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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O papel da cultura e da linguagem na constituição do sujeito

 Interessante análise de Cassiano Zeferino de Carvalho Neto e Maria Taís de Melo a respeito do papel da cultura e da linguagem na constituição do sujeito. Leitura complementar para quem está estudando Filosofia da Linguagem e Filosofia da Mente:

 


Os modelos da psicologia cognitiva que abordam o conhecimento humano, como um sistema de processamento de informações, incluem um processador central que é capaz de planejar, inicialmente, o desenvolvimento da atividade intelectual e controlar, posteriormente, sua execução. O comportamento inteligente caracterizar-se-ia pela habilidade de organizar, inicialmente, o plano de ação e colocá-lo em prática de forma progressivamente mais automática e flexível.

Os progressos na aprendizagem caracterizam-se, dentro desta ótica, por avançar, a partir da utilização de regras e estratégias em experiências bastante concretas e específicas, chegando à elaboração de regras mais gerais, que possam ser aplicadas a uma série de situações.

Os processos de aprendizagem permitem passar do emprego de esquemas ligados a contextos muito específicos, à sua utilização em situações mais gerais. Ou seja, podemos dizer que a aprendizagem significativa só acontece quando o sujeito entra em contato com o objeto de conhecimento, se apropria dele e faz uso do mesmo no seu contexto.

Nesse sentido, podemos exemplificar: ao se colocar, por exemplo, simbolicamente um vidro transparente e límpido entre o sujeito e o objeto de conhecimento, o sujeito continuará visualizando este objeto. Entretanto, não conseguirá apropriar-se do mesmo (trazer para si). Este vidro representa, simbolicamente, um obstáculo para a aprendizagem, o qual é classificado de diversas formas: transtornos de aprendizagem, distúrbios de aprendizagem ou dificuldades de aprendizagem. Estes obstáculos podem ser de fácil, média ou difícil remoção. Entretanto, todo este processo deverá ser mediado. Dependendo do grau de dificuldade de remoção destes obstáculos, diferentes estratégias devem ser utilizadas, partindo-se sempre de um diagnóstico do contexto onde esse sujeito está inserido.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Já ouviu falar em diversidade?



Que é diversidade e para quê serve?


Olá! 
Hoje quero falar com você sobre diferenças culturais!
Podemos facilmente notar que vivemos num mundo muito diversificado.
Há pessoas de costumes e gostos diferentes, cor de pele e de cabelo diferentes, religiões diferentes, línguas e crenças diferentes.
As diferenças dão medo, mas no fundo elas são positivas... elas enriquecem a cultura, mostram a beleza de mil maneiras diferentes, demonstram a profunda inteligência e a empolgante criatividade do próprio ser humano. 
Mas... e se eu resolver pensar que a minha cultura, meus costumes, meus gostos pessoais, minhas crenças... são melhores que as de outras pessoas?
Se pensar que sim, estarei em sério apuro. Sério mesmo! Preciso procurar tratamento!
Lembre que é desse pensamento de superioridade que surgiram e que surgem todos os conflitos, violência, genocídios, etnocídios, a origem de tanto desrespeito.
É desse pensamento patológico que nascem o racismo, o fanatismo, o machismo e as piores doenças sociais que machucam e matam mais que quaisquer desastres naturais.

Então, quer uma dica legal? Não? Mas vou dá-la de presente assim mesmo.

Respeitar a diferença, como você gosta de ser respeitado é a regra de ouro.

Quem não aprende a respeitar, a lei vai ensinar. Se a lei dos homens não ensinar, a vida o fará. E se nem a vida lhe ensinar, então, se prepare... você vai sofrer muito, mas muito mesmo, até aprender... 
Não respeitar as diferenças é crime! crime contra a vida, que é diversidade em si mesma; contra a humanidade, que é diversa pela sua biologia e pela sua sociologia.
A lei protege a diversidade cultural, caso você ainda não saiba. A lei protege as minorias, caso alguém ainda não saiba.
A lei protege a criança, a lei protege a mulher, a lei protege o indígena...
E qualquer um que não for respeitado por causa de sua cultura, de sua opção sexual, religiosa ou cultural, vai caçar muitos problemas prá si mesmo.
Por isso, se você presencia alguém sofrendo alguma violência desse tipo, não se cale.

