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domingo, 15 de junho de 2025

resenha filme Show de Truman

 


O Show de Truman - O Show da Vida 

-O lado sarcástico e manipulador dos BBBs-

'Conhecendo' o lado de dentro e o lado de fora da "Casa Mais Vigiada..."

O filme começa no dia 10.909 da vida do personagem Truman e alguns "flashbacks" explicam um pouco da história do protagonista e porque ele vive do jeito que vive... 

Então, logo entendemos que o protagonista é a estrela de um programa de TV no estilo reality show, mas, com um detalhe sórdido: ele não tem conhecimento de que sua vida é um roteiro escrito e manipulado em um estúdio de TV.

Na trama, Truman Burbank (Jim Carrey) é um vendedor de seguros casado (Laura Linney) que, aos poucos, começa a notar que algumas coisas ao seu redor não fazem muito sentido. Ele começa a estranhar sua cidade, seus supostos amigos e até sua mulher.  

No enredo, aconteceu que o idealizador do programa conseguiu “adotar” um bebê de uma gestação indesejada e a criança passou a ser tutelada por uma empresa, que a transformou em uma inédita e questionável experiência lucrativa.

Sim! Truman é, sem saber disso, comprado desde antes de nascer, para ser usado como "animador de auditório" de um programa de entretenimento. Por trás de uma vida aparentemente perfeita, em uma cidade ideal que está ali "para fazê-lo feliz", na verdade, todos estão apenas interpretando papéis e ajudando o diretor do programa e seus investidores a ganhar muito dinheiro.  

A expectativa comum nos reality shows é a mesma de qualquer filme: o espectador precisa se "identificar" com o protagonista e melhor ainda se isso acontecer também com os demais personagens coadjuvantes. Ao assistir O Show de Truman, percebemos que todos estão conectados emocionalmente ao personagem principal e "torcem por ele", assim como no nosso cotidiano, pessoas “assistem” às outras, cobram determinadas posturas dela, esperam que vençam provas, que sejam corajosos, que sejam fiéis, que se vinguem, que sejam competitivos, mas compreensivos, que sejam fortes e vencedores, mas que também sejam sensíveis, complacentes, racionais, mas emocionais, etc...

Semiótica e Metalinguagem 

Sim. O Show de Truman acaba se mostrando uma excelente leitura semiótica de nossa sociedade, uma crítica inteligente de como nossas vidas são acompanhadas pelas distintas instituições sociais, que acompanham nosso progresso, nossa evolução, como nos premiam ou nos castigam, conforme atendamos ou não as suas expectativas.

Desde que foi lançado, O Show de Truman tornou-se fonte de inúmeras reflexões sociológicas, antropológicas e filosóficas. 

Em sua metalinguagem, obteve formidável sucesso em exibir "um show exibindo um show e criticando o show".  E ainda com o privilégio de contar com a excepcional trilha sonora de ninguém menos que Burkhard Dallwitz e Philip Glass!!

 

Por que aceitamos a realidade ao nosso redor? 

Mas... por que Truman simplesmente “não se rebela contra sua liberdade fictícia e não abandona logo o enredo”? 

domingo, 28 de maio de 2023

resenha filme Muito além do Jardim



Muito além do Jardim

Antes de aprofundarmos nos aspectos mais interessantes do filme, alguns dados históricos:

O filme é uma adaptação para o cinema, da obra “Being There”, de Jerzy Kosinski (1933-1991), publicado em 1970, feita por Hal Ashby (lançado em 1979). No Brasil, o filme também recebeu o título de “O Videota”.

No filme, Peter Sellers interpreta Chance, um homem ingênuo que nunca havia saído dos limites da casa de seu patrão e que passou sua vida toda cuidando do jardim e... vendo televisão. Ele nunca conheceu outras pessoas, além dos poucos funcionários da casa. Então, o que ele conhecia do mundo advinha basicamente do seu ofício de jardineiro e do “lixo cultural” advindo dos programas e propagandas que assistia pela TV.  

A situação dele de fato se complica quando seu patrão (dono da casa) morre. O protagonista é então despejado e, pela primeira vez, é forçado a interagir com pessoas desconhecidas que encontra nas ruas de Nova Iorque. Por conhecer apenas o mundo a partir da cosmovisão distorcida apresentada pela TV, sua ingenuidade o coloca em situações críticas, ao mesmo tempo engraçadas e perigosas. Como ele não possui os condicionamentos socioculturais, ele não reconhece situações de risco e tampouco tem noções de autodefesa (para se ter uma ideia, quando encontra uma gangue na rua, tira o controle remoto da TV que estava em seu bolso para tentar "desligar" os delinquentes). 

