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domingo, 15 de junho de 2025

Dzongsar Jamyang Khyentse - Observe a Projeção Mental


Observe a Projeção Mental

 “Nenhuma das suposições sobre quem você é, quem finge ser, ou sobre os rótulos que cola em si mesmo é o verdadeiro ‘você’. 

São apenas suposições. E são justamente essas suposições, presunções, fantasias, rótulos e etc. que criam a ilusão do samsara. 

 

Embora o mundo ao seu redor e os seres que fazem parte dele ‘apareçam’, nenhum ‘existe’; é tudo uma ilusão fabricada. 

Depois de aceitar totalmente essa verdade – não apenas intelectualmente, mas na prática – você se tornará destemido. Você verá que assim como a vida é uma ilusão, a morte também é. 

Mesmo que você não consiga perceber totalmente essa visão, familiarizá-la reduzirá exponencialmente seu medo da morte”. 

Dzongsar Jamyang Khyentse. 

 

 Segue no vídeo abaixo, um conselho importantíssimo de como se comportar em relação à mente, durante uma prática de meditação:


 

 

Citações e trechos do livro “Living is Dying”, de Dzongsar Jamyang Khyentse. 

“A lei e a justiça são projetadas para manter a paz e criar uma sociedade harmoniosa, mas em muitos casos o sistema de justiça criminal funciona em benefício dos bandidos e dos ricos, enquanto os pobres e inocentes sofrem com leis injustas.”  

 “Às vezes percebemos que tudo é nossa própria projeção, mas na maioria das vezes não. Não percebemos que tudo é nossa própria interpretação. É aqui que ficamos cegos.” 

“Enquanto houver fluxo de pensamentos, não haverá fim para a projeção do samsara.”  



Consta que Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche ou Thubten Chökyi Gyamtso, é um mestre da linhagem Nyingma do budismo tibetano, cineasta e escritor. 
Nascido em 1961, em Khenpajong (leste do Butão), aos sete anos, foi reconhecido por Sua Santidade Sakya Trizin como a principal encarnação de Dzongsar Jamyang Khyentse Chökyi Lodrö, o herdeiro espiritual de uma das mais influentes e admiradas encarnações de Manjushri (o Buda da Sabedoria). 
Até a idade de doze anos, Dzongsar estudou no Mosteiro do Palácio do Rei de Sikkim no nordeste da Índia, onde estudou com vários mestres contemporâneos influentes como Dudjom Rinpoche, Dalai Lama e Dilgo Khyentse, que considera ser seu principal mestre. 
Ainda adolescente, Dzongsar construiu um pequeno centro de retiro em Ghezing em Sikkim e logo começou a viajar e ensinar pelo mundo. 
Em 1989, Dzongsar fundou a Siddhartha's Intent, uma associação budista internacional de centros sem fins lucrativos, a maioria das quais são sociedades e instituições de caridade, com a intenção principal de preservar os ensinamentos budistas, bem como aumentar a conscientização e a compreensão dos muitos aspectos do ensinamento budista além dos limites das culturas e tradições. 
Como cineasta, Dzongsar estudou com o italiano Bernardo Bertolucci; e seus dois filmes principais são “A Copa” (1999) e “Traveller e Magicians” (2003). Dzongsar Rinpoche é famoso pela liberdade descontraída com que se move entre culturas e povos e por sua dedicação incansável em trazer a filosofia e o caminho da iluminação para qualquer pessoa com um coração aberto. 


domingo, 7 de agosto de 2022

Robert Adams - Problemas Não Existem

 Robert Adams - Problemas Não Existem

Em mais esta publicação primorosa, somos convidados a refletir sobre o valor da prática da auto-inquirição (Atma-Vichara). 

"Pensamentos não possuem poder.  Eles parecem ter poder. Você deu a eles o poder. Você deu poder aos seus pensamentos por acreditar neles".

Passe mais tempo testemunhando seus pensamentos... Quando vier algum pensamento, observe-o e questione-se: para quem veio esse pensamento? a resposta é: "para mim. Eu os vejo".... mas, "quem sou eu?" (qual é a fonte do eu?).

Observe a si mesmo pensando... Quando fizer isso, vai descobrir-se a si mesmo. Vai descobrir que o pensamento é uma ilusão de ótica.  Pensamentos não possuem substância própria, nem autonomia, nem existência própria. Eles só tem o poder que você dá a eles. Nunca mais seja enganado! Pensamentos não são nada! E problemas são criados por pensamentos. Não interfira, não reaja!

Isso é autoconhecimento.



 Discípulo de Sri Ramana Maharshi, Robert Adams (1928 - 1997) foi um professor americano do não-dualismo, amplamente divulgado entre aqueles que investigam a filosofia Advaita e entre os devotos ocidentais de Bhagavan. 

Seu ensino baseava-se no caminho de jñāna yoga, com ênfase na prática da auto-investigação (Atma-Vichara). 