domingo, 14 de maio de 2017

NANDE TEKO ARANDU' - Memória Viva Guarani


"O termo guaranis refere-se a uma das mais representativas etnias indígenas das Américas, tendo, como territórios tradicionais, uma ampla região da América do Sul que abrange os territórios nacionais da Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e a porção centro-meridional do território brasileiro. 
São chamados 'povos', pois sua ampla população encontra-se dividida em diversos subgrupos étnicos, dos quais os mais significativos, em termos populacionais, são os caiouás, os embiás, os nhandevas, os ava-xiriguanos, os guaraios, os izozeños e os tapietés. 
Cada um destes subgrupos possui especificidades dialetais, culturais e cosmológicas, diferenciando, assim, sua 'forma de ser' guarani das demais. 
Este álbum resgata a cultura do povo Guarani com o cântico das crianças evocando o espírito ancestral em cada um de nós e, deixando claro a importância dos cânticos em cada situação de nossa existência. 
As músicas são cantadas por grupos de crianças de quatro aldeias Guarani: Sapucai, na cidade de Angra dos Reis; Rio Silveira, em São Sebastião; Morro da Saudade, na cidade de São Paulo e Jaexaá Porã, em Ubatuba. 
As gravações foram realizadas na aldeia Jaexaá Porã. 
Todas as músicas têm por tema a espiritualidade. 
Os índios Guarani contam que as crianças são puras e seu Deus, Nosso Pai Nhanderu, envia esses cantos diretamente a elas." 

Ñande Reko Arandu - (2000) Memória Viva Guarani: 

01 Nhaneramoi'i Karai Poty 00:00 
02 Gwyrá Mi 03:21 
03 Mãduvi'ju'i 08:09 
04 Xekyvy'i 12:50 
05 Nhanderuvixa Tenondei 17:54 
06 Nhamandu 22:53 
07 Mamo Tetã Guireju 27:44 
08 Oreru Orembo'e Katu 32:18 
09 Oreyvy Peraa Va'ekue 37:21 
10 Xondaro'i 42:23 
11 Pave Jajerojy 46:44 
12 Nhamandu Miri 51:22 
13 Ka'aguy Nhanderu Ojapo Va'ekue 56:57 
14 Oreru Nhamandú Tupã 1:02:28 
15 Xondaro 1:08:35 Nhanerõmai'i Karaipoty (Cantado pelas quatro aldeias)


Gravado na Aldeia JAEXM (Ubatuba) pela Unidade Móvel do Estúdio Zabumba - 1998/1999

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Demarcação Já!

Confira a música "Demarcação Já!", uma homenagem de mais de 25 artistas aos povos indígenas do Brasil. 

Pelo direito à terra, pelo direito à vida! #DemarcaçãoJá

sábado, 17 de dezembro de 2016

Educação, ego, destreza, medo, cultura, liberdade... - excertos de Krishnamurti

Embora seja difícil demonstrar como a mente funciona na realidade, vou tentar fazê-lo; e podeis “experimentar”, e ver por vós mesmos. Sabemos que o pensar é uma reação  fundada em (um fundo de) condicionamento” (background). Pensais como hinduísta, como parse*, (…) não apenas no vosso pensar consciente, mas também no pensar inconsciente. Vós sois o background, não sois separado, pois não há pensador separado do background; e a reação desse background é o que chamais pensar.

* parse: antigo grupo de persas zoroastristas que emigrou e se estabeleceu na Índia.
(Que Estamos Buscando, 1ª ed., pág. 179).

