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terça-feira, 25 de agosto de 2020

Segunda sem carne?! Por que??

Segunda sem carne – Por que?


O objetivo da campanha é incentivar a redução do consumo de carne e, consequentemente, o aumento do consumo de leguminosas, frutas, cereais e verduras, como recomendado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde.

Também há a preocupação com os animais. A competição acirrada do agronegócio tem levado os produtores a tratar os animais como objetos e mercadorias, muitas vezes sendo criados e abatidos em condições muito precárias.
 
Outros dois pilares da Segunda Sem Carne são a preservação do planeta Terra e a saúde da população humana.

Segundo os dados do site oficial da campanha no Brasil, o consumo médio de carne atualmente tem uma pegada hídrica de 3800 litros de água por pessoa por dia.

Cada quilo de carne bovina demanda 5 quilos de alimentos de origem vegetal, que poderiam alimentar muitas pessoas, e produz 335 quilos de gás carbônico (CO2), que são liberados na atmosfera, o que equivale a dirigir um carro por 1600 quilômetros

Além disso, não comer carne uma vez por semana fará muito bem para a sua saúde. Segundo um estudo do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Oxford, se todos na Inglaterra deixassem de comer carne quatro dias por semana, seriam evitadas 31 mil mortes por doenças cardíacas e nove mil mortes por AVC (acidente vascular cerebral) todo ano. Mas atenção: não adianta muito trocar a carne por derivados animais como queijos e manteigas. Para ter uma alimentação saudável aumente o consumo de vegetais!

Meio Ambiente

A criação de animais para consumo é ambientalmente desastrosa. Uma das formas mais eficazes de mudar os nossos hábitos em favor de um meio ambiente mais saudável e equilibrado é, sem dúvida, adotar uma alimentação vegetariana.

Veja, de maneira bastante simples e resumida, o impacto ambiental positivo de tirar a carne do prato mesmo durante apenas 1 dia.




Água


Nossos esforços cotidianos para reduzir o uso de água em casa e no trabalho são importantes, mas tornam-se quase insignificantes comparados à eliminação da carne do cardápio, uma vez que são utilizados entre 10 e 20 mil litros de água para produzir apenas 1 Kg de carne bovina.

Outros tipos de carne e produtos animais também requerem um aporte de água muito superior ao de alimentos vegetarianos.

Devido ao uso intensivo de água na cadeia de produção de carnes, um típico e bem-nutrido consumidor de carne demanda indiretamente mais de 3.800 litros de água a cada dia, ou seja, inacreditáveis 1.387.000 litros por ano! (U.S. Department of State, 2011).


As granjas industriais também geram grande poluição de água, visto que ocorre o despejo dos dejetos de bilhões de animais em corpos d’água (Pew Commission, 2008). 


Há milhares de granjas industriais no Brasil e, segundo dados do governo dos EUA, “uma granja com uma grande população de animais é o mesmo que uma pequena cidade em termos de produção de dejetos” (EPA, 2004).


Estas granjas tipicamente borrifam dejetos minimamente tratados ou não-tratados nos campos, eventualmente contaminando a água, o solo e o ar (Pew Commission, 2008). 

Dejetos de granjas industriais, em geral, contêm, entre outros contaminantes, resíduos de antibióticos que estão contidos na alimentação de engorda dos animais.


Estes resíduos, assim, terminam excretados no meio ambiente e já foram recorrentemente encontrados como contaminantes de água subterrânea, superficial e encanada (FAO/ONU, 2006).

Segundo a ONU, o setor da pecuária é inegavelmente a maior fonte setorial de poluição de água, contribuindo para eutrofização de ecossistemas aquáticos, “zonas mortas” em áreas costeiras, degradação de recifes de corais, problemas de saúde humana e de emergência de resistência a antibióticos, entre outros impactos (FAO/ONU, 2006).



Mudanças Climáticas


Produzir 1 quilograma de carne bovina no Brasil envolve, sobretudo, a emissão de 335 Kg de CO2, equivalentes às emissões geradas ao dirigir-se um carro médio por 1.600 Km (Schmidinger K, Stehfest E, 2012). 


Considerando todas as emissões da cadeia, desde os cultivos que viram ração animal até o transporte e varejo da carne processada, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que o setor pecuário é responsável por 14,5% das emissões de gases do efeito estufa globais oriundas de atividades humanas (FAO/ONU, 2013).

