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sexta-feira, 22 de abril de 2022

Por que celebrar o Dia da Terra?

Hoje é o Dia da Terra

mas, para quê afinal precisamos de um dia especial como esse?
 
bom sinal não é.

 
O Dia da Terra tem o fim de estimular o surgimento de uma consciência política e social quanto aos problemas que nosso planeta enfrenta: descontrolada poluição do ar, da água e do solo, destruição acelerada da biodiversidade, superaquecimento do planeta, dentre outros. 
 
A data foi criada nos Estados Unidos pelo senador norte-americano Gaylord Nelson. Naquela ocasião, ocorreu um fórum ambiental que reuniu 20 milhões de pessoas, organizado para protestar contra a poluição. Tal evento foi importante para a aprovação de leis ambientais pioneiras sobre emissão de gases nocivos e proteção de espécies ameaçadas.
 
Em 2022, no entanto, a situação não é nada boa. Os alertas de que as nações não estão fazendo a sua parte e que o prazo para que as mudanças climáticas estão chegando ao seu ponto irreversível está se esgotando.
 
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU divulgou que a última década registrou o nível mais alto de gases de efeito estufa da história. Para que o aquecimento global fique dentro do limite estabelecido no Acordo de Paris (1,5 grau celsius), as emissões deveriam parar de aumentar antes de 2025, e cair 43% até 2030 (segundo o presidente da Comissão de Meio Ambiente, senador Jaques Wagner). 
 
 
Temos até 2030 para cortar emissões e limitar o aquecimento global. O relatório diz que, se não tomarmos atitude mais drástica, nós temos três anos apenas para ter ainda um ponto de retorno no processo de aquecimento global. 
 
 
As principais fontes de poluição apontadas pelo referido relatório foram os setores de energia, indústria, agricultura e o desmatamento, que no Brasil foi responsável por 46% do total de emissões. 
 
Medidas urgentes de reflorestamento e redução do uso de combustíveis fósseis, privilegiando fontes limpas como a biomassa, a eólica e a solar devem ser tomadas, antes que seja tarde demais.

sexta-feira, 5 de março de 2021

Dica de documentário: "Não há amanhã": a questão do hiperconsumo

There's no tomorrow (dublado) 



Abaixo, você encontrará link (Youtube) para assistir a este documentário estarrecedor e ao mesmo tempo bem realista, abordando comportamento humano em sociedade (consumismo) e a iminente crise de abastecimento decorrente do esgotamento de nossa principal fonte de energia: o petróleo.
 
 
 
O documentário "Não há amanhã" (There's no tomorrow), com didática impecável e uso de animações gráficas bem humoradas, faz uma análise fria dos dados estatísticos e aborda a crucial questão do crescimento demográfico e a consequente crescente demanda por energia, em escala exponencial (progressão geométrica) no planeta. 
De modo simples, o curta-metragem aborda, desde a formação geológica do petróleo em eras remotas até chegar aos dias atuais, quando se verifica os picos de produção e consumo. Ao analisar o crescente consumo da praticamente única fonte que sustenta nosso modo de vida contemporâneo, o documentário questiona a dependência da sociedade de fontes de energia não renováveis, assim como faz indiretamente uma crítica ao modelo de crescimento econômico desenfreado e o consequente esgotamento dos limitados recursos naturais ainda disponíveis.
 
Esse breve filme-animação tem o mérito de nos chamar a atenção para a problemática do hiperconsumismo (cultura do consumo inconsequente) e igualmente para o fato de que, independentemente de quais estratégias de "crescimento sustentável" sejam adotadas, é apenas questão de tempo (pouco tempo) para que a simples demanda crescente por alimento (crescimento demográfico) e por energia, acabe tornando nosso modo de vida absolutamente insustentável. 
 
Noutras palavras: sendo nossa matriz energética principal sustentada basicamente em um único recurso natural não-renovável e sendo exponencial o crescimento da economia (do tipo predatória/exploratória), não é difícil antever o 'beco sem saída' no qual estamos entrando...
 
Estaríamos cegos, como uma boiada estourada, caminhando em direção ao abismo?
 
No início do documentário, seu diretor ilustra com uma "cena" metafórica, mostrando dinossauros se alimentando tranquilamente, já que estavam no topo da cadeia alimentar, para depois mostrar o ser humano atual, também tranquilo, ocupando a mesma posição confortável que os dinossauros ocuparam um dia...
Resta saber se o intelecto humano irá salvá-lo das consequências de um inevitável colapso do seu próprio sistema social.
 
