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sábado, 15 de dezembro de 2018

Sou estrangeiro nesse mundo - Khalil Gibran



Mi estas fremdulo en ĉi tiu mondo!

Sou um estrangeiro neste mundo!


 

Mi estas fremdulo kaj en la fremdeco estas kruela soleco, doloriga tedo; sed ĝi igas min pensadi pri ĉarma patrio, kiun mi ne konas, kaj plenigas miajn revojn je bildoj de lando malproksimega, kiun miaj okuloj ankoraŭ ne vidis.
Sou um estrangeiro e por isso minha vida é uma solidão cruel, tédio doloroso que me obriga a pensar numa pátria encantadora, que eu não conheço, mas que enche os meus sonhos, povoando-me a imaginação de imagens de um país distante, que meus olhos ainda não viram.

Mi estas fremda al mia parencaro kaj al miaj amikoj. Kiam mi renkontas iun el ili, mi diras al mi mem: " Kiu estas tiu ĉi? Kiel mi lin ekkonis, kia tradicio kunigis min kun li, kial mi al li alproksimiĝas, kaj kial mi sidas ĉe li?
Sou um estranho para meus parentes e amigos. Quando encontro um deles, digo a mim mesmo: "Quem é este? Como o conheci, que tradição me uniu a ele? Por que dele me aproximo e por que junto dele me assento?

Mi estas fremda al mi mem: kiam mi ekaŭdas la parolon de mia lango, miaj oreloj trovas stranga mian voĉon. Mi vidas mian kaŝitan personeco ridanta kaj ploranta, kuraĝa kaj timema; mia estado admiras miam estadon, kaj mian spiriton deĉifras la spirito mia, sed mi restadas malkonata, malmontrata per nebulo, forkaŝitan de l' silento.
Sou estranho a mim mesmo: quando ouço as palavras de minha língua, meus ouvidos acham estranha a minha voz. Vejo minha oculta personalidade rindo e chorando, corajosa e medrosa; meu ser admira o meu ser e o meu espírito decifra o meu espírito, mas eu continuo desconhecido, encoberto pela névoa, oculto, ao longe, pelo silêncio.

Mi estas fremda al mia korpo: kiam mi staras antaŭ la spegulo, ĉiam mi vidas en mia vizaĝo tion, kion mia animo ne sentas, kaj mi trovas en miaj okuloj tion, kion la profundoj de mia estaĵo ne enkaŝas. Mi laŭiras la stratojn de l'urbo kaj min sekvas la junuloj, kriante: " Jen la blindulo; ni donu al li bastonon por ke li sin apogu per ĝi". Kaj mi foriras de ili rapidante.
Sou estranho ao meu corpo: quando me contemplo frente ao espelho, sempre vejo em meu rosto aquilo que minha alma não sente e acho nos meus olhos aquilo que as profundezas de meu ser não ocultam. Eu acompanho a estrada da cidade e os jovens me seguem gritando: " Eis um cego; demos-lhe uma bengala para que ele se apoie." E eu me afasto deles rapidamente.

Poste mi renkontas aron da knabinoj, kiuj ekprenas min je la vesto, dirante: "Li estas surda kiel ŝtono; ni plenigu liajn orelojn je l' melodio de la flirto". Kaj mi forlasas ilin dekurante.
Depois encontro um grupo de meninas que me puxam pelas vestes, dizendo: Ele é surdo como a pedra; enchamos seus ouvidos com a melodia do flerte". E eu as abandono, correndo.

Poste mi renkontas grupon da plenaĝuloj, kiuj stariĝas ĉirkaŭ mi, dirante: "Ni rektigu la kurbecon de lia lango, ĉar li estas muta, kiel tombo"; kaj mi deiras de ili, timante.
Depois encontro um grupo de adultos que se estabelecem próximo a mim, dizendo: "Desencurvemos sua língua, porque ele é mudo como um túmulo"; e eu me desvio deles, temendo.

Kaj poste mi renkontas grupeton de maljunuloj, kiuj indikas al mi per fingroj tremetantaj kaj diras:" Li estas frenezulo forperdinta sian prudenton".
E depois encontro um grupinho de idosos que me apontam com os dedos tremendo e dizem: "Ele é um louco que perdeu a prudência".

Mi estas fremdulo en ĉi tiu mondo!
Sou um estrangeiro neste mundo!

Mi estas frendulo, ĉar mi travojaĝis Orienton kaj Okcidenton kaj ne trovis mian landon, nek renkontis iun, kiu min konas nek kiun aŭskultis pri mi.
Sou um estrangeiro porque viajei pelo Oriente e pelo Ocidente e não encontrei meu país, nem encontrei alguém que me conhecesse nem que tenha escutado algo ao meu respeito.

Mi vekiĝas matene kaj trovas min mallibera en senluma kaverno de kies plafono dependas serpentoj kaj ĉe kies anguloj abundas insektoj.
Acordo de manhã e encontro-me preso em uma escura caverna, com serpentes a pender do teto e insetos em todos os seus ângulos.

