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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Caos versus Eros, na Educação

Não é preciso ser experto para constatar a falência do que chamam sistema educacional brasileiro.
As políticas educacionais têm se mostrado paupérrimas e obsoletas, nem adaptadas aos propósitos neoliberais, muito menos ainda comprometidas com algum projeto de transformação social.
Ao contrário, apesar dos discursos politicamente corretos e de dados estatísticos questionáveis, o que se vê é uma prática sistemática de desvalorização do profissional da educação, que já vem de muitos ontens. A ordem é desmoralizar... iniciando pela filosofia e terminando com o educador.
Mudanças pontuais aqui e ali, aliadas a uma remuneração ridícula e a péssimas condições de trabalho são a receita certa para o desastre. Estamos em rota de colisão com o caos... Assim, não importa que filosofia ou pedagogia seja adotada: todas fracassarão. E todos sabem disso, o que nos leva à questão seguinte: a quem e por que interessa o caos na educação?  
Cada um pode tirar suas próprias conclusões, considerando a necessidade de se manter a imensa massa mergulhada na 'inapetência ética' que caracteriza nossa época. O cidadão de segunda categoria não pode receber uma instrução escolar tão ruim que ele seja incapaz de obedecer a instruções relativamente complexas num ambiente cada vez mais 'tecnológico', nem tão qualificada a ponto de torná-lo um sujeito crítico,  apto a refletir e a exercer plenamente a cidadania. 
Filosoficamente falando, o pano de fundo é uma crise muito mais ampla que costumamos chamar de “crise de paradigma”. Há uma crise visível em todos os âmbitos: na religião, na ética, na política, no sistema financeiro e... na educação, é claro.
O que não é facilmente visível é a sua causa. É aí que entra a filosofia! Enquanto uns se ocupam com o visível, com o diagnóstico de sintomas (papel das ciências), a filosofia vai em busca da causa oculta, da raiz do fenômeno, busca pelos porquês. Se fracassamos na compreensão dos porquês, fracassamos no resto.
Todo bom educador tem que ser um pouco filósofo às vezes. Só assim ele continua vivo como professor, e escapa de tornar-se um funcionário burocrático. A transdisciplinaridade, apontada como solução para a crise, só representa solução quando se liga a uma ampla reforma do pensamento.
A inteligência que só é capaz de ver o mundo fragmentado é míope e, minando as possibilidades de reflexão, torna-se irresponsável, amoral e incapacitada de compreender o contexto em que vivemos hoje.
Mas, quem educará os educadores?
O filósofo francês Edgar Morin defende que “é necessário que se auto-eduquem”. Ninguém vai nos presentear a autonomia da alma, nem tampouco a capacidade de questionar e de mudar nossa própria realidade. Esqueçam!
Ora, o poder está diluído e circula por toda a rede de relações humanas, já alertou M. Foucault. Não está apenas na esfera política ou na esfera econômica. Pelo professor também circula um poder: o poder de educar é formidável, tem potencial para transformar mentes. Querem desacreditar o professor de sua alquimia, de seu poder magnífico.
Quem somos nós, professores?
Qual nosso papel?
Afinal, a quê viemos??
Vamos preferir passar o nosso tempo destilando nosso ódio e mágoa pelo sistema? Temos um projeto de mudança do nosso entorno? O que temos produzido? O que temos oferecido ao mundo?

Educação e Cidadania
O treinamento puramente técnico não é suficiente. O cidadão tem o direito de saber como funciona sua sociedade, a razão do procedimento técnico no qual ele está sendo instruído, de refletir sobre as implicações positivas e negativas da tecnologia, de conhecer seus direitos e deveres, conhecer sua história.
Todos merecemos uma compreensão de nós mesmos enquanto seres políticos, sociais, culturais. Como lembrou Morin, este é um dos papéis da transdisciplinaridade: “formar cidadãos capazes de enfrentar os problemas de seu tempo”.
O educando é um ser que está construindo sua identidade... e isto pressupõe liberdade, autonomia. Por isso, não é possível voltar à escola de 40 anos atrás.
Quem ainda nutre este sonho, precisa acordar logo. Não adianta dizer: ah! No meu tempo a escola era boa... Não era! E também não adianta dizer que melhorou: mentira! Piorou, e muito!
A auto-educação docente é a chave.
É necessário e fundamental que a filosofia volte a dialogar com as ciências particulares e estas, com a filosofia.

