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domingo, 21 de agosto de 2022

Swami Dayananda - Aceite a Vida como Ela É

 Eis uma das partes mais difíceis da vida: aceitá-la tal como ela é... incluindo as pessoas, como elas são... os eventos, tal como aconteceram... as circunstâncias, tal como se apresentaram. 

Isso não quer dizer que não devemos agir no mundo, que não possamos fazer a nossa parte, para atenuar o sofrimento que vivenciamos de algum modo... O problema é a resistência psicológica e o sofrimento que isso acarreta e acumula além do necessário para nossas vidas. 

Então tome as pessoas como ela são e faça o que puder. Mas não acumule dentro de si a resistência (aos outros, aos acontecimentos que sucedem).

A dificuldade aparece porque fomos condicionados a acreditar que nosso inconformismo, nosso anseio, nossa indignação ou nossas reações vão fazer a mínima diferença no desenrolar dos acontecimentos, ou no comportamento das outras pessoas. 

Eis o engano: não perceber que nada do que você fala ou faz, vai impedir que aquilo que tem de acontecer, aconteça; Ou então, que suas reações planejadas mentalmente vão fazer com que algo que não deveria ocorrer, agora magicamente aconteça, só porque queremos que aconteça. 

A verdade é que não estamos no controle, mas pensamos/sonhamos que sim. Teimamos em acreditar nessa ilusão, apesar de todos os acontecimentos, grandes ou pequenos, durante toda a nossa vida, mostrarem constantemente, o contrário.

E sofremos, e perdemos a pouca paz que cultivamos... 

E sofremos duplamente: Primeiro por não aceitarmos a realidade, tal qual é... e em seguida, por insistir em mudá-la à força, acreditando que as coisas ou as pessoas ao seu redor serão diferentes, pela nossa insistência para que mudem e fiquem do nosso agrado.

É sobre isso que a mensagem do vídeo abaixo vai tratar, ensinando uma prática diária de meditação específica, justamente para trabalhar com esse condicionamento tão fortemente arraigado:

 


Swami Dayananda Saraswati ou Natarajan (1930 - 2015), foi um sannyasa, professor tradicional de Advaita Vedanta e fundador do Arsha Vidya Gurukulam e AIM For Seva. Swamiji nasceu em Manjakkudi no sul da Índia. 

Em 1953, morando e trabalhando em Chennai, conheceu Swami Chinmayananda, que se tornou um de seus mestres. Então, aprofundando-se no conhecimento de Vedanta e Sânscrito, em 1962 tornou-se um renunciante. 

Dayananda começou a ensinar às margens do rio Ganges, e em 1973 foi chamado para ensinar em Mumbai. Seus cursos, também ministrados em Inglês, abriram aos estudantes do Ocidente a oportunidade de acesso a este ensinamento. 

Swamiji viajou por toda a Índia ministrando cursos e palestras, e desde 1976 foi para os Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Suécia, Austrália, África do Sul, Brasil e Argentina. Em todos esses países, assim como na Índia, era conhecido por sua facilidade de comunicação e pela clareza e profundidade de seu conhecimento de Vedanta e da complexidade humana.

 Dayananda estabeleceu dois Ashrams na Índia, um em Rishikesh e outro em Coimbatore, e o Arsha Vidya Gurukulam, nos Estados Unidos. Nessas instituições, Swamiji era o principal professor. Nos cursos de Vedanta e Sânscrito o ensinamento é passado de mestre a discípulo, num fluir permanente, que tem como objetivo desdobrar a visão do “eu” como um Ser completo e livre.

 

 

 Trechos de gravações em satsangs (Rio de Janeiro, janeiro de 1984).

“Todos os dias, antes de ir para a cama, faça essa meditação (Aceite a Vida como Ela É). Ela neutralizará os problemas do dia. Também poderá começar o dia com ela, se tiver tempo. Mas tenha certeza de terminar o dia com essa meditação. Dessa forma, não haverá resíduos. Os problemas do dia serão neutralizados antes de você ir para a cama. Você irá para a cama como uma pessoa, não como uma personalidade. Levantar-se-á como uma pessoa, não uma personalidade”. - Swami Dayananda. 

 

 “Olhe para a Terra. O fato de ser um globo não incomoda você. Por ela estar inclinada a mover-se ao redor do Sol, você não tem reclamação a fazer. Por ter oceanos e continentes, por ter montanhas e vales, por ter rios e riachos, por ter lagos e lagoas e por ter florestas e desertos, você não tem reclamação a fazer”. Swami Dayananda. 