Por estas razões, a saber, são muito expressivos os impactos positivos da alimentação vegetariana – também em termos da contribuição para mudanças climáticas. 


Um estudo indicou que o impacto positivo de tirar a carne do prato apenas um dia por semana é maior do que o impacto de que comprar 100% da sua comida com fornecedores locais, de tal sorte que é um caso a se pensar. (Weber CL, Matthews HS. 2008).

 

Desmatamento


A pecuária é responsável pela maior parte do desmatamento na Amazônia Legal (Governo Federal, 2009). Desde os anos 1970, em particular, o Brasil tem sofrido extensivo desmatamento em sua região amazônica para a pecuária (Barona E, Ramankutty N, Hyman G, Coomes OT, 2010). 80% de todo o crescimento do rebanho bovino brasileiro ocorrido entre 1990 e 2002 deu-se na Amazônia (Kaimowitz D, Mertens B, Wunder S, Pacheco P, 2004).

Para se ter uma ideia, para cada 1 quilograma de carne bovina que é produzido, são requeridos de 5 a 10 quilogramas de alimentos vegetais – uma taxa de conversão alimentar muito desfavorável, representando um desperdício de área plantada e de alimentos vegetais que poderiam ser melhor utilizados (FAO/ONU, 2012). 


Por consumir mais insumos vegetais (em geral, produzidos em monoculturas de larga escala), a alimentação à base de carne implica em consumo maior de fertilizantes, terra, agrotóxicos, água e recursos em geral. 


Por todas estas razões, a adoção do vegetarianismo tem o potencial de reduzir em até 35% a Pegada Ecológica relacionada a alimentos de um cidadão residente na cidade de São Paulo (WWF, 2012). Os alimentos vegetais contêm todos os aminoácidos essenciais.


Segunda sem carne – Por que aderir?


A ética é o principal pilar que sustenta o vegetarianismo. Os animais que consumimos, como vacas, porcos, galinhas e peixes, são seres sencientes (capazes de sofrer e experimentar contentamento) e que, portanto, merecem respeito e consideração moral.

Além disso, esses animais são capazes de tomar conta de si mesmos, de escolherem o que querem para si.

Nessa perspectiva, tais animais possuem valor intrínseco, ou seja, devem ser considerados como fins em si mesmos – e não como mero objetos para satisfazer os interesses humanos.

Apesar da imagem geralmente divulgada ao público de “fazendas felizes”, não é isso o que realmente ocorre na esmagadora maioria dos casos. 



terça-feira, 14 de julho de 2020

Efeito Borboleta - Você acredita em destino ou no acaso?


Efeito Borboleta


Você acredita em destino?

Acredita no acaso governando sua vida?

Leis mecânicas baseadas na lei de causa/efeito controlam todos os acontecimentos?

Determinismo e Acaso...

Em quaisquer ciências, sabemos todos que pequenas variações nas condições iniciais de um sistema ou problema descrito por equações não-lineares podem ter resultados completamente distintos e inesperados com o passar do tempo. 
Ocorre que na natureza, praticamente todos os fenômenos são não-lineares!
E mais do que isso: não há como determinarmos as condições iniciais de um problema/sistema!!
Consequentemente, embora conheçamos algumas "leis", o universo sempre terá um considerável componente de imprevisibilidade.
Noutras palavras: todas as nossas melhores equações matemáticas e modelos físicos, de fato são maquetes mais ou menos incompletas que tentam antever e controlar o comportamento dos fenômenos no universo que nos cerca. 

Mas o que tudo isso tem a ver com nosso destino?

Falemos um pouquinho do Efeito Borboleta...*

Você provavelmente já ouviu falar ou assistiu ao filme "Efeito Borboleta"... A ideia de que uma pequena ação agora pode desencadear grandes consequências, às vezes imprevisíveis, a médio e longo prazo...
Essa "ideia" de "imprevisibilidade dos acontecimentos" nasceu na própria Ciência. 

Deste modo, justamente devido ao fato de desconhecermos todas as variáveis que influenciam em um dado acontecimento, o “Efeito Borboleta” pode ser enunciado afirmando que "pequenas oscilações nas condições iniciais de um problema podem causar efeitos completamente inesperados, divergentes ou imprevisíveis em um futuro" (próximo ou distante).