Mas o jardineiro Chance, curiosamente, não se preocupa com nada disso, já que não se é consciente da sua condição. Se por um lado é ingênuo e vulnerável, por outro lado, sua apatia o leva a nada temer, nada o deixa inseguro, ansioso, amedrontado ou envergonhado. 

Ele não se autodespreza, nem superestima a si próprio diante dos desafios que surgem naturalmente à frente dele. É assim que, aos poucos, de tanto se mostrar autoconfiante e destemido, acaba impressionando outras pessoas que passam a admirá-lo e, consequentemente, a superestimar suas falas, por mais simplórias que sejam, passando a interpretá-las como se fossem profundas metáforas de teor político-existencial ou filosófico.

Vê-se que o jardineiro fala do que conhece: flores, árvores, estações do ano... além, é lógico, de frases prontas que repete mecanicamente de tanto assistir TV. Contudo, por falar apenas do que conhece, fala com convicção, e assim ganha respeito.

Então, embora Chance fale objetiva e estritamente da “jardinagem e das coisas do jardim”, as pessoas insistem em buscar um significado oculto mais profundo onde simplesmente não há nada além da descrição de acontecimentos naturais. E é assim que, inusitadamente, a maioria dos que interagem com ele, acabam tomando-o como um erudito respeitável, um tipo de 'sábio contemporâneo'.

É fato que, nas sociedades humanas em geral, em todos os tempos, as pessoas se sentem carentes de bons conselheiros. Buscamos pessoas aparentemente mais inteligentes, mais cultas, mais fortes ou mais experientes que nós... esse não é o problema. O problema começa quando buscamos ansiosamente por “modelos” de conduta, anulando nosso próprio senso crítico ee de reflexão. Quando nos encantamos demasiado com os “super-homens”, passamos a superestimar suas capacidades, em detrimento do nosso próprio bom senso e capacidade de discernimento.

domingo, 7 de maio de 2023

resenha filme O Feitiço do Tempo


O Feitiço do Tempo

O que você faria se estivesse preso em um lugar e todos os dias fossem praticamente iguais?

Além disso, parece que nada do que você faz consegue de fato mudar a sequência repetitiva dos acontecimentos... parece desesperador, não?

Então, o que era para ser engraçado, se transforma em uma profunda reflexão sobre o sentido da vida e sobre nosso próprio protagonismo na sequência de acontecimentos que vivenciamos, já que muitas vezes também nos sentimos de certo modo "repetindo" sequências de eventos e padrões de comportamento. 

É possível escapar dessa recorrência?

O enredo do filme "Feitiço do Tempo" começa retratando um dia comum de trabalho de um insuportável meteorologista de Pittsburgh. Ele acredita estar destinado a uma carreira brilhante num futuro próximo, então se ressente de ter sido designado para reportar uma certa celebração folclórica denominada "Dia da Marmota " numa cidadezinha do interior da Pensilvânia. Então, o tal repórter só pensar em escapar o mais rápido possível daquele lugar.

Contudo, algo bizarro de repente acontece: o protagonista repórter, ao acordar no "dia seguinte", nota que ficou literalmente "preso" no mesmo tal "Dia da Marmota", já que ele agora sempre acorda momentos antes de fazer a reportagem novamente.

Quando percebe que não consegue mais escapar daquele dia e daquela inevitável repetição de acontecimentos, o protagonista vai de um extremo ao outro: primeiro se desespera e até tenta o suicídio, para tempos depois perceber-se como "poderoso e imortal". Ele se vê capaz, pelo exaustivo processo de "tentativa e erro", de realizar muitos de seus desejos materiais, como por exemplo, seduzir uma mulher, enriquecer... porém, como o amanhã nunca chega, apesar da aparente vantagem, ele se vê primeiramente preso e entediado. 

Só após um longo tempo preso na "lei da recorrência", ele consegue finalmente perceber algum sentido naquilo tudo. Como ele continua infeliz e percebe que nada material consegue trazer-lhe satisfação por muito tempo, ele acaba enxergando pela primeira vez, uma oportunidade de modificar seu comportamento imaturo diante da vida e dos acontecimentos aparentemente mais simples e insignificantes. Aos poucos, a forma de pensar materialista e imediatista vai cedendo e o protagonista começa finalmente a aproveitar aquela repetição incessante de eventos para amadurecer psicologicamente e valorizar outros aspectos de sua vida que antes lhe passavam desapercebidos. Ele finalmente começa a notar qual o sentido da vida.

domingo, 10 de abril de 2022

A Vida Secreta de Walter Mitty - o Filme

"A Vida Secreta de Walter Mitty"


Eis uma obra de arte que vale a pena assistir, até o fim!
 