Esse background, quer culto, quer inculto, instruído ou ignorante, está sempre correspondendo a algum desafio, a algum estímulo, e essa reação cria não apenas o chamado presente, mas também o futuro. Tal é o nosso processo de pensar.
(Idem, pág. 179)

(…) O que eu digo é que a experiência baseada no conhecimento, no nosso background, é meramente o prolongamento desse fundo e, por conseguinte, não é experiência nova. (…) Só posso reagir ao desafio de maneira nova quando a minha mente compreendeu o background e dele se libertou. (…)
(O Homem Livre, pág. 44)

(…) Quando pensais, o vosso pensar é, por certo, resultado do passado, do vosso condicionamento, da vossa crença, do vosso fundo consciente e inconsciente. De acordo com vosso background reagis, e essa reação é chamada pensar; e por meio desse pensar quereis resolver os vossos problemas. E achais que, quanto mais adquirirdes, (…) mais acumulardes experiência, tanto maior se vos tornará a capacidade de atender ao problema e resolvê-lo.
(Viver sem Temor, pág. 68)

Vejamos agora a relação entre o educador e o educado: Será que o professor, consciente ou inconscientemente, mantém um sentimento de superioridade, colocando-se num pedestal e fazendo o aluno sentir-se inferior, como alguém que tem de ser ensinado? Nesse caso, evidentemente, não há relacionamento.
(Cartas às Escolas, I, pág. 24)

O pensar, sem dúvida, é uma reação. Se vos faço uma pergunta, a essa pergunta vós reagis; reagis de acordo com vossa memória, vossos preconceitos, vossa educação, (…) com todo o fundo do vosso condicionamento; e em conformidade com tudo isso vós respondeis, pensais (…) O centro desse fundo é o “eu” com sua atividade (…)
(A Renovação da Mente, pág. 10-11)



domingo, 20 de novembro de 2016

vós sois deuses? a sabedoria e a consciência da sabedoria




As seguintes passagens bíblicas que você lerá logo mais, a exemplo de tantas outras, encerram ensinamentos tão profundos quanto poderosos (e por que não dizer 'perigosos'). 
Se todo o saber camuflado sob códigos e metáforas que há nos textos sagrados das grandes religiões do mundo fossem interpretados e compreendidos à luz da própria consciência, teríamos uma melhor noção das armas poderosas que temos em mãos. 
Mas o que fazer com tão formidáveis armas? O que acontece quando alguém inconsciente manipula uma arma? Quem serão os piores (mas não os únicos) prejudicados?
Sem a luz da consciência, não há visão clara, nem discernimento, nem compreensão objetiva da realidade; há distorção. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

quanto mais cultura melhor?


Não tenha tanta gana de mais cultura, de mais informação.... 
queremos mais... mais ... sempre mais.
nada disso realmente ajuda muito a acordar do sonâmbulo estado de consciência no qual nos metemos. 
O fato é que já temos informação em demasia. 

sábado, 30 de julho de 2016

Onde diabos está Matt? (Where the Hell is Matt?) 2008

Onde está o Matt?! 

Foram 14 meses de gravações, visitando 42 países diferentes e mobilizando milhares de pessoas praticamente desconhecidas entre si, todas participando de um nada simples projeto...
Tudo isso resultou nesse maravilhoso e emocionante vídeo que mostra a capacidade humana de mobilização e cooperação, independente dos motivos individualistas, independente da cultura e do espaço geográfico que ocupem... 
uma rede de relações, uma intenção, uma ideia. 
"Praan" (também conhecida como "Stream of Life") é a música utilizada por Matt Harding, como trilha sonora de sua aventura dançante pelo mundo. 
A letra foi extraída de um poema do poeta Rabindranath Tagore (início do século XX). 

Segue abaixo o poema:
 

"O mesmo fluxo da vida 
que corre em minhas veias noite e dia 
corre através do mundo 
e danças em medidas rítmicas.  

É a mesma vida que explode em alegria 
através da poeira da terra 
em inumeráveis folhas 
de grama e flores.  

É a mesma vida 
que é embalada no berço 
de nascimento e morte do oceano
no fluxo das marés.  

Eu sinto que meus membros se tornam gloriosos 
pelo toque deste mundo de vida. 
E meu orgulho vem da pulsação das eras 
dançando em meu sangue neste momento. "


(Baseado na tradução do poema Praan do bengali para inglês)

Vale a pena conferir o resultado deste trabalho incrível! (Ah, será que o Brasil aparece? descubra assistindo!)


letra da música "Praan" por Garry Schyman:
 
Bhulbona ar shohojete
Shei praan e mon uthbe mete
Mrittu majhe dhaka ache
je ontohin praan


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Nossa breve história...

