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domingo, 23 de outubro de 2016

La falsa dilemo inter religio kaj scienco: tradução do artigo "O falso dilema da religião versus ciência"


artigo: O falso dilema da religião versus ciência
tradução para Esperanto:

La falsa dilemo inter religio kaj scienco


Antaŭ kelkaj tagoj, mi legis gazetartikolon nomata: "efikoj de meditado estas science pruvita." En alia okazo, mi vidis alian diraĵon: "Sciencistoj pruvis homan reenkarniĝon" ... Aliaj diskutas pri homeopatio... psikanalizo, metapsikio, kaj multaj aliaj konadoj, ĉu estas scienco aŭ ne ... Eĉ diskutas "sciencan evidentecon de kreismo" kaj multaj komencis meti sciencon kontraŭ religion...

Sed, kio estas scienco? Laŭ fama sciencisto Newton Freire-Maia, eĉ la sciencistoj mem ne interkonsentas. Ili certe scias ke scienco, strikte parolante, konsistas malglate, "aro de difinoj, leĝoj, teorioj, modeloj, inter aliaj, akiritaj tra specifa metodologio (nomita 'scienca'), kaj celanta koni parton de realo". Do, se vi ne uzas ĉi tiun metodologion, ne estas scienco, kaj fino.

Nu, kiuj difinas kio estas la "scienca metodo"? Respondo: sciencistoj. Kaj kiuj decidas kion estas kaj kio ne estas scienco? R: La konsento de la opinioj de sciencistoj. Kiam bona parto de sciencistoj decidas ke io estas jam scienco, do, ĝi estas.


sábado, 22 de outubro de 2016

O falso dilema da religião versus ciência








Por esses dias li um artigo jornalístico com o título: “efeitos da meditação estão cientificamente comprovados”. Noutra ocasião vi outro dizendo: “Cientistas comprovam a reencarnação humana”... Outros ainda debatem se a homeopatia, se a psicanálise, se a parapsicologia e tantos outros saberes são ciências ou não... Até se discute a “comprovação científica do criacionismo” e muitos embarcam na polêmica de colocar a ciência contra a religião...
Mas o que é ciência? Segundo o renomado cientista Newton Freire-Maia, nem os próprios cientistas tem um consenso. Sabem sim que a ciência stricto sensu compreende, grosso modo, “um conjunto de definições, interpretações, teorias, modelos, entre outros, adquiridos por meio de uma metodologia específica (denominada ‘científica’), e visando ao conhecimento de uma parcela da realidade”. Assim, se não usar essa metodologia, não é ciência, e ponto.
Bom, então quem define qual é o “método científico”? Resposta: os cientistas. E quem decide o que é e o que não é ciência? R: O consenso da opinião dos cientistas. Quando uma boa parcela dos cientistas resolve que algo já é ciência, então é.
Muitos sentem pesar ou se ofendem quando alguém lhes afirma: isso ou aquilo não é ‘comprovado cientificamente’. Ocorre que muitas coisas relevantes e valiosas não são ciência. Religiões não são ciência, obviamente. A parapsicologia e a ufologia tampouco. A literatura não é ciência, a música não é ciência (as artes em geral não são), nem a filosofia é ciência... Você já parou prá pensar em quantas coisas maravilhosas não são ciência? E que bom que não são! Nem por isso, estamos perdendo algo por tudo isso não ser ciência.
Outro equívoco é pensar que ciência seja sinônimo de verdade. A história da ciência já nos ensinou que a ciência não encontrará a verdade ‘nua e crua’. Outro grande cientista e filósofo do século XX, K. Pooper, esclarece que a ciência é a procura da verossimilhança (daquilo que parece ser verdade). A ciência lida basicamente com conceitos probabilísticos de verdade. Mesmo as teorias -meninas dos olhos da ciência- não são descrições objetivas da realidade.
Teorias, portanto, podem ser apoiadas em fatos -e assim serem boas teorias- mas é só. Teorias vão, com o tempo e com o surgir de novos aportes tecnológicos, sendo substituídas por outras descrições ou modelos explicativos da realidade mensurável.
Mas ao menos podemos dizer que há somente fatores científicos na ciência, não é? Também não. Fatores culturais não científicos como o religioso, o econômico, o político, a nacionalidade e a autoridade, influenciam no desenvolvimento e na aceitação de teorias científicas. Enfim, a ciência não é neutra.
Por isso, não esperemos por provas científicas da existência de Deus, de Jesus, do criacionismo, do êxtase dos santos ou comprovações do samadhi da meditação oriental. Não é para isso que existe a ciência. 
Já vai ficando claro que ela está colocada num plano epistemológico distinto da religião, não?
Seu objeto de estudo é específico, qual seja, o fenômeno mensurável. Distintamente, a religião possui outra metodologia, outros axiomas e propósitos, tendo como objeto de contemplação e apreciação, o imensurável, o não verificável em laboratório...
Por que então alimentar um falso dilema? São saberes distintos, cada qual com sua finalidade própria. Então, vamos combinar: podemos ser religiosos e cientistas ao mesmo tempo, mas não cair na tentação de misturar uma epistemologia com a outra, certo?
Ninguém se torna mais crente ou menos ateu porque a ciência corroborou crenças desta ou daquela religião. Ninguém é mais ou menos ético porque a ciência assim o comprovou e assegurou. O ser humano é complexo: muitas culturas, muitos saberes, necessidades de distintas ordens (físicas, psíquicas e espirituais). Nossa fé e nossa razão devem caminhar juntas, sem que uma precise atropelar a outra.