Vejam o simples exemplo das previsões meteorológicas... 
A quantidade de erros nessas previsões costuma ser enorme. E tais erros de previsão serão proporcionalmente mais numerosos quanto mais distante no tempo e no espaço estiver a dita "previsão" do nosso meteorologista.

Filosoficamente, podemos dizer que a Teoria do Caos Determinístico nos ensina que o Universo é "naturalmente imprevisível". Ou seja: os fenômenos não-lineares são a regra na natureza.

Assim, parafraseando o matemático E. Lorenz, "se uma borboleta batesse as asas na China, e o pequeno deslocamento de ar provocado pelo seu movimento, somado a outros fatores igualmente desconhecidos ou não mensuráveis, mudasse as condições iniciais de um sistema climático, pode ser que acabasse desencadeando uma tempestade do outro lado do planeta".

Impressionante pensar nos possíveis desdobramentos desse efeito! 

Isso quer dizer que o universo é caótico e o caos governa tudo?


Claro que não!
O fato de desconhecermos todas as variáveis de um sistema, não nos habilita a inferir como regra, que o universo é caótico (como a princípio poderia sugerir a expressão 'Teoria do Caos').

De fato, o que ocorre é que nossas melhores equações não nos dão um quadro completo da realidade. Noutras palavras, nossas equações e aparelhos de medição não dão conta de abarcar toda a gama de forças e condições ambientais que interagem simultaneamente, nem tampouco de avaliar a real relevância de cada uma delas no 'resultado final'. 
Em síntese: nossas melhores equações físicas e matemáticas, sim, estão incompletas.

Evidente que nossa ignorância não pode (não deveria) servir para ratificar quaisquer hipóteses filosóficas, por mais fascinantes que nos parecessem!  

Recapitulando: já sabemos que as equações lineares que estudamos na escola são 'modelos aproximados' nos quais os termos não-lineares são desprezados por serem considerados 'insignificantes' ou 'incomensuráveis' (dentro de certo contexto espaçotemporal). E é fato também que, graças a tais simplificações, podemos usufruir dos avanços tecnológicos disponíveis em nosso dia a dia...  

Então, o fato de existirem 'termos não-lineares' desconhecidos (e, portanto, desconsiderados) está a nos dizer o quê exatamente? 
...Que as teorias científicas aceitas, por mais elegantes ou complexas, não nos fornecem uma descrição realmente objetiva (nem mesmo aproximada) da realidade! 
Desapontado?
Não fique.
As equações dos físicos, dos químicos, dos matemáticos e dos biológicos são lindas, elegantes e funcionais, mas não são absolutamente exatas. 
Nossa técnica é sim uma ferramenta útil, nossos instrumentos são funcionais (dentro de certos limites), mas isso não quer dizer que a Ciência humana seja "uma descrição fidedigna da realidade", como sonhavam os positivistas.

Apesar de todos os benefícios que colhemos dos avanços científicos, estamos tão próximos de compreender a razão e os porquês do nosso universo, quanto estavam os cientistas e filósofos gregos de 2500 anos atrás.

Então, quando usamos expressões como "caos" e "acaso", estamos falando das aparências (não sobre como as coisas são em si mesmas)...

Quando falamos em "acaso" e "caos", estamos falando muito mais sobre o tamanho de nossa ignorância, do que sobre como as coisas realmente são.

Palavras, rótulos, criados para encobrir as lacunas de nosso desconhecimento das leis universais, de como o universo é e como funciona realmente. 

Se tão pouco sabemos do mundo visível, o que diremos daquele que nos é invisível...

Tal constatação não impede que a ciência nos seja útil, como já vimos.

E o tal do livre-arbítrio? 

Estamos sujeitos ao caos ou a leis determinísticas?

O efeito borboleta nos lembra que leis mecânicas determinísticas, enunciadas pelo ser humano, também têm seus 'limites'.

Ademais, além de sabermos quase nada sobre nosso mundo físico, precisamos considerar a muito provável hipótese de que nosso mundo (tridimensional) não seja o único a ser considerado em nossas equações e fórmulas...


Então, pensemos nisso: O que seria de nossa 'vontade livre', da liberdade, se considerássemos cada mínimo movimento universal (do micro ao macro), submetidos às inexoráveis leis mecânicas naturais? 