O vídeo, de perspectiva cientificista e evolucionista, vale pela importante reflexão filosófica que suscita. Por meio das imagens, é possível refletir sobre a fragilidade, sobre a beleza e sobre as mazelas de nossos paradigmas, de nossas culturas, além de nos fazer pensar sobre o futuro que estamos desenhando coletivamente para nós e para nosso lar, o planeta que chamamos Terra.



Música: “Mind Heist”, de Zack Hemsey 

"A história da humanidade torna-se cada vez mais uma corrida entre a educação e a catástrofe".
Henry Gordon Wells (1879 – 1954)

 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

criminalização do ‘infanticídio’ em áreas indígenas

Câmara aprova projeto que criminaliza ‘infanticídio’ em áreas indígenas


O infanticídio é o assassinato de crianças indígenas recém-nascidas. Bebês com deficiência física, filhos de mãe solteira, fruto de adultério e gêmeos são vistos por algumas etnias como amaldiçoadas e, por isso, sacrificados


CONGRESSO EM FOCO | agosto/2015 



O plenário da Câmara aprovou, por 361 votos a 84 e 9 abstenções, o Projeto de Lei 1057/07, na forma de emenda do deputado Marcos Rogério (PDT-RO), que trata de medidas para combater práticas tradicionais consideradas nocivas de alguns povos indígenas como o “infanticídio”.
O infanticídio é o assassinato de crianças indígenas recém-nascidas. Bebês com deficiência física, filhos de mãe solteira, fruto de adultério e gêmeos são vistos por algumas etnias como amaldiçoadas e, por isso, sacrificados pelos próprios pais. A prática acontece em pelo menos 13 etnias indígenas, principalmente as mais isoladas como suruwahas, ianomâmis e kamaiurás.
Pelo relatório aprovado na Câmara, os órgãos responsáveis pela política indigenista devem usar de todos os meios legais para evitar, além do infanticídio, atos como tortura, escravidão, abandono de vulneráveis e violência doméstica, por exemplo. Com o texto, o indígena pode responder pelo crime de homicídio em caso de sacrifício de crianças recém-nascidas.
Segundo o relator, o deputado Marcos Rogério, o Estado brasileiro não deve deixar os indígenas sozinhos quando se trata de defender as crianças que possam ser vítimas de práticas tradicionais consideradas, por ele, ultrapassadas. “Direitos humanos são para todos, independentemente de sua cultura, que não pode violar o direito fundamental da vida”, afirmou Marcos Rogério.
Pela questão cultural indígena, o texto foi alvo de muitas críticas de parlamentares ligados aos direitos humanos. Para o deputado Evandro Gussi (PV-SP), o projeto não terá efeitos práticos, pois o Código Penal já trata de homicídios e da inimputabilidade para quem não tem condições de perceber o caráter danoso da conduta.
“A Funai, diante da prática, fará uma palestra para dizer que isso é ruim? Essa inovação, não obstante a boa intenção, é absolutamente desnecessária. O que isenta alguém de pena não é aspecto cultural, mas a capacidade ou incapacidade de perceber o caráter danoso e, para isso, o Código Penal já traz receita”, disse Gussi.
A líder do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), afirmou que é necessário respeitar as crenças e costumes. “Não estamos aqui defendendo assassinato, estamos defendendo a vida dessas crianças por meio de uma mediação cultural. Do jeito que está aqui, vamos colocar a tribo inteira na cadeia, obrigando todos a denunciar o risco de algo acontecer”, disse.
O deputado Max Filho (PSDB-ES), no entanto, defendeu a aprovação da medida. “Não está em xeque a preservação de suas culturas. Não podemos aceitar que vidas humanas, especialmente de crianças, sejam sacrificadas em nome da preservação de uma cultura”, afirmou. O líder do PHS, deputado Marcelo Aro (MG), teve a mesma opinião. “Não podemos admitir isso no nosso País”, avaliou.
Com informações da Agência Câmara

o que aconteceu aqui??


religião & espiritualidade

"Religião é uma garrafa com um rótulo, espiritualidade é a coisa que tem dentro dela"
-Alik Shahadah, escritor e acadêmico africano
 
 
"Muitos brigam pela garrafa e poucos bebem o conteúdo!"
-Monge Dorj

sábado, 28 de maio de 2016

Professor e pesquisador?