Poste mi aliras al la lumo, sekvate de l' ombro de mia korpo, sed la ombroj de mia animo iradas antaŭe de mi tien, kie mi ne scias; ili priserĉas aferojn, kiujn mi ne komprenas kaj tenas objektojn de mi nebezonatajn.
Depois dirijo-me para a luz, acompanhado pela sombra de meu corpo, mas as sombras de minha alma seguem , lá, a minha frente, onde não conheço; Elas revistam as coisas que eu não compreendo e sustentam objetos que me são desnecessários.

Kaj kiam vesperiĝas, mi revenas kaj rekuŝigas min sur matracon elfaritan el strutaj plumoj kaj dornaĉoj. Tiam strangaj pensoj min ekposedas, kaj transprenas min inklinoj ĉagrenaj, ĝojigaj, dolorigaj, agrablaj.
E quando anoitece, volto e novamente me deito sobre o colchão feito de pena de avestruz e como se ele fosse feito de espinhos. Então estranhos pensamentos se apossam de mim: inclinações penosas, alegres, dolorosas e agradáveis.

Je l' noktomezo envenas al mi, el tra la fendaĵoj de l' kaverno, fantomoj de praaj tempoj kaj spiritoj de jam fogesitaj nacioj. Mi ilin fikse rigardas kaj ili min ankaŭ rigardas fikse; mi alparolas ilin demandante, kaj ili respondas min ridetante.
À meia noite vêm a mim, através das fendas da caverna, fantasmas dos tempos antigos e espíritos de nações já esquecidas. Olho-os fixamente e eles também me olham assim; Dirijo-me a eles com perguntas e eles me respondem sorrindo.

Poste mi intencas preni ilin, sed ili eknevidebliĝas kaj neniiĝas kiel fumo.
Depois me vem a intenção de toca-los, mas eles se tornam invisíveis e se desvanecem como fumaça.

Mi estas fremdulo en ĉi tiu mondo!
Sou estrangeiro neste mundo!

Mi estas fremdulo kaj ne ekzistas iu, kiu scipovas eĉ unu vorto el la lingvo de mia animo.
Sou estrangeiro e não existe alguém que saiba até mesmo uma palavra da língua de minha alma.

Mi iras tra la dezerto kaj mi vidas riverojn suprenirantajn el la profundaĵoj de l' valo al la montosupro. Mi vidas, ke nudaj arboj sin kovras, belaspektiĝas, ekfruktas kaj disigas sian foliaron en unu minuto, kaj poste, ke ties branĉoj defalas sur la herbetaron kaj iĝas serpentoj tremantaj. Mi vidas la birdarojn deflugantaj, alteniĝantaj, malsupreniĝantaj, ĝoje kantantaj kaj ululantaj. Mi vidas, ke poste ili haltas kaj, malferminte la flugilojn, ili fariĝas nudaj knabinoj kun longaj, delasitaj hararoj kaj etenditaj koloj kiuj rigardas min el palpebroj ombrumitaj per amo, ridetas al mi per lipoj rozecaj, ŝmiritaj per mielo, kaj etendas al mi manojn blankajn, delikatajn, parfumitajn per olibano.
Eu caminho através do deserto e vejo rios subindo das profundezas do vale para cima do monte. Vejo que árvores nuas se cobrem de folhagem , no mais belo aspecto , e se frutificam em um minuto, e depois que esses ramos caem sobre a relva e se transformam em trêmulas serpentes. Vejo pássaros voando para o alto e para baixo, cantando alegremente e lamentando. Vejo que depois eles param e, abrindo as asas, tornam-se meninas nuas com longos e soltos cabelos e pescoços estendidos, que me observavam com pálpebras sombreadas pelo amor; sorrindo para mim com os lábios rosados, borrifados pelo mel, e estendendo-me brancas mãos, delicadas, perfumadas pelo olíbano

Poste, ekskuiĝante, ili malaperas for de mia vidado, kaj neniiĝas kvazaŭ nebulo, postlasante en la spaco la ehon de sia ridado kaj mokado pri mi.
Depois, tremulamente, desaparecem se afastando da minha vista, e se desfazem como névoa, deixando no espaço o eco de suas risadas a zombar de mim.

Mi estas fremdulo en ĉi tiu mondo!Sou estrangeiro neste mundo!

Mi estas poeto kiu versigas tion, kion la vivo proze verkas, kaj prozigas kion ĝi verse komponas.
Sou poeta que versifica aquilo que a vida escreve em prosa e faz em prosa aquilo que ela compõe em versos.

Tial mi estas fremdulo, kaj mi restados fremda ĝis la morto min prenos kaj transportos al mia patrio.
Por isso sou um estrangeiro, e permanecerei estrangeiro até a morte me tomar e me transportar a minha pátria.

