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terça-feira, 26 de março de 2019

A mente criar problemas para quem? - Mooji

A mente faz muito barulho...



A mente costuma criar muitos problemas. Mas prá quem ela cria?
A mente poderia criar problemas para você se você não tivesse interesse nela?
A mente traz problemas para você... mas quem é "você"? 
você responde seu nome... mas quem deu este nome?
você não é seu nome.
seu corpo não é você. 
sua mente (pensamentos e emoções) não é você.
quando um pensamento surge, quem o percebe já estava aqui antes dele surgir. O pensamento não estava. Ele vem e vai embora. E você permanece aqui.
Você (Ser) não é objeto dos sentidos. Você já está aqui antes de qualquer pensamento.
Você é mais rápido que o pensamento mais veloz.
Então você não é o pensamento, nem o corpo.
Você está aqui para observá-los (a personalidade, as memórias).
Então você é outra coisa.
A memória é algo muito poderoso porque para muitos, suas vidas são memórias. Para muitas pessoas, quando falam é basicamente sobre o passado (memória).
Pergunto:
Você pode falar sem memória? sem projeção? você pode falar sem esperança (expectativa)? sem passado? sem futuro? sem julgamento?
Quando puder falar assim, então é algo novo.
Tudo que está na sua memória... jogue fora. Jogue fora tudo e você ainda está aqui. Enquanto "quê" você está aqui?
Você pode jogar você fora?
O que é o tempo sem você?
Você é aquele que observa o tempo.
Por acaso o relógio sabe que horas são? Você é que o percebe.
O tempo não está consciente de si mesmo...
a distância não está consciente de si mesma...
o pensamento não está consciente de si mesmo. Nenhum pensamento trabalha para si mesmo.
Onde exatamente você está?
se você não é o corpo, quem é você?
se tomasse uma droga que momentaneamente fizesse com que não conseguisse mais identificar seu corpo, você acha que seu corpo sabe que é seu?

a última estratégia do ego para sobreviver

Alerta sobre o que estamos fazendo com nosso caminho de busca, 

uma mensagem de cuidado com o ego e suas artimanhas, mesmo aquele (ego) que medita, faz ioga, vai a retiros, faz caridades, recitra mantras, isso e aquilo.



“O ego quer ser um grande meditador.
O ego quer ser sábio e amoroso e compassivo.
Ele se vê lá. Todos irão dizer, “Nossa, desde que você voltou daquele retiro você está tão diferente. O que você encontrou? Me conte”.
Nada a ver com isso.
Não há nada que encontrar. Não há nenhum lugar a ir”.
Jetsunma Tenzin Palmo

fonte: http://dharmalog.com/2016/02/03/monja-ego-impostor-sabio-amoroso-compassivo-tenzin-palmo/



Coisas que tornam uma pessoa fraca

 Como saber se nossa ação (ou se a motivação de nossa ação) é pura e sábia, ou não?*



Pergunte-se se você se encaixa em alguma das oito situações abaixo:

1.Querer ganhar;
2.Não querer perder;

3.Querer ser reconhecido;
4.Não querer ser ignorado.

5.Querer ser elogiado;
6.Não querer ser criticado;

7.Querer prazer;
8.Não querer dor;







*extraído da filosofia budista

Dicas de Eckhart Tolle sobre o Poder do Agora - II

PENSAMENTOS SELECIONADOS DE ECKHART TOLLE








Sempre diga sim para o momento presente
A aceitação pode parecer um estado passivo, mas na realidade ela traz algo inteiramente novo para este mundo. Esta paz, esta vivência, é consciência.
Aceite — depois aja. O que quer este momento presente contenha, aceite como se você tivesse escolhido. Sempre trabalhe com o momento e não contra o momento.

Sempre diga sim para o momento presente. 
O que pode ser mais fútil, mais insano do que criar uma resistência interna ao que já é? 
O que poderia ser mais insensato do que se opor à vida ela mesma, que é agora e sempre agora? 
Se renda. Diga sim para vida — e veja como a vida instantaneamente começa trabalhar para você ao invés de contra você.