Classificado como 'comédia dramática' com traços de romance e fantasia, este filme (baseado em um curta metragem que leva o mesmo nome) pode fazer você realmente repensar alguns aspectos da sua vida...
 
O protagonista (Walter Mitty) faz o papel de um tímido funcionário da 'Revista Life' (ele é o gerente de negativos da revista), que embora mantenha boa relação com sua família e seja dedicado ao trabalho, não consegue viver sua vida plenamente. Ele se entrega facilmente à divagação fantasiosa (que são interpretados como "apagões"), o que o torna praticamente impotente para tomar decisões relevantes que poderiam fazer grande diferença em sua vida. 

Você vai notar que Walter mostra-se extremamente inseguro em quase todos os aspectos de sua vida, em especial no que se refere a relacionamentos (para se ter uma ideia, ele tenta preencher um cadastro em um site/aplicativo de encontros, mas sequer consegue enxergar algo de interessante em sua própria vida, para mencionar em seu perfil). 
 
O começo do filme não promete muito e você será tentado a desistir. Mas espere passar os primeiros dez minutos e você pode ter uma boa surpresa, com ótimas oportunidades para reflexão. 

Como quase toda comédia, há aqueles exageros e hipérboles típicos, mas, afinal, tal recurso se permite em razão da licença poética... então não seja tão crítico, relaxe e aproveite... No enredo, ao mesmo tempo em que o negativo da fotografia que estampará a última edição física da revista desaparece misteriosamente, a própria revista passa por uma transformação para tornar-se exclusivamente digital, o que exerce enorme estresse sobre o protagonista, que se vê pressionado a tomar uma atitude. Eis o momento de virada: Walter embarca em uma intensa e improvável aventura (em claro contraste com a mesquinhez da sua vida até então).
 
O personagem principal então passa a se permitir viver mais o momento presente e aos poucos vai deixando a fantasia e a idealização de lado. Agora o espectador se depara com um novo filme! E cada aventura que o protagonista vivencia torna-se um convite para uma reflexão íntima do espectador, ao mesmo tempo em que se mostra como uma metáfora de algum desafio que qualquer um pode estar enfrentando em sua própria vida. 
 
Então é o momento de você começar a perceber a mensagem fundamental: Não existem vidas comuns!  
Walter Mitty é cada um de nós (embora não seja nenhum de nós)! 
Walter deve aceitar os desafios e mudar radicalmente sua trajetória de vida? 
 
Cada um de nós tem sua própria trajetória, suas próprias demandas íntimas, sociais, familiares... Então não é o caso de seguirmos literalmente o que Walter faz... afinal, Walter tem sua própria vida para viver... 
Trata-se de cada um seguir seu próprio íntimo, atender ao anseio de seu próprio Ser, sua própria essência.

O final da aventura de Walter pode ser uma agradável e emocionante surpresa, a depender do seu olhar.  

E tem mais: O enredo também consegue mesclar temas contemporâneos, como a modernização da tecnologia da informação e seus reflexos sobre as relações sociais e pessoais, com temas intimistas que retratam a necessidade que todo ser humano tem de ser prático e dar um sentido mais profundo a sua própria vida, em meio aos desafios nem sempre agradáveis que surgem no dia a dia. 
 
No final, você pode ter aquela sensação de que pode estar desperdiçando sua vida numa rotina sem muito sentido (embora a gente sabe que todas as rotinas tem sua razão de ser). O que é preciso é atribuir o sentido. É isso que podemos fazer, ao invés de simplesmente descartar as tais rotinas. Às vezes, tudo que precisamos é de uma oportunidade para uma reflexão como esta! 
 
Rotinas podem ser ruins ou boas... e o imprevisível nem sempre é ruim. O importante é compreendermos que não são as situações, mas nossas atitudes diante das situações, que realmente vão fazer a diferença no final. 

Que lições podemos tirar do filme?

Depende de você! 
  • A vida é para viver, não para sonhar.
  • Saia da zona de conforto e explore o mundo ao seu redor. 
  • Viva o momento presente.
  • Você já tem (sempre teve) aquilo que está procurando.
  • Não é tarde demais para começar a ser a pessoa que quer ser.