Por fim, é indispensável pensar que o educador precisa ser "possuído" por eros: deve transpirar amor à ciência que ensina e amor à pessoa para quem ensina!
O amor ainda é a única forma de escaparmos da armadilha de sempre pensarmos "o outro como mero objeto para atingirmos um fim", ou ainda, apenas como fonte de conflito, como gostava de ressaltar Sartre.

Urge que nos auto-superemos, transcendendo nossa própria condição atual de mera engrenagem de um sistema que mostra todos os sinais de fadiga e corrosão.

Silvio Motta Maximino -
Professor de Filosofia da Educação e Antropologia

Texto publicado no dia 04/01/2009  no caderno JC Cultura, do Jornal da Cidade (Bauru)
(revisado em julho/2011)

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Qual é a causa do sucesso da Educação no Primeiro Mundo?




Acordo pela educação é causa de sucesso da Finlândia, diz conselheira  
28/03/2012

Marcos Magalhães

A celebração de um amplo acordo político nacional em favor da educação e a permanente valorização do papel do professor estão entre os principais motivos que levaram a Finlândia a obter um dos melhores sistemas de educação do mundo, disse nesta quarta-feira (28) a conselheira em Comércio e Educação Titta Maja, do Ministério das Relações Exteriores daquele país.

Em audiência pública promovida pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), ela ressaltou a importância do entendimento político em benefício da educação, firmado na segunda metade do século 20 em Helsinqui, capital da Finlândia – localizada, como observou, a 10.933 quilômetros de Brasília.

- Na Finlândia temos partidos de esquerda, de centro e de direita. Depois da Segunda Guerra Mundial, todos decidiram que, por ser um país pequeno, a Finlândia tinha de investir no futuro de cada criança – ressaltou Titta Maja no início da audiência, convocada a partir de requerimento do presidente da comissão, senador Roberto Requião (PMDB-PR).

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A aprendizagem é antropofágica (J. Pacheco)

'A aprendizagem é antropofágica. Não se aprende o que o outro diz, apreendemos o outro. Um professor não ensina aquilo que diz, transmite aquilo que é. Poderá acontecer aprendizagem em sala de aula, se forem criados vínculos e esses vínculos não são apenas afetivos, também são do domínio da emoção, da ética, da estética…'
(José Pacheco)
Abaixo segue uma interessantíssima entrevista com o famoso professor e pedagogo José Pacheco! 
Quem não conhece, não sabe o que está perdendo!!!!
 


 


José Pacheco: 'Procurem nas escolas professores que ainda não tenham morrido'

José Pacheco, professor, pedagogo, defende uma escola sem turmas, sem ciclos, sem testes, sem chumbos, sem campainhas. Aos críticos, pede alternativas e conta histórias de sucesso. Fundou um projeto inovador na Escola da Ponte, em Santo Tirso, em 1976, quando percebeu que não podia continuar a dar aulas. Derrubou paredes, juntou alunos, ergueu um método em que quem aprende define o seu ritmo de aprendizagem. Foi ameaçado, ouviu coisas feias, disseram-lhe que quando fosse mais velho iria ganhar juízo. Tem agora 65 anos e não mudou de ideias. Continua a acreditar que a escola são pessoas e não um edifício de betão. Não percebe a insistência nos exames, diz que se confunde avaliação com classificação, refere que os chumbos comprovam que o sistema não funciona.



Entrevista de Sara Dias Oliveira
Fotografia de Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens

Há 12 anos, partiu para o Brasil com o seu projeto na mala. Partiu por duas razões. «Permitir que uma nova equipa da Escola da Ponte continuasse o projeto sem a intromissão de um velho professor e encontrar no Sul a obra de Agostinho da Silva e educadores disponíveis para se melhorar, melhorando a educação das crianças e jovens», explica. Neste momento, do outro lado do Atlântico, acompanha mais de 100 projetos educativos. O Projeto Âncora é o mais conhecido e já ganhou fama internacional, após visitas de investigadores estrangeiros. Há uma semana, José Pacheco esteve em Portugal, em várias cidades – Almada, Loulé, Fundão, Viseu, Gouveia – a partilhar ideias, a falar do que sabe, a ouvir alunos, professores, educadores, responsáveis políticos. Partiu depois para o Chile, para fazer formação a convite de universidades e do governo chileno. Em meados de abril, regressa ao Brasil para retomar a orientação de projetos educativos.