O documentário "Não há amanhã" foi animado e dirigido por Dermot O' Connor, em parceria com a "Incubate Pictures" e o "Post Carbon Institute". 
Produzido no Software vetorial Flash, demorou 6 anos para ser concluído, além de muita pesquisa. 
O filme é gratuito e não pode ser comercializado.
 
 
filme original (em inglês): http://youtu.be/VOMWzjrRiBg 
dublagem:Bruno Bartulic

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

atenção! mudanças na Cartilha de Defesa Animal do Ministério Público de São Paulo

Cartilha de Defesa Animal do MPSP ganha seção sobre maus-tratos a cães e gatos

Atualização trata de lei passou a punir esse tipo de crime

 

A Cartilha de Defesa Animal* desenvolvida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo acaba de ser atualizada. O objetivo da melhoria foi adequar o material à legislação que, a partir de 30 de setembro de 2020, passou a punir o crime de maus-tratos contra cães e gatos com reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda do animal maltratado, bem como de qualquer outro pelo período de cinco anos contados da agressão.

 

Uma das mudanças na lei estabeleceu que, se houver flagrante, o acusado será conduzido para a delegacia e mantido preso, diferentemente do que acontecia antes, quando o autor do crime era liberado, desde que se obrigasse a comparecer perante o juízo.

 

 A cartilha, escrita pela promotora de Justiça Eloisa Baissardo Gagliardi, traz orientações envolvendo a coleta de provas em casos de maus-tratos a animais, o papel das ONGs e o que deve ser feito em casos de omissão do poder público, entre outros pontos.

 

* Se você tem interesse em receber gratuitamente uma cópia da cartilha (em pdf), entre em contato pelo endereço silvio.mmax@gmail.com, ou deixe seu pedido nos "comentários".

 

 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Você sabe quanto custou seu prato de comida??

Quanto realmente custa para produzir o que você come?

MAS... 

A nutrição vinda da alimentação vegetariana/vegana é suficiente?

De acordo com pesquisas recentes, basta ter uma alimentação bem variada.

Grãos, castanhas e verduras escuras são o mínimo necessário para substituir a carne na alimentação. Entretanto, o único nutriente que não está presente nos alimentos de origem vegetal é a vitamina B 12, mas ela é extraída de bactérias, então existem suplementos veganos que podem ser tomados com a orientação de um nutricionista.


Todavia, É muito importante ter esta orientação uma vez que a necessidade diária de nutrientes varia de acordo com a estatura e massa de cada pessoa. 


Além disso, é necessário cuidar para ter uma dieta balanceada: frituras, doces e (principalmente) alimentos industrializados não estão em desacordo com a filosofia vegana se não contiverem ingredientes de origem animal, mas mesmo assim, costumam ser prejudiciais à saúde. Assim sendo, lembre-se que qualquer coisa em excesso faz mal.

VOCÊ SABIA?



 

 

Segunda sem carne?! Por que??

Segunda sem carne – Por que?


O objetivo da campanha é incentivar a redução do consumo de carne e, consequentemente, o aumento do consumo de leguminosas, frutas, cereais e verduras, como recomendado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde.

Também há a preocupação com os animais. A competição acirrada do agronegócio tem levado os produtores a tratar os animais como objetos e mercadorias, muitas vezes sendo criados e abatidos em condições muito precárias.
 
Outros dois pilares da Segunda Sem Carne são a preservação do planeta Terra e a saúde da população humana.

Segundo os dados do site oficial da campanha no Brasil, o consumo médio de carne atualmente tem uma pegada hídrica de 3800 litros de água por pessoa por dia.

Cada quilo de carne bovina demanda 5 quilos de alimentos de origem vegetal, que poderiam alimentar muitas pessoas, e produz 335 quilos de gás carbônico (CO2), que são liberados na atmosfera, o que equivale a dirigir um carro por 1600 quilômetros

Além disso, não comer carne uma vez por semana fará muito bem para a sua saúde. Segundo um estudo do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Oxford, se todos na Inglaterra deixassem de comer carne quatro dias por semana, seriam evitadas 31 mil mortes por doenças cardíacas e nove mil mortes por AVC (acidente vascular cerebral) todo ano. Mas atenção: não adianta muito trocar a carne por derivados animais como queijos e manteigas. Para ter uma alimentação saudável aumente o consumo de vegetais!

Meio Ambiente

A criação de animais para consumo é ambientalmente desastrosa. Uma das formas mais eficazes de mudar os nossos hábitos em favor de um meio ambiente mais saudável e equilibrado é, sem dúvida, adotar uma alimentação vegetariana.

Veja, de maneira bastante simples e resumida, o impacto ambiental positivo de tirar a carne do prato mesmo durante apenas 1 dia.




Água


Nossos esforços cotidianos para reduzir o uso de água em casa e no trabalho são importantes, mas tornam-se quase insignificantes comparados à eliminação da carne do cardápio, uma vez que são utilizados entre 10 e 20 mil litros de água para produzir apenas 1 Kg de carne bovina.

Outros tipos de carne e produtos animais também requerem um aporte de água muito superior ao de alimentos vegetarianos.