“Olhe para seus pais. Seu pai, aceite essa pessoa como ela é. Sua mãe, aceite essa pessoa como ela é. Suas limitações, suas virtudes, tome-as todas como elas são. Por trás de suas exigências existe sempre um amor. Um amor que deseja, que deseja que você seja grande, que seja alguma coisa. Eles têm um ideal de você: que você seja grande à sua própria imagem. Bem, eles são humanos. Portanto, aprecie o amor que eles lhe têm. Você descobrirá que não tem nada contra eles, mas é grato a eles. Pelo menos há pessoas na vida que se preocupam com o seu bem-estar. Tome-os como eles são. Se pode comunicar-se com eles, comunique-se. Se quiser que haja alguma mudança em seus valores, por favor tente mudá-los, mas tome-os como eles são. Olhe para o seu próprio país e as diferentes pessoas. Tome-as todas como elas são. Se você pode ajudar uma determinada comunidade, faça o que puder para ajudar para melhorar sua saúde e bem-estar, mas tome-os como eles são. Tome as pessoas como elas são. O governo, tome-o como ele é. Não tenha raiva pela sua política. Se quiser, tente modificar o governo. Não tem nenhum sentido reclamar consigo mesmo e não fazer nada. As pessoas que comandam o governo também são como você. Elas fazem o que podem. Se forem incapazes... bem, são incapazes. Se você é capaz, faça alguma coisa. Se você acha que alguma política melhor pode ser iniciada, faça o que puder. Pelo menos escreva uma carta para o seu jornal. Tudo o que eu digo é: aja! Faça o que puder! Mas não deixe que os políticos criem em você uma reação de raiva, frustração ou desespero”. Swami Dayananda. 

“Olhe para seu parceiro da sua vida, tome essa pessoa como ela é. Sua aparência, sua capacidade, suas habilidades, suas emoções, seu conhecimento, sua história... Tome essa pessoa como ela é. Aqui está uma pessoa com quem você partilha sua vida. Não é importante que você a tome como ela é? Pode haver uma vida feliz se a pessoa não é tomada como ela é? Quando você exige, você não compreende. Quando rejeita, também não compreende. Tome a pessoa como ela é, e descobrirá que você tem todo o amor para compreender. Nessa aceitação você descobrirá que tem uma atmosfera de amor na qual todas as mudanças, e mudanças miraculosas, são possíveis. Seus filhos, olhe para eles como pessoas independentes. Eles não são como suas mãos e pernas. Não são parte de você. Cada um é uma pessoa independente, com corpo, mente e alma. Portanto, olhe para eles como pessoas independentes que estão crescendo sob seu amor, cuidado e orientação. Tome-os como eles são e faça o que deve ser feito'”. Swami Dayananda.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Ruper Spira - Nunca vou a Lugar Algum

Ruper Spira e a visão Advaita

Excepcional vídeo contendo belíssimo poema de R. Spira, tratando sintética e profundamente, sob o ponto de vista da filosofia Advaita, sobre o mundo, a consciência, sobre como percebemos a realidade e sobre o que é o "Ser". 

Créditos para o canal "Corvo Seco", por mais esse brilhante trabalho de divulgação.

 

Rupert Spira (nascido em 1960, em Londres) é autor, palestrante e professor da filosofia Advaita (não-dualidade). 

Através do “caminho direto” - auto-investigação - seu ensino trata sobre a natureza essencial de nosso eu antes de ser condicionado ou qualificado pelo conteúdo da experiência. 

Trabalhando continuamente para investigar a natureza da mente e da realidade por meio de sua filosofia, 

Rupert explora e celebra a verdade do que essencialmente somos: a consciência de ser que brilha em cada mente como o conhecimento “eu sou”, que é temporariamente colorido pela experiência, mas nunca é modificado, alterado ou prejudicado por ela. 

Além de textos e ensaios, Rupert Spira publicou vários livros, e mantém reuniões regulares e retiros no Reino Unido, Europa e Estados Unidos. 

 


Ruper Spira - Nunca vou a Lugar Algum

 

 

algumas citações

“Consideramos o que é irreal, real e o que é real, irreal”. Rupert Spira. 

“Há duas possibilidades de pensar: ou sair para objetos ou estados, caso que toma a forma de sofrimento, ou vai para dentro, para o coração da experiência, caso em que se dissolve em paz”. Rupert Spira. 

“A descoberta que a paz, a felicidade e o amor estão sempre presentes dentro de nosso próprio ser, e completamente disponível a cada momento de experiência, sob todas as condições, é a descoberta mais importante que qualquer um pode fazer”. Rupert Spira.