Então, se tudo estivesse submetido a tais leis mecânicas absolutas, onipresentes e onipotentes, então nossa consciência, junto com nossos pensamentos, emoções e volições, seriam todos pálidos reflexos delas, nada mais... por exemplos, uma Nona Sinfonia de Beethoven, toda a nossa poesia, ciência e ideais, não passariam de mero resultado mecânico da ação cega de leis impessoais, inconscientes e indiferentes. 

Nada, nenhuma ação ou sentimento teria valor real, enquanto manifestação livre e consciente do 'espírito humano'. Até nosso destino, de igual modo, já estaria traçado/determinado desde o misterioso e mítico 'Big Bang'...

Mais algumas perguntas intrigantes:

- Há algo na dimensão humana que transcende, em algum momento, as leis mecânicas naturais mais elementares? Se sim, é possível descrevê-la?
- Como (com qual base ou fundamento), de fato, fazemos nossas escolhas?
- Todas as nossas decisões podem ser explicadas em termos de reações eletrofisicoquímicas de nossos cérebros?
- Quem/o quê nos impulsiona a agir, a nos omitir, a matar ou a nos matar? 
- Qual a fonte de nossa rebeldia interior, de nossa insatisfação existencial?
- O que/quem, de fato, nos impulsiona à transcendência?
São questões filosóficas ainda abertas, para que cada um busque respondê-las... Para a Filosofia, ainda tem a mais profunda de todas as questões básicas: o porquê. Por que tudo isso, afinal? Por que o universo existe e nós nele? Qual a razão?

As respostas não estão prontas...
se as perguntas não são fáceis, não serão fáceis as respostas.

1. Se presumirmos que somos resultantes da mera ação de leis mecânicas (portanto, vítimas, não do 'acaso' como crêem alguns, mas de leis onipotentes e onipresentes), então, isso resultaria em que todas as nossas ações do passado e do presente, incluindo pensamentos e vontades, não estariam de fato sob nosso real controle. Livre-arbítrio seria, como algumas pesquisas neurológicas sugerem, uma ilusão criada pela área cerebral responsável pela nossa consciência'.

Bom lembrar que tal conclusão poria em xeque a legitimidade de qualquer debate na área da ética, já que certos comportamentos de ordem moral não poderiam ser exigidos do ser humano, o qual, em última análise, não seria realmente responsáveis pelas decisões que toma).  Assim, se cada um é aquilo que a natureza fez dele, seria igualmente inútil qualquer busca ou esforço por melhorias de ordem moral, seja no plano individual, seja coletivo. 

Além disso, indo às últimas consequências, isso acabaria por eximir o ser humano de qualquer responsabilidade moral ou espiritual por suas ações (já que inexistiria real livre-arbítrio, nossas ações e reações já estariam todas absolutamente determinadas pelas leis mecânicas e amorais).

2. Contudo, se presumirmos, por outro lado, que, apesar dos condicionamentos que regem nosso corpo físico e até mesmo a grande maioria de nossas reações psicológicas básicas, somos algo com potencial para transcender tais condicionamentos, então podemos deduzir que somos responsáveis por nossas reações e, portanto, por tudo (ou quase tudo) que começa a acontecer graças a essas nossas reações cotidianas. Seríamos então plenamente responsáveis pela nossa vida, seja ela dolorosa ou não, trágica ou afortunada.

Neste caso, teríamos que reconhecer que cada um de nós é o real causador de seus próprios infortúnios. Mas... somos capazes de assumirmos essa dimensão de responsabilidade?
Ou preferimos enxergar nosso 'destino insondável' como algo determinado por algum ente metafísico? 
Tem até uma versão ateísta para esse ponto de vista: basta substituir o rótulo "deus" pelo rótulo "leis universais da física".

Você pode ser um teísta covarde, que vive justificando seus infortúnios (ou os de outras pessoas), baseando-se em contos míticos, ou pode ser um cínico ateu, que vive reduzindo tudo a leis mecânicas que tampouco conhece de fato... Tanto faz, se não vai mesmo assumir a responsabilidade.

Quando penso em 'efeito borboleta', me vem à mente a hipótese científica de que não sabemos quase nada do que está acontecendo a um palmo de nosso nariz... Consequentemente, não sabemos o que vai acontecer, nem daqui a cinco minutos, muito menos daqui a cinco semanas ou cinco meses ou...