Devido ao uso intensivo de água na cadeia de produção de carnes, um típico e bem-nutrido consumidor de carne demanda indiretamente mais de 3.800 litros de água a cada dia, ou seja, inacreditáveis 1.387.000 litros por ano! (U.S. Department of State, 2011).


As granjas industriais também geram grande poluição de água, visto que ocorre o despejo dos dejetos de bilhões de animais em corpos d’água (Pew Commission, 2008). 


Há milhares de granjas industriais no Brasil e, segundo dados do governo dos EUA, “uma granja com uma grande população de animais é o mesmo que uma pequena cidade em termos de produção de dejetos” (EPA, 2004).


Estas granjas tipicamente borrifam dejetos minimamente tratados ou não-tratados nos campos, eventualmente contaminando a água, o solo e o ar (Pew Commission, 2008). 

Dejetos de granjas industriais, em geral, contêm, entre outros contaminantes, resíduos de antibióticos que estão contidos na alimentação de engorda dos animais.


Estes resíduos, assim, terminam excretados no meio ambiente e já foram recorrentemente encontrados como contaminantes de água subterrânea, superficial e encanada (FAO/ONU, 2006).

Segundo a ONU, o setor da pecuária é inegavelmente a maior fonte setorial de poluição de água, contribuindo para eutrofização de ecossistemas aquáticos, “zonas mortas” em áreas costeiras, degradação de recifes de corais, problemas de saúde humana e de emergência de resistência a antibióticos, entre outros impactos (FAO/ONU, 2006).



Mudanças Climáticas


Produzir 1 quilograma de carne bovina no Brasil envolve, sobretudo, a emissão de 335 Kg de CO2, equivalentes às emissões geradas ao dirigir-se um carro médio por 1.600 Km (Schmidinger K, Stehfest E, 2012). 


Considerando todas as emissões da cadeia, desde os cultivos que viram ração animal até o transporte e varejo da carne processada, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que o setor pecuário é responsável por 14,5% das emissões de gases do efeito estufa globais oriundas de atividades humanas (FAO/ONU, 2013).

Por estas razões, a saber, são muito expressivos os impactos positivos da alimentação vegetariana – também em termos da contribuição para mudanças climáticas. 


Um estudo indicou que o impacto positivo de tirar a carne do prato apenas um dia por semana é maior do que o impacto de que comprar 100% da sua comida com fornecedores locais, de tal sorte que é um caso a se pensar. (Weber CL, Matthews HS. 2008).

 

Desmatamento


A pecuária é responsável pela maior parte do desmatamento na Amazônia Legal (Governo Federal, 2009). Desde os anos 1970, em particular, o Brasil tem sofrido extensivo desmatamento em sua região amazônica para a pecuária (Barona E, Ramankutty N, Hyman G, Coomes OT, 2010). 80% de todo o crescimento do rebanho bovino brasileiro ocorrido entre 1990 e 2002 deu-se na Amazônia (Kaimowitz D, Mertens B, Wunder S, Pacheco P, 2004).

Para se ter uma ideia, para cada 1 quilograma de carne bovina que é produzido, são requeridos de 5 a 10 quilogramas de alimentos vegetais – uma taxa de conversão alimentar muito desfavorável, representando um desperdício de área plantada e de alimentos vegetais que poderiam ser melhor utilizados (FAO/ONU, 2012). 


Por consumir mais insumos vegetais (em geral, produzidos em monoculturas de larga escala), a alimentação à base de carne implica em consumo maior de fertilizantes, terra, agrotóxicos, água e recursos em geral. 


Por todas estas razões, a adoção do vegetarianismo tem o potencial de reduzir em até 35% a Pegada Ecológica relacionada a alimentos de um cidadão residente na cidade de São Paulo (WWF, 2012). Os alimentos vegetais contêm todos os aminoácidos essenciais.


Segunda sem carne – Por que aderir?


A ética é o principal pilar que sustenta o vegetarianismo. Os animais que consumimos, como vacas, porcos, galinhas e peixes, são seres sencientes (capazes de sofrer e experimentar contentamento) e que, portanto, merecem respeito e consideração moral.

Além disso, esses animais são capazes de tomar conta de si mesmos, de escolherem o que querem para si.

Nessa perspectiva, tais animais possuem valor intrínseco, ou seja, devem ser considerados como fins em si mesmos – e não como mero objetos para satisfazer os interesses humanos.

Apesar da imagem geralmente divulgada ao público de “fazendas felizes”, não é isso o que realmente ocorre na esmagadora maioria dos casos. 



domingo, 26 de julho de 2020

Campanha Segunda-Feira sem carne

Saiba mais em:


http://segundasemcarne.com.br/

https://vegavida.com.br/segunda-sem-carne/

Segunda sem carne! Participe!

Segunda sem carne – Por que aderir?



Lançado nos Estados Unidos em 2003, o movimento Meatless Monday (segunda sem carne) vem ganhando adeptos em vários países e ficou famoso quando o beatle Paul McCartney chamou a atenção da mídia ao lançar a campanha na Inglaterra, acompanhado pela filha, a estilista Stela McCartney. 

