróbio que se queria eliminar.

Por isso, ao invés de simplesmente criticar e combater o mal, mudemos nosso foco! Valorizemos as pessoas que respeitam o próximo, que pagam seus impostos honestamente, que respeitam a sinalização, que pautam suas vidas em atitudes éticas. Notemos a influência do nosso comportamento na vida social e percebamos que, a partir de pequenas atitudes, vai se formando aquela cultura das boas práticas de conduta, que por sua vez, em efeito cascata, contribuirão para que as relações pessoais, comerciais e de governo sejam construídas sobre as novas bases da honestidade e da integridade.

Por fim, precisamos, cada um de nós, despertar nas pessoas que nos cercam, não fatalismos e derrotismos, mas aquele senso de brasilidade que vai além da torcida pela seleção em dia de jogo, que vai além do patriotismo tolo e etnocêntrico. Precisamos despertar a consciência cidadã, resgatando valores e atitudes que compõem o senso coletivo de moralidade, civismo e cidadania. Precisamos vigiar a sombra que nos espreita a partir de nós mesmos, mas nosso foco principal não deve ser o mal que enxergamos tão bem no mundo fora de nós. Nossa atenção deve se voltar para aquelas atitudes que gostaríamos de ver generalizadas na prática social e política. Somos sim capazes de mudar o mundo a nossa volta. Mas não adianta espernear: o mundo só muda se mudamos primeiro a nós mesmos.



Silvio MMax.



publicado no Jornal da Cidade (Bauru) em 06/01/2014
disponível em: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=232327