O Feitiço do Tempo
O que você faria se estivesse preso em um lugar e todos os dias fossem praticamente iguais?
Além disso, parece que nada do que você faz consegue de fato mudar a sequência repetitiva dos acontecimentos... parece desesperador, não?
Então, o que era para ser engraçado, se transforma em uma profunda reflexão sobre o sentido da vida e sobre nosso próprio protagonismo na sequência de acontecimentos que vivenciamos, já que muitas vezes também nos sentimos de certo modo "repetindo" sequências de eventos e padrões de comportamento.
É possível escapar dessa recorrência?
O enredo do filme "Feitiço do Tempo" começa retratando um dia comum de trabalho de um insuportável meteorologista de Pittsburgh. Ele acredita estar destinado a uma carreira brilhante num futuro próximo, então se ressente de ter sido designado para reportar uma certa celebração folclórica denominada "Dia da Marmota " numa cidadezinha do interior da Pensilvânia. Então, o tal repórter só pensar em escapar o mais rápido possível daquele lugar.
Contudo, algo bizarro de repente acontece: o protagonista repórter, ao acordar no "dia seguinte", nota que ficou literalmente "preso" no mesmo tal "Dia da Marmota", já que ele agora sempre acorda momentos antes de fazer a reportagem novamente.
Quando percebe que não consegue mais escapar daquele dia e daquela inevitável repetição de acontecimentos, o protagonista vai de um extremo ao outro: primeiro se desespera e até tenta o suicídio, para tempos depois perceber-se como "poderoso e imortal". Ele se vê capaz, pelo exaustivo processo de "tentativa e erro", de realizar muitos de seus desejos materiais, como por exemplo, seduzir uma mulher, enriquecer... porém, como o amanhã nunca chega, apesar da aparente vantagem, ele se vê primeiramente preso e entediado.
Só após um longo tempo preso na "lei da recorrência", ele consegue finalmente perceber algum sentido naquilo tudo. Como ele continua infeliz e percebe que nada material consegue trazer-lhe satisfação por muito tempo, ele acaba enxergando pela primeira vez, uma oportunidade de modificar seu comportamento imaturo diante da vida e dos acontecimentos aparentemente mais simples e insignificantes. Aos poucos, a forma de pensar materialista e imediatista vai cedendo e o protagonista começa finalmente a aproveitar aquela repetição incessante de eventos para amadurecer psicologicamente e valorizar outros aspectos de sua vida que antes lhe passavam desapercebidos. Ele finalmente começa a notar qual o sentido da vida.