Segunda-feira é mundialmente conhecido como o dia para mudanças, dia para tomarmos decisões, começarmos transformações e novidades. Que tal tentar algo que trará um enorme benefício para todos?!

A Campanha Segunda Sem Carne se propõe a conscientizar as pessoas sobre os impactos que o uso de produtos de origem animal* para alimentação tem sobre  os animais, a sociedade, a saúde humana e  o planeta, convidando-as a descobrir novos sabores ao substituir a proteína animal pela vegetal pelo menos uma vez por semana.

Existente em mais de 40 países, como nos Estados Unidos e no Reino Unido (onde é encabeçada pelo ex-Beatle Paul McCartney) e apoiada por inúmeros líderes internacionais, a campanha foi lançada no Brasil em outubro de 2009 e hoje conta com o apoio de governos, personalidades e empresas.

Um dos desdobramentos da adesão ao movimento é a implementação da Alimentação Escolar Vegetariana presente desde 2011 nas escolas municipais de São Paulo, escolas os alunos da rede pública do município de São Paulo têm acesso à refeições 100% livres de produtos animais, trazendo grande impacto positivo.

A fim de facilitar a adoção deste hábito, a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) fornece em suas redes receitas saborosas, dicas de nutrição, notícias e informações qualificadas a respeito das razões éticas, ambientais e de saúde para passar essa ideia adiante.
 
Ao diminuir o consumo de carne reduz-se, ao mesmo tempo, o desperdício de água, o desmatamento, a desertificação, a extinção de espécies, a destruição de habitats e até de biomas inteiros. A pecuária é responsável pela emissão de cerca de 17% dos gases de efeito estufa no planeta. Mais da metade da produção mundial de alimentos é destinada à ração para animais de abate.

A Segunda Sem Carne no Brasil é considerada a maior do mundo

No ano de 2018 foram 67 milhões de refeições oferecidas. 

E a campanha não para de crescer, no primeiro semestre de 2019, já foram mais de 42 milhões de refeições.  

Esses números expressivos são resultado do trabalho de parceria da SVB com empresas e órgãos públicos.








Informe-se melhor sobre a campanha acessando: http://segundasemcarne.com.br/
  
fonte: https://vegavida.com.br/segunda-sem-carne/

  







domingo, 19 de julho de 2020

O lixo é resultado da falta de criatividade: o problema do plástico


Por ano, 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos.
É com esta matéria prima que Ana Pêgo trabalha criativamente no seu projeto Plasticus maritimus para nos alertar sobre o desastre ambiental que está espelhado nas nossas praias. 

Já criou um esqueleto de uma baleia com o plástico que vem parar na praia e utiliza o restante lixo para criar exposições e ensinar as crianças e jovens.





"o lixo plástico é fruto da nossa falta de criatividade!"
(Ana Pêgo - educadora e ambientalista)
 
Isso quer dizer que se nós formos suficientemente criativos, nunca vamos acumular tanto lixo.
Ana Pêgo criou uma página no facebook chamada "plásticus marítimus" que mostra às pessoas as coisas que encontra na praia. Ela inventou este "nome científico" remetendo à ideia de uma espécie
invasora que está a invadir as nossas vidas e as nossas praias.
Referido projeto ambiental visa a introduzir este tema da poluição ambiental, até pela urgência
de educar e informar as pessoas para que aprendam realmente a resolver o problema.

O plástico e os descartáveis vieram facilitar muito a nossa vida. Porém, nem percebemos como quase tudo que usamos é plástico. As pessoas têm que ter consciência disso.
O plástico é um material muito importante, mas realmente os descartáveis, estas coisas que nós usamos uma vez e em seguida jogamos fora, todas estas coisas acabam sendo arrastadas pelas chuvas e mais tarde vão parar na praia. A consequência disto é que os animais acabam comendo, ingerindo, já que confundem com o próprio alimento.
 

Durante muitos anos ouvimos este o principal que nós deveríamos fazer era reciclar. Porém, o primeiro passo é repensar nossos hábitos, a forma como utilizamos e descartamos o plástico.  Evitar ou reduzir o uso de sacos plásticos é uma questão de hábito.O mesmo se aplica aos canudos plásticos: não são realmente necessários. A reciclagem é apenas o último passo, quando realmente não tivermos como recuperar os objetos, só no final é que temos a reciclagem.
 
A reciclagem não é a primeira coisa que temos que fazer, mas é a última é só quando já não sabemos o que fazer.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

filme "Dark Waters – O Preço da Verdade" - resenha

O que um filme poderia dizer sobre o teflon da sua panela?