 

Ĝ. Ĥalil' Ĝibran' - Rakontoj kaj Poemoj
 
Gibran Khalil Gibran - Contos e Poemas

Tradução do árabe para o esperanto pelo esperantista Georgo Abraĥam
Tradução do esperanto para o português pela esperantista Mary



Blog da Mary: La poeto - O poeta:

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

pingos de reflexão





Pingos de reflexão

dias, horas, anos, o que são?
são apenas isso: dias, horas e anos...
cada um lhes atribui seus próprios significados.
A tudo que nos rodeia, no tempo e no espaço, damos sentido.

não há dias ruins... nem os há bons...
NÓS, e somente nós, 
os entendemos bons... os sentimos ruins...
objetos, datas, pessoas, em símbolos tornamos...

sábado, 8 de outubro de 2016

Para ser grande -Fernando Pessoa

parece ser tão clichê ficar citando Fernando Pessoa... mas este aqui vale a pena mesmo!!!
Enfim, não importa o que dirão... o fato é que Pessoa é 'o cara'!! E nunca me canso de citá-lo.

Este conselho de F. Pessoa é absurdamente valioso para todo buscador da Verdade, para todo aquele que busca viver sabiamente, intensamente, verdadeiramente.
as gentes leem como se fora simples verso, simples poema, simples poesia, simples opinião, simples arranjo sonoro de letras em palavras vãs... só que não.
Eis um ensinamento para toda a vida, para tudo que e para todos.
Se soubermos nos dedicar a isso, apenas isso, e nossa vida já começará a valer a pena... pois teremos de fato vivido, e não apenas sonhado.

“Para ser grande, sê inteiro: 
nada teu exagera ou exclui. 
Sê todo em cada coisa. 
Põe quanto és no mínimo que fazes. 
Assim em cada lago a lua toda brilha, 
porque alta vive.”(…)

Fernando Pessoa

terça-feira, 4 de outubro de 2016

caminho

Uma árvore*

teu foco no presente, a fonte de TUDO...
e de repente, todas as coisas têm outro sabor! 
O mui simples satisfaz; 
o não simples se mostra falaz.
Reconcilia-te com o universo: 
com esse corpo, com pessoas, 
com anseios não satisfeitos, 
com teus medos, sonhos, desejos...
...

senta-te 
e reconcilia-te 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

tempo e eternidade

"O tempo é muito lento para os que esperam,
muito rápido para os que têm medo,
muito longo para os que lamentam,
muito curto para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eternidade"
(atribuído a William Shakespeare)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

FELIZ "LIVRO NOVO"...

FELIZ LIVRO NOVO


Quando 2014 começou, ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos...
Você podia fazer dele o que quisesse...
Era como um Livro em Branco, e nele você podia colocar um poema, um pesadelo uma blasfêmia, uma oração. Podia...
Hoje, não pode mais; já não é seu.
É um livro já escrito... Concluído.

Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido, com todos os detalhes, e você não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance.

Portanto, agora que 2014 termina, reflita, tome seu velho livro e o folheie com cuidado.
Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência; faça o exercício de ler
a você mesmo.

Leia tudo...
Aprecie aquelas páginas de sua vida em que você usou seu melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito.
Não, não tente arrancá-las.
Seria inútil. Já estão escritas.

Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que lhe será entregue.
Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio,
e terá, para preenchê-lo, toda a imensa superfície do seu mundo.

Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije-o.
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas mãos do Criador.
Não importa como esteja...

Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras: Obrigado e Perdão!
E, agora que 2015 está chegando, lhe será entregue outro livro, novo, limpo, branco todo seu, para você escrever o que desejar...

FELIZ LIVRO NOVO!

(desconheço o autor)

sábado, 15 de novembro de 2014

O que somos...

Somos o que somos
Somos como somos
Cromossomos
Pó somos
Luz somos
Só somos
Já somos e não somos

silvio m.max.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

ideias podem mudar o mundo

Henry Thoreau: 
'A maioria dos homens vive vidas de silencioso desespero'

Não se rebaixem a isso. Saiam!! 
a hora é agora! Não importa o que digam a você! 
"palavras e ideias podem mudar o mundo".
fala do personagem de Robin Williams no filme "Sociedade dos Poetas Mortos".



"Não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho. 
Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana e a raça humana está repleta de paixão. Poesia, beleza, romance, amor... É para isso que vivemos."
(fala extraída do filme "Sociedade dos Poetas Mortos").

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O bem, o mal e o humano



“Toda a natureza é apenas arte, desconhecida por ti; 
Todo acaso, apenas direção, que tu não podes ver;
Toda discórdia, harmonia não compreendida;
Todo mal parcial, bem universal;
E apesar do orgulho, e da razão que falha,
Uma verdade é clara: tudo o que é, é correto.”

Alexander Pope (1688-1744)  

Traduzido do volume  “Essay On  Man and Other Poems”,  Dover Publications Inc., New York, 1994, 100 pp.  Ver ali  “Essay On Man, Epistle I”, pp. 52-53