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domingo, 16 de julho de 2017
sábado, 13 de maio de 2017
Vítimas da 'Síndrome de Gabriela'
Gabriela, por quê?
“Eu nasci assim, eu cresci assim, sou mesmo assim, vou ser sempre
assim”. Eis o refrão da célebre canção “Gabriela, Cravo e Canela”,
lembrada também pelo escritor M. S. Cortella em sua análise do que ficou
conhecido como "Síndrome de Gabriela". A metáfora serve para explicitar
uma tendência para justificarmos nossas próprias atitudes, manias,
costumes e jeitinhos. Mais algumas pitadas de falácia ideológica e
facilmente chegamos à tese de que haveria uma natureza genética
determinando nosso jeito de ser. Outro lado da mesma moeda vem com a
tese da herança cultural, determinante daquilo que somos. Há ainda quem
prefira sentenciar que a pré-existência de um Criador nos definiria por
si só. Mas, se algo/alguém nos define, coisificados ficamos. Evapora-se a
tênue dignidade de pessoa, de sujeito dotado de livre-arbítrio, enfim.
Qual é o seu vício, hein!?
Afinal, o que fazemos, desejamos ou sentimos é produto do ambiente ou
quiçá de uma sopa de hormônios e neurônios? Ou a causa habitaria algum
nebuloso e abstrato plano metafísico? Ao que parece, nenhuma das
hipóteses explica, isoladamente, o fenômeno antropológico. Sejamos
honestos: Vamos ao espaço sideral e ao fundo dos mares, mas qualquer
gripe ou dor de barriga ainda nos aborrece, qualquer objeção nos tira o
verniz da compostura. Em quê exatamente estamos melhores que nossos
ancestrais? Como é que se lida com um corpo ou com uma alma? E diga lá:
como é que se lida com o outro? A síndrome de Gabriela mostra que quase
nunca é fácil mudar. Seja uma mania, um vício ou um paradigma. Pode não
ser vício em nicotina ou cocaína, mas de repente é na cafeína e na
sacarina; pode ser vício em sexo, jogos, em fofoca, em trabalho, em
reclamação, em álcool e a lista parece que não termina... somos
viciadíssimos até em pensar! Pensamos muito, agimos pouco. Quer ver só?
Tente parar de divagar ou de preocupar-se por dez minutos e depois diga a
si mesmo o que conseguiu.
Na verdade, todo aprendizado exige um esforço, quase sempre um
sacrifício, certamente um desconforto. E pronto! É aí que escorregamos
na tal ‘síndrome de Gabriela’. Sem a dose
certa de motivação, não conseguimos mudar, mesmo que o desejemos; antes,
justificamos e até racionalizamos nossas condutas, não importa quão
feiosas ou fedidas sejam. Sempre se pode achar uma justificativa, até
para ser corrupto e genocida. Hitler, Stalin ou Bush são exemplos
históricos gritantes... Mas, todos temos nossos momentos em que acabamos
justificando nossa preguiça, gula e cobiça; desculpamos com
impressionante facilidade nossas próprias luxúrias, apegos e paixões.Que tal um corpo novinho em folha?
Agora, notem o paradoxo: Estudos baseados na medição do carbono 14 no
organismo, concluíram que, ao cabo de alguns anos (entre 7 a 10), em
média 98% dos átomos presentes no nosso corpo são renovados por meio do
ar que respiramos, da luz e demais alimentos consumidos. Quer dizer:
nossas células são substituídas frequentemente! temos um corpo novinho
em folha em poucos anos! Se é assim, por que a tal de ‘Gabriela’
continua aparecendo? Por que custamos tanto a mudar? A resposta pode
estar, segundo estudiosos, nos padrões vibracionais que emitimos (já que
toda matéria emite uma vibração energética definida). Assim, tais
padrões, aos poucos, imprimiriam suas ‘assinaturas’ nos planos físico e
psíquico. É assim que afinal, adoecemos: o corpo, a alma, a família e a
sociedade, até chegar à cena dantesca que vemos hoje no mundo.
A solução para o paradoxo pode estar no conhecimento de si mesmo,
desses padrões vibratórios que operam como ‘programas’ (softwares), em
forma de memórias, pensamentos e sentimentos... Assim, se nos
perguntarmos: Já nascemos possessivos, mesquinhos,
preconceituosos ou moralmente fracos? Há um DNA ou ambientes específicos
que nos definam como bondosos, altruístas ou amorosos? Podemos
responder: temos todas as tendências e possibilidades latentes,
potenciais dentro de nós. Aqueles condicionamentos gerados por mera
censura ou repressão social são eficazes só até certo ponto bem
limitado. A educação funciona apenas como uma fina casca de verniz...
ela se trincará nos primeiros estresses que o sujeito encontrar. Basta
olhar para o tamanho de nossos sistemas prisionais e hospitalares.
Tem uma saída prá nós?
A síndrome parece decorrer de nossa própria identificação com os
programas, com tais memórias ativas que se auto-executam em nós mesmos.
Percebamos enfim, que não somos os programas que estão instalados. Somos
de fato, co-programadores de quem somos! Mas se nos confundimos com
tais programas, seremos presas fáceis. Inadiável que busquemos a via
direta do autoconhecimento, sem os rótulos ideológicos materialistas e
metafísicos. Somente nós ante nós mesmos!
publicado também em:
yesmarilia.com.br
Jornal da Cidade - Bauru
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