 

Data de lançamento: 20 de dezembro de 2013 (Brasil)

Diretor: Ben Stiller

Adaptação de: The Secret Life of Walter Mitty

Cinematografia: Stuart Dryburgh

Música composta por: José González, Theodore Shapiro, Rogue Wave



quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Ego e julgamento - diálogo do filme "Mestre das Armas"


 Sensei Tanaka -

      "Esse chá é muito bom, sabe alguma coisa sobre chá?"
    
Shifu Huo Yanja
      "Gosto de chá, mas não procuro saber porque não gosto de diferenças... chá é chá"
 
    Sensei Tanaka -
      "São diferentes com características e notas diferentes"
 
    Shifu Huo Yanja
     "E pra que servem estas notas? as ervas dos chás crescem na natureza e não tem muitas diferenças" 
 
    Sensei Tanaka -
      " Se aprender sobre chá, você poderá julgar sobre essas diferenças"
 
     Shifu Huo Yanja
      "Talvez esteja certo, mas pelo que eu sei o chá não julga a si mesmo, são as pessoas que julgam o chás como julgam tudo que existe, fazem isso o tempo todo, mas eu não quero fazer isso"
 
    Sensei Tanaka -
      "Não?! mas por que?"
 
    Shifu Huo Yanja
      " Quando se está de bom humor, se sentindo feliz, a nota do chá não importa!"
 
    Sensei Tanaka -
      "Hum... Interessante! você tem razão... eu nunca havia pensado por este lado"
      "Na sua opinião um estilo de Wu shu pode ser melhor que o outro?"
 
    Shifu Huo Yanja
      " Eu penso que não!"
 
Sensei Tanaka -
      " Eu não entendo, nenhum melhor que o outro?... então por que temos tantas competições, por que competimos tanto?"
 
 Shifu Huo Yanja
 " Acredito que nenhum estilo é melhor que o outro em nenhum sentido; são os níveis de treinamento que variam"
 " As competições revelam nossas fraquezas e inflam o ego..."
  "nossos verdadeiros inimigos somos nós mesmos"
   
 Sensei Tanaka -
      "São palavras poderosas e muito sábias, muito obrigado"

diálogo extraído do filme "Mestre das armas" com Jet Lee


 
 
 

quinta-feira, 23 de abril de 2020

filme "Dark Waters – O Preço da Verdade" - resenha

O que um filme poderia dizer sobre o teflon da sua panela?

"Dark Waters – O Preço da Verdade"

 

O primeiro detalhe interessante a respeito do excelente filme “Dark Waters – O Preço da Verdade" (dirigido por Todd Haynes), é saber que foi baseado em uma história real e inspirado no artigo Dark Waters, do romancista e ensaísta americano Nathaniel Rich, publicado em 2016 na revista The New York Times Magazine, intitulado “The Lawyer Who Became DuPont’s Worst Nightmare”.

A obra cinematográfica é feliz em narrar a odisseia do protagonista Robert Bilott (interpretado por Mark Ruffalo), que já era advogado de sucesso defendendo grandes empresas de químicos. Ironicamente, contudo, ele acaba sendo procurado por dois agricultores de sua cidade-natal, angustiados porque seus animais estavam morrendo devido a contaminação por lixo tóxico. 

Ele, então, resolve iniciar uma meticulosa investigação particular sobre as possíveis causas da intoxicação do solo e do rio daquela região.

🔺 alerta de spoilers abaixo 🔻

É assim que Dark Waters consegue expor muito bem os métodos questionáveis da famosa DuPont, uma das empresas mais poderosas da indústria química mundial. O protagonista, graças a sua tenacidade e senso de responsabilidade social, acaba descobrindo como referida empresa não só contaminou severamente o ar, o solo e as águas da região, como também tinha prévio conhecimento dos efeitos nocivos para a saúde humana, do uso de seus produtos (a base de teflon). Por 'efeitos nocivos', entenda-se: enfermidades graves (diversos tipos de câncer), malformações e morte precoce de funcionários e milhares de clientes, sem contar os danos nefastos e incalculáveis ao meio ambiente.

Evidentemente, o exaustivo processo nos tribunais americanos acaba bem expondo como o sistema e a burocracia costumam favorecer o corporativismo empresarial. O enredo de “O Preço da Verdade”, contudo, não o torna um filme de ação ou de suspense como seu trailer sugere. Isso não quer dizer que a trama não seja envolvente e emocionante, reforçando especialmente a tensão e a pressão sofridas pelos protagonistas, ao longo de inúmeros anos de exaustiva luta contra a poderosa e multimilionária Dupont e seu famoso teflon.