Silvio Motta Maximino – palestrante e professor de filosofia e antropologia 


publicado no Jornal da Cidade - pág.  02 no dia 22/10/2016
 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Breve Introdução à Epistemologia


epistemologia, o que é?

A palavra epistemologia não é encontrada na literatura grega antiga. Apesar do problema do conhecimento fazer parte das questões da Filosofia desde os gregos antigos, o termo epistemologia começou a ocupar maior espaço na literatura filosófica apenas na modernidade.
Não obstante, o termo grego que origina a expressão (episteme) começa a ser mais comumente encontrado na literatura do período clássico (Sófocles, Platão e Aristóteles), em torno do século V a.C. Este período marca o auge da polis grega.
Uma epistemologia é uma forma de indagar a realidade. A palavra epistemologia é definida no dicionário etimológico de Antonio Geraldo da Cunha como:
“o estudo crítico dos princípios, hipóteses e resultados das ciências já constituídas e que visa a determinar os fundamentos lógicos, o valor e o alcance objetivo delas.”
Mais especificamente, os vocábulos espiteme e logos provêm do grego e significam “ciência” e “estudo”, respectivamente. De outro modo, dizemos que epistemologia é um conjunto de conhecimentos teoricometodológicos interligados que permitem elaborar uma forma de investigação de um objeto. Epistemologia é o estudo dos princípios de investigação que direcionam um modo de enfrentar um certo tema.
Enfim, nada mais é do que o “estudo do conhecimento científico”. A palavra designa o conjunto de pesquisas que buscam responder à questão "O que é a ciência?”, colocando particularmente a questão das relações entre a ciência e as formas não científicas do saber. Em última instância, por epistemologia designa-se o que se entende hoje por Filosofia da Ciência.

O que é ciência?
Etimologicamente, o vocábulo “ciência” vem do latim scientia, que quer dizer sabedoria. Hodiernamente, há dezenas de conceituações, mas pouco consenso. Para chegarmos ao conceito de ciência, devemos recorrer a uma disciplina externa a ela mesma: a filosofia da ciência.

sábado, 3 de setembro de 2016

O inventário do invisível - John Lloyd (2009)




Os mistérios da natureza, abordados com sagacidade mordaz e irônica, pelo comediante, escritor e profissional de TV John Lloyd. Ele enumera uma relação de coisas importantíssimas em nossas vidas, mas que não vemos.
A apresentação de Lloyd está disponível em TED Talk (com legenda):
https://www.ted.com/talks/john_lloyd_inventories_the_invisible/transcript?language=pt



O inventário do invisível
de John Lloyd em 2009

A pergunta é: o que é invisível?
É mais complicado do que parece.
Tudo, eu diria – tudo que importa – exceto todas as coisas, e exceto a matéria.
Nós podemos ver a matéria, mas não podemos ver o que ela é (o que se passa nela).
Podemos ver estrelas e planetas, mas não podemos ver o que os mantém distantes ou o que os faz se aproximarem.
Com a matéria e com pessoas, nós só vemos a pele das coisas;
não podemos ver a “casa das máquinas”...
não podemos ver o que faz as pessoas funcionarem, pelo menos não tão facilmente,
e quanto mais olhamos para qualquer coisa, mais ela desaparece.
Na verdade, se você olhar as coisas bem de perto, se você olhar a estrutura básica da matéria, não há nada lá. Até elétrons desaparecem, e só há energia.
Uma das coisas interessantes sobre invisibilidade é que as coisas que não conseguimos ver, também não conseguimos entender.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

"Efeito borboleta" e destino: somos vítimas do acaso ou de leis cegas?