"Dark Waters – O Preço da Verdade"

 

O primeiro detalhe interessante a respeito do excelente filme “Dark Waters – O Preço da Verdade" (dirigido por Todd Haynes), é saber que foi baseado em uma história real e inspirado no artigo Dark Waters, do romancista e ensaísta americano Nathaniel Rich, publicado em 2016 na revista The New York Times Magazine, intitulado “The Lawyer Who Became DuPont’s Worst Nightmare”.

A obra cinematográfica é feliz em narrar a odisseia do protagonista Robert Bilott (interpretado por Mark Ruffalo), que já era advogado de sucesso defendendo grandes empresas de químicos. Ironicamente, contudo, ele acaba sendo procurado por dois agricultores de sua cidade-natal, angustiados porque seus animais estavam morrendo devido a contaminação por lixo tóxico. 

Ele, então, resolve iniciar uma meticulosa investigação particular sobre as possíveis causas da intoxicação do solo e do rio daquela região.

🔺 alerta de spoilers abaixo 🔻

É assim que Dark Waters consegue expor muito bem os métodos questionáveis da famosa DuPont, uma das empresas mais poderosas da indústria química mundial. O protagonista, graças a sua tenacidade e senso de responsabilidade social, acaba descobrindo como referida empresa não só contaminou severamente o ar, o solo e as águas da região, como também tinha prévio conhecimento dos efeitos nocivos para a saúde humana, do uso de seus produtos (a base de teflon). Por 'efeitos nocivos', entenda-se: enfermidades graves (diversos tipos de câncer), malformações e morte precoce de funcionários e milhares de clientes, sem contar os danos nefastos e incalculáveis ao meio ambiente.

Evidentemente, o exaustivo processo nos tribunais americanos acaba bem expondo como o sistema e a burocracia costumam favorecer o corporativismo empresarial. O enredo de “O Preço da Verdade”, contudo, não o torna um filme de ação ou de suspense como seu trailer sugere. Isso não quer dizer que a trama não seja envolvente e emocionante, reforçando especialmente a tensão e a pressão sofridas pelos protagonistas, ao longo de inúmeros anos de exaustiva luta contra a poderosa e multimilionária Dupont e seu famoso teflon.

De bônus, você talvez se lembre de outro memorável filme -“Erin Brockovich” (que conta a impressionante história da mulher que acabou descobrindo e investigando vários casos graves de contaminação de água causada pela empresa Pacific Gas and Eletric Company, também nos EUA, em 1993). Enfim, se você não assistiu, fica também essa outra dica!

Embora a questão ambiental apareça como pano de fundo, Dark Waters trata realmente é do conflito entre dois aspectos relevantes da vida em sociedade: de um lado a prosperidade (afinal, as pessoas precisam de seus empregos) e do outro, a ética (respeito para com o ser humano, em primeiro lugar). 

Os políticos espertalhões sempre apelarão para o falso dilema entre esses dois aspectos, como se não fosse possível conciliar economia e bioética... sem lembrar que, quando fracassamos no respeito por nós mesmos e pelo ambiente, já fracassamos em todo o resto.

🔺FICHA TÉCNICA🔻

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

a história real de um fazedor de rios


De tanto observar, foi lá e fez...

a história de um fazedor de rios


Às margens da Rodovia dos Bandeirantes, o fazedor de rios

Mesmo sem conhecimento teórico, ativista Adriano Sampaio, de 45 anos, criou no Jaraguá um sistema de biovaletas


Edison Veiga, O Estado de S. Paulo
22 Março 2017 |


SÃO PAULO - De tanto observar os rios, foi lá e fez um. É mais ou menos este o resumo da história do ex-corretor de seguros Adriano Sampaio, de 45 anos, ativista ambiental criador do projeto Existe Água em SP. Na verdade, meio sem querer, ele desenvolveu o que oficialmente pode ser chamado de biovaleta - um sistema ecológico e sustentável de reaproveitamento de água da chuva.

Sampaio mora no bairro de Vila Clarice, noroeste da cidade, a poucos metros da Rodovia dos Bandeirantes, perto do Pico do Jaraguá. Começou a notar que a valeta de concreto que margeia a pista - e serve para escoar a água da chuva - andava sempre com suas poças. Pouco declive, região com sombra de árvores, zero permeabilidade... “Aí, em minha cabeça, ficava a lembrança de rios que, quando enchem, ocupam uma área de várzea. Depois, na estiagem, voltam ao leito mas deixam alguns lagos perenes”, comenta.