De bônus, você talvez se lembre de outro memorável filme -“Erin Brockovich” (que conta a impressionante história da mulher que acabou descobrindo e investigando vários casos graves de contaminação de água causada pela empresa Pacific Gas and Eletric Company, também nos EUA, em 1993). Enfim, se você não assistiu, fica também essa outra dica!

Embora a questão ambiental apareça como pano de fundo, Dark Waters trata realmente é do conflito entre dois aspectos relevantes da vida em sociedade: de um lado a prosperidade (afinal, as pessoas precisam de seus empregos) e do outro, a ética (respeito para com o ser humano, em primeiro lugar). 

Os políticos espertalhões sempre apelarão para o falso dilema entre esses dois aspectos, como se não fosse possível conciliar economia e bioética... sem lembrar que, quando fracassamos no respeito por nós mesmos e pelo ambiente, já fracassamos em todo o resto.

🔺FICHA TÉCNICA🔻

terça-feira, 21 de abril de 2020

resenha do filme "A Chegada"



O que nossa realidade tem a ver com nossa linguagem?

Uma coisa eu posso lhe garantir: o elogiadíssimo filme A Chegada (de 2016), é diferente de tudo que você já assistiu com o tema ‘extraterrestres’. 

Baseado no conto A história da Sua Vida de Ted Chiang, The Arrival (título em inglês) recebeu oito indicações ao Oscar de 2017 e levou o prêmio de melhor edição de som. Muito pouco pela originalidade e qualidade de uma obra que, sem dúvida, já é um clássico no gênero ficção científica.

 O filme

A Chegada começa quando doze espaçonaves alienígenas pousam em distintos locais na Terra (Inglaterra, Rússia, Venezuela, China e Paquistão) e a linguista Dra. Louise Banks (Amy Adams) é convocada pelo governo americano para auxiliar nas tentativas de tradução da língua alienígena, bem como de comunicação com os novos e estranhos visitantes.

Deste modo, o enredo do filme trabalha expondo a reação por parte das autoridades mundiais, de distintos grupos culturais, e até dos influenciadores digitais. O filme expõe logo de início o primeiro grande desafio que enfrentaríamos: como nos comunicar com seres que não utilizam formas humanas de linguagem? 

Assim, enquanto a tensão mundial aumenta e pesquisadores do mundo todo lutam contra o tempo para compreender a linguagem alienígena, a protagonista Louise começa a ter “flashbacks” sobre sua própria vida. Tais flashbacks, contudo, não são o que pareciam ser a princípio, e a partir de um certo ponto, começamos a perceber que as cenas que acreditávamos ser o passado, eram na realidade, fragmentos do futuro da personagem.

O que é o passado? O que é o futuro?

O filme é brilhante na forma como desafia a linearidade do tempo. Interessante notar como os símbolos (grifos) usados pelos alienígenas são circulares, não apresentando começo ou fim. Do mesmo modo, o início e o final da história também são interligados de forma circular (não linear) e completam um círculo, da mesma forma como a linguagem utilizada pelos alienígenas. É desta mesma forma que o tempo é representado no filme. 

Os Heptapods (como os alienígenas são apelidados) têm uma percepção diferente do tempo, o que eles representam de forma genial pela sua escrita. Ao começar a compreender a estranha língua alienígena, a protagonista passa simultaneamente a perceber o tempo também de forma não linear (não sucessiva – passado, presente e futuro).

Filosofia da Linguagem

Um aspecto extraordinário do enredo é representado na tentativa da pesquisadora Louise de explicar a hipótese dos linguistas Sapir e Whorf (primeira metade do século XX), segundo a qual a língua nativa de um grupo tem relação direta com o modo de pensar e perceber o mundo. Ou seja, segundo eles, a língua de um grupamento humano influenciaria ou determinaria a forma de pensar das pessoas que fazem parte deste mesmo grupo. 

Embora a hipótese não seja bem aceita pela maioria dos linguistas, ela serve muito bem como pano de fundo para o enredo ser costurado de forma verossímil.

Deste modo, ao contrário do que pensaríamos num primeiro momento, o questionamento que o filme traz não é “o que faríamos se alienígenas invadissem nosso planeta”, mas o que faríamos “se pudéssemos mudar nossas escolhas feitas no passado de nossas vidas”.
Enfim, uma ótima dica de filme para quem gosta de ficção científica e de temas relacionados a filosofia da linguagem, linguística, comportamento, etc.

