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terça-feira, 9 de novembro de 2021

Intervenção, Vontade do Ego; Atrito, Conflito - Krishnamurti


Intervenção, Vontade do Ego; Atrito, Conflito

Para compreender (…) ou experimentar a realidade, tem de haver discernimento. Discernimento é esse estado de pensamento-sentimento integrado, no qual cessam toda ansiedade e escolha. (…) O desejo condiciona o pensamento-sentimento que, assim, torna-se incapaz de discernimento direto. 
(Palestras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 53)

Portanto, o indivíduo tem de considerar, em primeiro lugar, quais as tendências e ansiedades que continuam e perpetuam o processo do “eu”. (…) Porque todo desejo age como empecilho ao discernimento; toda ansiedade deturpa a percepção. (Idem, pág. 53)
 
Toda ansiedade e qualquer experiência que dela nasça, constituem o processo automantenedor do “eu”. Esse processo do “eu”, com seus desejos e tendências, cria o medo e daí surge a aceitação do conforto e da segurança que a autoridade oferece. (…) Existe a autoridade do exterior, a autoridade de um ideal e a autoridade da experiência ou da memória. 
(Idem, pág. 53-54)
 
Expondo isto por palavras diferentes, direi que existe a vontade de desejo, que é esforço, e a vontade de compreensão, que é discernimento. (…) A vontade de desejo está sempre em busca de recompensa, de lucros, e assim cria os seus próprios temores. A moral social baseia-se nisso (…) 
(Palavras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 55-56)

O indivíduo é a expressão da vontade de desejo, e, no processo de sua atividade, o desejo cria o seu próprio conflito e sua tristeza. Daí o indivíduo tenta escapar indo para o idealismo, para as ilusões, para as explicações e, desse modo, mantém ainda o processo do “eu”. Começa a existir a vontade de compreensão quando o desejo e suas experiências, sempre recorrentes, deixam de existir. 
(Idem, pág. 56)

Se houver correta compreensão do fato de que não pode existir verdadeiro discernimento enquanto persistir a vontade de desejo, essa mesma compreensão faz com que o processo do “eu” seja destruído. (…) Porém, a própria percepção do processo do “eu”, o discernimento de sua insensatez, de sua natureza transitória é que o destrói. 
(Palestras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 56)