Em janeiro, pegou facão, enxada e principiou o trabalho. Deu uma limpada no mato, tirou o lodo que estava acumulado no fundo da valeta, fez duas barragens com argila e algumas pedras - tiradas do próprio entorno -, criou um corregozinho de dez metros. Choveu. Encheu. Trinta centímetros de profundidade.
Então ele se embrenhou por rios da região, peneira na mão, caçou uns guaruzinhos - o lebiste selvagem. Conseguiu também cascudos e carás. “E um dia fui ao Mercado da Lapa e comprei seis pequenas carpas. Gastei R$ 20. Foi o único investimento financeiro do projeto”, conta. 
A valeta ganhou vida. Os guarus se reproduzem rapidamente. Aos poucos, girinos têm surgido. Plantas aquáticas, também. “Outro dia um passarinho desses pescadores estava aqui de olho. Daqui a pouco vai ter bicho sondando por perto, atrás dos peixes”, diz Sampaio. Borboletas já rodeiam o local, antes quase inóspito.
Então o ativista descobriu - ah, a internet! - que o que estava fazendo tem nome e conceito: biovaletas. Na realidade, é um jeito de lidar com as águas da chuva de modo sustentável. “Trata-se de uma técnica bem contemporânea no exterior”, afirma o arquiteto, urbanista e paisagista Henrique de Carvalho, do Ateliê Tanta - um entusiasta da ideia. “Desde os anos 1960 e 1970, é um formato bastante estudado. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cidade de Portland, em Oregon, incentiva o modelo largamente.”
Ano sim, ano não, a prefeitura do município americano publica um guia intitulado Manual de Manejo da Água da Chuva. A última edição, de 2016, saiu com 502 páginas. 
Nelas, as biovaletas são apresentadas como uma alternativa recomendada para lidar com a pluviosidade. Um “canal vegetado” não apenas para coletar a água da chuva, mas também com a função de “diminuir o escoamento superficial, sedimentar, melhorar a infiltração e reduzir a poluição”. Sim, as tais barreiras de argila “inventadas” por Sampaio têm essas funções: acabam livrando a água de impurezas. 
Na versão paulistana, o ativista acredita que está resolvendo o problema dos mosquitos - afinal, as larvas dos insetos são um banquete para os peixinhos. “Já notei que não aparecem mais tantos Aedes quanto antes”, ressalta.

Reconhecimento.
Biovaletas são instrumento reconhecido pela literatura especializada. A técnica aparece no livro Manual de Orientação Para a Proteção da Qualidade das Águas Pluviais, da Associação das Agências de Manejo de Água da Chuva da Área da Baía de São Francisco (BASMAA, na sigla em inglês). 
Em Desenvolvimento de Baixo Impacto, obra publicada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Arkansas, no Estado americano homônimo, as biovaletas são destacadas como componentes úteis às áreas urbanas. 
Sampaio diz que pretende procurar a CCR AutoBan, concessionária que administra a Rodovia dos Bandeirantes, com o projeto debaixo dos braços. Agora já com três trechos de dez metros cada em pleno funcionamento, sonha com um córrego que avance por quilômetros. “Estarei à disposição se quiserem que eu ensine a fazer”, adianta ele, enquanto admira a própria criação.


fonte:
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2017/03/22/as-margens-da-rodovia-o-fazedor-de-rios.htm?

domingo, 16 de julho de 2017

Tecnologia transforma fazenda em oásis no sertão de Pernambuco

Tecnologia transforma fazenda em oásis no sertão de Pernambuco

Fazenda Caroá é exemplo de convivência com o clima do semi-árido.
No local existe água em boa quantidade para os rebanhos e as pessoas

A Fazenda Caroá, no município de Afogados da Ingazeira, em pleno sertão de Pernambuco é um exemplo de convivência com o clima do semi-árido. Na propriedade do engenheiro mecânico José Artur Padilha, os efeitos de uma das piores secas da história são limitados. Os animais não passam fome e existe água em boa quantidade para os rebanhos e as pessoas.
No sertão devastado pela estiagem mais severa em décadas, a água determina a sobrevivência dos bichos, das plantas e o sofrimento dos homens. Nas comunidades rurais, o latão vira banco nas carroças puxadas pelos animais. A água é escassa e são necessárias várias viagens por dia para suprir a necessidade das famílias.
Mas no sertão do Pajeú, um rastro verde corta a paisagem esturricada pelo sol. O riacho Carapuça corre nos tempos de chuva. Há 29 anos, o engenheiro mecânico José Artur Padilha cria gado de corte e abelhas para produção de mel na Fazenda Caroá, no município de Afogados da Ingazeira. Em plena seca, a água brota da terra. Esse é resultado do trabalho do produtor que uniu os conhecimentos da profissão à observação da natureza. O produtor construiu 350 pequenas barragens curvadas ao longo do rio que corta a propriedade.


fonte:
http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2012/12/tecnologia-transforma-fazenda-em-oasis-no-sertao-de-pernambuco.html

domingo, 19 de março de 2017

Food Inc (Comida S.A): o filme

Documentário "Food Inc."

Imperdível e urgente!




Precisamos, urgentemente, parar de agir como gado, e de pensar como ovelhas.
(silvio m. max.)  

Filme obrigatório, independente de sua idade, condição econômica ou formação cultural!

Importantíssimo documentário para conhecer um pouco melhor os fundamentos da indústria alimentícia, como ela funciona e se impõe aos próprios interesses sanitários de toda uma sociedade humana.