Professor e pesquisador? Ao mesmo tempo?

Wellington Anselmo Martins*

Essas são atividades que, facilmente, se mostram diferentes. Ensinar e pesquisar. Mas, muitas vezes por imposição, elas caminham juntas.

Ser professor depende de muitos fatores, depende muito de saber se relacionar bem com os alunos, depende de ter uma inteligência interpessoal bem desenvolvida.

Professores carismáticos, abertos e extrovertidos tendem a ter grande êxito na carreira. Costumam ser bons oradores e, além disso, costumam também ser bons “dialogadores” (conseguem mediar debates em sala de aula e valorizar, sem esmorecer, as opiniões mais simples que os alunos costumam sugerir).

Por outro lado, ser pesquisador demanda um conjunto de habilidades e competências diferente. O pesquisador, necessariamente, precisa amar a solidão. Pois grande parte da reflexão e escrita das pesquisas se dá de modo individual, sozinho. O pesquisador, por isso, precisa que sua inteligência intrapessoal esteja mais afiada do que nunca.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

criminalização do infanticídio indígena




Estudo contesta criminalização do infanticídio indígena

Fonte: UnB Agência

Quem tem legitimidade para decidir o que é vida, o que é ético, o que é humano? Estas são indagações que Marianna Holanda faz em sua dissertação de mestrado, defendida no Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília. No estudo, a antropóloga avalia o Projeto de Lei 1.057/07, que trata da criminalização do chamado infanticídio indígena – prática de algumas tribos em relação a neonatos com deficiências que impedem a socialização. O PL está na pauta da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados desta quarta-feira, 24 de junho.

"Diante do que chamamos juridicamente de infanticídio, não cabe falar em infanticídio indígena. O que há nessas aldeias são estratégias reprodutivas pensadas em prol da comunidade, e não de indivíduos isolados. Só um número muito reduzido de crianças acaba sendo submetido a elas", diz Marianna, autora da dissertação intitulada Quem são os humanos dos direitos? Sobre a criminalização do infanticídio indígena. "E são crianças com problemas que, mais tarde, impossibilitarão qualquer tipo de interação social", completa.
Segundo a antropóloga, para os índios, sem socialização a criança jamais atingirá a humanidade plena. Por isso, ela dedicou uma parte do trabalho para entender como se constitui a noção de humanidade entre os indígenas. "Esse é um dos pontos centrais do estudo: o que nós, brancos, entendemos como sendo vida e humano é diferente da percepção dos índios. Um bebê indígena, quando nasce, não é considerado uma pessoa – ele vai adquirindo pessoalidade ao longo da vida e das relações sociais que estabelece", explica.
De autoria do deputado Henrique Afonso (PT-AC), o PL 1.057/07 é contestado por antropólogos que atuam em comunidades indígenas. O estudo de Marianna sugere que as formas que cada povo desenvolve para resolver seus conflitos internos devem ser respeitadas. "O projeto impõe uma categoria jurídica ocidental a uma diversidade de povos, desrespeitando as diferenças e as especificidades", afirma.

INTRUSÃO –
Para a professora Rita Segato, que orientou a dissertação de mestrado de Marianna, o PL é uma forma de "calúnia" aos povos indígenas. "O projeto cria uma imagem absolutamente distorcida da relação entre os índios e suas crianças. Essa lei ofusca a realidade e declara os índios bárbaros, selvagens, assassinos. É muito semelhante à acusação, comum em tempos passados, de que os comunistas comiam criancinhas", compara.
A docente lembra, ainda, que na legislação brasileira o direito à vida já está assegurado. "A Constituição e o Código Penal preveem que é proibido matar. Nesse aspecto, o PL é redundante". Segundo ela, o verdadeiro propósito da nova lei não é zelar pela vida das crianças, mas "permitir a vigilância e a intrusão permanente nos costumes e na intimidade das aldeias".