Em 1976, no rescaldo da liberdade, criou com duas colegas o projeto pioneiro «Fazer a Ponte na Escola da Ponte». Sem turmas, sem testes, sem ciclos, sem campainhas. Chamaram-lhe louco quando dizia que era possível derrubar paredes e juntar alunos?

sábado, 17 de dezembro de 2016

Educação, ego, destreza, medo, cultura, liberdade... - excertos de Krishnamurti

Embora seja difícil demonstrar como a mente funciona na realidade, vou tentar fazê-lo; e podeis “experimentar”, e ver por vós mesmos. Sabemos que o pensar é uma reação  fundada em (um fundo de) condicionamento” (background). Pensais como hinduísta, como parse*, (…) não apenas no vosso pensar consciente, mas também no pensar inconsciente. Vós sois o background, não sois separado, pois não há pensador separado do background; e a reação desse background é o que chamais pensar.

* parse: antigo grupo de persas zoroastristas que emigrou e se estabeleceu na Índia.
(Que Estamos Buscando, 1ª ed., pág. 179).

Esse background, quer culto, quer inculto, instruído ou ignorante, está sempre correspondendo a algum desafio, a algum estímulo, e essa reação cria não apenas o chamado presente, mas também o futuro. Tal é o nosso processo de pensar.
(Idem, pág. 179)

(…) O que eu digo é que a experiência baseada no conhecimento, no nosso background, é meramente o prolongamento desse fundo e, por conseguinte, não é experiência nova. (…) Só posso reagir ao desafio de maneira nova quando a minha mente compreendeu o background e dele se libertou. (…)
(O Homem Livre, pág. 44)

(…) Quando pensais, o vosso pensar é, por certo, resultado do passado, do vosso condicionamento, da vossa crença, do vosso fundo consciente e inconsciente. De acordo com vosso background reagis, e essa reação é chamada pensar; e por meio desse pensar quereis resolver os vossos problemas. E achais que, quanto mais adquirirdes, (…) mais acumulardes experiência, tanto maior se vos tornará a capacidade de atender ao problema e resolvê-lo.
(Viver sem Temor, pág. 68)

Vejamos agora a relação entre o educador e o educado: Será que o professor, consciente ou inconscientemente, mantém um sentimento de superioridade, colocando-se num pedestal e fazendo o aluno sentir-se inferior, como alguém que tem de ser ensinado? Nesse caso, evidentemente, não há relacionamento.
(Cartas às Escolas, I, pág. 24)

O pensar, sem dúvida, é uma reação. Se vos faço uma pergunta, a essa pergunta vós reagis; reagis de acordo com vossa memória, vossos preconceitos, vossa educação, (…) com todo o fundo do vosso condicionamento; e em conformidade com tudo isso vós respondeis, pensais (…) O centro desse fundo é o “eu” com sua atividade (…)
(A Renovação da Mente, pág. 10-11)



sábado, 1 de outubro de 2016

Vygotsky em sala de aula


Vamos chover no molhado porque parece que o óbvio está esquecido: escola existe para o desenvolvimento de seus alunos! Sabia disso? Pois é.

Para o psicólogo da educação, Lev Vygotsky, o desenvolvimento só se dá após a aprendizagem, por isso, se as escolas não fizerem seus alunos aprender alguma coisa, coisa alguma será desenvolvida neles. Ponto.
Sobre esse tema, duas professoras dialogavam esses dias dentro de uma escola: “Vygotsky era russo, por isso suas ideias não dão certo no Brasil!”, disse uma. A outra completou: “É, e ele é de 1896 a 1934, por isso não dá certo na atualidade!”. Parece piada, mas não é.
O velho e russo professor Vygotsky era interacionista, ou seja, defendia a inevitável troca que se dá entre o aluno e o meio em que vive. Simples, não é? Pois é.
Hoje em dia, em nossas escolas, uma troca que vem acontecendo cada vez mais corriqueiramente é a de tiro, troca de tiros. E era exatamente disso que Vygotsky estava falando!
O ambiente escolar, de professores estressados e mal pagos, de classes lotadas, indisciplinadas e barulhentas, de muros pichados, de venda de drogas, de cerca de arame farpado etc., este é o lócus didático-pedagógico que nossa sociedade oferece para o desenvolvimento de seus alunos.
É neste lugar que há a interação inevitável, a troca sujeito-meio, e os alunos internalizam esse ambiente para seu “desenvolvimento”, se é que podemos chamar assim.
Vygotsky era, também, construtivista, isto é, pensava que a aprendizagem só pode se dar através de alicerces: o aluno traz até a escola seus alicerces pessoais e, sobre eles, serão construídos os conceitos que a escola julgar mais adequados.
Nossa! Será, então, que nossas escolas julgam adequados os conceitos de desorganização, abuso de autoridade, desrespeito, desestímulo etc?