Não leve a vida tão a sério.
A vida não é tão séria como sua mente pode te fazer acreditar.

Quanto mais você se ligar às coisas de uma maneira negativa, mais obcecada com as coisas negativas sua mente vai se tornar
As pessoas tendem a focar mais nas coisas negativas do que nas coisas positivas.
Então a sua mente se torna algo obcecado com as coisas negativas, com preconceitos.
Culpa e ansiedade são produzidas por pensamentos a respeito do futuro e por aí vai.

Quando você reclama, você se coloca no papel de vítima
Reclamar é sempre uma não-aceitação do que é. Inevitavelmente carrega uma carga inconsciente negativa. Quando você reclama, vocês se transforma em uma vítima. Quando você fala alto, você está no poder. Então mude a situação e tome alguma atitude, ou deixe a situação ou aceite-a. Tudo mais é provavelmente uma loucura.


quinta-feira, 19 de julho de 2018

vida material e vida espiritual

o lado material e o lado espiritual da vida


No mundo da Verdade não há dualidade (mas unicidade). A crença ortodoxa ensinada em nossa cultura nos diz: há um corpo físico e há uma mente, substâncias distintas, cuja interação não é satisfatoriamente explicada até hoje. 

Outro paradigma é pensar que não há separação entre 'vida material' e 'vida espiritual'... essa divisão é meramente didática, criada para facilitar o aprendizado de 'neófitos' como nós. Mas, no fundo, ambos os aspectos se fundem num todo único. Muito claramente se observa que um reflete o outro tão intrínseca e detalhadamente, que aquelas distinções, antes óbvias, vão se tornando cada vez mais questionáveis e até mesmo obsoletas em muitos casos...
Logo, faço um convite: ousemos por um momento, olhar o ser humano, seu corpo e sua mente, sua psicologia e sua fisiologia, ambos como um todo único!

Dando um passo adiante, pensemos agora a sociedade, o mundo, os animais, os vegetais, o planeta... tudo formando um organismo vivo único, uma unidade complexa.

Formamos uma unidade... em inúmeros sentidos. 
Quando um dos elementos (na aparência distintos, isolados, diferenciados) sofre um desequilíbrio, todo o organismo é afetado de algum modo...  Noutras palavras, todo 'indivíduo', como célula desse grande corpo, é afetado em maior ou menor grau, em maior ou menor intensidade.

Outro exemplo de que a aparente dualidade corpo/mente é de certo modo ilusória, são as doenças psicossomáticas, cujo rol, segundo o CID, aumenta a cada dia. Há não muito tempo apenas psicólogos abraçavam a tarefa de estudá-las. Hoje, tais enfermidades fazem parte obrigatória da formação profissional de qualquer médico, neurologista, fisiologista ou psiquiatra. E a cada dia que passa, mais pesquisadores vão desconfiando e descobrindo que enfermidades antes consideradas como de origem totalmente física (meramente 'biológica'), na verdade tem origem (ou ao menos influência) de 'mecanismos psíquicos'.



Você está sonhando ou está acordado, neste exato momento?


o sonho da prisão

“Não há necessidade de uma saída!
Você não vê que uma saída é também uma parte do sonho?
Tudo que você tem que fazer é ver o sonho como sonho.”

Sri Nisargadatta Maharaj (1897-1981), sábio indiano de Advaita Vedanta




“Auto-libertação é como estar preso em correntes de ferro em um sonho. Se você não sabe que está sonhando, seu cativeiro parece real, você acha que é real, e sua experiência parece confirmar que é real. 
Mas se você sabe que está sonhando, você sabe que as correntes não existem de verdade, e por isso você não está verdadeiramente preso por elas. A prisão de fato não existe. 
No sonho, nada precisa ser feito ou libertado — você é livre como você é. A experiência do sonho, mesmo que se pareça com uma experiência de prisão, está de fato auto-liberada.”
Khenpo Tsultrim Rinpoche, mestre tibetano de meditação budista (ktgrinpoche.org)

domingo, 8 de julho de 2018

Mooji: Por que Parece Tão Difícil Superar a Mente?