Adams não escreveu nenhum livro nem publicou seus ensinamentos, pois não desejava ganhar muitos seguidores, em vez disso, preferiu ensinar um pequeno número de buscadores dedicados. 

Adams afirmou que não existia um novo ensino, e que este conhecimento pode ser encontrado nos Upanishads, nos Vedas e em outras escrituras milenares. 

 


  Citações e trechos do livro “The Collected Works” de Robert Adams. 

“Você deve ser totalmente honesto consigo mesmo. Totalmente honesto. Completamente honesto consigo mesmo para ver a maneira como você está se comportando. Para ver como os seus pensamentos o têm governado. Sua mente tem estado lhe dizendo: 'Isso é assim e aquilo é assim. Isso é bom, aquilo é ruim. Isso está certo, aquilo está errado'. Sendo crítico o tempo todo. Isso deve ser abandonado, total e completamente”. Robert Adams.

“Prática espiritual não significa que você não deva ir a lugar nenhum ou fazer outra coisa. Você pode assistir TV, pode ir ao cinema, pode nadar, pode jogar golfe, pode jogar boliche, mas nunca se esqueça de quem você é, é só isso. Lembre-se sempre de quem você realmente é”. Robert Adams. 

“Quando você percebe que o universo inteiro é uma manifestação da sua mente, você se torna onipresente. E na onipresença estão contidas todas as nossas necessidades, e todas as nossas necessidades são preenchidas a partir do nosso interior. Mas quando você começa a se preocupar e a pensar sobre isso, você estraga tudo. Então você tem que fazer coisas humanas para tomar conta de si mesmo. Mas se você deixa essa camada humana sozinha, e volta para a compreensão que está tudo na sua mente, você automaticamente solta a mente, e o Ser toma conta, trazendo as pessoas certas pra sua vida, a situação certa, o endereço certo. Lembre-se, seu corpo veio para essa terra por causa do carma. E vai passar pelo que quer que tenha que passar. Mas você não tem nada a ver com isso porque você não é seu corpo. Mas se você pensar sobre isso você estraga. Por isso, permita seu corpo fazer o que quer que ela tenha vindo fazer aqui. Não interfira. Não lute. Simplesmente observe. Não reaja. Você ficará bem”. Robert Adams.

 

“Quando a clareza está presente, nunca há problemas. Quando a clareza está ausente, sempre há problemas. Todos os problemas são criados pela mente e relacionados ao corpo. Na ausência de qualquer um, onde estão os problemas? Os problemas não aparecem mais quando o criador dos problemas não faz mais parte do processo. Isso quer dizer que a solução para todos os problemas é a remoção do criador de todos os problemas”. - Wu Hsin.

“A solução para os seus problemas é ver quem é que os tem”. - Ramana Maharshi. 

 “Quem veio aqui pedir ajuda? Descubra quem é essa pessoa. Não assuma automaticamente que ela existe e que ela precisa de ajuda com seus problemas. Se você pensar assim, seus problemas aumentarão, e não diminuirão. Identificar-se com o corpo e a mente, resulta em ignorância do Atman, é assim que o Ahamkara nasce. Separar-nos e desvincular-nos do corpo e da mente, resulta na morte do Ahamkara”. - Annamalai Swami. 

  “Todos os problemas, tristezas e sofrimentos, vem da mente. Não vá para o passado. O passado é um problema, o passado é a mente. Se pensamentos surgirem, seja indiferente a eles. Mantenha-se em silêncio”. - Papaji.  

“Abandone os pensamentos, abandone a mente, abandone tudo. Solte tudo. Largue. Não se apegue a nada. É no silêncio que seus problemas simplesmente se dissolvem. Tente. Realmente funciona”. - Robert Adams. 

 

domingo, 19 de junho de 2022

Robert Adams - Saiba Quem Você É e Seja Feliz

 Saiba Quem Você É... e Seja Feliz

Mais uma extraordinária contribuição para a compreensão do "não dualismo" ensinado na profunda filosofia Advaita Vedanta.

Na verdade, pouco importa com qual religião você se identifica... pode ser Zen, ou Taísmo, ou Cristianismo Místico, ou Cabala... o que importa é o que você está fazendo com o que aprendeu dentro daquela filosofia ou doutrina que você escolheu... 

O que você está praticando? 

Isto é: "você está realmente mergulhando fundo em si mesmo e encontrando a sua própria realidade?"
Existe apenas Pura percepção, Pura Consciência, não nascida e imortal... isto é você, em essência. Cabe a você acordar deste sonho mortal de que é esse corpo mortal. Mas isso não se compreende com o pensamento, com a mente ou com o seu intelecto, com raciocínios ou crenças...

Mas quando a mente está quieta, aparece quem você realmente é. "A única liberdade que temos é não reagir", mas nos voltar para dentro e saber a verdade. Não procure sinais, não procure experiências, não seja complicado, e assim não complicará sua jornada.