 

domingo, 20 de junho de 2021

Ramesh Balsekar - O Livre-arbítrio é uma Ilusão

 Ramesh Balsekar - O Livre-arbítrio é uma Ilusão

 

O que você entende por livre-arbítrio? 

Você é tão livre como imagina ser? 

Você de fato está no controle dos acontecimentos de sua vida? Você escolhe como?

 

  

 

 

Vale a pena assistir a este excelente vídeo contendo algumas citações do livro “Experiencing The Teaching” de Ramesh Balsekar, mestre da Filosofia Advaita.

Ramesh Balsekar - O Livre-arbítrio é uma Ilusão

 Citações e trechos do livro “Experiencing The Teaching” de Ramesh Balsekar. 

Ramesh S. Balsekar (1917 - 2009) foi discípulo de Nisargadatta Maharaj. Desde a infância, Balsekar foi atraído pelo Advaita, particularmente os ensinamentos de Ramana Maharshi. Ele escreveu mais de 20 livros, foi presidente do Banco da Índia e recebia hóspedes diariamente em sua casa em Mumbai até pouco antes de sua morte. 

Balsekar ensinava a partir da tradição do não-dualismo Advaita Vedanta. 

Seu ensino começa com a ideia de uma Fonte definitiva, Brahman, da qual surge a criação. Uma vez que a criação surgiu, o mundo e a vida operam mecanicamente de acordo com as leis divinas e naturais. Tudo o que acontece é causado por esta fonte, e a identidade real desta fonte é pura Consciência, que é incapaz de escolher ou fazer. 

Portanto, o livre-arbítrio é na verdade uma ilusão. Essa falsa identidade que gira em torno da ideia de que "Eu sou o corpo" ou "Eu sou o executor" impede a pessoa de ver sua identidade real, que é a Consciência livre. 

“Entenda que nada acontece a menos que seja a vontade de Deus, e faça o que quiser. O que pode ser mais simples do que isso?” (Ramesh Balsekar). 

 

“É justamente pela razão que a verdade é simples, básica, elementar e totalmente óbvia, que ela é completamente esquecida”. (Ramesh Balsekar). 

 

 “O verdadeiro amor de Deus significa render-se a ele, sem querer nada, nem mesmo a salvação”. (Ramesh Balsekar).

 

 

 

quinta-feira, 19 de julho de 2018

vida material e vida espiritual - parte I

O lado material e o lado espiritual da vida - I

No mundo da Verdade (o mundo real) não há dualidade (mas unicidade). 
Porém, a crença ortodoxa comumente ensinada em nossa cultura nos diz: "há um corpo físico e há uma mente", "são substâncias distintas"... a teoria é essa, ainda que a interação entre corpo e mente não seja satisfatoriamente explicada até hoje. 

Há, contudo, outro paradigma: 
Tudo que existe constitui uma unidade, constituída de uma única substância, tudo está conectado, não havendo separação  real entre corpo e mente (vida material e vida espiritual)... 
Pense então nessa divisão como meramente didática, criada para facilitar o aprendizado de 'neófitos' como nós. 

Analisando profundamente, podemos notar que ambos os aspectos se fundem num todo único. Muito facilmente se pode constatar, pela simples observação e experiência pessoal, que um aspecto da vida sempre se reflete no outro tão intrínseca e detalhadamente, que aquelas distinções, antes aceitadas como óbvias, vão se tornando cada vez mais questionáveis e até mesmo obsoletas em muitos casos...

Logo, faço um convite: ousemos por um momento, olhar o ser humano, seu corpo e sua mente, sua psicologia e sua fisiologia, ambos como um todo único!

Sendo mais ousados ainda e dando um passo adiante, pensemos agora a sociedade, o mundo, os animais, os vegetais, o planeta... tudo formando um organismo vivo único, uma unidade complexa.

Assim é que "formamos uma unidade"... em inúmeros sentidos. 

Quando um dos elementos (na aparência distintos, isolados, diferenciados) sofre um desequilíbrio, todo o organismo é afetado de algum modo...  Noutras palavras, todo 'indivíduo', como se fosse uma célula desse grande corpo, é afetado em maior ou menor grau, em maior ou menor intensidade.

Outro exemplo de que a aparente dualidade corpo/mente é de certo modo ilusória, são as doenças psicossomáticas, cujo rol, segundo o CID (código internacional de doenças), aumenta a cada dia. 
Há não muito tempo apenas psicólogos abraçavam a tarefa de estudá-las. Hoje, tais enfermidades fazem parte obrigatória da formação profissional de qualquer médico, neurologista, fisiologista ou psiquiatra. E a cada dia que passa, mais pesquisadores vão desconfiando e constatando que enfermidades antes consideradas como de origem exclusivamente física (meramente 'biológica'), na verdade tem origem (ou ao menos influência) de 'mecanismos psíquicos'.

