José Pacheco fala sobre Educação com E maiúsculo
Abaixo segue uma importante entrevista com o educador José Pacheco que todo(a) educador(a) ou pedagogo(a) deveria ler e estudar com bastante profundidade. Trata-se de uma proposta pedagógica baseada em um paradigma radicalmente distinto do que prepondera no Ensino Público e Privado do Brasil e do mundo.
Contudo, após a leitura, faço
as seguintes observações:
1)
Individualismo e conteudismo.
Não penso que o diferencial entre o modelo da Escola da Ponte e o tradicional seja o problema do individualismo ou do conteudismo. Não se trata de reduzir ambos os modelos a uma contraposição dicotômica desse tipo. Do mesmo modo, não se trata de contrapor 'individualismo' versus algum tipo de 'coletivismo'.
Não penso que o diferencial entre o modelo da Escola da Ponte e o tradicional seja o problema do individualismo ou do conteudismo. Não se trata de reduzir ambos os modelos a uma contraposição dicotômica desse tipo. Do mesmo modo, não se trata de contrapor 'individualismo' versus algum tipo de 'coletivismo'.
Esse novo modelo valoriza a individualidade e
as peculiaridades de cada sujeito-aprendiz.
Por outro lado, os conteúdos são absolutamente necessários em qualquer modelo pedagógico: é um equívoco acreditar ser possível construir um currículo libertário, progressista ou tecnicista liberal, desprezando conteúdos. Isso seria engodo, pseudo-aprendizagem.
Por outro lado, os conteúdos são absolutamente necessários em qualquer modelo pedagógico: é um equívoco acreditar ser possível construir um currículo libertário, progressista ou tecnicista liberal, desprezando conteúdos. Isso seria engodo, pseudo-aprendizagem.
2) O modelo é praticável e já funciona em vários lugares, inclusive no Brasil.
Uma das grandes preocupações do educador, do pedagogo é: o modelo funciona? com que tipo de aluno funciona? Se o modelo funciona com alunos modelos e ideais, o que garante que funcionará com alunos com sérias dificuldades de aprendizagem ou de disciplina? Pois bem: pelo exposto no artigo, é possível pô-lo em prática, mesmo que seja num mundo onde predomina "individualismo e competitividade", já que os alunos egressos desse modelo possuem bom desempenho nos vestibulares e demais exames seletivos. Esse é um dado crucial.
3) Todo aluno é igual?
Também deve-se esclarecer que nem todo aluno se adapta a essa inovadora proposta pedagógica. Há alunos que se dão melhor noutros paradigmas. Há que se respeitar a diversidade nesse sentido. Mais uma vez, não se trata de tentar encontrar o utópico modelo educacional ideal. Tal não existe, pois não há dois sujeitos iguais no mundo.
4) Esse modelo pode/deve ser generalizado?
Lendo o artigo, notei que não é intenção que o modelo seja imposto 'goela abaixo', de forma massiva ou generalizada, ou apressada. O entrevistado deixa bem claro que a adesão (da escola, dos professores e demais agentes) deve ser voluntária. Por quê? Porque o educador, assim como a comunidade afetada, devem estar comprometidos e 'apaixonados' pela proposta. Se não acreditam nela, se não estão amadurecidos para ela, nem adianta começar.
5) Como fica a gestão escolar?
Envolver o entorno da escola na gestão escolar é fundamental nesse modelo. Professor, pais/responsáveis, merendeiras, funcionários, alunos, todos merecem ser ouvidos e participarem das decisões: desde o horário de início e término das aulas até a cor da tinta que será usada na pintura do prédio.
Envolver o entorno da escola na gestão escolar é fundamental nesse modelo. Professor, pais/responsáveis, merendeiras, funcionários, alunos, todos merecem ser ouvidos e participarem das decisões: desde o horário de início e término das aulas até a cor da tinta que será usada na pintura do prédio.