É claro que alguns resultados são de certo modo previsíveis (se bebo álcool e saio dirigindo um veículo, os resultados são previsíveis). Por outro lado, contudo, como desconhecemos o real alcance de nossas atitudes, omissões, palavras, pensamentos, hábitos e costumes (tanto a médio como a longo prazo), então, prepare-se para muitas surpresas em sua vida!!

Há uma tese dentro da Ciência Cognitiva e da Neurologia que afirma que não sabemos, efetiva e absolutamente, o que está acontecendo, nem mesmo nesse exato instante, já que nossos sentidos são limitados e nosso cérebro tem acesso a uma gama bastante diminuta do total de dados disponíveis no ambiente que nos cerca.
Então, no fundo, é como se estivéssemos sonhando... e quase nada notando a respeito do que realmente está acontecendo ao nosso redor...
Penso que toda o nosso esforço deva ser, primeiramente, no sentido de 'despertar'. Uma vez 'acordados', tudo tornar-se-á mais claro e autoexplicativo. O sentido do que nos inquieta ou aborrece nos será autoevidente (além da crença e da racionalização).
Dormindo como estamos, alheios ao que sucede ao redor ou dentro de nós, ficamos de fato a mercê... como gravetos de madeira a deriva da correnteza.

O "efeito borboleta" citado anteriormente, assim, mostra-se como uma evidência que contradiz a ideia de um destino predeterminado imutável, ao mesmo tempo que não nega a existência de leis naturais onipresentes. 
Você pode sim mudar o rumo dos acontecimentos, mesmo não fazendo a menor ideia do que está acontecendo agora (dentro ou fora de você). Se essas mudanças serão eficazes e farão alguma diferença significativa mais adiante, vai depender de inúmeros fatores que talvez não estejam totalmente sob nosso controle: intensidade, frequência e duração das intenções e das ações divergentes que você empreender.

O destino se mostra como uma obra escrita a várias mãos, por vários co-autores, dirigida por vários diretores e contracenada por vários protagonistas, com finais ainda imprevisíveis, mas aparentemente influenciáveis.



silvio m.max.











* Efeito Borboleta: expressão utilizada na Teoria do Caos para referir a importância das condições iniciais de um sistema abeerto. Foi detectado e descrito pelo matemático estadunidense E. Lorenz quando trabalhava em um sistema de equações diferenciais com o objetivo de modelar a evolução do tempo (clima).

quinta-feira, 23 de abril de 2020

filme "Dark Waters – O Preço da Verdade" - resenha

O que um filme poderia dizer sobre o teflon da sua panela?

"Dark Waters – O Preço da Verdade"

 

O primeiro detalhe interessante a respeito do excelente filme “Dark Waters – O Preço da Verdade" (dirigido por Todd Haynes), é saber que foi baseado em uma história real e inspirado no artigo Dark Waters, do romancista e ensaísta americano Nathaniel Rich, publicado em 2016 na revista The New York Times Magazine, intitulado “The Lawyer Who Became DuPont’s Worst Nightmare”.

A obra cinematográfica é feliz em narrar a odisseia do protagonista Robert Bilott (interpretado por Mark Ruffalo), que já era advogado de sucesso defendendo grandes empresas de químicos. Ironicamente, contudo, ele acaba sendo procurado por dois agricultores de sua cidade-natal, angustiados porque seus animais estavam morrendo devido a contaminação por lixo tóxico. 

Ele, então, resolve iniciar uma meticulosa investigação particular sobre as possíveis causas da intoxicação do solo e do rio daquela região.

🔺 alerta de spoilers abaixo 🔻

É assim que Dark Waters consegue expor muito bem os métodos questionáveis da famosa DuPont, uma das empresas mais poderosas da indústria química mundial. O protagonista, graças a sua tenacidade e senso de responsabilidade social, acaba descobrindo como referida empresa não só contaminou severamente o ar, o solo e as águas da região, como também tinha prévio conhecimento dos efeitos nocivos para a saúde humana, do uso de seus produtos (a base de teflon). Por 'efeitos nocivos', entenda-se: enfermidades graves (diversos tipos de câncer), malformações e morte precoce de funcionários e milhares de clientes, sem contar os danos nefastos e incalculáveis ao meio ambiente.