Outro aspecto interessante que podemos considerar/analisar quando estamos avaliando a distinção entre o mundo interior e o exterior é a questão do sonho. Então, pergunte-se:

Agora mesmo, neste exato momento, você está sonhando ou está acordado?

Ou pergunte-se: Como sabemos que estamos no mundo físico?
Você poderia provar/demonstrar que está vivenciando uma experiência no 'mundo exterior' (estritamente material)?
 
Vejamos: No mundo dos sonhos, não há distinção nítida entre passado, presente e futuro, podemos até nos ver flutuando e voando, atravessando paredes compactas, podemos conversar usando apenas o pensamento, visitar mundos desconhecidos etc...
Mas, mesmo com todas essas diferenças notórias entre um mundo e outro, ainda assim nossa consciência comumente não percebe que se trata de um sonho, de uma vivência onírica em outra dimensão "não física".
Isto é: mesmo com todas essas informações, enquanto dormimos em nossa cama, geralmente não nos damos conta que naquele momento, estamos sonhando, não é mesmo? 
Mesmo isso ocorrendo todos os dias, sem exceção, por que raramente notamos que se trata de um sonho?
A constatação é que nossa consciência segue hipnotizada, dormindo em qualquer dimensão (já que tampouco há separação absoluta entre elas). 
O fato é que não importa se estamos 'experimentando' materialidade ou espiritualidade, se estamos 'sintonizados' com algo 'físico' ou 'energético', simplesmente continuamos sonhando

Por que as pessoas então resistem tanto em aceitar que, agora mesmo, neste exato instante, estão também dormindo profundamente?
Por que achamos que agora, só por estarmos aparentemente manipulando um corpo físico, estaríamos 'acordados'? 
Não é possível que agora mesmo, estejamos vivendo "dentro" de um outro tipo específico de sonho?

Este sonho é o que se denomina "o sonho da consciência".

E ele ocorre rotineiramente, não importa se estamos usando corpo físico, ou se ele está repousando numa cama. Nossa consciência simplesmente segue lá, no mundo dos sonhos, tal qual se estivesse aqui. O fato de não termos lá os mesmos limites corpóreos e morais da dimensão física, dá um outro colorido, é verdade. Mas o sonho continua sendo sonho. O sonho não deixa de ser sonho só porque ele ocorre em outra dimensão (nível de percepção).

Costumamos pensar que somos muito espertos, mas corriqueiramente nos debatemos em dramas e tramas ridículos, projetados por nós mesmos, nos 'mundos internos/externos', oníricos, físicos ou não físicos...
 
Sonhamos (inconscientemente) à noite. Isso não seria um indício de que também sonhamos durante outras hora do dia? 
Mas, iludidos, creiamos estar “acordados”.
 
A maioria continua sonâmbula, sem sequer perceber que 'ainda dorme'... 

E quando alguém ou a Vida (o carma) vem e nos chacoalha, gritando “ACORDE!!”, ainda resmungamos, damos de ombros e viramos de lado na cama...  parece ainda não nos fartamos de tanto 'dormir'.
Além disso, aquilo que julgamos ser o "mundo físico" (tão real e concreto), não passa de uma 'criação' de nossos próprios cérebros.

E os cinco sentidos? não são "portas ou janelas" por meio das quais temos acesso direto ao "mundo exterior"; de fato, nossos sentidos são tecidos orgânicos dotados de terminações nervosas sensíveis a certo número limitado de ondas e frequências... nossos sentidos captam uma gama pequeníssima de impressões ... e é com elas que nosso cérebro/mente 'constrói' aquilo que depois chamaremos de 'realidade'... 
Aquilo que a ciência chama de 'impulsos elétricos', 'ondas', 'fótons', 'frequências', são continuamente transformadas, filtradas e depois ainda interpretadas. 

Tudo aquilo que nosso aparelho físico conseguiu captar, nosso cérebro/mente depois vai selecionar, segundo critérios de relevância completamente desconhecidos. Por fim, aquilo de que tomamos consciência (e que portanto consideramos 'real') não passa de uma mera "representação interna" subjetiva (psicológica, mental), nada mais que isso...
Então, quanto do mundo que "vemos", "ouvimos" e "apalpamos" é realmente como supomos que é?

