Mostrando postagens com marcador afrodescendente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador afrodescendente. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de julho de 2016

reflexos perversos do racismo no Brasil

O REFLEXO MAIS PERVERSO DO RACISMO E SEXISMO: A CONDIÇÃO DA MULHER NEGRA NO BRASIL


por Silvia Chakian de Toledo Santos *



"O racismo e o sexismo influenciaram as relações que determinaram a sociedade brasileira no seu momento fundador. Isso está no DNA de nossa sociedade, é estruturante. E hoje, mesmo considerando tudo o que já mudou em relação ao que consideramos violência, não há como discutir violência contra as mulheres sem discutir racismo e sexismo no Brasil."
                      Luiza Bairros, socióloga, ex-ministra da Secr. de Política de Promoção da Igualdade Racial


Apesar dos inegáveis avanços e conquistas civilizatórias relacionadas aos direitos das mulheres, o modo de produção e reprodução da sociedade contemporânea ainda dá demonstrações de tolerabilidade quanto às violências e discriminações baseadas no gênero. Isto se deve, em larga medida, à histórica - e distorcida - concepção ontológica de mulher, deliberadamente associada ao pertencimento a um homem, permitido, de quebra, o uso de violência para perpetuação desse domínio.
O quotidiano revela que ainda vivemos em uma sociedade marcada por relações assimétricas de poder, responsáveis por profundas desigualdades sociais e naturalização da violência contra a mulher, essa compreendida como um sistema amplo de dominação masculina, onde masculinidade e poder são sinônimos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Iba Mendes: Anúncios antigos de venda de escravos

Anúncios de venda de escravos

Os anúncios parecem surreais. Seres humanos vendidos a preço de banana como se fossem bananas ou outra coisa qualquer. Triste saber que o nosso país, há pouco mais de um século, cultivou em seu seio tamanha desumanidade. Mas, enfim, trata-se de uma realidade que não pode ser esquecida, não obstante macular para sempre nossa história. 

Iba Mendes






Veja a sequência de fotos no excelente blog de Iba Mendes
clique aqui para mais fotos











Fonte:
1 - Diario Mercantil: 03/12/1824, nº 23;
2 - O Volantim: 04/09/1822, nº 03;
3 - O Parque: 10/1829, nº 04;
4 - Diario do Rio de Janeiro: 18/06/1821, nº 18;
1 - Diário Mercantil: 02/12/1824, nº 26;

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

foto rara de um navio negreiro



A foto acima é atribuída ao fotógrafo francês Marc Ferrez
Diz-se que se trata da única foto de um navio negreiro, e que ela só pôde ser tirada de maneira clandestina. 
Talvez uma descrição mais sincera, no entanto, fosse dizer que os acima fotografados eram os sobreviventes de uma viagem a bordo de um navio negreiro, em um tempo colonial em que chegar ao destino, no caso, a colônia Brasil, era a primeira de uma sucessão de vitórias contra a morte que teriam que ser enfrentadas. 
Talvez, também, fosse mais sincero dizer que, mesmo quando a escravidão era, mais do que legalizada, prática do Estado, não se queria projetar luz sobre ela e, portanto, nunca foi fenômeno histórico moralmente aceitável; era apenas um método capitalista tolerado cruelmente pelas sociedades coloniais. (...)
O Estado e as Instituições reconheceram constitucional e formalmente a imoralidade da escravidão, mas criaram poucos cenários em que efetivamente buscou-se mexer na pirâmide sócio-racial do país. Ainda hoje é tabu falar sobre ações afirmativas (conhecidas por sua plataforma mais polêmica, que são as cotas raciais). Ainda hoje a suprema Corte do país é acionada para tentar barrar a constitucionalidade do reconhecimento das terras quilombolas. Ainda hoje se fala mais sobre a exploração do trabalho como consequência de uma necessidade econômica do que se discute a adequação, moralidade e humanidade da forma de se trabalhar no mundo. (...)
*Amanda Alves Darienzo é Analista de Promotoria da Promotoria de Direitos Humanos-Área de Saúde Pública. 

terça-feira, 7 de julho de 2015

Entre o ‘encardido’, o ‘branco’ e o ‘branquíssimo’: Branquitude, hierarquia e poder

Fazenda Quititi, R. de Janeiro, 1865. Detalhe: criança branca e os pequenos escravos descalços

A Professora Lia Shucman é psicóloga e doutora em psicologia social pela Universidade de São Paulo, com estágio de doutoramento como pesquisadora no Center for New Racial Studies Institute for Social, Behavioral and Economic Research, da Universidade da Califórnia.