  

Por que Parece Tão Difícil Superar a Mente?

 


 

 

 

 

Deu ruim... A culpa é de quem? ... o autocontrole e a vitimização, segundo Osho

Excelente reflexão de Osho sobre o problema do autocontrole, da vitimização, da liberdade, do carma... uma sábia análise sobre a origem dos nossos problemas de relacionamento.  
A questão da responsabilidade pessoal sobre tudo que nos acontece também é abordada aqui. Não somos sujeitos passivos que sofrem a ação do inferno e do céu, externos a nós mesmos... 
Tanto um, quanto o outro, não estavam aqui aqui no mundo antes de nós chegarmos. Eles acontecem porque estamos aqui!
Vale a pena ler:








Os hábitos obrigam você a fazer certas coisas; você é uma vítima. Os hindus dão a isso o nome de karma. Cada ato que você repete, ou cada pensamento — porque os pensamentos também são ações mentais sutis — fica cada vez mais forte. E então você fica sob o domínio dele. Fica preso ao hábito. Você passa a viver a vida de um prisioneiro, de um escravo. E esse aprisionamento é muito sutil; a prisão é feita de hábitos, de condicionamentos e de ações que você praticou. Tudo isso está em torno do seu corpo e você fica todo emaranhado, mas continua se fazendo de tolo, achando que é você quem está decidindo.

Quando fica zangado, você acha que é você quem decide ficar. 

Você racionaliza e diz que a situação exigiu esse comportamento: “Eu tive de ficar zangado, senão a criança ficaria malcriada. Se eu não ficasse zangado, as coisas dariam errado, o escritório ficaria um caos. Os empregados não ouviriam; tive de ficar zangado para pôr as coisas em ordem. Para colocar minha mulher em seu devido lugar, tive de ficar zangado.” Essas são as racionalizações — é assim que seu ego continua a pensar que você ainda está no comando. Mas você não está.

A raiva é fruto de velhos padrões, do passado. E, quando ela irrompe, você tenta achar uma desculpa para ela. Os psicólogos têm feito experiências e chegaram às mesmas conclusões que a psicologia esotérica oriental: o ser humano é uma vítima, não é senhor de si mesmo.

Os psicólogos deixaram as pessoas em isolamento, com todo conforto possível. Tudo o que lhes fosse necessário era proporcionado, mas elas não tinham contato nenhum com outros seres humanos. Viveram em isolamento numa cela com ar-condicionado — sem ter de trabalhar, sem ter nenhum problema, mas continuaram com os mesmos hábitos. Numa manhã, sem nenhuma razão — porque elas tinham todo conforto, não havia com que se preocuparem, nenhuma desculpa para ficarem zangadas —, um homem descobriu de repente que começava a sentir raiva.

Ela está dentro de você. As vezes, surge uma tristeza sem nenhuma razão aparente. E, às vezes, aflora um sentimento de felicidade, euforia ou êxtase. Um homem destituído de todos os relacionamentos sociais, isolado num ambiente com todo conforto, em que todas as suas necessidades são satisfeitas, passa por todos os estados de ânimo pelos quais você passa num relacionamento. Isso significa que alguma coisa vem de dentro e você a associa a outra pessoa. Isso é só uma racionalização.

Você se sente bem, você se sente mal e esses sentimentos borbulham da sua própria inconsciência, do seu próprio passado. Ninguém é responsável, exceto você. Ninguém pode deixar você zangado ou feliz. Você fica feliz por sua própria conta, fica zangado por sua própria conta e fica triste por sua própria conta. A menos que perceba isso, você continuará para sempre um escravo.

O domínio do seu próprio eu você conquista quando percebe: “Sou absolutamente responsável por tudo o que me acontece. Seja o que for que acontecer, incondicionalmente — sou inteiramente responsável.”