Saiba quem você é, na prática.

 créditos: Corvo Seco

Discípulo de Sri Ramana Maharshi, Robert Adams (1928 - 1997) foi um professor americano do não-dualismo, amplamente divulgado entre aqueles que investigam a filosofia Advaita e entre os devotos ocidentais de Bhagavan. 

Seu ensino baseava-se no caminho de jñāna yoga, com ênfase na prática da auto-investigação (Atma-Vichara). 

Adams não escreveu nenhum livro nem publicou seus ensinamentos, pois não desejava ganhar muitos seguidores, em vez disso, preferiu ensinar um pequeno número de buscadores dedicados.

 Adams afirmou que não existia um novo ensino, e que este conhecimento pode ser encontrado nos Upanishads, nos Vedas e em outras escrituras milenares.

 

 


Citações e trechos do livro “Happiness This Moment” de Robert Adams. 

“Para a maioria das pessoas, para ser feliz deve haver uma pessoa, lugar ou coisa envolvida em sua felicidade. Na verdadeira felicidade, não há coisas envolvidas. É um estado natural. Você permanecerá nesse estado para sempre”. Robert Adams. 

“O professor é realmente você mesmo. Você criou um professor para acordá-lo. O professor não estaria aqui se você não estivesse sonhando com o professor. Você criou um professor de sua mente para despertar, para ver que não há professor, nem mundo - nada. Você fez isso sozinho”. Robert Adams. 

 “O único fardo que você já teve na sua vida foi a sua própria mente”. Robert Adams.  

“A maior verdade é excluir, e não adicionar. Portanto, esvazie-se total e completamente. Todas as suas ideias, seus sentimentos, tudo deve ser esvaziado. Quando você se torna total e completamente vazio, não há nada que você precise fazer para preenchê-lo novamente. O vazio é realização. O vazio é Brahman (ब्रह्म). O vazio é o Self. O vazio é a sua verdadeira natureza. Não importa quantas vezes eu lhe diga isso, você ainda está pensando, julgando, chegando a conclusões e tentando resolver sua vida. Solte. Totalmente, absolutamente, completamente”. - Robert Adams. 

domingo, 10 de abril de 2022

Quem é o eu que escolhe? Rupert Spira

 Quem é o eu que escolhe

 

Ótima explanação para quem quer compreender melhor a si mesmo.
É possível fazer uma distinção clara entre "ego", "si mesmo", e "consciência"? 
De que substância é feito o ego, o pensamento e a mente? De qual substância é feita a consciência. Ego e consciência são a mesma "coisa"? Mente e consciência possuem identidade?
Estar consciente é o mesmo que "estar pensando"?
Rupert Spira, utilizando o formidável "método da autoinquirição" (meditação Advaita) elucida a questão da falsa identidade de um "eu fazedor" que acreditamos existente em cada um de nós mesmos. 
Vale a pena assistir!!



 
 
 
 
Rupert Spira (nascido em 13/03/1960) é um professor e escritor dedicado ao ramo da filosofia oriental da "Não Dualidade", ensinada no Advaita Vedanta, também conhecido como o "caminho direto". Trata-se de um método de autoconhecimento ou auto-investigação espiritual no qual o praticante se dedica a investigar a natureza da mente e da realidade, explorando a própria experiência direta e empírica que vivencia no dia a dia e por meio da meditação.

Spira publicou vários
ensaios, textos e livros (veja abaixo), além de alguns DVDs com entrevistas. Ele mantém reuniões regulares e retiros no Reino Unido, Europa e Estados Unidos.
A cerâmica é outro ramo de atividade desenvolvida por Rupert Sira, fruto da vontade do artista em fazer peças em harmonia com a natureza e a consciência humana.  

Livros

  • The Transparency of Things , Non-Duality Press, 2008
  • Presença: The Art of Peace and Happiness , Non-Duality Press, 2011
  • Presença: The Intimacy of all Experience , Non-Duality Press, 2011
  • The Ashes of Love , Publicações Sahaja, 2016
  • The Nature of Consciousness , Publicações Sahaja, 2017
  • Sendo Ciente de Estar Atento , Publicações Sahaja, 2017
 

terça-feira, 1 de março de 2022

Alan Watts - A Consciência do Agora

"(...)coisas bem óbvias costumam passar despercebidas..." 

"(...)só se pode viver um momento de cada vez..."

 

Vale a pena prestar atenção especial ao conteúdo deste vídeo! São conselhos valiosíssimos! Conselhos simples, os quais, quando estão bem contextualizados, tornam-se extremamente úteis...

O vídeo a seguir, preparado com inegável qualidade pelo canal "Corvo Seco",  traz citações e trechos do livro “The Wisdom of Insecurity” de Alan Watts.

 


 Alan Wilson Watts (1915 - 1973) foi um filósofo britânico, escritor, palestrante e um dos pioneiros na divulgação da sabedoria oriental ao ocidente.