Mas qual governante gestor está disposto a compartilhar poder?
Mas qual povo está disposto a se responsabilizar pelo modelo pedagógico, pela gestão da instituição Escola, a dispensar seu tempo nessa tarefa?
Então, eis o componente político fundamental que em geral,
passa despercebido: na Escola Pública deve acontecer a verdadeira gestão
democrática (aliás, já prevista teoricamente em nossa LDB).
6) E a questão fundamental da política de salários?
Eis outro ponto que chama a atenção: o artigo traz uma proposta interessantíssima de revalorização salarial, para TODOS os agentes escolares. Vale a pena conhecer mais de perto tal política, ver se as contas fecham. O entrevistado garante que sim!
6) E a questão fundamental da política de salários?
Eis outro ponto que chama a atenção: o artigo traz uma proposta interessantíssima de revalorização salarial, para TODOS os agentes escolares. Vale a pena conhecer mais de perto tal política, ver se as contas fecham. O entrevistado garante que sim!
7) a questão do assistencialismo.
Hoje a escola está
praticamente descaracterizada. Ali se faz de tudo... se sobrar tempo e
condições, promove-se aprendizagem.
Ali o cidadão esfomeado mata a fome, ganha
até material didático 'de graça', do lápis ao livro e ao uniforme... (ainda que seja para, no
final do ano, serem rasgados e queimados pelos próprios alunos, em atitude grotesca e 'libertadora' que simboliza bem como eles valorizam a Escola que têm recebido.
Pois bem... ali o cidadão pai e a cidadã mãe
"deposita" suas crias enquanto precisa cuidar do seu próprio sustento de
sol a sol.
Ali o professor, ao invés de professor, é o psicólogo, é
o assistente social, é o médico, é o pai-mãe (quando aqueles que o são de direito, são omissos), é policial etc etc...
Nota-se que a proposta da Escola da Ponte diverge radicalmente do modelo assistencialista atual. Transformar a Escola em mero espaço para promoção do assistencialismo social não faz parte do novo modelo.
Silvio MMax.
Nota-se que a proposta da Escola da Ponte diverge radicalmente do modelo assistencialista atual. Transformar a Escola em mero espaço para promoção do assistencialismo social não faz parte do novo modelo.
Silvio MMax.
Enfim, o artigo na íntegra:
O que está errado no projeto de educação no Brasil?
Não temos séries, nem ciclos, nem classes, nem nada…
Projeto Âncora segue metodologia
da Escola da Ponte, com orientação do português José Pacheco, educando
cerca de 350 crianças de baixa renda gratuitamente
Por Adriana Delorenzo e Renato Rovai
Ao entrar no projeto Âncora nem parece
que se está numa escola. A iniciativa, localizada no município de Cotia
(SP), está longe de ser uma proposta tradicional. Inspirada pela Escola
da Ponte, de Portugal, lá não há séries, provas e as salas de aula
comuns, com um professor falando para alunos organizados em fileiras.
Tenda de circo, pista de skate, muita área verde e salas sem divisões
compõem o espaço.
A história começou em 1995, quando o empresário Walter Steurer
passeava pela região onde morava e viu um terreno à venda. “Ele foi um
empresário de muito sucesso e, quando se aposentou, vendeu a empresa, e
tinha a ideia de continuar fazendo coisas. Quando comprou o terreno
pretendia fazer um condomínio de casas”, conta a esposa Regina Steurer.
Mas o destino da área acabou sendo outro. “Ele decidiu empregar o
dinheiro que já tinha ganhado em algo que fizesse sentido. Walter tinha
claro que o Brasil tinha dado para a família dele tudo que eles tinham,
era uma família austríaca, que chegou aqui fugida da Primeira Guerra.
Ele pensou: ‘Tenho que devolver ao Brasil o que o país me deu’”, lembra
Regina, que fundou o projeto Âncora ao lado do marido.










