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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

armadilhas da meritocracia, num certo país do Terceiro Mundo

Meritocracia, democracia racial e cotas na educação



12/11/13 - Jornal da Cidade - Bauru

No Brasil, desigualdades entre afrodescendentes e brancos ainda são grandes em diversos setores. O polêmico debate sobre a política de ações afirmativas visando o combate à discriminação racial no Brasil tem por base estatísticas reveladoras: negros e pardos ocupam as funções mais modestas e recebem, em média, salário inferior ao dos brancos, mesmo desempenhando as mesmas funções; afrodescendentes com desempenho escolar inferior aos demais; “esquadrões da morte” matando aqui mais negros do que a polícia da África do Sul, durante o regime do Apartheid.

Após a abolição legal da escravidão, uma nova luta ideológico-cultural começou. Para entender a complexidade da questão, é necessário considerar vários fatores. De um dia para o outro, mais de setecentas mil pessoas foram colocadas à disposição de um mercado de trabalho fictício. Parte importante do problema do desemprego estrutural brasileiro nasce daí. Os efeitos contra o afrodescendente se fazem sentir até hoje. Trata-se de um desemprego e subemprego permanentes, que não se minimizou com o fim da escravidão, mas, ao contrário, perpetuou-se. Recentemente, porém, o Brasil optou por reconhecer, após persistente mobilização de minorias étnicas, a existência do racismo, da discriminação e de uma dívida social histórica, já que nem afrodescendente, nem indígenas, foram indenizados pelos séculos de abusos, escravidão e expropriação. Uma vez libertos formalmente, afrodescendentes tampouco tiveram acesso à Educação ou a qualquer tipo de qualificação profissional.