A princípio, isso o deixará extremamente triste e deprimido, porque, quando pode jogar a culpa nos outros, você fica tranquilo e certo de que não é você quem está errando. O que você pode fazer se a sua mulher está se comportando dessa forma tão desagradável? Você tem de ficar com raiva. Mas, veja bem, a sua mulher está se comportando dessa forma por causa dos seus próprios mecanismos interiores. Ela não está sendo desagradável com você. Se você não estivesse ali, ela seria desagradável com o filho. Se o filho não estivesse ali, ela seria desagradável com a pia cheia de louça; ela jogaria toda a louça no chão. Quebraria o rádio. Ela teria de fazer alguma coisa; esse sentimento afloraria nela.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

“O Poder do Agora” - por Eckhart Tolle

O Poder do Agora [TRECHO]


-Por Eckhart Tolle

A palavra iluminação transmite a ideia de uma conquista sobre-humana – e isso agrada ao ego –, mas é simplesmente o estado natural de sentir-se em unidade com o Ser. É um estado de conexão com algo imensurável e indestrutível. Pode parecer um paradoxo, mas esse “algo” é essencialmente você e, ao mesmo tempo, é muito maior do que você. A iluminação consiste em encontrar a verdadeira natureza por trás do nome e da forma. A incapacidade de sentir essa conexão dá origem a uma ilusão de separação, tanto de você mesmo quanto do mundo ao redor. 
Quando você se percebe, consciente ou inconscientemente, como um fragmento isolado, o medo e os conflitos internos e externos tomam conta da sua vida. (…)Se você é governado pela mente, embora não tenha escolha, vai sofrer as consequências da sua inconsciência e criar mais sofrimento. Você vai carregar o fardo do medo, das disputas, dos problemas e do sofrimento. Até que o sofrimento force você, no final, a sair do seu estado de inconsciência.

“Enquanto não somos capazes de acessar o poder do Agora, vamos acumulando resíduos de sofrimento emocional. Esses resíduos se misturam ao sofrimento do passado e se alojam em nossa mente e em nosso corpo. Isso inclui o sofrimento vivido em nossa infância, causado pela falta de compreensão do mundo em que nascemos”.

Todo esse sofrimento cria um campo de energia negativa que ocupa a mente e o corpo. Se olharmos para ele como uma entidade invisível com características próprias, estaremos chegando bem perto da verdade. É o sofrimento emocional do corpo. Apresenta-se sob duas modalidades: inativo e ativo. 

O sofrimento pode ficar inativo 90% do tempo, ou 100% ativado em alguém profundamente infeliz. Algumas pessoas atravessam a vida quase que inteiramente tomadas pelo sofrimento, enquanto outras passam por ele em algumas situações que envolvem relações familiares e amorosas, lesões físicas ou emocionais, perdas do passado, abandono, etc. 

Qualquer coisa pode ativá-lo, especialmente se encontrar ressonância em um padrão de sofrimento do passado.Quando o sofrimento está pronto para despertar do estágio inativo, até mesmo uma observação inocente feita por um amigo ou um pensamento é capaz de ativá-lo.Alguns sofrimentos são irritantes, mas inofensivos, como é o caso de uma criança que não pára de chorar. Outros são monstros destrutivos e mórbidos, verdadeiros demônios. Alguns são fisicamente violentos; outros, emocionalmente violentos. Eles podem atacar tanto as pessoas à nossa volta quanto a nós mesmos, seus “hospedeiros”. Os pensamentos e sentimentos relativos à nossa vida tornam-se, então, profundamente negativos e autodestrutivos. Doenças e acidentes frequentemente acontecem desse modo. Alguns sofrimentos podem até levar uma pessoa ao suicídio.