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

você mora no "país dos chapéus"?

 O país dos chapéus

Ou a arte de educar por mágicas



Vivia num país de céu cor de anil um rei que muito amava o seu povo e queria que ele fosse inteligente. A prova de que não era inteligente estava no fato de que aquele povo não sabia e não gostava de ler.  O rei passava dias e noites pensando: "Que fazer para que meu povo seja inteligente?". E, como não sabia o que fazer para isso, ficou triste.
Viviam naquele país dois espertalhões, chapeleiros por profissão. Ficaram sabendo da tristeza do rei. E maquinaram um plano para ganhar dinheiro às custas dela. Dirigiram-se ao palácio e anunciaram:
- Fizemos doutoramentos no exterior sobre a arte de tornar o povo inteligente.
O rei ficou felicíssimo: Por favor, expliquem essa ciência - disse.
- Majestade, o que torna uma pessoa inteligente?  Com essa pergunta, abriram um álbum de fotografias.
- Veja. Estão aqui as pessoas mais inteligentes da história. Em primeiro lugar, Merlin, o maior dos magos. Note que tem um chapéu de feiticeiro na cabeça.
Viraram a página e lá estavam as fotos dos doutores de Oxford e Harvard. Todos eles de chapéu na cabeça.
- Veja agora o maior general de todos os tempos, Napoleão Bo­na­parte. Sabe Vossa Excelência a razão por que ele perdeu a batalha de Waterloo? Um espião inglês infiltrado lhe roubou o chapéu. Sem chapéu, não pôde competir com Wellington, que usava chapéu. E veja agora os grandes gênios da humanidade: Sigmund Freud, Winston Chur­chill, Santos Dummont, todos com chapéus na cabeça. Os chapéus dão inteligência. Propomos, então, um programa nacional: "Chapéus para todos". Por pura coincidência somos chapeleiros e teremos prazer em ajudá-lo na sua cruzada contra a burrice. Montaremos muitas fábricas e lojas de chapéus..
O rei ficou entusiasmadíssimo e lançou a campanha: "Chapéus para todos". Os outdoors se encheram de slogans: "Prepare-se para o mercado de trabalho: use um chapéu"; "Garanta um futuro para o seu filho: dê-lhe um chapéu!".
A indústria chapeleira progrediu. Até as cidades mais pobres anunciavam com orgulho: "Também temos uma fábrica de chapéus...".
Agências internacionais, sabedoras da campanha "cha­péus para todos", mediram os resultados dessa técnica pedagógica. Fizeram pesquisas para avaliar o efeito dos chapéus sobre os hábitos de leitura do povo. Mas o resultado foi desapontador. O número de chapéus na cabeça não era proporcional ao número de livros lidos. O rei ficou bravo. Mandou chamar os chapeleiros e pediu explicações.
- Senhores, o povo continua burro. O povo não lê...
Os espertalhões não se apertaram.
- Majestade, é que ainda não entramos na segunda fase do programa. Um chapéu não basta. Sobre o primeiro chapéu as pessoas terão de usar um pós-chapéu amarelo.
O rei acreditou. Tomou as providências para que todos pudessem ter pós-chapéus amarelos.

Daí para frente quem só usava o  primeiro não valia nada. Para conseguir um emprego, era necessário usar os dois chapéus.
Mas nem assim o povo aprendeu a ler.
Aí os espertalhões explicaram ao rei que faltava o chapéu que realmente importava: o vermelho. 

O país ficou conhecido como o país dos chapéus. Todo mundo tinha chapéu. 
O resultado da última pesquisa internacional sobre os hábitos de leitura do povo do país dos enchapelados ainda não foi anunciado. Assim, ainda não se sabe sobre o efeito do chapéu pós-vermelho sobre os hábitos alimentares da inteligência do povo. Mas uma coisa já é sabida: de todos, os mais inteligentes são os chapeleiros...

Rubem Alves
Educador e escritor

sábado, 28 de maio de 2016

Professor e pesquisador?