Baseando-se em uma grande variedade de tradições (como a filosofia chinesa, o hinduísmo, o budismo, o taoismo e a ciência moderna) Watts sintetiza os principais ensinamentos que permitem o indivíduo a encontrar-se com sua profunda natureza.

Com grande lucidez de pensamento e simplicidade na linguagem, Watts apresenta respostas ao mal-entendido fundamental, o mistério central da existência, a realidade sobre quem somos nós. 

Como um grande intérprete das disciplinas orientais, Watts difundiu que nossa concepção sobre nós mesmos é um mito; sendo as entidades que chamamos de “coisas separadas” meramente aspectos ou características de uma mesma unidade. 

 Alan Watts - A Consciência do Agora

 

 “A arte de viver não é um vagar descuidado por um lado, nem um apego medroso ao passado, por outro. Consiste em ser sensível a cada momento, em considerá-lo totalmente novo e único, em ter a mente aberta e totalmente receptiva. ” Alan Watts. 

“Meditação é a descoberta de que o objetivo da vida é sempre alcançado no momento imediato”. Alan Watts. 

“Acordar para quem você é requer desapego de quem você imagina ser”. Alan Watts. 

“Percebi que o passado e o futuro são ilusões reais, que existem no presente, que é o que existe, e tudo o que existe. A vida existe apenas neste momento, e este momento é infinito e eterno, pois o momento presente é infinitamente pequeno; antes que possamos medi-lo, ele se foi, e, no entanto, existe para sempre”. - Alan Watts. 

 

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Você Não Está Separado

 “ Como a onda está para o oceano, o indivíduo está para o universo......ou seja: Eu não existo, nem há outro, nem você, nem esses, não há mente nem sentidos. Só há um, a consciência pura. A consciência que é a base e o substrato de todas as noções: Brahman”. - Yoga Vasistha.  

"O mundano e o sagrado são um e o mesmo".  Faça uma falsa divisão de um processo em dois, esqueça que o fez, e depois passe séculos tentando resolver este  enigma sobre como os dois podem se unir". Alan Watts.

 


 Trechos dos livros “The Book” e “The Spirit of Zen”

“Assim como o verdadeiro humor é rir de si mesmo, a verdadeira humanidade é o conhecimento de si mesmo. Outras criaturas podem amar e rir, falar e pensar, mas parece ser a peculiaridade especial dos seres humanos que eles refletem: eles pensam sobre o pensamento e sabem que sabem. Isso, como outros sistemas de feedback, pode levar a círculos viciosos e confusões se gerenciado de forma inadequada, mas a autoconsciência torna a experiência humana ressonante. Ele transmite esse "eco" simultâneo a tudo o que pensamos e sentimos, como a caixa de um violino reverbera com o som das cordas. Dá profundidade e volume ao que de outra forma seria raso e plano. O autoconhecimento leva à admiração, e a admiração à curiosidade e à investigação, de modo que nada interessa mais às pessoas do que as pessoas, mesmo que apenas a própria pessoa. Todo indivíduo inteligente quer saber o que o motiva, mas ao mesmo tempo fica fascinado e frustrado pelo fato de que a si mesmo é a coisa mais difícil de se conhecer. Pois o organismo humano é, aparentemente, o mais complexo de todos os organismos, e embora se tenha a vantagem de conhecer seu próprio organismo tão intimamente ­ de dentro ­ há também a desvantagem de estar tão perto dele que nunca se pode chegar a conhecê-lo. Nisso. Nada escapa tanto à inspeção consciente quanto a própria consciência. É por isso que a raiz da consciência tem sido chamada, paradoxalmente, de inconsciente”. Alan Watts. 
 
“O primeiro resultado dessa ilusão é que nossa atitude para com o mundo ‘fora’ de nós é amplamente hostil. Estamos sempre "conquistando" a natureza, o espaço, as montanhas, os desertos, as bactérias e os insetos, em vez de aprender a cooperar com eles em uma ordem harmoniosa. ‘Quem não luta não tem identidade; quem não é egoísta não tem eu’. A atitude hostil de conquistar a natureza ignora a interdependência básica de todas as coisas e eventos - que o mundo além da pele é na verdade uma extensão de nossos próprios corpos - e terminará destruindo o próprio ambiente do qual emergimos e do qual toda a nossa vida depende”. Alan Watts. “Veja, sair de sua mente pelo menos uma vez por dia é tremendamente importante, porque ao sair de sua mente você volta aos seus sentidos. E se você ficar em sua mente o tempo todo, você é mais racional. Em outras palavras, você é como uma ponte muito rígida que, por não se permitir, sem loucuras, será derrubada no primeiro furacão”. Alan Watts. 
 
