José Luiz
Fiorin – ed. Ática, 1988 (série Princípios)
desconheço o autor da síntese abaixo. Se algum leitor souber, me informe, para que eu mencione os devidos créditos.
. Introdução
A linguística não se preocupou com as relações entre
a linguagem e a sociedade, mas apenas com as relações internas entre os
elementos linguísticos.
A
linguagem é, antes de tudo, uma instituição social, o veículo das ideologias, o
instrumento de mediação entre os homens e a natureza, entre os homens e outros
homens.
O objetivo
do livro não é mostrar que uma pronúncia de prestígio é imposta com a
finalidade de discriminar pessoas; nem que o acesso a certas posições de destaque
está ligado à aquisição de variedades linguísticas consideradas certas ou
elegantes; nem que a norma linguística utilizada pelos que detêm o poder
transforma-se em “língua modelo”; nem que as variedades linguísticas utilizadas
pelos segmentos sociais subalternos são consideradas “erros”, “transgressões” e
por isso seus usuários são ridicularizados; não é dizer que a linguagem é um
instrumento de poder e que os segmentos sociais dominantes tentam ridicularizar
a palavra dos dominados... O objetivo
do livro é refletir sobre as relações que a linguagem mantém com a ideologia: o autor deseja analisar qual o lugar das determinações ideológicas neste complexo fenômeno que é a
linguagem, bem como analisar como a linguagem veicula a ideologia, demonstrando o que é que é
ideologizado na linguagem.
2. Marx e Engels dão as primeiras dicas
Os autores da obra A ideologia alemã mostram que, nem
o pensamento, nem a linguagem constituem domínios autônomos, pois ambos são
expressões da vida real.
Ao
mesmo tempo em que goza de certa autonomia, a linguagem sofre determinações
sociais e é preciso separar estes dois níveis: o de sua autonomia e o de suas
determinações.
3. As primeiras distinções
A língua é social na medida em que é comum a todos os
falantes de uma comunidade linguística.
O
sistema (língua) é mais do que uma lista de palavras, ela é um sistema de
oposições, de valores ( /l/ é diferente de /r/, diferente de /m/.....; dizemos o
homem e não *homem o ...)
Um
sistema linguístico é uma rede de relações que se estabelece entre um conjunto
de elementos linguísticos e estas relações dão um determinado valor a cada
componente do sistema e permitem selecionar o elemento apropriado para figurar
em cada ponto da cadeia da fala e combinar adequadamente esses elementos entre
si. A língua é uma estrutura internalizada pelos falantes (abstrata) que
se realiza nos atos de fala.