Professor e pesquisador? Ao mesmo tempo?

Wellington Anselmo Martins*

Essas são atividades que, facilmente, se mostram diferentes. Ensinar e pesquisar. Mas, muitas vezes por imposição, elas caminham juntas.

Ser professor depende de muitos fatores, depende muito de saber se relacionar bem com os alunos, depende de ter uma inteligência interpessoal bem desenvolvida.

Professores carismáticos, abertos e extrovertidos tendem a ter grande êxito na carreira. Costumam ser bons oradores e, além disso, costumam também ser bons “dialogadores” (conseguem mediar debates em sala de aula e valorizar, sem esmorecer, as opiniões mais simples que os alunos costumam sugerir).

Por outro lado, ser pesquisador demanda um conjunto de habilidades e competências diferente. O pesquisador, necessariamente, precisa amar a solidão. Pois grande parte da reflexão e escrita das pesquisas se dá de modo individual, sozinho. O pesquisador, por isso, precisa que sua inteligência intrapessoal esteja mais afiada do que nunca.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

policiais do sistema

"Somos todos policiais do sistema. Todos vigiam todos para que ninguém faça o que todos gostariam de fazer. Somos todos carcereiros e prisioneiros."


(José Ângelo Gaiarsa)

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Gaiarsa e a crítica da educação 'civilizadora'


Para refletir...

“Crianças de três anos, em testes compatíveis com a idade, são quase todas geniais; aos vinte, o rendimento intelectual cai a 15%, mostrando que a educação é primariamente um processo restritivo que limita, que fecha a cabeça, o corpo, prende.”

“Só crianças muito oprimidas e anuladas fazem gritarias e exigências desencontradas.”

“Quem conseguiu impedir sua criança de ser excessivamente bem educada, conserva a capacidade de perceber e reagir ao novo. Atitude verdadeiramente característica da infância- como também curiosidade e entusiasmo permanentes.”

(José Ângelo Gaiarsa)

domingo, 8 de fevereiro de 2015

receita mortal contra a corrupção

A Receita Sueca para Combater a Corrupção

Uma Conversa com o Diretor da Agência Sueca Anti-Corrupção


”Se uma pessoa tem que lutar diariamente por sua sobrevivência, para ter acesso a alimentação, escolas e hospitais, a questão do combate à corrupção na sociedade certamente não estará entre seus principais interesses. Mas quando uma pessoa se sente parte da sociedade à qual pertence, passa a não aceitar os abusos do poder” – Gunnar Stetler

Gunnar Stetler franze a testa, pisca duas vezes e contrai os músculos do rosto, como quem faz um cálculo extraordinário. Percorre os labirintos da memória durante uma longa pausa, e encontra enfim a resposta: nos últimos 30 anos, ele diz, foram registrados apenas dois casos de corrupção entre parlamentares e integrantes do Governo na Suécia.
”Tenho apenas uma vaga lembrança”, diz Stetler. ”É muito raro ver deputados ou membros do Governo envolvidos em corrupção por aqui.”
Estamos no escritório abarrotado de arquivos e papéis do promotor-chefe da Agência Nacional Anti-Corrupção (Riksenheten mot Korruption), no bairro de Kungsholmen. A poucos passos dali, na mesma rua Hantverkargartan, fica a sede da temida Ekobrottsmyndigheten, a Autoridade Sueca para Crimes Financeiros. Com o sol de abril que enfim derreteu o gelo de mais um inverno, do outro lado da rua mães passeiam com seus carrinhos de bebê entre os túmulos do jardim da igreja Kungsholmskyrka, um hábito comum que se estende a vários cemitérios-parque da cidade.
Da sua pequena sala, Gunnar Stetler chefia o trabalho de promotores especializados que investigam os principais casos de suspeita de corrupção no país. Casos menos graves são processados a nível regional, nas diversas promotorias distritais que compõem o cerco sueco contra trapaças, tramóias e falcatruas em geral.
Com 1,93m de altura, expressão grave e ar insubornável, Gunnar Stetler é descrito na mídia sueca como o maior caçador de corruptos do país. Entre os casos sob a sua mira em 2013 estava a denúncia de que a operadora de telefonia sueca TeliaSonera teria pago suborno no valor de 337 milhões de dólares para estabelecer operações no Uzbequistão.
”Historicamente, 75 por cento das acusações formais contra crimes de suborno na Suécia terminam em condenações”, diz Stetler.
Nascido em 1949, Stetler ganhou fama após conduzir casos como o de um ex-diretor da empresa sueca ABB, condenado a três anos de prisão em 2005 por ter desviado 1,8 milhão de coroas suecas para uma empresa registrada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.
”Chega um momento em que uma pessoa não se contenta mais com um Volvo V70, e quer trocá-lo por um Porsche. A ganância é parte do dilema humano”, reflete Stetler.
Para o promotor-chefe, são três os fatores que mantêm a Suécia à margem das listas de países gravemente corruptos: a transparência dos atos do poder, o alto grau de instrução da população e a igualdade social.
. O que faz da Suécia um dos países menos corruptos do mundo?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