O evento ocorreu ao tempo em que a Professora Lia estava lançando o livro “Entre o ‘encardido’, o ‘branco’ e o ‘branquíssimo’: Branquitude, hierarquia e poder na cidade de São Paulo”, fruto de sua tese de doutorado. Em sua exposição, a pesquisadora apresentou uma rica e interessante síntese de seu trabalho, que se amolda com perfeição ao teor das discussões havidas no âmbito deste Grupo de Trabalho.
Ao iniciar sua palestra, a Professora lembrou que “o Brasil é um País em que as pessoas podem ser contra o racismo, achar que o racismo é um mal que deve ser combatido, casar com negros, ter amigos negros e mesmo assim continuarem sendo racistas, ou seja, o racismo está nas práticas culturais do sujeito, mesmo daqueles que têm uma consciência que o racismo é algo maléfico”.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

de onde veio a crença de que "negro não tem alma"?




Com certa frequência, ressurge a questão das origens da crença de que “o negro não tinha alma”. Alguns afirmam sem titubear, mas sem indicar a fonte, que a Igreja Católica seria a responsável pela disseminação desta crença. Será?

Na obra Antropologia: uma reflexão sobre o homem, 1ª ed. Bauru: Edusc, 2011, encontramos a afirmação de que, entre os séculos XVIII e XIX, havia preconceito em nossa sociedade baseado “na crença de que negros eram desprovidos de inteligência e até de alma”, porém em nenhum momento os autores afirmam que a Igreja seria a responsável por essa esquisita ideia.

De certo modo, tal afirmação chega a ser até contraditória com certos fatos históricos que traremos a seguir. Comecemos citando três papas africanos (Victor, Gelasius e Melquiades ou Miltiades) advindos do norte da África (onde os povos eram predominantemente negros). Embora não tenhamos nenhum retrato autêntico, há desenhos e referências na Enciclopédia Católica, a respeito de serem africanos.  

Por outro lado, é possível encontrar documentos papais autorizando a escravização de pagãos e muçulmanos, por reis cujo objetivo fosse espalhar a fé cristã. Neste sentido, veja-se a bula Dum Diversas, onde o Papa Nicolau V expressamente reconhece o direito dos reis da Espanha e Portugal, de conquistar quaisquer “pagãos” e mantê-los sob “servidão perpétua”. Tal posicionamento teria sido confirmado também por papas posteriores (Calisto III, em 1456, Sixto VI, em 1481, e Leão X, em 1514). O mesmo Nicolau V, em 1455, emitiria a bula Romanus Pontifex, estendendo esse direito a outras nações católicas do continente. Se considerarmos a moral vigente à época, notar-se-á que poucos questionariam o direito de, numa guerra entre cristãos e não cristãos, os primeiros escravizarem quaisquer inimigos capturados (seria uma opção melhor ao simples assassínio dos referidos prisioneiros).

Corroborando a tese de que o assunto não tinha tratamento uniforme por parte da Igreja, veremos em janeiro de 1435, a bula Sicut Dudum, do papa Eugénio IV mandar “restituir à liberdade” os que eram mantidos presos nas ilhas Canárias.  Em setembro de 1462, foi a vez do papa Pio II também dar instruções aos bispos a respeito dos negros provenientes da Etiópia, condenando o comércio de escravos como “grande crime.

domingo, 26 de abril de 2015

o debate sobre o sistema de cotas






Fundamentos sociológicos e antropológicos das políticas afirmativas voltadas às minorias étnicas

Abaixo segue interessante artigo acadêmico no qual os pesquisadores R. Franklin Ferreira e R. Mendes Mattos abordam alguns dos principais fundamentos sociológicos e antropológicos que justificam a política afirmativa do sistema de cotas para minorias étnicas no Ensino Superior Público brasileiro.