Você acredita em destino?

Determinismo e Acaso...
Em quaisquer ciências, sabemos todos que pequenas variações nas condições iniciais de um problema descrito por equações não-lineares podem ter resultados completamente distintos e inesperados com o passar do tempo. Ocorre que, como na natureza praticamente todos os fenômenos são não-lineares e como há um limite para determinarmos as condições iniciais de um problema, consequentemente o universo sempre terá de modo intrínseco, um considerável componente de imprevisibilidade.
Noutras palavras: todas as nossas melhores equações matemáticas e modelos físicos não passam de maquetes incompletas que tentam imitar o comportamento do universo que nos cerca.

O Efeito Borboleta*...

Deste modo, entende-se como “Efeito Borboleta” o fato de pequenas oscilações nas condições iniciais de um problema poderem causar efeitos completamente inesperados, divergentes ou imprevisíveis.
Filosoficamente, podemos dizer que a Teoria do Caos Determinístico nos ensina que o Universo é "naturalmente imprevisível". Ou seja: os fenômenos não-lineares são a regra na natureza.
Assim, parafraseando E. Lorenz, "se uma borboleta batesse as asas na China, e o pequeno deslocamento de ar provocado pelo seu movimento mudasse as condições iniciais de um sistema climático, pode ser que acabasse desencadeando uma tempestade do outro lado do planeta".



Mas será que podemos realmente afirmar que o universo é de algum modo caótico?  
Poderíamos objetar afirmando que o fato de desconhecermos todas as variáveis de um sistema não nos habilita a concluir pela regra de que o universo é 'caótico', como poderiam pensar os incautos, ao se depararem com a expressão 'teoria do caos'
De fato, o que ocorre é que nossas melhores equações (físicas, bioquímicas ou matemáticas) não dão conta de abarcar toda a gama de variáveis, nem tampouco de avaliar a precisa relevância de cada uma delas no 'resultado final'. 
Então, concluímos que nossa ignorância não pode (ou não deve) servir para ratificar quaisquer hipóteses, por mais fascinantes que nos pareçam!  

Na verdade, já sabemos que as equações lineares que estudamos na escola são 'modelos aproximados' nos quais os termos não-lineares são desprezados por serem considerados 'insignificantes' ou 'incomensuráveis' (dentro de certo contexto espaçotemporal). 
E é fato também que, graças a tais simplificações, podemos usufruir de tantos avanços tecnológicos em nosso dia a dia... 
Então, o fato de existirem 'termos não-lineares' não estudados e, portanto, desconhecidos, nos está dizendo exatamente o quê? 
Simples: Que toda a nossa ciência mais avançada não consiste de fato em uma descrição objetiva, nem mesmo aproximada da realidade. Ela é apenas uma ferramenta útil, um instrumento que funciona (pelo menos por enquanto).

E, além disso: estamos tão próximos de compreender nosso universo, quanto estavam os formidáveis cientistas gregos de 2500 anos atrás.

Conclusão: Caos e acaso aparentes não existem. São palavras-tampão, pseudoexplicações para encobrir as lacunas deixadas pela nossa ignorância a respeito da natureza do universo ou sobre seu modus operandi. Pouco sabemos do mundo visível (imaginem do invisível...) 
Tal constatação não impede o surgimento da ideologia do cientificismo, com todos os seus dogmas axiológicos e 'verdades provisórias'...  

domingo, 24 de maio de 2015

Wittgenstein: filosofia da ciência



 


“Sentimos que, mesmo depois de serem respondidas todas as questões científicas possíveis, os problemas da vida permanecem completamente intactos.” 

Ludwig Wittgenstein, filósofo (1889- 1951)