“Quando somos crianças, somos enganados pelo sentimento do ego através das atitudes, palavras e ações da sociedade que nos cerca - nossos pais, parentes, professores e, acima de tudo, nossos colegas igualmente enganados. Outras pessoas nos ensinam quem somos. Suas atitudes para conosco são o espelho no qual aprendemos a nos ver, mas o espelho é distorcido. Todos fazem todo o possível para nos confirmar a ilusão da separação, para nos ajudar a ser falsos genuínos, que é precisamente o que significa “ser uma pessoa real”. Pois a pessoa, do latim persona, era originalmente a máscara com boca de megafone usada pelos atores nos teatros ao ar livre da antiga Grécia e Roma, a máscara através (per) pela qual o som (sonus) vinha. Como a pessoa é amplamente definida como separada, em um universo irracional e desconhecido, sua principal tarefa é obter uma vantagem sobre o universo e conquistar a natureza. Assim enganado, o indivíduo - em vez de cumprir sua função única no mundo - fica exausto e frustrado nos esforços para atingir objetivos autocontraditórios. Em uma avaliação exagerada sobre a identidade separada, o ego pessoal está serrando o galho em que ele está sentado, e depois ficando cada vez mais ansioso com a colisão iminente!”. - Alan Watts. 

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Ramana Maharshi - Fique Quieto

Dando sequência à série de vídeos sobre os ensinamentos do conhecido mestre Advaita Vedanta Râmana Mahârshi, eis mais uma sequência de dicas importantes para os praticantes do autoconhecimento, em especial àqueles que se dedicam à prática da auto-inquirição (Atma-Vichara) 

créditos: Canal Corvo Seco

 

 

 Bhagavan Sri Râmana Mahârshi (1879 - 1950), foi um mestre de Advaita Vedanta e famoso santo do sul da Índia, considerado um dos maiores sábios de todos os tempos. 

A essência de seus ensinamentos é o “Atma Vichara”, “Self-enquiry” (auto-inquirição ou auto-investigação). 

Seu objetivo é eliminar as falsas ideias sobre o Eu e o ego, o levando à realização não-dual da Realidade. 

Atma-Vichara não deve ser considerada uma prática de meditação que ocorre em certas horas e em certas posições; mas que deve continuar durante as horas de vigília, independentemente do que se esteja fazendo. 

Sri Ramana Maharshi não via conflito entre o trabalho e a auto-investigação e afirmava que com um pouco de prática isso poderia ser feito em quaisquer circunstâncias. 

 

Ramana Maharshi - Fique Quieto

 

Citações e trechos do livro “A Imortalidade Consciente”, de Ramana Maharshi.
 
“Você deve saber que o estado Supremo de liberação existe apenas em uma mente que atingiu o estado de silêncio e em nenhum outro lugar”. Ramana Maharshi. 
 
“Para a maioria das pessoas o esforço é necessário. Claro, todos os livros dizem 'permaneça em silêncio', ou 'apenas seja', mas não é fácil. É por isso que todo esse esforço é necessário. Mesmo que você encontre alguém que alcançou sem esforço o silêncio, ou o estado supremo, você pode entender que o esforço necessário já foi completado em uma vida passada. Tal consciência sem esforço e sem escolha só é alcançada depois da prática deliberada de meditação”. Ramana Maharshi. 
 
“Firme e disciplinada permanência no Atman (Atmanishtha), sem conceder a menor oportunidade a que se levante qualquer pensamento que não seja aquele de profunda contemplação do Ser, é o que verdadeiramente constitui a auto-submissão ao Supremo Senhor. Que qualquer fardo seja entregue ao Senhor e Ele o carregará. Esse é, de fato, o indefinível poder do Senhor que ordena, sustenta e controla tudo o que acontece”. Ramana Maharshi.
 
“Se não há paz mental, por mais que um homem ignorante se esforce e se arraste pelo abismo profundo dos textos espirituais (shastras), não conseguirá obter a Libertação. Só pode ser considerada morta a mente que, pela prática do yoga, perdeu todas as suas tendências e tornou-se pura e imóvel como uma lâmpada bem protegida do vento por uma redoma. Essa morte da mente é a realização mais elevada.  
A conclusão final de todos os Vedas é que a Libertação nada mais é do que a mente silenciada. Para a Libertação apenas uma mente silenciosa tem valor. Da mesma forma, muitos livros sagrados ensinam que a Libertação consiste em abandonar a mente. 
Em várias passagens do Yoga Vasishta a mesma ideia se repete, de que a Bem-aventurança da Libertação só pode ser alcançada pela extinção da mente, que é a causa principal do samsara e, portanto, de todo sofrimento.
Assim, matar a mente pelo conhecimento dos ensinamentos sagrados, pelo raciocínio e pela experiência pessoal é desfazer o samsara. De que outra maneira pode ser parada a miserável roda de nascimentos e mortes? E como pode a liberdade resultar disso? Nunca. 
A não ser que o sonhador desperte, o sonho não termina, como não acaba o pavor de estar diante de um tigre, no sonho. Igualmente, se a mente não estiver desiludida, a agonia do samsara não cessará. 
A única coisa é que a mente precisa ser silenciada. Esta é a realização da vida”. - Ramana Maharshi. 
 
