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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Elogio da metamorfose - Edgar Morin



O trabalho acadêmico de Edgar Morin que você lerá a seguir nos remete a uma utopia, sem dúvida. Mas não me preocupo com a utopia do texto.

Afinal, desconheço algum grande homem que não tenha professado alguma utopia. Os não utópicos são causticamente realistas e geralmente descambam para pessimismo e fatalismo... por fim tornam-se débeis ou inúteis; e seus textos, ininteligíveis... 
Há que ser, ao menos capazes de tornar a vida suportável. 

Sim... talvez o texto seja um tanto quanto ingênuo ou excessivamente otimista. Mas, a esperança está sempre de braços dados com a ação proativa e opera como vacina contra a letargia, contra a passividade e tibieza das massas (sempre acéfalas e manipuláveis). 

Hoje em dia, após ler o noticiário, é muito mais fácil chegar à conclusão de que qualquer esforço é inútil. 
Mas considero o seguinte: todas as pedagogias são propostas utópicas. Nem a pedagogia tradicional escapa desta regra. Todas as pedagogias projetam contextos ideais, desenvolvimentos e resultados ideais. Tais ideais se realizam (ou não) num "lugar que não há" (ainda).

Cabe aos homens empreenderem sua energia nelas (nas pedagogias) e, só a partir disso será possível aproximar-nos de alguma utopia, ou quem sabe concretizá-las fora do 'campo do sonhos'...

No fundo, não creio que a humanidade tenha boas perspectivas pela frente. Não que não haja propostas boas de novos paradigmas, ou de antigos paradigmas reciclados. Só não creio em mudanças ao nível das massas, no plano macro... a humanidade de modo geral não escapará ilesa das consequências de seus erros.

Minha esperança reside nos detalhes, no trabalho com o micro, com o indivíduo, com a pessoa, com o singular, com o momento, nas iniciativas que unem teoria à prática pedagógica... 
O professor real não é "aquele que ganha salário para dar aula"... O professor é aquele que ganha vida quando dá aulas! De bônus, recebe salário.

Todo professor-educador se alimenta da utopia todos os dias, desde o seu café da manhã... A utopia é seu paõzinho-francês com café de cada dia... 

Para quê ainda serve um educador hoje? para transmitir conteúdos? ou para deixar as mentes de seus alunos prenhes de utopias, de mundos ideais? 

O professor é um funcionário burocrático reprodutor/entregador de conteúdos culturais formatados, 'macdonnaldizados', ou ele é "semeador de utopias" em mentes férteis?

Até marxistas e existencialistas precisam se alimentar da utopia e beber na fonte dos ideais e das metafísicas. O materialista que nega isso, desconhece sua própria filosofia e ideologia. Ele ignora, mesmo sem notar, o próprio fundamento e a lógica da 'utopia' que defende.

Acho que detalhes podem fazer a diferença, não "para salvar a humanidade". Essa humanidade que aí está, inquilina que se acha dona, não merece sobrevida. Ela já se condenou a si mesma. A natureza por si só vai fulminá-la a seu tempo, pelos seus delitos ou pecados. 

Acho que os tais "princípios da esperança" funcionam como funcionaram há 3 mil anos, quando alguém contou, numa tenda escaldante no deserto, a história de um pequeno Davi que enfrentou e destruiu um monstruoso Golias. Ao contrário de todas as expectativas, o aparentemente fraco venceu o forte.

Você acredita que Davi possa vencer Golias?  Essa é questão fundamental . Essa é a escolha que temos que fazer, antes de mais nada. Tudo é uma questão de escolha. Sempre foi. Se um fraco com fé vence um forte, então porque não temos alguma chance?

Segue o artigo abaixo:


Elogio da metamorfose para salvar a humanidade 



“A verdadeira esperança sabe que não tem certeza. É a esperança não no melhor dos mundos, mas em um mundo melhor. A origem está diante de nós, disse Heidegger. A metamorfose seria efetivamente uma nova origem”, escreve o sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, em artigo publicado no jornal francês Le Monde, 9-01-2010. 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

mecanicismo versus organicismo - Arthur Soffiati

Paradigma mecanicista versus paradigma organicista

Publicado .
Por Arthur Soffiati - Ecohistoriador e Ambientalista

A separação entre o ser que pensa, que conhece e que nomeia e o ser que não pensa, não conhece e não nomeia já está bem definida no "Livro do Gênesis", o primeiro da "Bíblia". O ser pensante é o escolhido de Deus para conhecer e nomear os outros seres, que, por não pensarem, são nomeados. O ser eleito por Deus é o Homem e os seres nomeados são todos os outros seres, vivos e não-vivos. Assim, o Homem é o sujeito do conhecimento, e os demais seres, objeto desse conhecimento. Por suas singularidades, o Homem não apenas pensa, conhece e nomeia, senão que tem o direito de explorar os outros seres em seu benefício.
Judaístas, cristãos e muçulmanos afirmam, atualmente, que a interpretação acima está equivocada.