a diferença fundamental entre prazer e felicidade


meditação ativa


"Continue até que você se veja na pessoa mais cruel da Terra, na criança faminta, no prisioneiro político. 
Pratique até que se reconheça em todos no supermercado, na esquina, no campo de concentração, numa folha, numa gota de orvalho. 
Medite até que se veja numa partícula de poeira em uma galáxia distante. 
Veja e ouça com todo seu SER. 
Se você estiver totalmente presente, a chuva do Dharma vai irrigar as sementes mais profundas da sua consciência, e amanhã, enquanto você estiver lavando os pratos ou olhando o céu azul, aquela semente vai germinar, e o amor e a compreensão vão aparecer como uma linda flor".
— THICH NHAT HANH, em 'Teachings on Love' (via Wake Up London)

Não perca tempo - Mooji

Vale a pena ler esta interessante reflexão de :

Existem algumas mensagens que você encontra em praticamente todas as escolas. Uma delas é “não perder tempo” no caminho do autoconhecimento.  

Dilgo Kyentse Rinpoche (1910-1991) dizia: não esqueçamos “quão rápido a vida se vai, como um flash de relâmpago no verão ou o aceno de uma mão”. Ele também insistia para que não perdêssemos “um único momento”.  
Robert Adams (1928-1997), professor yogue, também lembrava para “não perdermos tempo com frivolidades”. 
O grande mestre Zen Dogen (1200-1253) escreveu: “Desperdiçar a passagem do tempo é estar confuso e sujo no flutuante mundo do nome e do ganho”.

O jamaicano mestre de Advaita Mooji enfatiza a necessidade de dedicar tempo a descobrir a verdade, mas sem se perder no caminho, sem ficar buscando pra sempre no que poderíamos chamar de um perambular em círculos por escolas, práticas e mestres infinitamente, numa espécie de “samsara espiritual”. 

No vídeo abaixo, de onde foi transcrito o trecho abaixo, ele explica a dedicação, o uso do tempo e a necessidade do interesse verdadeiro na busca.


“Muitas pessoas começam (a busca) e nunca vão realmente até o fim. Eles começam e se confundem, vão em outras direções… Aí, você os encontra meses ou anos depois… Você os vê e parece que eles retrocederam. Não há nada neles: não há fogo, atração, presença ou poder. (…) Não perca tempo! Você não tem que passar a vida toda buscando se você tem a oportunidade de encontrar aquilo que procura. Você entende? Isto é auspiciosidade. Isso é dignidade, se quiser definir assim. 

Eu lhe digo: “Olha, eu escondi dinheiro nessa sala – você não tem dinheiro -, somente nesta sala. Encontre-o e vá.” 
E, então, eu volto duas semanas depois e você ainda está procurando… Brincando com o telefone… Você não está procurando, você está interessado em outra coisa. Você quer um telefone, você não está buscando. Isso é o que acontece com essas pessoas. Elas não estão realmente buscando. Elas dizem: “a Verdade é tão misteriosa…”, mas isso é uma bobagem. Você é a Verdade, é muito simples. A verdade é que elas não querem saber disso.”
Mooji

Eis o vídeo completo com Mooji — legendas em português disponíveis nos controles  de Closed Captions (CC) e Configurações, na base do vídeo:

Don't waste time!

 

fonte: http://dharmalog.com/2017/06/08/mooji-nao-perca-tempo/

meditação? acontece!

A meditação é um acontecimento, esse é o primeiro ponto. O segundo é, a meditação não exige esforço. A chave para a meditação é a não exigência de esforço. Não é fazer alguma coisa, mas não fazer nada, que é meditação. E criar uma condição onde você possa realmente não fazer nada é tudo o que é importante para examinar.
~Sri Sri Ravi Shankar

Universos sobre pernas - Flávio Siqueira

ótima reflexão de Flávio Siqueira, a qual reproduzo abaixo:

Universos sobre pernas

Nesse espaço infinito que chamo de universo, entre galáxias, planetas, cometas chocando-se, estrelas que nascem e morrem, entre o mistério em constante movimento há um micro cosmos caminhando sobre pernas. Sou espaço que se reconhece como indivíduo, maravilhado por fazer parte de algo que não posso nominar.
Sinto-me incapaz de entender o cosmos que sou e isso me inquieta. Em que tipo de universo vivo? Que universo sou? Recorro à fresta da ciência, há tantos limites. A filosofia me ajuda na busca por significados, mas em cada resposta novas perguntas, tantas, tantas, tantas, novos dilemas, paradoxos que me mantém em movimento.
Movimento-me. Vivo no tempo que sei relativo. Grita em mim o contraste entre o eterno que habita este vasto espaço contido em um corpo, templo do que não cabe na cronologia que modifica meus traços, meus pensamentos, o mundo que me veste.  Modifico-me e mal percebo.
Sobre a janela anseio respostas. Suspiro com saudade da casa que desconheço. Suspiro. Deixo que os olhos passeiem entre o horizonte e as estrelas, que descansem sobre o teto escuro da noite na Terra e se percam, ultrapassam camadas de ar, de gases, de verdades, de crenças e se percam...
Agora tudo é silêncio. Possibilidades. Vagando, deixei de saber. Encanto, universos que se encontram, galáxias infinitas, não posso calcular, os fenômenos geram explosões devastadoras, mundos que nascem e morrem contemplados pelo silêncio do abismo em movimento, voraz em sua lógica caótica, promotora de vida, de morte, de espantos.
Sou além grão de poeira das estrelas. Forma que temporariamente assume alguma consciência e depois vai, vira outra coisa, reintegra-se ao mistério.
O corpo onde não caibo perderá a forma. Universo decantando-se em outros universos, assumindo múltiplas paisagens, outros mundos que se desfazem.
Cada expressão de consciência é parte de uma única mente. Fragmentos do absoluto reconhecendo-se entre o lapso de vida e morte, caminhando em busca de significados, esforçando-se para permanecerem, relutando em ir.
Mas talvez o único jeito de permanecer seja colocando-se no fluxo do movimento que não cessa, que modifica todas as coisas, que nos desfaz, quem sabe, para lembrar que somos parte do todo e que o todo se reconhece ao nos reconhecermos.
Somos consciências do universo. Mistérios aculturados contidos em identidades que anseiam pelo céu.
O céu, abrigo de mistérios indecifráveis, contemplados em nossas frestas, expressões simétricas dos mundos que habitam esse espaço que sou, universo que caminha sobre pernas.

terça-feira, 3 de abril de 2018

a armadilha do intelecto

“Uma das grandes armadilhas que temos no Ocidente é nossa inteligência, porque queremos saber o que sabemos. A liberdade nos permite sermos sábios, mas não podemos saber sabedoria. Devemos ser sabedoria. Quando meu guru queria me colocar pra baixo, ele me chamava de “esperto”. Quando ele queria me recompensar, ele me chamava de “simples”. O intelecto é um lindo servo, mas um terrível mestre. O intelecto é uma ferramenta poderosa para a nossa separatividade. 
O coração intuitivo e compassivo é a porta para nossa unidade.”

— RAM DASS, “Words of Wisdom” (20/08/2017)

quinta-feira, 1 de março de 2018

nenhum pensamento mora de graça...

Eis acima uma breve citação que pode encerrar múltiplos e profundos sentidos que se complementam...
Vamos refletir:
- Nenhum pensamento ou emoção é percebido (em nossa consciência de pensador) aleatoriamente ou sem motivo;
- Detalhe importante! Nenhum pensamento ou emoção se demora (nem se sustenta) em nossa psique sem um bom salário, sem boa "nutrição", sem uma boa acolhida;
- Mais importante ainda: Nenhum pensamento ou emoção permanece em nós por muito tempo sem que tenha conseguido se aninhar (ou se esconder) junto a outros sentimentos e pensamentos semelhantes que já estavam lá, antes dele (mesmo que não tenhamos a menor consciência prévia disto);
E agora, a pior parte:
- Nenhum pensamento ou emoção reside em nós sem consequências, sem consumir boa ração, sem condicionar fragmentos de consciência, sem condicionar o comportamento do seu "hospedeiro".
- Nenhum pensamento ou emoção permanece em nós sem nossa atenção (positiva ou negativa) e consideração...

