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domingo, 14 de maio de 2017

Raríssima foto da votação no Senado da Lei Áurea

Raríssima foto da votação no Senado da Lei Áurea, no Rio de Janeiro.

Uma foto única!
Porém, o fato mais relevante que devemos ressaltar do ponto de vista filosófico-político, é que a aprovação dessa lei provocou a ira dos republicanos cafeicultores e escravocratas... Depois da aprovação da lei concebida pela Princesa Isabel, faltava apenas um passo para a vingança: O golpe militar dos traidores que expulsou a Família Imperial do Brasil e deu início à decadência da nação ainda nascente...
Como podem ver, estamos já bem acostumados a conviver com traidores do povo por aqui.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Iba Mendes: Anúncios de fugas de escravos


num Brasil não tão distante no tempo:  


Anúncios antigos de fugas de escravos

Uma das características comuns dos anúncios de escravos foragidos, diz respeito à sua descrição, normalmente caracterizados por sinais de cicatrizes, frutos de castigos sofridos. Acerca disso já tratava Joaquim Nabuco, em seu livro “O Abolicionismo”:

“Diariamente lemos anúncios de escravos fugidos denunciados à sede de dinheiro dos capitães-do-mato com detalhes que não ofendem o pudor humano da sociedade que os lê...” –   “...anúncios de negros fugidos acompanhados em muitos jornais da conhecida vinheta do negro descalço com a trouxa ao ombro, nos quais os escravos são descritos muitas vezes pelos sinais de castigos que sofreram, e se oferece uma gratificação, não raro de um conto de réis, a quem o apreender e o levar a seu dono - o que é um estímulo à profissão de capitães-do-mato”.
Veja outras imagens de anúncios muito elucidativos no interessante site do antropólogo Iba Mendes


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Iba Mendes: Anúncios antigos de venda de escravos

Anúncios de venda de escravos



Os anúncios parecem surreais. Seres humanos vendidos a preço de banana como se fossem bananas ou outra coisa qualquer. Triste saber que o nosso país, há pouco mais de um século, cultivou em seu seio tamanha desumanidade. Mas, enfim, trata-se de uma realidade que não pode ser esquecida, não obstante macular para sempre nossa história. 

Iba Mendes






Veja a sequência de fotos no excelente blog de Iba Mendes
clique aqui para mais fotos








Fonte:
1 - Diario Mercantil: 03/12/1824, nº 23;
2 - O Volantim: 04/09/1822, nº 03;
3 - O Parque: 10/1829, nº 04;
4 - Diario do Rio de Janeiro: 18/06/1821, nº 18;
1 - Diário Mercantil: 02/12/1824, nº 26;

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

foto rara de um navio negreiro



A foto acima é atribuída ao fotógrafo francês Marc Ferrez
Diz-se que se trata da única foto de um navio negreiro, e que ela só pôde ser tirada de maneira clandestina. 
Talvez uma descrição mais sincera, no entanto, fosse dizer que os acima fotografados eram os sobreviventes de uma viagem a bordo de um navio negreiro, em um tempo colonial em que chegar ao destino, no caso, a colônia Brasil, era a primeira de uma sucessão de vitórias contra a morte que teriam que ser enfrentadas. 
Talvez, também, fosse mais sincero dizer que, mesmo quando a escravidão era, mais do que legalizada, prática do Estado, não se queria projetar luz sobre ela e, portanto, nunca foi fenômeno histórico moralmente aceitável; era apenas um método capitalista tolerado cruelmente pelas sociedades coloniais. (...)
O Estado e as Instituições reconheceram constitucional e formalmente a imoralidade da escravidão, mas criaram poucos cenários em que efetivamente buscou-se mexer na pirâmide sócio-racial do país. Ainda hoje é tabu falar sobre ações afirmativas (conhecidas por sua plataforma mais polêmica, que são as cotas raciais). Ainda hoje a suprema Corte do país é acionada para tentar barrar a constitucionalidade do reconhecimento das terras quilombolas. Ainda hoje se fala mais sobre a exploração do trabalho como consequência de uma necessidade econômica do que se discute a adequação, moralidade e humanidade da forma de se trabalhar no mundo. (...)
*Amanda Alves Darienzo é Analista de Promotoria da Promotoria de Direitos Humanos-Área de Saúde Pública. 