No mesmo artigo, também são apresentadas as críticas ideológicas mais comuns presentes nos discursos que ouvimos nas redes sociais, na grande mídia de massa e na boca de alguns políticos "representantes do povo brasileiro".

O presente artigo não deixa de mencionar os principais processos históricos e sociais decorrentes do problema da escravidão em território nacional e que se seguiram agravados a partir da assinatura da Lei Áurea, uma vez que não lhes foram atribuídos os mesmos direitos que se concedia aos demais brasileiros brancos.

Logo perceberemos que a suposta “democracia racial” que existiria em nosso país, era uma realidade apenas nas teses acadêmicas de pessoas desconhecedoras da crua realidade da vida das minorias no Brasil. Efetivamente, após a Abolição (1888), nenhuma medida foi tomada pelos sucessivos governantes e legisladores brasileiros, no intuito de prestar qualquer tipo de assistência ao enorme contingente de ex-escravos e descendentes, em sua maioria pobres e com pouca instrução formal. Pelo contrário, foram simplesmente despejados no mercado de trabalho sem qualquer qualificação, sem acesso à terra, sem indenização, e sem qualquer rede social de proteção (SUS, INSS, seguro-desemprego etc).

Os autores seguem abordando detalhadamente as condições de vida do afrodescendente brasileiro e encerram aprofundando seu estudo em torno do tema “Ações afirmativas e política de cotas”. Apresentam então, alguns dos principais argumentos contrários e favoráveis nas seguintes esferas: ético/jurídica, esfera étnica, esfera político/assistencial, esfera ideológica, esfera pedagógica, e, por fim, na própria esfera das relações raciais.

Ao final do seu artigo, o leitor notará que os autores admitem a atualidade e  complexidade das questões raciais no Brasil. Resta desmontada a fragilidade do argumento ideológico da "democracia racial”. A "naturalização" da desigualdade racial passa, segundo os pesquisadores, pela negação da diferença, pela discriminação do diferente, pela subalternização e inferiorização daquele que é ou pensa diferente. 

Concluem por fim que o afrodescendente no Brasil desenvolveu sua identidade étnica em torno de referências inferiorizadoras, o que favoreceu atitudes de submissão aos valores de grupos étnicos hegemônicos, mas que é possível a superação desse comportamento/atitude.
Terminam questionando:
- a política de cotas poderá ser favorável ou não para a melhoria das condições de vida dos brasileiros negros, apesar das dificuldades que dela podem advir?
- tal política poderá auxiliar na construção de identidades negras positivamente afirmadas? 
- ela pode ser considerada uma das estratégias para favorecer a ruptura do círculo vicioso ao qual o afrodescendente está submetido (pobreza, falta de condições educacionais, condições precárias de trabalho, status social considerado inferior e identidade submetida a referências de menor valor)?

Excelente artigo indicado para estudantes da Ciência Política, das Ciências Jurídicas, da Antropologia e da Sociologia.

Boa leitura!

Silvio M. Maximino





Segue abaixo, o artigo acadêmico na íntegra:











O afro-brasileiro e o debate sobre o sistema de cotas: um enfoque psicossocial

The afro-brazilian and the debate on the quotas system: a psychosocial view

sexta-feira, 3 de abril de 2015

a "crível" história do quilombo de Casimiro de Abreu


Pesquisadora resgata história de quilombo dizimado por suíços em Casimiro de Abreu

Janeiro 2015. em Ecologia Humana

Assunto foi tema da dissertação de mestrado de Renata em História, defendida há um ano, e deve virar livro