Não deixem de assistir!

🔺Ficha técnica🔻

segunda-feira, 20 de abril de 2020

filme Poder Além da Vida (O Caminho do Guerreiro Pacífico)


O Caminho do Guerreiro Pacífico” é uma excelente leitura, baseada em fatos reais
Além disso, o livro ganhou em 2006 sua versão cinematográfica (link para assistir, no final), conhecida no Brasil com o nome Poder Além da Vida (há uma versão também em pdf disponível na internet caso prefira e-book).  

A obra escrita por Dan Millman (norte-americano que já publicou 13 livros em estilo auto-ajuda) é quase uma autobiografia (já que o autor admite que algumas passagens são ficcionais). 

Assim, o protagonista descreve sua vida desde que era um jovem ginasta que se preparava para as Olimpíadas, passando pelo encontro com seu inusitado e misterioso orientador “espiritual” (o qual aos poucos transmite seus ensinamentos). Nos conteúdos práticos e filosóficos que vai recebendo, se observa muito das filosofias orientais e, em especial, da filosofia budista.

A obra é inspiradora e já foi traduzida em vinte idiomas. Seu enredo apresenta um protagonista que, apesar de muito jovem, já era atleta de sucesso, tanto nos Estados Unidos, como no exterior. 
Apesar do sucesso nos esportes e na escola, Millman sentia que faltava algo em sua vida. Despertado certa madrugada por um pesadelo, ele vai até um posto de gasolina, onde encontra um velho que ele mesmo apelida de “Sócrates”. A partir de então, o protagonista inicia sua odisseia espiritual rumo ao confronto consigo mesmo (identificado como seu verdadeiro e maior inimigo). Aprendemos rapidamente que o maior obstáculo para nosso progresso somos nós próprios e que o autoconhecimento é fundamental para nossa autorrealização íntima.

A obra e o respectivo filme, de forma leve e bem-humorada, nos auxiliam a entender a aplicação de conceitos filosóficos profundos,  bem como a compreender melhor o papel dos desafios em nossas vidas.

Com clareza e simplicidade, importantes temas são pincelados: a iluminação espiritual, o propósito da vida, o medo da morte e do fracasso, a ansiedade, a importância do autocontrole e da disciplina, a impermanência e os paradoxos da vida humana


Evidentemente, o filme não é tão detalhado quanto a obra escrita. Além disso, o livro apresenta alguns desfechos distintos em várias passagens, quando comparados ao filme. O certo é que vale a pena ver o filme, tanto quanto ler o livro. 






 🔺Ficha técnica:🔻

domingo, 19 de março de 2017

FED UP - Super Alimentado - Açúcar: o filme

FED UP

Documentário obrigatório para todas as escolas e para todos os pais!!

Conheça um pouquinho só do que a indústria alimentícia, junto com a indústria farmacêutica e políticos em geral (eleitos para proteger a sociedade, a sua família), estão aprontando... 

Sob a orientação de cientistas e nutricionistas, o ator Damon Gameau inicia uma dieta rica em açúcar, ingerindo 40 colheres por dia, por apenas dois meses!! 
O problema é que ele faz isso sem consumir qualquer refrigerante, chocolate ou sorvete. Só ingere alimentos considerados "saudáveis"!! 
Além de mostrar os efeitos do açúcar em seu próprio corpo, o documentário debate a forma de agir da indústria alimentícia e das próprias autoridades públicas.
IMPERDÍVEL!!!
 

  Como o corpo foi “feito” para gostar de açúcar, ele entra em absolutamente todas as fórmulas de comida processada. E, onde não faz sentido promover sua presença, sua inclusão é feita silenciosamente. O problema é que nosso organismo não consegue processar esta quantidade excessiva. São aproveitados por dia apenas 25 mililitros (muitos alimentos contém esta quantidade em apenas uma porção). O que não consegue ser convertido em energia, não há como esconder: vai se transformando em reservas de gordura nas partes mais inativas do corpo (barriga, nádegas...)
O problema é ainda mais grave se você pensar na influência nociva do excesso de açúcar na dieta das crianças. E no Brasil, como será que funciona?
Como conhecemos bem o nível de lisura e eficácia que nossos órgãos fiscalizadores (ANVISA, Ministério da Saúde, entre outros), sabemos bem como isso funciona.