Mostrando postagens com marcador KOAN. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador KOAN. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de julho de 2014

Koan: O Homem Santo



aprecie a esse maravilhoso koan* que tomei a liberdade de reproduzir abaixo... 


O Homem Santo

Boatos espalharam-se por toda a região acerca da existência de um sábio homem santo que vivia em uma pequena casa sobre a montanha. Um homem da vila decidiu fazer a longa e difícil jornada para visitá-lo. Quando chegou no casebre, viu ali dentro um velho empregado que o recebeu, abrindo a porta.

"Eu gostaria de ver o sábio Homem Santo," disse ele ao servo. 
O velho sorriu e permitiu-lhe entrar. Enquanto eles caminhavam ao longo da casa, o homem da vila olhava ansiosamente em torno, antecipando seu encontro com um homem considerado um verdadeiro santo. Mas antes que pudesse se dar conta, ele já havia percorrido toda a extensão da casa e acabou sendo levado para fora. Então, ele parou e voltou-se para o servo:
"Mas eu quero ver o Homem Santo!"
"Já o fizeste," disse o velho. E fechou a porta.


- * - * - * - * - 

* koan: diálogo ou narrativa enigmática que se passa entre mestre e discípulo, com o fim de provocar o despertar da consciência do estudante praticante da meditação. Trata-se de um método milenar utilizado pelas escolas zen de meditação. O objetivo do koan é "nocautear" a mente.



para o exercício de meditação com koans: 
Primeiro, estude-o calmamente, sem preocupação com o tempo exigido ao seu entendimento... 
se não captar nenhum sentido em um primeiro momento, não se impaciente. Leia de novo, e de novo, e de novo... Cada vez que ler, sendo sua leitura atenta, um novo sentido irá se revelando... 
estude o koan, até que tenha captado o seu mais profundo significado. 
No final das contas, tal sentido mais profundo, será simplesmente indizível, inexprimível por palavras.
dica: não tenha pressa para entender a 'moral da história'. Há uma moral que precise ser encontrada? Não creia na verdade do koan, só porque ele o induz a pensar que encontrou tal 'verdade'.  De qualquer modo, não se contente com as respostas inteligentes, bem elaboradas que sua mente certamente produzirá... elas serão fascinantes... cuidado!
Mas antes disso, provavelmente você enfrentará o 1º obstáculo: a divagação da mente, que logo se cansa do 'brinquedo' e quer ir atrás de outro...
Aceite cada resposta sucessivamente, como se tivesse ganhado um 'presente'... 
não o recrimine, nem julgue... mas logo abandone-o! eis o 2º obstáculo: É comum que a mente se apegue e não queira largar o presente (seja pelo cansaço, pela preguiça, pelo comodismo ou simplesmente pela soberba, ou desconforto da busca)...
então, repito: aceite com gratidão o 'presente', aprecie-o, deguste-o, sorva-o, mas não se identifique com 'ele'. Abandone-o assim que puder.
E continue buscando... 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

“Limpar a sujeira! Sujeira limpa!"

Havia um discípulo do Buda Shakyamuni chamado Cudapanthaka. Ele era estúpido a ponto de não conseguir memorizar o próprio nome.
Cudapanthaka se tornou discípulo do Buda, mas apesar de fazer o seu melhor sempre, a disciplina lhe era tão difícil que finalmente um dia decidiu sair. Quando estava saindo, Buda o chamou e o ordenou como seu discípulo direto, dizendo-lhe:
“Cudapanthaka, você vai ficar aqui e virado para o leste, recite repetidamente isto ‘Limpar a sujeira! Sujeira limpa! ’ enquanto limpa as mãos com este pano branco”.
Ele não conseguia sequer memorizar esta frase, embora ele tentasse de várias maneiras, enquanto ele limpava suas mãos. Assim muitos dias se passaram e o seu pano branco se tornou muito sujo por causa da sujeira de suas mãos. Ele então ficou chateado com a sujeira do pano e logo tentou lavar a sujeira muitas vezes, mas não conseguiu torná-lo branco como antes. Então ficou triste e preocupado. Foi até o Buda para pedir-lhe desculpas. O Buda lhe disse:
“O seu pano branco se tornou sujo por causa da sujeira de suas mãos, isto aconteceu pela sujeira de sua mente. Se isto é assim, como é que vai fazer?
“Cudapanthaka respondeu:
“Farei o meu melhor para limpar a minha sujeira e a sujeira de outros.” Ele começou a limpar tudo, o jardim, salão principal, instalações sanitárias, sapatos, bolsas, roupas e etc, enquanto ele recitava “Limpar a sujeira! Sujeira limpa!”
Outros discípulos notaram isso, mas continuavam tratando-o como um tolo. Um dia, alguns discípulos tentaram testar Cudapanthaka que ultimamente tinha conquistado boa reputação e lhe pediram para fazer um discurso para muitas pessoas.
No discurso, ele disse: “sou verdadeiramente uma pessoa tola. Por isso, não tenho quaisquer bons ensinamentos para pregar para vocês, somente aquilo que eu lembro e tenho praticado sob orientação do Buda. Gostaria de compartilhar isso, por favor, escutem, por favor".
Logo que ele falou isso, recitou lentamente com uma bela voz e suavemente.
“Limpar a sujeira! Sujeira limpa! Limpar a sujeira! Sujeira limpa!” 

Os discípulos que haviam tentado testá-lo ficaram muito impressionados com a profunda compaixão na sua voz e se desculparam com ele. Seu breve discurso foi concluído com aplausos.