“Mantenha o silêncio e vá fundo à origem de tudo. Descubra quem você é. É tudo o que você precisa fazer”. Annamalai Swami.  
 
“O objetivo de toda prática é o silêncio, então se esforce apenas por isso. Não se apegue a nenhum assunto. Treine sua mente para ir ao silêncio. Permaneça em silêncio e renda-se. Isso é tudo”. H. W. L. Poonja (Papaji). 
 
“A única maneira de despertar, é através do silêncio. Não através da análise dos fatos. Não separando o que é bom e o que é ruim, mas por meio do simples silêncio. Abandonando todos os pensamentos, todas as feridas, todos os dogmas e conceitos. Abandonando essas coisas diariamente. É no silêncio que seus problemas simplesmente se dissolvem. Tente. Realmente funciona”. Robert Adams.  
 
 
 
 

canal Sri Ramana Mandir: 

A Prática Correta de Auto Inquirição - Atma Vichara. https://youtu.be/7IOpT807lZY 

canal NovoYoga (Venkataraman: Bhagavan Sri Ramana Maharshi): https://youtu.be/vjtKQTZd-8s  

 

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domingo, 16 de janeiro de 2022

Ramana Maharshi - Quem é Deus?

Interessantíssimas e fundamentais reflexões a respeito da importância do autoconhecimento, pelas palavras de Râmana Mahârshi. Fundamental e inspirador!

créditos: Canal Corvo Seco

 

 

Bhagavan Sri Râmana Mahârshi (1879 - 1950), foi um mestre de Advaita Vedanta e um famoso santo do sul da Índia, considerado um dos maiores sábios de todos os tempos. 

Seus ensinamentos, simples, profundos e lúcidos, estão registrados em um grande número de livros. 

A essência dos seus ensinamentos é o "Vichara" (auto-inquirição), ou investigação, onde por meio de questionamentos como: "Quem sou eu?", ou, "De onde surge o pensamento 'eu'?", descobre-se a "Verdade, a nossa real natureza". 

Ramana nos alerta que não se trata de mero questionamento verbal, mecânico, mas de trazer sempre ao foco da atenção, por meio desse questionamento, a sensação de "eu sou", que é a única coisa real, visto que todas as outras coisas mudam e passam, enquanto esta consciência do eu permanece. 

 

 

 Trechos do livro “True Happiness”, editado por Arthur Osborne. 

“Afortunado é aquele que não se perde nos labirintos da filosofia, mas vai direto à fonte de onde tudo surge”. Ramana Maharshi. 

“Não há nada para ser conquistado, apenas ignorância a ser removida”. Ramana Maharshi. 

“Qual a utilidade do conhecimento sobre tudo o mais, se você não conhece quem você é?” Ramana Maharshi.

“A Realidade não tem nomes, nem formas. Aquilo que se acha por trás de nomes e formas é a Realidade”. - Ramana Maharshi. 

 

 

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Krishnamurti: o que é meditação


 

O que é meditação

Pergunta: O senhor parece descartar a ioga como coisa inútil, e concordo com o senhor em que a ioga é, com frequência, praticada como um método de fuga àquilo que é. Mas, se evitarmos a fixação artificial da mente em um objeto escolhido, e permitirmos que a nossa chamada meditação tome a forma de uma investigação sobre todo o campo do que é, sem esperarmos nenhuma respostas específica, isso certamente é o que o senhor recomenda. O senhor não acha também que poderemos fazer essa coisa difícil com mais facilidade se tivermos aprendido a aquietar o corpo e a respiração?

Krishnamurti: O interrogante quer saber, realmente, como meditar – se a quietação do corpo e a estabilização da respiração não ajuda na meditação – que é o processo de investigar o inteiro campo do que é, e não fugir dele. Então vamos descobrir como meditar.

Agora, se puderem gentilmente escutar sem focar a atenção em nenhuma sentença particular, em nenhuma frase da resposta, poderemos investigar toda a questão de como meditar. Para mim, o “como” não é, de modo algum, o problema. O problema é: “O que é meditação?” Se eu não souber o que é meditação, o simples inquirir sobre como meditar não tem significado nenhum. Portanto, minha investigação não consiste em como meditar, que método seguir, como ficar consciente daquilo que é, sem fugir, como sentar-se quieto, como repetir certas palavras, e assim por diante. Não estamos discutindo nada disso. Se eu souber o que é meditação, então a questão de como meditar não será um problema, certamente.

O que é meditação? Como não sabemos o que é meditação, não temos ideia de como começar a meditar; então, precisamos abordar este assunto com a mente aberta, não é verdade? Vocês entenderam? Vocês precisam abordar este assunto com uma mente livre, que diga “eu não sei”, e não com uma mente ocupada, que pergunte “como é que devo meditar?” Por favor, se quiserem mesmo seguir isto – e não aferrar-se ao que estou dizendo, mas realmente experimentar a coisa enquanto prosseguimos – então vocês descobrirão, por si mesmos, o significado da meditação.

