Pratique a acefalia
Há muitas formas de se chegar à meditação. E há também muitas técnicas e formas distintas que podem ajudar a se alcançar distintos estados meditativos. Qual é melhor, qual ajuda e qual atrapalha, dependerá de cada pessoa em particular.De qualquer modo, a primeira observação que acredito seja relevante é lembrar que nunca se deve confundir "meditação" com algum tipo de imaginação, mentalização, oração, intenção, conversação interna ou pensamento reflexivo.
Há sim técnicas para se atingir a meditação que os especialistas chamam de ativas (nas quais o corpo se movimenta ordenada ou desordenadamente) e passivas (com o corpo parado, quieto).
Porém, toda vez que a técnica recorre ao auxílio da imaginação, de mantrans, intenções, mentalizações, objetos externos, música etc, é importante lembrar que você ainda não está propriamente "meditando", mas sim utilizando uma ferramenta para chegar (ou voltar) ao seu estado natural, o estado de meditação.
Assim, na medida em que você melhora sua concentração, as muletas e ferramentas auxiliares que no início foram eventualmente úteis, podem e devem ser dispensadas. Cedo ou tarde, precisaremos abandonar qualquer muleta ou apoio e seguir meditando, pura e simplesmente. Neste sentido, a meditação vipassana é um bom exemplo de meditação que o levará diretamente ao ponto da meditação, sem atalhos.
Por outro lado, é um engano acreditar que se pode voltar ao estado natural (meditação) instantaneamente, com a mente no atual grau de agitação e indisciplina (dispersa e acelerada). É óbvio que a visão da realidade, a visão de profundidade, só se torna possível quando as ondas no lago da mente se acalmam. A meditação é um estado natural do ser humano que se perdeu. Por isso, aconselha-se ao "meditador" que busque inicialmente colocar sua atenção na respiração, que também é algo natural. Uma vez que você consegue observar atentamente sua própria respiração natural, não entrecortada, não artificial, não forçada, nossa mente tenderá a acompanhar, acalmando-se também aos poucos.
Aos poucos escapa-se da ditadura do pensamento acelerado.
Osho sempre falou bastante sobre a importância de se tirar o foco da mente, do pensamento compulsivo e mecânico.
Abaixo segue um interessante exemplo de meditação ativa, na intenção específica de facilitar o estado meditativo. Segue o trecho extraído da obra de Osho, "Meditação: A Primeira e Última Liberdade".
Da cabeça ao coração
(...)O
primeiro objetivo: experimente ser acéfalo. Visualize a si mesmo como acéfalo;
aja como se fosse. Essa sugestão parece ridícula, ilógica, mas é um dos
exercícios mais importantes. Experimente e entenderá. Caminhe sentindo-se como
se não tivesse cabeça. No princípio será apenas “como se”. Quando começar a
sentir que não tem cabeça, achará esquisito e estranho. Mas em pouco tempo você
estará se acomodando no coração.Existe uma lei. Você talvez tenha notado que uma pessoa que é cega tem uma audição mais sensível, um ouvido mais musical. As pessoas cegas possuem uma sensibilidade para a música mais profunda. Por quê? A energia que normalmente circula pelos olhos, no caso, não pode passar por eles, então escolhe um caminho diferente que passa pelas orelhas.