DIÁLOGO –
 A pesquisa também aponta a necessidade de incluir os indígenas nas discussões que lhes dizem respeito. "Não se pode chegar a uma conclusão ou a um projeto de lei sem a participação efetiva dos maiores interessados: os índios. E eles só foram ouvidos uma única vez, em uma audiência pública em 2007, e mesmo assim tiveram pouco espaço para falar", conta Marianna.

domingo, 29 de novembro de 2015

renúncias...

Abaixo, reproduzo primoroso texto de Alexandre Albertini Benegas, publicado no Jornal da Cidade no dia 16/10/15 na coluna "Opinião". 
Belíssimo texto do ponto de vista literário, interessante do ponto de vista filosófico. Aconselho a leitura com vagar, refletindo silente e lentamente sobre cada cenário pintado, sobre cada sentimento exposto...




Renúncia

 
O relógio acusava 9 horas. No quarto, brinquedos disputavam lugar e atenção. O sol, costumeiramente, acenava pelas frestas da janela, sublime presença. Crianças da vizinhança assumiam encontro marcado com a alegria. Os olhares pronunciavam espontânea meninice. Pensamentos suados corriam no ziguezaguear das brincadeiras extraordinárias. Assim, a infância acontecia.

Quando crianças, descobrir - ah! - é interjeição. Aprender, exclamação! Porquês apresentam-se em forma de curiosidade, na descoberta do saber. Pontual, a felicidade raia em acontecimentos extraordinários. Justificável, a criatividade apresenta merecedor ponto de partida e respeitoso ponto de chegada. Pudera. Em verdades ingênuas e circunstanciais, saber que a distância entre dois pontos nem sempre é uma reta, desenha similar liberdade de descoberta ao perceber que com cinco e seis retas fácil é fazer um castelo. Açucaradamente se enxerga. E, embora os olhos insistam em ver, o coração desautorizado está de sentir. Feliz idade.

Já adultos, renuncia-se  à curiosidade. A certeza é demitida pela hipótese. Acontecimentos extraordinários descortinam-se em museus de inéditas novidades. O castelo, antes feito pela geometria das retas, ocupado está e, o pior, é um restrito espaço, cujo acesso negado encontra-se. Aconchegantes interjeições e exclamações substituídas são por vírgulas da fala congestionadamente pretextual. Desamparada, a certeza perde a paternidade para a ardilosa dúvida, assinalando reticente postura em reticências. Ver a vida com dulçor? Bobagem. Diabéticos tornamo-nos.

Por tudo isto, por que ao crescermos diminuímos? Seria metabolismo celular reverso capaz de tornar o físico deficitário e a alma deficiente? Se o é, compreensível haver cegos desprovidos da vontade de ver, na brevidade da vida, o próximo, o outro. Surdos, pela sonoridade seletiva, negligenciarem os ouvidos aos apelos fraternais. Paralíticos, impossibilitados de caminhar em direção aos necessitados. Anões, incrédulos por inaceitar o crescer da gratidão à altura do reconhecimento. E, por fim, o mais doente de todos, o louco, por exigir dos outros o que eles, definitivamente, não possuem.

Desta forma, bendito seja quem souber compreender a dinâmica da vida. Semelhante a um rio, as margens, em perímetro de oposição, seriam o nascer e o morrer. A superfície, a aparência. A profundidade, a labiríntica inconsciência. Ponderável, portanto, saber banhar-se em alguns rios, sem alterar seu curso, responsáveis que somos pela direção. Afinal, um mergulho poderia emergir algo inesperado, supostamente comportado, provocando nervosa coreografia no rio, na vida que se atravessa... a travessia.

Alexandre Albertini Benegas

O autor é professor de Língua Portuguesa, especialista em Redação

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Aspectos invisíveis da mídia televisiva brasileira


Indico para que assistam! Muito esclarecedor!

Vídeo produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung remonta o curta ILHA DAS FLORES de Jorge Furtado com a temática do direito à comunicação.

A obra faz um retrato da concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.


Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Cântico gutural Tuvan

Você já ouviu o "cântico gutural Tuvan"?