Em síntese: acolhemos, nutrimos e valorizamos certa emoção ou pensamento, porque cremos em sua realidade interior... Nós nos identificamos a ponto de acreditarmos sinceramente que "ele" somos nós mesmos, "falando" dentro de nós. 

dica n. 1: não confie em seus pensamentos;
dica n. 2: não os leve tão a sério; 
dica n. 3: não lhes dê mais valor do que realmente eles têm, pois quase sempre eles se mostram inúteis ou prejudiciais.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O autoconhecimento e as metas para sua vida


Você conseguiu realizar todas suas metas para este ano? Quais são seus objetivos para 2018? O Bom Dia TOP recebeu o professor Silvio Motta, que falou sobre metas e a importância do autoconhecimento. Assista o vídeo aqui

domingo, 17 de setembro de 2017

Quando a espera é transformação

 













Pergunta:
Eu não sou rica nem tenho tudo de que preciso. Mas, mesmo assim, eu me sinto sozinha, confusa e deprimida. Existe alguma coisa que eu possa fazer quando esse tipo de depressão acontece?

Se está deprimida, fique deprimida; não “faça” nada. O que você pode fazer? Qualquer coisa que faça, fará por causa da depressão e isso a deixará mais confusa. Você pode rezar a Deus, mas rezará de modo tão deprimente que deixará até Deus deprimido com as suas orações!

Não cometa essa violência contra o pobre Deus. A sua oração será uma oração deprimente. Como você está deprimida, qualquer coisa que fizer virá acompanhada de depressão. Causará mais confusão, mais frustração, porque você não vai ser bem-sucedida. E, quando não é bem-sucedida, você fica mais deprimida, e esse é um ciclo sem fim.

É melhor ficar com a depressão original do que criar um segundo ciclo e depois um terceiro. Fique com o primeiro; o original é belo. O segundo será falso e o terceiro será um eco longínquo. Não crie esses últimos dois. O primeiro é belo.

Você está deprimida, portanto, é assim que a existência está se manifestando para você neste momento. Você está deprimida, então continue assim. Espere e observe. Você não vai poder ficar deprimida por muito tempo, porque neste mundo nada é permanente.

Este mundo é um fluxo. Ele não pode mudar as suas leis básicas por você, de modo que possa continuar deprimida para sempre. Nada aqui é para sempre; tudo está em movimento e em mudança. A existência é um rio; ela não pode parar para você, para que você possa continuar deprimida para sempre. Ela está em movimento — já mudou. Se você observar a sua depressão, verá que nem ela é a mesma; é diferente, está em mutação.

Só observe, continue com ela e não faça nada. É assim que a transformação acontece: por meio do não-fazer.

Estas defesas nos protegem?

