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domingo, 17 de setembro de 2017

Estas defesas nos protegem?

Todos criamos cascas protetoras, para nos defender dos outros. Bichos cascudos têm pouca mobilidade, e machucam os outros. Uma velha tradição diz que o ser humano faz tudo para ter prazer na vida, e evitar a dor. Verdade?
Normalmente não procuramos demonstrar o amor que sentimos, quando amamos. Amor é ruim? Feio? Dói?
Também evitamos o choro, mesmo quando a vontade é grande. Choro é feio? Dói?
A mulher e o homem apaixonados se encontram. Tem vontade de pegar um na mão do outro, afagar o cabelo, abraçar, olhar nos olhos, puxar o nariz, brincar de faz de conta, manifestar ternura, contentamento, alegria, felicidade. Mas em geral não fazem nada disso.Tolhem os gestos mais espontâneos e ingênuos, que não são feios nem doem. Dariam prazer?
De fato (e INFELIZMENTE) na hora das coisas boas ficamos cheios de dedos. Não sabemos senti-las, muito menos nos entregar a elas. E usamos desculpas para esconder nossa incapacidade. Dizemos:
 - Não estava na hora.
- Ele não é a pessoa certa.
- O lugar não era adequado.
- O que iriam pensar?
- Não devo, não sou dessas.
Verdade que procuramos prazer e evitamos a dor?
Acho que acontece o contrário; defendemo-nos de coisas excelentes, fabricando uma casca protetora, verdadeira couraça. Os psicanalistas a chamam de defesa psicológica ou mecanismo de fuga ou proteção? Toda casca faz do indivíduo um especialista? Ele sempre responde as incertezas do mesmo jeito. Por isso, torna-se muito capaz numa direção, e incapaz na outra.
Alguns exemplos: o desdenhoso sabe desdenhar espetacularmente, mas sua habilidade termina aí. O orgulhoso é especialista em colocar-se acima das coisas, e incapaz de vivê-las. O gozador tem grande capacidade em rir de tudo, porém, não sente nada de importante, já que tudo é risível. O sério julga o mundo sério demais e achata a vida. Não sabe rir.
O displicente não leva nada a sério, então, não há nada que lhe interessa. A ingênua diz com espanto nos olhos que tudo é novo, mesmo acontecimentos velhos de muitos anos. E não se enriquece com acúmulo das experiências. O cobrador vive exigindo que as pessoas cumpram sua obrigação, com isso elimina a possibilidade (e risco) das respostas espontâneas.
O desconfiado está sempre desconfiado e afasta as coisas boas que interpreta como malévolas.
A eterna vítima é técnica em queixar-se, portanto não se arrisca a viver uma situação agradável. O Don Juan transforma a vida numa caçada à mulher, porém é incapaz de amar alguém.
O falador interminável teoriza sobre tudo e não vive, a vida é um dicionário. Esses são só alguns exemplos de cascas. Pois há tantas....e todas dificultam a vida. Como se fossem óculos escuros, impossibilitando a visão do arco-iris.
O cavaleiro medieval, armado de imponente armadura, investe contra o índio nu. Casca e não casca. Quem vai ganhar?
Se for preciso passar por uma ponte estreita (ou seja, por um momento difícil) é quase impossível manter o equilíbrio com a armadura. O índio ganha se surgir um perigo inesperado; como é que o cavaleiro se defenderá? Ele só sabe fazer as coisas de um jeito (é um especialista). O índio ganha. Se acontecer um empurrão (isto é, se as pressões sociais forem muitas), o cavaleiro não resiste e cai. O índio ganha.
Além disso, durante todo o tempo da luta, o encouraçado tem a respiração deficiente. Em consequência disso, ele pensa, sente e se mexe mal, pois a casca feita, na verdade, por tensões musculares que prendem, como uma roupa apertada, inibe todas as expansões.
Voltando aos exemplos, como o cavaleiro encouraçado, o desdenhoso, a vítima, o orgulhoso e os outros cascudos, especializados em suas defesas se movem, respiram, se sentem mal, vivem mal. Todo bicho muito cascudo,tartaruga, besouro, morre quando cai de costas. Seria bom aprender esta lição. A casca oprime, limita e sufoca... nos torna burros em todas as reações que fogem a nossa especialidade... nos deixa tensos e sem reações de forma que deixamos a vida passar sem realmente vivê-la, como se passa o tempo.


Autor: J. A. Gaiarsa 
Couraça Muscular do Caráter (Wilhelm Reich) Editora Ágora/ Edição 4 / 1984

quinta-feira, 7 de maio de 2015

policiais do sistema

"Somos todos policiais do sistema. Todos vigiam todos para que ninguém faça o que todos gostariam de fazer. Somos todos carcereiros e prisioneiros."


(José Ângelo Gaiarsa)

terça-feira, 28 de abril de 2015

Gaiarsa polêmico: amor, dominação e opressão

Gaiarsa: um pensador polêmico! para entendê-lo, necessário se faz uma leitura mais profunda de pelo menos algumas de suas obras... Não se pode conhecer realmente o pensamento de um autor, por meras citações.
Uma leitura mais calma certamente vai facilitar entender seu ponto de vista ou então facilitar a crítica embasada e fundamentada...
Para refletir:  O que é o amor? o que é a família? para que serve e onde ela falha? ... (pois certamente está falhando em muitos aspectos).
Se não a família, que instituição cultural vai nos introduzir na dimensão da humanidade?
Há saída para a família? Há jeito para o humanoide?

“O amor nos tira do mundo habitual e vai criando um revolucionário, um fora-da-lei, um marginal, isto é, um agente da transformação social.”



“O amor é o fim da dominação e da opressão. Só o amor pode nos humanizar, e a família é o principal obstáculo à expansão do amor entre as pessoas.”

(José Ângelo Gaiarsa)



sexta-feira, 10 de abril de 2015

Gaiarsa e a crítica da educação 'civilizadora'


Para refletir...

“Crianças de três anos, em testes compatíveis com a idade, são quase todas geniais; aos vinte, o rendimento intelectual cai a 15%, mostrando que a educação é primariamente um processo restritivo que limita, que fecha a cabeça, o corpo, prende.”

“Só crianças muito oprimidas e anuladas fazem gritarias e exigências desencontradas.”

“Quem conseguiu impedir sua criança de ser excessivamente bem educada, conserva a capacidade de perceber e reagir ao novo. Atitude verdadeiramente característica da infância- como também curiosidade e entusiasmo permanentes.”

(José Ângelo Gaiarsa)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015