(Huun-Huur-Tu) 



O canto gutural (também conhecido como difônico), possui, acredita-se, mais de 4000 anos de existência e teria se originado na região entre a atual República de Tuva e o sudoeste da Mongólia (regiões de Khovd e Govi-Altai). 

Conhecido localmente como Khoomei, este tipo de canto permite à voz humana executar até três tipos de sons independentes, resultantes de uma apurada técnica que mistura vários mecanismos de movimentação do abdomen, da garganta, da cavidade nasal, lábios e até da língua. 
Encontrada atualmente em várias partes do mundo, a técnica é ainda muito utilizada na Ásia Central, principalmente na Mongólia, onde está muito ligada à música tradicional daquele país.
Assista no link abaixo: https://www.youtube.com/watch?v=LcNgWXgyM88#t=14
 

Alguns especialistas no estudo do canto difônico defendem que o Khoomei estaria intimamente ligado ao Animismo (mística que acredita na espiritualidade existente no interior dos objetos e sons da natureza. Durante a atividade de pastoreio, é frequente os mongóis procurarem rios, quedas de água ou subirem montes, para deste modo criarem um ambiente mais apropriado ao canto.



O Khoomei está dividido em vários estilos e diferenças na técnica utilizada para o canto. Alguns dos exemplos mais relevantes são:



Sygyt

É uma técnica vocal capaz de emitir dois sons simultaneamente, sendo constituída por uma fundamental * média e que resulta numa espécie de assobio muito agudo – sygyt traduzido para português significa assobiar. O som é muito cristalino e enquanto elemento terrestre, está associado ao canto dos pássaros ou à brisa da estepe.

terça-feira, 19 de maio de 2015

As 10 mentiras mais contadas sobre os indígenas

As 10 mentiras mais contadas sobre os indígenasHá basicamente dois tipos de preconceitos da população em geral: o preconceito das populações rurais (que vivem em contato direto com indígenas e disputam com eles a posse da terra) e aquele oriundo das populações urbanas (que 'aprendeu' uma versão idealizada e romantizada sobre o indígena a partir de manuais escolares).
O ótimo artigo a seguir é um trabalho de pesquisa muito bem feito que aponta para os principais desdobramentos destes dois tipos de preconceito, muito presentes em nosso país na atualidade. A questão fundiária aparece sempre como pano de fundo onde se deve contextualizar a origem de tais preconceitos.
Aconselho a leitura!!
silvio m. max.

Publicado em Ecologia Humana






dezembro de 2014 




As afirmações listadas abaixo foram extraídas da vida real. Algumas nas ruas do interior do Brasil, outras nas cidades grandes, outras em discursos de políticos. Percepções diversas, vindas de pessoas com histórias diferentes, mas com um direcionamento em comum: a disseminação do discurso anti-indígena com argumentos falsos
Texto e fotos por Lilian Brandt*


