o que NÃO é meditação
(...)
As meditações podem estar erradas. Por exemplo, qualquer meditação que leve
você a uma concentração profunda está errada. Você ficará cada vez mais
fechado, em vez de se abrir. Se estreitar a sua consciência, concentrar-se em
algo e excluir o todo da existência, focando em uma única coisa, isso só irá
criar mais tensão. Daí a palavra “atenção”. Nesse contexto ela significa
“a-tensão”. O próprio sentido da palavra concentração passa uma idéia de
tensão.
A concentração tem os seus usos, mas não é o mesmo que meditação. No trabalho
científico, na pesquisa científica, no laboratório, você precisa de
concentração. Precisa se concentrar em uma questão e excluir todo o resto, a
ponto de mal se dar conta do mundo fora do seu campo de interesse. O seu mundo
é exclusivamente a questão em que você está concentrado. É por isso que os
cientistas se tornam pessoas ausentes, distantes. As pessoas que se concentram
muito acabam se tornando distantes porque não sabem permanecer abertas ao mundo
como um todo.Outro dia eu li uma anedota.
- Eu trouxe uma rã que acabei de coletar da lagoa - disse o cientista, professor de zoologia, sorrindo para sua turma. - Primeiro vamos estudar a aparência externa dela e depois dissecá-la.
O professor desembrulhou cuidadosamente o pacote que trazia e dentro havia um sanduíche de presunto muito bem preparado. O professor olhou para o sanduíche com surpresa.
- Estranho! - exclamou. - Eu me lembro claramente de ter comido o meu almoço.
Isso costuma acontecer com os cientistas. Eles se tornam introvertidos por terem o costume de se concentrar, de estreitar a mente. É claro que estreitar a mente tem o seu proveito: ela se torna mais penetrante, fica afiada como uma agulha; ela atinge exatamente o ponto desejado, mas perde toda a vida que a rodeia.