Até agora abordamos este problema com uma atitude de perguntar como meditar, qual sistema seguir, como respirar, quais práticas de ioga realizar, e tudo o mais – porque pensamos saber o que é meditação e que o “como” nos levará a alguma coisa. Mas, realmente, sabemos o que é meditação? Eu não sei, nem vocês, penso eu. Então, ambos precisamos abordar a questão com uma mente que diga “Eu não sei” – embora possamos ter lido centenas de livros e praticado muitas disciplinas de ioga. Vocês não sabem realmente. Vocês apenas esperam, vocês apenas desejam, vocês apenas querem, por meio de determinado padrão de ação, de disciplina, chegar a determinado estado. E tal estado pode ser totalmente ilusório; ele pode ser apenas o seu desejo. E certamente é assim; ele é a sua projeção, uma reação à miséria da existência diária.

Portanto, a primeira coisa essencial não é como meditar, mas sim descobrir o que é meditação. Assim, a mente precisa abordar esse assunto sem conhecimento prévio – e isso é extremamente difícil. Estamos de tal modo acostumados a pensar que determinado sistema é essencial à meditação – seja a repetição de palavras, como oração, ou o assumir dada postura corporal, ou fixar a mente em dada frase ou num quadro, ou respirar regularmente, fazer o corpo ficar muito quieto, ter controle completo da mente; com tais coisas estamos familiarizados. E acreditamos que essas coisas nos levarão a algo que pensamos estar além da mente, além do transitório processo de pensamento. Pensamos já saber o que queremos, e agora estamos tentando comparar qual é o melhor caminho. Essa questão de “como meditar” é completamente falsa. Mas, posso descobrir o que é meditação? Esta é a pergunta real. Meditar, saber o que é meditação, é algo extraordinário; assim, descubramo-lo.

Certamente, meditação não consiste em seguir nenhum sistema. Será que minha mente tem condições de eliminar completamente essa tradição de seguir uma disciplina, um método? – que existe não só aqui, mas também na Índia? Isso é essencial porque não sei o que é meditação. Sei como me concentrar, como controlar, como disciplinar, o que fazer, mas não sei o que é que está no fim disso. A única coisa que me disseram foi: “Se você praticar essas coisas, conseguirá o que deseja”; e, sendo eu ambicioso, realizo essas práticas. Então, será que posso eliminar essa exigência de método para descobrir o que é meditação?

A própria investigação de tudo isso é meditação, não é verdade? Já estou meditando no próprio instante em que começo a investigar o que é meditação – em vez de procurar saber como meditar. No momento em que começo a descobrir por mim mesmo o que é meditação, minha mente, não sabendo, precisa rejeitar tudo quanto ela conhece – o que significa que preciso pôr de lado o meu desejo de alcançar um estado. Porque o desejo de alcançar é a raiz, a base, da minha busca de um método. Já conheci momentos de paz, de tranquilidade, e um sentido da “outra coisa”, e quero alcançar isso de novo, torná-lo um estado permanente; então, procuro o “como”. Penso que já sei o que é o outro estado e que um método me levará a ele. Mas, se já sei o que é a outra coisa, então essa coisa não é verdadeira; é somente uma projeção do meu desejo.

Minha mente, quando está realmente investigando o que é meditação, compreende o desejo de alcançar, de chegar a um resultado, e, assim, fica livre dessas coisas. Portanto, ela descartou completamente toda autoridade, porque não sabemos o que é meditação e ninguém pode ensinar-nos. Minha mente está completamente num estado de “não-saber”; não há método nenhum, nenhuma oração, nenhuma repetição de palavras, nenhuma concentração, pois ela sabe que a concentração é só outra forma de alcançar alguma coisa. A concentração da mente numa determinada ideia, esperando assim treinar-se para avançar por meio de exclusão, implica novamente um estado de “saber”. Então, se eu não souber, todas essas coisas precisam desaparecer. Já não penso em termos de alcançar, chegar. Já não há um sentimento de acumulação que me ajudará a alcançar a outra margem.

Assim, quando eu tiver feito isso, porventura não terei descoberto o que é meditação? Não há conflito, não há luta; há um sentimento de não-acumulação – todo o tempo e não em um momento específico. Portanto, meditação é o processo de completo desnudamento da mente, a purgação de todo sentimento de acumulação e realização – que é a própria essência do ego, do “eu”. A prática dos diversos métodos só faz fortalecer esse “eu”. Você pode encobri-lo, pode embelezá-lo, refiná-lo, mas ele continua sendo o “eu”. Então, meditação é o desnudamento dos caminhos do ego.

E você descobrirá, se puder aprofundar-se nisso, que nunca há um momento em que a meditação se torna um hábito. Pois o hábito implica acumulação, e, onde houver acumulação, há o processo do ego pedindo mais, exigindo mais acumulação. Tal meditação está dentro do campo do conhecido e não significa nada senão um meio de auto-hipnose.