Este documentário também mostra como as autoridades públicas e as agências nacionais de controle são 'conquistadas' e envolvidas, no que diz respeito aos processos judiciais e extrajudiciais envolvendo grandes corporações.

Você deve estar se perguntando: MAS, o que podemos nós, indivíduos, contra os lobbies milionários dos conglomerados industriais?

Assista e descubra!!

Descubra como o simples ato de ir a compras no supermercado revela-se como uma das mais importantes ações de cidadania consciente que você pode vivenciar e praticar, sem necessidade de mobilizar multidões ou um grande capital.



A chave da mudança está 'em suas mãos', está nas suas decisões e atitudes, diariamente!


🔻 Se quer mais informações sobre o documentário, antes de assisti-lo, continue lendo:🔻


Inspirado pela obra de Eric Schlosser, autor do livro Fast Food Nation, "Food, Inc.", de Robert Kenner, segue a linha de documentário-denúncia ao estilo de Super Size Me, porém sem o bom humor que encontramos naquele. Procurando ser mais abrangente, Food, Inc. tenta promover uma mudança de hábitos nos consumidores estadunidenses. Além disso, não faltam referências também ao uso de mão de obra ilegal nos Estados Unidos.

Apresentando um olhar ao mundo corporativo da indústria de alimentos nos Estados Unidos, ressalta o paradoxo "evolução tecnológica" ao lado da qualidade absurdamente precária dos alimentos que produzem para seus consumidores. Com essa premissa, o filme discute o fato de que o suprimento de alimentos é controlado por algumas poucas corporações que frequentemente objetivam mais os lucros do que a saúde daqueles que consomem seus produtos. São, em boa parte, alimentos que chegam ao mercado contaminados por bactérias que causam, anualmente, doenças a cerca de 73 mil americanos.
Frangos com peitos maiores, artificialmente engordados. Novas cepas da bactéria letal E. coli. Alimentos controlados por um punhado de grandes corporações.

O documentário Food, Inc. retrata esses perigos e as transformações operadas na indústria alimentícia norte-americana, afirmando seus efeitos prejudiciais à saúde pública, ao meio ambiente e aos direitos dos trabalhadores e dos animais.

A indústria alimentícia não gostou nem um pouco. Associações representativas da indústria de carne nos EUA se uniram para refutar as alegações feitas no filme: Afirmam que os alimentos norte-americanos são seguros, abundantes e de preços acessíveis.

Agora, seja sincero: você acredita mesmo que as imagens de animais pastando em fazendas verdejantes, impressas nos rótulos de produtos alimentícios, são verídicas? 

“Food, Inc.” explora o argumento de que os alimentos não vêm de fazendas simpáticas, mas de fábricas industriais que priorizam o lucro, e não a saúde humana. O filme mostra imagens rodadas dentro de unidades de produção de gado bovino e suíno e de frangos. Algumas foram gravadas por trabalhadores imigrantes, mostrando a falta de espaço, tanto para trabalhadores, como para os animais.
A fazendeira Carole Morison, do Estado de Maryland, autorizou a entrada das câmeras para mostrar frangos morrendo antes de serem postos no mercado, devido, disse ela, à engorda rápida promovida pelos antibióticos inseridos nas rações. 

De acordo com o filme, as grandes empresas americanas do setor alimentício hoje fazem uso amplo de técnicas industriais vinculadas a problemas crescentes, como obesidade, diabetes, salmonela, cepas tóxicas da bactéria comum E. coli, e poluição ambiental.
O filme afirma que os consumidores podem provocar mudanças, apontando para o caso de Gary Hirshberg, cuja fazenda Stonyfield hoje vende sua linha de produtos orgânicos na rede gigantesca Wal-Mart, devido à demanda.

fontes:
https://movienonsense.com/2009/12/02/food-inc/


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Progresso ou Delírio?

Resta saber de que lado ficaremos: 

como parte do problema ou parte da solução


"É preciso crescer!" Você provavelmente já ouviu essa frase. Ela ilustra a visão de mundo na qual nascemos e agora vivemos. Tal paradigma nos foi introjetado culturalmente e, para muitos, tornou-se tão ‘natural’ quanto o ar que respiram. Nesta visão, a solução dos problemas sociais (desemprego, miséria, violência etc) exige dos diversos setores, “crescimento econômico e desenvolvimento”. Quem discordaria desse binômio?
O desenvolvimentismo é o totem sagrado de nosso tempo. Desafiá-lo é grave pecado, blasfêmia, heresia. A ideologia nos conclama a produzir e também a consumir mais. Então, surge um problema: até a capacidade de consumo das pessoas tem seu limite. Que fazer?
A solução nefanda chegou ainda na primeira metade do século 20, quando alguns iluminados conceberam o espantoso conceito da "obsolescência programada” (ou planejada) que salvaria a economia de um novo colapso: reduz-se propositadamente a vida útil de um produto para, assim, aumentar o consumo de versões mais recentes. Isto é: o próprio fabricante planeja deliberadamente o “envelhecimento” daquilo que produz. Após o prazo estipulado, o produto (geralmente ainda seminovo) simplesmente se quebra ou deteriora, mesmo que se utilize dele com todo o zelo. Isso se aplica a praticamente tudo: de suas meias de nylon às lâmpadas de led, de impressoras domésticas a peças de automóvel, de celulares inteligentes a liquidificadores, de computadores a colchões... é a cultura do descartável. 