terça-feira, 7 de julho de 2015

Entre o ‘encardido’, o ‘branco’ e o ‘branquíssimo’: Branquitude, hierarquia e poder

Fazenda Quititi, R. de Janeiro, 1865. Detalhe: criança branca e os pequenos escravos descalços

A Professora Lia Shucman é psicóloga e doutora em psicologia social pela Universidade de São Paulo, com estágio de doutoramento como pesquisadora no Center for New Racial Studies Institute for Social, Behavioral and Economic Research, da Universidade da Califórnia.

O evento ocorreu ao tempo em que a Professora Lia estava lançando o livro “Entre o ‘encardido’, o ‘branco’ e o ‘branquíssimo’: Branquitude, hierarquia e poder na cidade de São Paulo”, fruto de sua tese de doutorado. Em sua exposição, a pesquisadora apresentou uma rica e interessante síntese de seu trabalho, que se amolda com perfeição ao teor das discussões havidas no âmbito deste Grupo de Trabalho.
Ao iniciar sua palestra, a Professora lembrou que “o Brasil é um País em que as pessoas podem ser contra o racismo, achar que o racismo é um mal que deve ser combatido, casar com negros, ter amigos negros e mesmo assim continuarem sendo racistas, ou seja, o racismo está nas práticas culturais do sujeito, mesmo daqueles que têm uma consciência que o racismo é algo maléfico”.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

de onde veio a crença de que "negro não tem alma"?




Com certa frequência, ressurge a questão das origens da crença de que “o negro não tinha alma”. Alguns afirmam sem titubear, mas sem indicar a fonte, que a Igreja Católica seria a responsável pela disseminação desta crença. Será?

Na obra Antropologia: uma reflexão sobre o homem, 1ª ed. Bauru: Edusc, 2011, encontramos a afirmação de que, entre os séculos XVIII e XIX, havia preconceito em nossa sociedade baseado “na crença de que negros eram desprovidos de inteligência e até de alma”, porém em nenhum momento os autores afirmam que a Igreja seria a responsável por essa esquisita ideia.

De certo modo, tal afirmação chega a ser até contraditória com certos fatos históricos que traremos a seguir. Comecemos citando três papas africanos (Victor, Gelasius e Melquiades ou Miltiades) advindos do norte da África (onde os povos eram predominantemente negros). Embora não tenhamos nenhum retrato autêntico, há desenhos e referências na Enciclopédia Católica, a respeito de serem africanos.  

Por outro lado, é possível encontrar documentos papais autorizando a escravização de pagãos e muçulmanos, por reis cujo objetivo fosse espalhar a fé cristã. Neste sentido, veja-se a bula Dum Diversas, onde o Papa Nicolau V expressamente reconhece o direito dos reis da Espanha e Portugal, de conquistar quaisquer “pagãos” e mantê-los sob “servidão perpétua”. Tal posicionamento teria sido confirmado também por papas posteriores (Calisto III, em 1456, Sixto VI, em 1481, e Leão X, em 1514). O mesmo Nicolau V, em 1455, emitiria a bula Romanus Pontifex, estendendo esse direito a outras nações católicas do continente. Se considerarmos a moral vigente à época, notar-se-á que poucos questionariam o direito de, numa guerra entre cristãos e não cristãos, os primeiros escravizarem quaisquer inimigos capturados (seria uma opção melhor ao simples assassínio dos referidos prisioneiros).

Corroborando a tese de que o assunto não tinha tratamento uniforme por parte da Igreja, veremos em janeiro de 1435, a bula Sicut Dudum, do papa Eugénio IV mandar “restituir à liberdade” os que eram mantidos presos nas ilhas Canárias.  Em setembro de 1462, foi a vez do papa Pio II também dar instruções aos bispos a respeito dos negros provenientes da Etiópia, condenando o comércio de escravos como “grande crime.