cultura e relações sociais na Escola: como a Antropologia pode ajudar?

Entrevista com Ana Luiza Carvalho da Rocha

Conhecer a cultura e as relações sociais da comunidade ajuda a entender seus alunos e a ensinar melhor

Paola Gentile (novaescola@fvc.org.br)

Formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ana Luiza Carvalho da Rocha dedica-se a analisar as relações humanas dentro da escola e da sala de aula. Interessada nas características socioculturais do homem urbano, realizou suas pesquisas de mestrado, doutorado e pós-doutorado em antropologia. É presidente do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia e Ação (Geempa), organização não governamental de Porto Alegre dedicada à formação docente.

Para muita gente, o antropólogo é aquele profissional que passa uma parte de seu tempo pesquisando comunidades perdidas em regiões inóspitas e a outra na universidade, defendendo teses e criando teorias. Ana Luiza Carvalho da Rocha, porém, não se encaixa nesse perfil: ela exerce a profissão em grandes cidades, estudando as relações entre as pessoas nas escolas. Mais especificamente, no interior da sala de aula.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Benjamin Zander: música e paixão

Benjamin Zander,  famoso intérprete de Mahler e Beethovené conhecido também por seu carisma, energia inflexível e também por suas brilhantes palestras pré-concerto.
Desde 1979, Benjamin Zander tem sido o maestro da Boston Philharmonic. Ele é conhecido em todo o mundo tanto como maestro, como quanto palestrante convidado sobre o tema "liderança".
Ele é conhecido por fazer as duas coisas em uma única apresentação. Ele usa a música para ajudar as pessoas a abrir suas mentes e criar harmonias alegres, que trazem o melhor de si e seus colegas.
Suas ideias provocantes sobre liderança estão enraizadas em uma parceria com Rosamund Zander Pedra, com quem co-escreveu "A Arte da Possibilidade".

 Para assistir com legendas em português, utilize o link:


"Provavelmente o comunicador mais acessível sobre música clássica desde Leonard Bernstein, Zander move o público com sua paixão desenfreada e entusiasmo."  (Sue Fox, Sunday Times de Londres)
 

Itay Talgam: liderança, como os grandes condutores

Uma lição maravilhosa para professores, pais, gerentes, diretores... para todos que desejam se tornar verdadeiros líderes.

Um maestro de orquestra enfrenta o desafio da liderança suprema: a criação de perfeita harmonia, sem dizer uma palavra.  
Nesta palestra, Itay Talgam demonstra os estilos únicos de seis grandes maestros do século 20, que ilustra lições cruciais para todos os líderes.
 
Para assistir com legendas em português, utilize o link http://www.ted.com/talks/itay_talgam_lead_like_the_great_conductors



Após uma década de carreira em Israel, Itay Talgam reinventou a si mesmo como um condutor de pessoas no mundo dos negócios.

Itay Talgam encontra metáforas para o comportamento organizacional - e modelos para a liderança inspirada - dentro o funcionamento da orquestra sinfônica. Imaginando a música como um modelo para todas as esferas da criatividade humana, a partir da sala de aula à sala de reuniões, Talgam criou o Programa Maestro de seminários e workshops.

As Oficinas de Talgam visam ajudar as pessoas comuns, desenvolver o sentido de um músico de colaboração e sentido de um maestro de liderança: que sentido interior de ser intuitivamente, mesmo inconscientemente ligado a seus colegas jogadores, dando o que eles precisam e conseguir o que você precisa. É esta arte de ouvir e reagir no momento em que faz uma combinação balançando jazz, um quarteto de cordas sublime, uma orquestra brilhante - e grandes equipes no trabalho.