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Koan para meditação



Tanzan e Ekido certa vez viajavam juntos por uma estrada lamacenta. Uma pesada chuva ainda caía, dificultando a caminhada. Chegando a uma curva, eles encontraram uma bela garota vestida com um quimono de seda e cinta, incapaz de cruzar a intercessão.
"Venha, menina!" disse Tanzan de imediato. Erguendo-a em seus braços, ele a carregou atravessando o lamaçal.
Ekido não falou nada até aquela noite quando eles atingiram o alojamento do Templo. Então ele não mais se conteve e disse a Tanzan:
"Nós monges não nos aproximamos de mulheres!! ...especialmente as jovens e belas. Isto é perigoso. Por que fez aquilo?"
"Eu deixei a garota lá," disse Tanzan. "Você ainda a está carregando"...

Você, nas Mãos do Destino


Certa ocasião, um grande guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o inimigo embora ele tivesse apenas um décimo do número de homens que seu oponente. Ele sabia que poderia ganhar mesmo assim, mas seus soldados tinham dúvidas. No caminho para a batalha ele parou em um templo Shintó e disse aos seus homens:
"Após eu visitar o relicário eu jogarei uma moeda. Se a 'cara' sair, iremos vencer; se sair a 'coroa', iremos com certeza perder. O Destino nos tem em suas mãos."
Nobunaga entrou no templo e ofereceu uma prece silenciosa. Então saiu e jogou a moeda. A 'cara' apareceu. Seus soldados ficaram tão entusiasmados a lutar que eles ganharam a batalha facilmente.
Após a batalha, seu segundo em comando disse-lhe orgulhoso:
"Ninguém pode mudar a mão do Destino!"
"Realmente não..." disse Nobunaga mostrando-lhe reservadamente sua moeda, que tinha sido duplicada, possuindo a "cara" impressa nos dois lados.



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

koan: uma parábola



uma parábola...

Certa vez, disse o Buddha uma parábola:
Um homem viajando em um campo encontrou um tigre. Ele correu, o tigre em seu encalço. Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de uma vinha selvagem em suas mãos e pendurou-se precipitadamente abaixo, na beira do abismo. O tigre o farejava acima. Tremendo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre a esperá-lo. Apenas a vinha o sustinha.
Mas ao olhar para a planta, viu dois ratos, um negro e outro branco, roendo aos poucos sua raiz. Neste momento seus olhos perceberam um belo morango vicejando perto. Segurando a vinha com uma mão, ele pegou o morango com a outra e o comeu.
"Que delícia!", ele disse.


Sente-se com calma e confortavelmente... 
e sem pressa, reflita atentamente no que acabou de ler... concentre-se... 

sábado, 14 de setembro de 2013

Koans e Contos Zen



O que é um koan?

O koan é um método milenar utilizado pelos Mestres de escolas zen-budistas de meditação para conduzir seus discípulos a um estado elevado de consciência: a "iluminação" ou "Satori".
Para atingir este estado, o discípulo deve ter anulado completamente qualquer atividade mental ou processo de identificação. Entenda-se por "processo de identificação", os inúmeros pensamentos desordenados, recordações, sonhos, anseios, medos ou ansiedades...
A mente humana, em seu atual estágio de adormecimento,  possui a tendência de reagir o tempo todo. O objetivo do koan é "nocautear" a mente mediante a propositura de uma questão absurda, enigmática, sem resposta lógica.
Por isso, o koan é traduzido como um diálogo enigmático entre um autêntico Mestre e discípulo que visa levar o praticante a escapar das armadilhas e labirintos da mente, experimentando a Verdade, além do Ego e da ilusão do mundo material. Uma experiência inesquecível.

Como usar o koan?

- Num local calmo, o estudante escolherá uma posição confortável e, em seguida, deve concentrar sua mente na questão proposta pelo koan.
Sua mente deve ser completamente absorvida pelo problema proposto, como uma esponja absorve um líquido.
O koan deve preencher por completo a mente e nada além do koan deve permanecer na mente.
-  O estudante deve ocupar-se em obrigar a mente a descobrir a resposta do enigma ou problema-koan. Assim que uma resposta for apresentada pela sua mente, o estudante deverá descartá-la absolutamente, uma após a outra, sem apaixonar-se por nenhuma delas, até que a mente esgote o processo do pensar. 
DICAS
1 - estudar o koan calmamente, sem preocupação com o tempo exigido;

2- se não captar nenhum sentido, estudar de novo, e de novo, e de novo... novos sentidos irão se revelando... 
3- não se contentar com as respostas inteligentes, bem elaboradas que a mente produzirá... 
4- cuidado com a divagação da mente, que logo se cansa do 'brinquedo' e quer ir atrás de outro...
5- Aceitar cada resposta sucessivamente, como se tivesse ganhado um 'presente'... 
6- Não recriminar, nem julgar cada resposta... aceitar cada resposta com gratidão, mas tampouco se apegar a elas... logo abandone-as, uma a uma! -  
7- A concentração é o segredo para o sucesso. Esqueça-se o estudante do relógio, do telefone, dos compromissos futuros ou fatos passados.


O momento da "iluminação" será uma consequência natural.
LEMBRE-SE: "Uma mente distraída é como um barco à deriva que nunca chega a lugar algum." 
A meditação resulta de prática diária e de concentração perfeita.



Para ter acesso a koans e outros contos zen, acesse a página específica: 
http://oficina-de-filosofia.blogspot.com.br/p/koans-e-contos-zen.html