Todos criamos cascas protetoras, para nos defender dos outros. Bichos cascudos têm pouca mobilidade, e machucam os outros. Uma velha tradição diz que o ser humano faz tudo para ter prazer na vida, e evitar a dor. Verdade?
Normalmente não procuramos demonstrar o amor que sentimos, quando amamos. Amor é ruim? Feio? Dói?
Também evitamos o choro, mesmo quando a vontade é grande. Choro é feio? Dói?
A mulher e o homem apaixonados se encontram. Tem vontade de pegar um na mão do outro, afagar o cabelo, abraçar, olhar nos olhos, puxar o nariz, brincar de faz de conta, manifestar ternura, contentamento, alegria, felicidade. Mas em geral não fazem nada disso.Tolhem os gestos mais espontâneos e ingênuos, que não são feios nem doem. Dariam prazer?
De fato (e INFELIZMENTE) na hora das coisas boas ficamos cheios de dedos. Não sabemos senti-las, muito menos nos entregar a elas. E usamos desculpas para esconder nossa incapacidade. Dizemos:
 - Não estava na hora.
- Ele não é a pessoa certa.
- O lugar não era adequado.
- O que iriam pensar?
- Não devo, não sou dessas.
Verdade que procuramos prazer e evitamos a dor?
Acho que acontece o contrário; defendemo-nos de coisas excelentes, fabricando uma casca protetora, verdadeira couraça. Os psicanalistas a chamam de defesa psicológica ou mecanismo de fuga ou proteção? Toda casca faz do indivíduo um especialista? Ele sempre responde as incertezas do mesmo jeito. Por isso, torna-se muito capaz numa direção, e incapaz na outra.
Alguns exemplos: o desdenhoso sabe desdenhar espetacularmente, mas sua habilidade termina aí. O orgulhoso é especialista em colocar-se acima das coisas, e incapaz de vivê-las. O gozador tem grande capacidade em rir de tudo, porém, não sente nada de importante, já que tudo é risível. O sério julga o mundo sério demais e achata a vida. Não sabe rir.
O displicente não leva nada a sério, então, não há nada que lhe interessa. A ingênua diz com espanto nos olhos que tudo é novo, mesmo acontecimentos velhos de muitos anos. E não se enriquece com acúmulo das experiências. O cobrador vive exigindo que as pessoas cumpram sua obrigação, com isso elimina a possibilidade (e risco) das respostas espontâneas.
O desconfiado está sempre desconfiado e afasta as coisas boas que interpreta como malévolas.
A eterna vítima é técnica em queixar-se, portanto não se arrisca a viver uma situação agradável. O Don Juan transforma a vida numa caçada à mulher, porém é incapaz de amar alguém.
O falador interminável teoriza sobre tudo e não vive, a vida é um dicionário. Esses são só alguns exemplos de cascas. Pois há tantas....e todas dificultam a vida. Como se fossem óculos escuros, impossibilitando a visão do arco-iris.
O cavaleiro medieval, armado de imponente armadura, investe contra o índio nu. Casca e não casca. Quem vai ganhar?
Se for preciso passar por uma ponte estreita (ou seja, por um momento difícil) é quase impossível manter o equilíbrio com a armadura. O índio ganha se surgir um perigo inesperado; como é que o cavaleiro se defenderá? Ele só sabe fazer as coisas de um jeito (é um especialista). O índio ganha. Se acontecer um empurrão (isto é, se as pressões sociais forem muitas), o cavaleiro não resiste e cai. O índio ganha.
Além disso, durante todo o tempo da luta, o encouraçado tem a respiração deficiente. Em consequência disso, ele pensa, sente e se mexe mal, pois a casca feita, na verdade, por tensões musculares que prendem, como uma roupa apertada, inibe todas as expansões.
Voltando aos exemplos, como o cavaleiro encouraçado, o desdenhoso, a vítima, o orgulhoso e os outros cascudos, especializados em suas defesas se movem, respiram, se sentem mal, vivem mal. Todo bicho muito cascudo,tartaruga, besouro, morre quando cai de costas. Seria bom aprender esta lição. A casca oprime, limita e sufoca... nos torna burros em todas as reações que fogem a nossa especialidade... nos deixa tensos e sem reações de forma que deixamos a vida passar sem realmente vivê-la, como se passa o tempo.


Autor: J. A. Gaiarsa 
Couraça Muscular do Caráter (Wilhelm Reich) Editora Ágora/ Edição 4 / 1984

domingo, 10 de setembro de 2017

o inimigo... dentro do sonho

“O segredo da salvação é esse: que você está fazendo isso sobre si mesmo. Não importa a forma do ataque, isso continua sendo verdade. Quem quer que assuma o papel do inimigo e do atacador, ainda é esta a verdade. Qualquer que pareça ser a causa de qualquer dor e sofrimento que você sente, isso continua verdade. Porque você não reagiria aos personagens em um sonho se soubesse que você estava sonhando. Deixe-os ser tão odiosos e viciados quanto possam ser, eles não podem ter nenhum efeito em você a não ser que você falhe em reconhecer que são seu sonho”.

Helen Schucman (1909-1981), co-autora de Um Curso em Milagres, Cap. 27