A mente só consegue dizer “Eu não sei” – realmente e não só verbalmente – quando tiver varrido de si, mediante percepção, mediante autoconhecimento, todo esse sentimento de acumulação. Então, meditação é morrer para as próprias acumulações – e não alcançar um estado de silêncio, de quietação. Enquanto a mente for capaz de acumular, haverá sempre o desejo de mais. E o “mais” exige o sistema, o método, o estabelecimento de autoridade – coisas que constituem os próprios caminhos do ego. Quando a mente tiver visto completamente a falácia disso, então ela estará em constante estado de “não-saber”. Tal mente terá condições de receber aquilo que não pode ser mensurado e que só se manifesta de momento a momento.

 

fonte: https://textosk.wordpress.com/trechos-curtos/o-que-e-meditacao/

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

A Meditação - Como aprender - a Impermanência - Jiddu Krishnamurti

Abaixo seguem 03 vídeos, contendo excertos muito interessantes do sábio contemporâneo Krishnamurti. Todos os vídeos foram produzidos pelo Canal "Corvo Seco", que muito tem contribuído para a difusão dos valiosos ensinamentos de muitos mestres e sábios, da antiguidade ou da atualidade.

Aproveitem!

Como Aprender

A Arte da Meditação

A Vida é Impermanência

 

Jiddu Krishnamurti (1895 - 1986) foi um filósofo, escritor, orador e educador indiano. 

Proferiu discursos que envolveram temas como revolução psicológica, meditação, conhecimento, liberdade, relações humanas, a natureza da mente, a origem do pensamento e a realização de mudanças positivas na sociedade global. 

Constantemente ressaltou a necessidade de uma revolução na psique de cada ser humano e enfatizou que tal revolução não poderia ser levada a cabo por nenhuma entidade externa seja religiosa, política ou social. 

Uma revolução que só poderia ocorrer através do autoconhecimento; bem como da prática correta da meditação ao homem liberto de toda e qualquer forma de autoridade psicológica. 

 

“Queremos ordem no mundo, politicamente, religiosamente, economicamente, socialmente, mas a crise não está lá fora, a crise é interna, e não queremos encarar isso”. Jiddu Krishnamurti. 

“Só a mente tranquila está apta a receber algo que não é 'projeção' dela própria”. Jiddu Krishnamurti. 

 

 

livros de Jiddu Krishnamurti na Amazon: 

O Livro da Vida: https://amzn.to/3w3XL24 

A Mente Imensurável: https://amzn.to/3uNiA1u 

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terça-feira, 9 de novembro de 2021

Intervenção, Vontade do Ego; Atrito, Conflito - Krishnamurti


Intervenção, Vontade do Ego; Atrito, Conflito

Para compreender (…) ou experimentar a realidade, tem de haver discernimento. Discernimento é esse estado de pensamento-sentimento integrado, no qual cessam toda ansiedade e escolha. (…) O desejo condiciona o pensamento-sentimento que, assim, torna-se incapaz de discernimento direto. 
(Palestras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 53)

Portanto, o indivíduo tem de considerar, em primeiro lugar, quais as tendências e ansiedades que continuam e perpetuam o processo do “eu”. (…) Porque todo desejo age como empecilho ao discernimento; toda ansiedade deturpa a percepção. (Idem, pág. 53)
 
Toda ansiedade e qualquer experiência que dela nasça, constituem o processo automantenedor do “eu”. Esse processo do “eu”, com seus desejos e tendências, cria o medo e daí surge a aceitação do conforto e da segurança que a autoridade oferece. (…) Existe a autoridade do exterior, a autoridade de um ideal e a autoridade da experiência ou da memória. 
(Idem, pág. 53-54)
 
Expondo isto por palavras diferentes, direi que existe a vontade de desejo, que é esforço, e a vontade de compreensão, que é discernimento. (…) A vontade de desejo está sempre em busca de recompensa, de lucros, e assim cria os seus próprios temores. A moral social baseia-se nisso (…) 
(Palavras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 55-56)

O indivíduo é a expressão da vontade de desejo, e, no processo de sua atividade, o desejo cria o seu próprio conflito e sua tristeza. Daí o indivíduo tenta escapar indo para o idealismo, para as ilusões, para as explicações e, desse modo, mantém ainda o processo do “eu”. Começa a existir a vontade de compreensão quando o desejo e suas experiências, sempre recorrentes, deixam de existir. 
(Idem, pág. 56)

Se houver correta compreensão do fato de que não pode existir verdadeiro discernimento enquanto persistir a vontade de desejo, essa mesma compreensão faz com que o processo do “eu” seja destruído. (…) Porém, a própria percepção do processo do “eu”, o discernimento de sua insensatez, de sua natureza transitória é que o destrói. 
(Palestras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 56)