As 10 mentiras mais contadas sobre os indígenas


Mentira nº 1: Quase não existe mais índio, daqui alguns anos não existirá mais nenhum
mentiras_sobre_indios1
Se as pessoas não sabem muito sobre os indígenas na atualidade, sabem menos ainda sobre o passado destes povos. Mesmo os pesquisadores não encontram um consenso, e os números variam muito conforme os critérios utilizados.
A antropóloga e demógrafa Marta Maria Azevedo estima que, na época da chegada dos europeus, a população indígena no Brasil era de 3 milhões de pessoas. Eram mais de 1.000 povos diferentes, que durante séculos foram exterminados pelos conquistadores, seja por suas armas de fogo, seja pelas doenças que eles trouxeram. De acordo com antropóloga, em 1957 havia no Brasil apenas 70 mil indígenas. O crescimento desta população é observado somente a partir da década de 1980.
Em 1991, quando o IBGE passou a coletar dados sobre a população indígena brasileira, eles somavam 294 mil pessoas. Em 2000, o Censo revelou um crescimento da população indígena muito acima da expectativa, passando para 734 mil pessoas. Em 2010, a população indígena continuou crescendo, e o Censo mostrou que mais de 817 mil brasileiros se autodeclararam indígenas, representando 0,47% da população brasileira. Eles estão distribuídos em 305 etnias e falam 274 línguas.
Esse aumento populacional jamais seria possível se fossem considerados apenas fatores demográficos, como a natalidade e a mortalidade. Esses dados revelam o crescimento do número de pessoas que passaram a se reconhecer como indígenas e o “ressurgimento” de grupos indígenas. Isto se dá porque, antes, ser índio no Brasil significava ser atrasado, inferior, escravizado, catequizado, ser alvo de discriminação, de chacinas e até mesmo não ser considerado humano. Diversos povos foram obrigados a abrir mão de suas línguas e de sua cultura. Agora os povos indígenas voltam a afirmar sua identidade, talvez porque as circunstâncias estejam mais amigáveis. Ou talvez porque este grito não suporte mais ser calado.
Tratá-los simplesmente como “índios” esconde a imensa diversidade cultural e circunstâncias de vida tão distintas. Mas algo muito mais forte que as diferenças étnicas propicia a união destes povos: o fato de se sentirem diferentes de nós.
Temos no Brasil todos os tipos de extremos: índios que possuem seu território assegurado e índios que morrem lutando por seu território; índios brancos e índios negros; índios cristãos e índios pajés; índios isolados e índios urbanos.
Os povos indígenas isolados são aqueles que não estabeleceram contato permanente com a população nacional e com o Estado. As informações sobre eles são transmitidas por outros índios, por moradores da região e por pesquisadores. A Funai (Fundação Nacional do Índio) tem cerca de 107 registros da presença de índios isolados em toda a Amazônia Legal, dos quais 26 já foram confirmados e estão sendo monitorados, seja por imagens de satélite, sobrevoos ou expedições na região. Não se sabe, no entanto, a quantidade destes povos e indivíduos que vivem voluntariamente isolados.
Muitos já tiveram alguma experiência de contato não amistosa com garimpeiros, madeireiros, grileiros e traficantes próximos à fronteira. Também é provável que tenham tido ou mantenham contato com populações ribeirinhas, seringueiros e, principalmente, com algum outro povo indígena.
Os resultados do contato conosco são trágicos, a começar pelas doenças que transmitimos, para as quais eles não têm imunidade: sarampo, rubéola, caxumba, difteria, tétano, hepatite, gripe e outras. Conhecendo esta realidade, estes povos que vivem em situação de isolamento escolheram fugir. Isso não significa, no entanto, que eles não tenham notícias de nossa sociedade. Eles observam rastros, utilizam ferramentas e se relacionam com outros indígenas que contam as novidades do mundo do branco.
Em outros tempos, como muitos devem se lembrar, o órgão governamental indigenista, na época chamado SPI (Serviço de Proteção aos Índios), deixava presentes como espelhos, panelas e ferramentas para atrair os indígenas. Hoje a Funai busca garantir que eles tenham seu território assegurado para transitarem livremente. Mas as ameaças são muitas e cada vez mais seus territórios são menores.
Os indígenas que vivem em áreas urbanas somam 324 mil, ou seja, 36% do total da população indígena, um número que vem crescendo ano após ano (IBGE, 2010). Há dois motivos recorrentes para que esses índios vivam em áreas urbanas. Um deles é a migração dos territórios tradicionais em busca de melhores condições de vida na cidade. O outro é que os limites das cidades cada vez mais alcançam as fronteiras de seus territórios.
As pessoas continuam acreditando que a população indígena está sendo reduzida, mesmo que os números digam o contrário e que eles estejam mais presentes nos centros urbanos. A desinformação tem uma consequência: fingimos que os índios estão deixando de existir e gradualmente não pensamos mais na situação deles. Assim fica mais fácil justificar nenhum respeito a seus direitos e à sua própria vida.

Mentira nº 2: Os índios estão perdendo sua cultura
mentiras_sobre_indios2

quinta-feira, 7 de maio de 2015

policiais do sistema

"Somos todos policiais do sistema. Todos vigiam todos para que ninguém faça o que todos gostariam de fazer. Somos todos carcereiros e prisioneiros."


(José Ângelo Gaiarsa)