POR STÉFANO SALLES

RIO - A existência de um bairro chamado Quilombo, mas povoado por brancos de aspecto e hábitos europeus, sempre intrigou tanto Renata Lima que ela levou o assunto para a faculdade de História e transformou a localidade de Casimiro de Abreu em objeto de estudo. O assunto foi tema de seu trabalho de conclusão de curso durante a graduação, mas a pesquisa continuou no mestrado, defendido na UFF há um ano. Em um trabalho minucioso, que agora dará origem a um livro, ela descobriu que a área fora cedida pelo imperador Dom Pedro II a imigrantes suíços, que dizimaram os quilombolas e seus descendentes.
Nos períodos mais populosos, o Quilombo chegou a ter cerca de três mil moradores. A localização do bairro, afastado da sede do município, e o bom solo, tornaram-no uma área destinada à produção agrícola. Renata lamenta que a influência da cultura africana seja tão desconhecida pela população da cidade. Na pesquisa, ela encontrou um documento em que descendentes dos imigrantes propõem medidas para minimizar a importância da influência africana na constituição do município. De acordo com a estudiosa, os primeiros conflitos entre quilombolas e suíços datam de 1823:
— Os suíços dizimaram famílias inteiras de africanos. Encontrei até um mapa revelando que os europeus queriam transformar o distrito onde está o Quilombo em Nova Suíça, negando por completo o papel dos escravos e de seus descendentes em nossa sociedade.
Os poucos descendentes de quilombolas vivos ainda sofrem com as lembranças. O aposentado Alci Silva tem, pelas contas da própria família, 103 anos. Ele nasceu e cresceu no Quilombo, de onde, ao lado dos outros últimos sete moradores, foi expulso. Mas, antes de fazer as malas, conquistou o coração de uma filha de suíços, com quem teve três filhos. Lúcido, atualmente ele mora a 40 minutos do bairro, ao qual preferiu não retornar para não sofrer.
— A terra era muito boa para o plantio de trigo e de aipim. Trabalhávamos duro, mas era bom viver lá. Não tenho ressentimentos, apenas saudade — garante.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

armadilhas da meritocracia, num certo país do Terceiro Mundo

Meritocracia, democracia racial e cotas na educação



12/11/13 - Jornal da Cidade - Bauru

No Brasil, desigualdades entre afrodescendentes e brancos ainda são grandes em diversos setores. O polêmico debate sobre a política de ações afirmativas visando o combate à discriminação racial no Brasil tem por base estatísticas reveladoras: negros e pardos ocupam as funções mais modestas e recebem, em média, salário inferior ao dos brancos, mesmo desempenhando as mesmas funções; afrodescendentes com desempenho escolar inferior aos demais; “esquadrões da morte” matando aqui mais negros do que a polícia da África do Sul, durante o regime do Apartheid.

Após a abolição legal da escravidão, uma nova luta ideológico-cultural começou. Para entender a complexidade da questão, é necessário considerar vários fatores. De um dia para o outro, mais de setecentas mil pessoas foram colocadas à disposição de um mercado de trabalho fictício. Parte importante do problema do desemprego estrutural brasileiro nasce daí. Os efeitos contra o afrodescendente se fazem sentir até hoje. Trata-se de um desemprego e subemprego permanentes, que não se minimizou com o fim da escravidão, mas, ao contrário, perpetuou-se. Recentemente, porém, o Brasil optou por reconhecer, após persistente mobilização de minorias étnicas, a existência do racismo, da discriminação e de uma dívida social histórica, já que nem afrodescendente, nem indígenas, foram indenizados pelos séculos de abusos, escravidão e expropriação. Uma vez libertos formalmente, afrodescendentes tampouco tiveram acesso à Educação ou a qualquer tipo de qualificação profissional.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Educação das Relações Étnico-raciais



DISCRIMINAÇÃO RACIAL E EDUCAÇÃO

o desafio da formação docente


Questões relacionadas à discriminação racial e educação, tanto no âmbito acadêmico quanto nos demais, têm sido objeto de um número crescente de publicações e estudos, favorecendo a abertura de espaços para discussões e busca de alternativas para minimizar a discriminação racial e o preconceito nas nossas escolas. Trabalhos que desmascaram o Mito da Democracia Racial1, que criou uma cortina de fumaça e camuflou o preconceito por muitos anos, têm contribuído para a exploração do assunto.