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quarta-feira, 15 de abril de 2020

Obra "Linguagem e Ideologia", de José L. Fiorin

Linguagem e Ideologia


José Luiz Fiorin – ed. Ática, 1988 (série Princípios)

desconheço o autor da síntese abaixo. Se algum leitor souber, me informe, para que eu mencione os devidos créditos.


. Introdução
            A linguística não se preocupou com as relações entre a linguagem e a sociedade, mas apenas com as relações internas entre os elementos linguísticos.
        A linguagem é, antes de tudo, uma instituição social, o veículo das ideologias, o instrumento de mediação entre os homens e a natureza, entre os homens e outros homens.
          O objetivo do livro não é mostrar que uma pronúncia de prestígio é imposta com a finalidade de discriminar pessoas; nem que o acesso a certas posições de destaque está ligado à aquisição de variedades linguísticas consideradas certas ou elegantes; nem que a norma linguística utilizada pelos que detêm o poder transforma-se em “língua modelo”; nem que as variedades linguísticas utilizadas pelos segmentos sociais subalternos são consideradas “erros”, “transgressões” e por isso seus usuários são ridicularizados; não é dizer que a linguagem é um instrumento de poder e que os segmentos sociais dominantes tentam ridicularizar a palavra dos dominados... O objetivo do livro é refletir sobre as relações que a linguagem mantém com a ideologia: o autor deseja analisar qual o lugar das determinações ideológicas neste complexo fenômeno que é a linguagem, bem como analisar como a linguagem veicula a ideologia, demonstrando o que é que é ideologizado na linguagem.

2. Marx e Engels dão as primeiras dicas

        Os autores da obra A ideologia alemã mostram que, nem o pensamento, nem a linguagem constituem domínios autônomos, pois ambos são expressões da vida real.
      Ao mesmo tempo em que goza de certa autonomia, a linguagem sofre determinações sociais e é preciso separar estes dois níveis: o de sua autonomia e o de suas determinações.

3. As primeiras distinções

            A língua é social na medida em que é comum a todos os falantes de uma comunidade linguística.
            O sistema (língua) é mais do que uma lista de palavras, ela é um sistema de oposições, de valores ( /l/ é diferente de /r/, diferente de /m/.....; dizemos o homem e não *homem o ...)
            Um sistema linguístico é uma rede de relações que se estabelece entre um conjunto de elementos linguísticos e estas relações dão um determinado valor a cada componente do sistema e permitem selecionar o elemento apropriado para figurar em cada ponto da cadeia da fala e combinar adequadamente esses elementos entre si. A língua é uma estrutura internalizada pelos falantes (abstrata) que se realiza nos atos de fala.