Então, vamos combinar uma coisa? Vamos parar de fingir que sabemos alguma coisa sobre o mundo. Vamos admitir que não conhecemos a realidade ao nosso redor.
É isso mesmo! Não sabemos... não conhecemos a origem, a causa do que vivemos ou experimentamos no mundo... não sabemos como surgiu e nem onde tudo isso vai dar... só podemos imaginar, deduzir, supor, conjecturar.
Então como saber se estamos indo bem ou mal em algum aspecto de nossa vida? Estar "bem " implica em quê? Ter sucesso ou fracasso em algo, ter muita ou pouca saúde, ter vida longa, isso ou aquilo... Nada disso prova coisa alguma.


Melhor não perder tempo colando rótulos em ninguém... NEM em nós mesmos! Tais etiquetas são como roupas escondendo a nudez de nossa esplêndida ignorância.
 
O reconhecimento de que nada sabemos é o primeiro passo em direção à autêntica sabedoria (Sócrates). 
 
 
continua:

vida material ou vida espiritual – II

  

domingo, 8 de julho de 2018

Suas dores e alegrias... o que são?


Como as sementes…

por flaviosiqueira

Dores e alegrias, dias bons e maus, gratas e tristes surpresas, quem pode evitar? Melhor que cada experiência seja como uma semente e que cada semente encontre terra boa. Somos a terra e se soubermos acolher as sementes, mesmo as doloridas, adiante, árvores frondosas surgirão.

sábado, 12 de novembro de 2016

A Paz sem Esforço: o poder da quietude - Papaji



Fique quieto, não pense, não faça esforço algum. Para estar aprisionado é necessário algum esforço, mas não para ser livre. A Paz está além do pensamento e do esforço. 
Não pense e não faça nenhum esforço, porque isso apenas obscurecerá Aquilo, mas não o revelará. É por isso que permanecer em silêncio é a chave do oceano de amor e paz.
Essa quietude é a não mente; esse não-pensamento é a liberdade. Identifique-se com este Nada, esse Silêncio, mas tome cuidado para não fazer disso uma experiência, pois aí seria a mente aplicando-lhe um truque com a armadilha da dualidade.

Papaji (H.W.L. Poonja- 1913-1997)



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Vivendo e aprendendo




Nasce-se, e nascendo, vive-se. E vivendo, aprende-se. Aprende-se muito, desde muito cedo, é certo.
Vive-se para se aprender a viver, é o que parece. Aprende-se a arte de viver ou se aprende a ciência do viver: pensar, sentir e agir...
Merecer viver, eis a questão! Fazer-se digno da vida, eis o sentido, pode ser.
Compreender o significado da vida, apreender sua significação, pressentir as regras relativas e intuir as leis absolutas. Vive-se e se aprende a viver sempre. Com erros, acertos, desacertos, arranjos, jeitos e trejeitos.
Pode se aprender a ser? Ou já nascemos sendo?
Aprende-se ensinando, e mesmo sem querer se aprende também.
Tempo: grande círculo no qual giramos, aparentemente nos movemos. Será que saímos do lugar? Mas não é ele, tempo, que se move e passa... nós é que, talvez, estejamos nos movendo.
Tempo que é mestre, carrasco, amigo e enganador, também é, às vezes, só tempo perdido.
Eternidade: ausência de tempo, ausência de movimento, sem início, nem fim.
Para sentir-se fora do tempo, livre do tempo, é preciso apenas parar. Na ausência de movimento, cessa o tempo. Mas onde é que há movimento?
Na mente há muito movimento. Cada pensamento, cada lembrança, cada imagem projetada, um movimento.
A dualidade: Outro mestre na vida. Discernir o justo no injusto, o bom gosto no pior desgosto, a alegria bem no fundo da tristeza, a ânsia e a apatia, o ânimo e o cansaço, beber o caldo e engolir o bagaço.
Compreender a dualidade é esperar no desespero, é ver loucura na sanidade, involução na evolução, é ver progresso quando há regresso.
Tudo é vida que segue. E vai, até concluir a parábola e retornar ao ponto de partida. Para que mesmo se nasce e se morre?
E para que se ganha e se perde?
A luta é sabor da vida, às vezes salgado, às vezes doce, ora amargo, ora azedo, e ainda não é tudo. Espera-se mais da vida, além da decepção e das vitórias vãs. Espera-se mais que quimquilharias e bugigangas, juntadas na estante como troféus.
Mas tudo isso que chamamos 'vida', qual antecâmara e vestíbulo da realidade, é apenas a nossa pré-escola. Temos ainda muito que aprender.
Quando se aprende a 'morrer' ainda vivendo, é que se começa a viver, e a aprender, desaprendendo.