Evidentemente, o exaustivo processo nos tribunais americanos acaba bem expondo como o sistema e a burocracia costumam favorecer o corporativismo empresarial. O enredo de “O Preço da Verdade”, contudo, não o torna um filme de ação ou de suspense como seu trailer sugere. Isso não quer dizer que a trama não seja envolvente e emocionante, reforçando especialmente a tensão e a pressão sofridas pelos protagonistas, ao longo de inúmeros anos de exaustiva luta contra a poderosa e multimilionária Dupont e seu famoso teflon.

De bônus, você talvez se lembre de outro memorável filme -“Erin Brockovich” (que conta a impressionante história da mulher que acabou descobrindo e investigando vários casos graves de contaminação de água causada pela empresa Pacific Gas and Eletric Company, também nos EUA, em 1993). Enfim, se você não assistiu, fica também essa outra dica!

Embora a questão ambiental apareça como pano de fundo, Dark Waters trata realmente é do conflito entre dois aspectos relevantes da vida em sociedade: de um lado a prosperidade (afinal, as pessoas precisam de seus empregos) e do outro, a ética (respeito para com o ser humano, em primeiro lugar). 

Os políticos espertalhões sempre apelarão para o falso dilema entre esses dois aspectos, como se não fosse possível conciliar economia e bioética... sem lembrar que, quando fracassamos no respeito por nós mesmos e pelo ambiente, já fracassamos em todo o resto.

🔺FICHA TÉCNICA🔻

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

a descartável ética de cada dia



Podemos viver em sociedade descartando a ética?


Olá! 
Hoje quero falar com vocês sobre ÉTICA!
Hoje em dia todo mundo fala em ética profissional, em ética na política, em ética nos relacionamentos, mas...

Você sabe mesmo o que é ética?

Ética quer dizer o conjunto de princípios que vão orientar nosso comportamento em grupo, em sociedade.
Ou seja, é a ética que nos mostra como é possível definir bons e maus comportamentos.
Isso vale para nossos relacionamentos familiares, profissionais. A ética serve para o patrão, serve para o empregado, serve para o cliente, enfim... ninguém escapa, desde que dotado de consciência e discernimento mental sobre o mundo em que vive.
Ética serve para o povo e serve para quem serve o povo, ou seja, para os políticos e demais funcionários públicos.
Numa sociedade democrática, não há ética sem respeito.
Também não haverá ética sem igualdade. Igualdade que não é entendida aqui no sentido cultural, já que todos somos "diversos" culturalmente falando.
A igualdade a qual nos referimos aqui é a igualdade jurídica, aquela que define os mesmos direitos e deveres para todos... para todos os detenham as possibilidades biológicas de desempenho e desenvolvimento.

E sem a ética? 

Sem ela, nossa sociedade seria caótica, já que cada um, independente do poder político, econômico ou da força física que detivesse, poderia fazer o que bem entendesse. Evidentemente, os mais fortes ou mais poderosos poderiam escravizar, abusar e explorar os mais fracos, sem qualquer consequência e a seu bel prazer.

Mas não é assim... não deve ser assim. Sabemos todos que uma ação boa gera boas consequências. A ação ruim vai gerar más consequências! É isso que nos ensina a Ética, e depois a lei.
É a ética que deveria nortear a criação das leis, mas nem sempre, ou quase nunca isso acontece.
É a ética que deve nortear a criação das políticas públicas, a criação e aplicação dos projetos políticos nas diferentes áreas vitais de uma sociedade, da Educação e da Saúde Pública até o Saneamento básico e a Segurança Pública... Mas quase nunca isso acontece.

Sem a ética, voltamos à Idade da Pedra, onde vale a vontade dos espertalhões. Aliás, tem dias que temos a impressão que ainda não saímos de lá...
Uma sociedade que se diz civilizada, valoriza a ética! Valoriza a ética nas mínimas ações do cotidiano.
Assim, quem valoriza a ética, valoriza sim seu bem estar, mas também e principalmente o da coletividade.

E como fazemos isso? 

Podemos começar dentro de casa, respeitando aqueles que estão mais próximos de nós.

Depois, respeitando quem encontramos pelo nosso caminho, não nos apossando daquilo que não nos pertence, respeitando os demais no trânsito, no supermercado e demais espaços públicos...

Respeitando o outro, como a gente gostaria de ser respeitado. É simples!

Não se constrói uma nação sem ética. 
Que tal começar fazendo a nossa parte?