Ademais, a propaganda midiática faria o resto do trabalho sujo, induzindo-nos a nos sentirmos imperfeitos e insatisfeitos, nos acenando com novas falsas ‘necessidades’. A única saída para o gado humano: Continuar consumindo, sem reflexão crítica alguma... 

Por sua vez, para atender à demanda (artificialmente estimulada), requer-se mais, muito mais recursos naturais (commodities, se preferirem o nome da moda). Mais petróleo, mais carvão e gás, mais minérios, mais hidrelétricas, mais...mais! É preciso explorar, exaurir, extrair, subtrair, sugar, arrancar, fissurar, depenar, explodir, esfolar, auferir, enfim, lucrar! 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgEiJH2H1BTClDJE5Bas5bId3Wrtb2ChAqfsOQEbUSBu0zYEMz0iBbzBhe-mnzQ14OczJfBO1EboclN7xQ6bvFvCrHSGiXN8yw63v7og4MDq-QZKjXIhFw3l5nyfJKphFvUQUgvu7qn4qA/s1600/crescimento.jpg Eis a lógica do jogo, no qual o gado humano é doutrinado: ganhar e consumir sempre mais. Eis a ética permissível: buscar o topo! American way of life!  Ativos e derivativos! Blue chips! Superavit! Indexadores! PIB! Dividendos! Tudo resumido a cifras digitais num extrato bancário. Mas, é possível ser saudável respirando índices estatísticos de crescimento?  Quando tivermos fome, comeremos papel-moeda? Beberemos a liquidez de nossos investimentos financeiros se tivermos sede?
 
Dentre tantos exemplos de insanidade, citemos um bem próximo: vivenciamos no Brasil, talvez a pior crise hídrica da nossa história. Ao mesmo tempo, descobrimos que a indústria consome de 3 a 7 litros de água para produzir uma única garrafa plástica descartável, que acondicionará por alguns dias um único litro de água. Agora, considere que só no Brasil, são produzidas 550 mil toneladas de garrafas PET por ano! Essa “água virtual”, consumida durante o processo de produção de tantos supérfluos, está 'oculta' a nossos olhos. Reciclar é interessante, mas não será nossa redenção se considerarmos o exponencial crescimento demográfico. Mesmo as pequenas ações antrópicas, amplificadas em escala mundial, produzem efeitos catastróficos. Tudo que consumimos deixa uma “pegada hídrica”, uma pegada ecológica gigantesca atrás de nós. 

Tentem calcular quantos recursos já desperdiçamos com nossa ânsia por aceitação social? Quantas bugigangas ainda precisaremos para reforçar nossa frágil autoestima e sustentar nossa primitiva identidade egóica? A obsolescência planejada, bem como os atuais níveis de produção e consumo são absolutamente imorais e escandalosos. Qualquer criatura de razoável inteligência se recusaria a viver de modo tão doentio. Estamos cronicamente viciados em consumir e como qualquer viciado clássico, não admitimos o próprio vício.

Concluímos que a abjeta ideologia do crescimento predatório não se sustenta porque nosso ego é simplesmente insaciável. Ele é a fonte de nossas ansiedades e compulsões. Compreender seu mecanismo nos coloca num patamar de consciência que nos permite romper o círculo vicioso no qual entramos. Qual espelho, a sociedade só reflete a nós mesmos.  Por isso, perdemos o foco e tempo precioso quando culpamos exclusivamente nossos governos e políticos, ou a crise econômica capitalista ou a ameaça comunista... ficamos cegos para o óbvio: a real ameaça e ao mesmo tempo a solução, é o próprio elemento humano.

Nosso suposto "crescimento" está implicando em sofrimento para muitas criaturas. Ouso dizer uma blasfêmia: Não precisamos de mais, precisamos desesperadamente de menos!! menos cobiça, menos avidez, menos supérfluos, menos tóxicos, menos velocidade e menos sangue e sofrimento em nossas mãos, menos insanidade em nossas vidas.

Todas as formas de vida merecem respeito. Sem motivo plausível, não temos o direito de destruir ou causar qualquer sofrimento. Essa é a única ética possível. Ou a abraçamos ou desaparecemos. 
 



Silvio Motta Maximino –
publicado no Jornal da Cidade (Bauru) em 14/11/16