quinta-feira, 25 de julho de 2013

perdeu algo ou alguém?


Da próxima vez em que você perder alguém que gosta e você não puder suportar o que está sentindo lembre-se desta instrução: mude sua maneira de ver e curve-se. Ao invés de culpar nosso próprio mal-estar ou as circunstâncias externas ou a nossa própria fraqueza, nós podemos escolher estar presentes e acordados para nossa própria experiência, não rejeitando, não agarrando, e não dando ouvidos às histórias que contamos para nós mesmos implacavelmente. Este é um conselho inestimável que aborda as verdadeiras causas do sofrimento – do seu, do meu e de todos os seres vivos.


Do livro, Taking the Leap: Freeing Ourselves from Old Habits and Fears, por Pema Chödrön, página 55.

Este trecho foi extraído do blog Shambhala, do post: Lean In.Tradução: Leonardo Ota

O trabalho com o apego e o desejo



Para compreender como o sofrimento aparece, pratique observar a sua mente. Comece simplesmente deixando-a relaxar. Sem pensar no passado nem no futuro, sem sentir esperança nem medo em relação a isto ou aquilo, deixe que ela repouse confortavelmente, aberta e natural. Nesse espaço da mente não há problemas, não há sofrimento. Então, alguma coisa prende sua atenção – uma imagem, um som, um cheiro. Sua mente se subdivide em interno e externo, “eu” e “outro”, sujeito e objeto. Com a simples percepção do objeto, não há ainda nenhum problema. Porém, quando você se foca nele, nota que é grande ou pequeno, branco ou preto, quadrado ou redondo. Então, você faz um julgamento – por exemplo, se o objeto é bonito ou feio. Tendo feito esse julgamento, você reage a ele: decide que gosta ou não gosta do objeto.


É aí que o problema começa, pois “Eu gosto disto” conduz a “Eu quero isto”. Igualmente, “Eu não gosto disto” conduz a “Eu não quero isto”. Se gostamos de alguma coisa, se a queremos e não podemos tê-la, nós sofremos. Se a queremos, a obtemos e depois a perdemos, nós sofremos. Se não a queremos, mas não conseguimos mantê-la afastada, novamente sofremos. Nosso sofrimento parece ocorrer por causa do objeto do nosso desejo ou aversão, mas realmente não é assim – ele ocorre porque a mente se biparte na dualidade sujeito-objeto e fica envolvida com querer ou não querer alguma coisa.

Com freqüência, pensamos que o único meio de criar felicidade é tentando controlar as circunstâncias externas da nossa vida, tentando consertar o que nos parece errado ou nos livrar de tudo o que nos incomoda. Mas o verdadeiro problema encontra-se em nossa reação a estas circunstâncias. O que temos que mudar é a mente e a maneira como ela vivencia a realidade.

Nossas emoções nos empurram de um extremo a outro: da excitação para a depressão, de experiências boas para ruins, da felicidade para a tristeza – um constante ir e vir.
O emocionalismo é um subproduto da esperança e do medo, do apego e da aversão. Temos esperança porque estamos apegados a alguma coisa que queremos. Temos medo porque temos aversão a alguma coisa que não queremos. Precisamos interromper as oscilações extremadas do pêndulo emocional para podermos encontrar um eixo de equilíbrio.


Quando começamos pela primeira vez nosso trabalho com as emoções, aplicamos o princípio de que o ferro corta o ferro, o diamante corta o diamante. Usamos o pensamento para transformar o pensamento. Um pensamento raivoso pode ter como antídoto um outro que seja compassivo ao passo que o desejo pode ter seu antídoto na contemplação da impermanência.

No caso do apego, comece examinando o que é o objeto ao qual você está apegado. Por exemplo, pode ser que, depois de muito esforço, você consiga se tornar famoso, pensando que isso o fará feliz. Então, sua fama provoca inveja em alguém que tenta matá-lo. Aquilo que você trabalhou tanto para criar passa a ser a causa do seu próprio sofrimento. Ou pode ser que você trabalhe com afinco para se tornar rico, pensando que isso irá trazer-lhe felicidade, para então ver todo o seu dinheiro se perder. A perda da riqueza em si não é a causa do sofrimento, mas, sim, o apego a querer possuí-la.

sábado, 20 de julho de 2013

atenção plena

“Bhikkhus, suponham que ao ouvirem, ‘A moça mais bonita deste país! A moça mais bonita deste país!’ uma grande multidão de pessoas se aglomerasse. Agora, aquela moça mais bonita do país dançaria com muita graça e cantaria de forma melodiosa. Ao ouvirem ‘A moça mais bonita deste país está dançando e cantando! A moça mais bonita deste país está dançando e cantando!’ uma multidão ainda maior se aglomerasse. Então, surgisse um homem que valorizasse a vida e temesse a morte, que desejasse o prazer e abominasse a dor. E alguém lhe dissesse, ‘Bom homem, você tem de carregar esta tigela cheia até a borda com óleo por entre essa grande multidão e a moça mais bonita deste país. Um homem com uma espada levantada irá segui-lo bem de perto, e se por acaso você derramar uma gota que seja, nesse mesmo instante, ele cortará a sua cabeça.’
“O que vocês pensam, bhikkhus, aquele homem não irá prestar atenção na tigela com óleo e irá permitir ser distraído por aquilo que está acontecendo no exterior?”
“Não, venerável senhor.”
“Eu citei este símile, bhikkhus, para transmitir uma ideia. A ideia é a seguinte: A tigela cheia até a borda com óleo representa a atenção plena no corpo. Portanto, bhikkhus, assim é como vocês deveriam praticar: ‘Nós iremos desenvolver e cultivar a atenção plena no corpo, fazer dela o nosso veículo, a nossa base, estabilizá-la, nos exercitarmos nela e aperfeiçoá-la por completo.’ Assim é como vocês deveriam praticar.”
~ Samyutta Nikaya XLVII.20, Sedaka Sutta (do site Acesso ao Insight)

“A última palavra de Gautama, o Buddha, foi Sammasati – Recorda-te. Numa única palavra, tudo que é significativo está contido. Sammasati: Recorda qual é o teu espaço interior. Simplesmente recorda-te. Não há nada a alcançar. Tu já és aquilo que tens procurado em todas as tuas vidas, de diferentes modos, seguindo diferentes caminhos. Mas jamais olhaste para dentro. Apenas por alguns segundos, senta-te de olhos fechados para te lembrares, para recordares onde estiveste, que profundidade foste capaz de alcançar; qual é o sabor do silêncio, da paz; qual é o sabor de desaparecer no Supremo… Olha para dentro. E sempre que tiveres tempo, já conheces o caminho… Continua a ir para o espaço interior, de modo que o teu medo de desaparecer seja deixado de lado e comeces a lembrar-te da linguagem esquecida… SAMMASATI”.
~ Bhagwan Shree Rajneesh, o Osho

fonte: 
http://dharmalog.com/2013/07/17/atencao-plena-correta-samma-sati-entenda-um-dos-8-elementos-do-caminho-de-buda-para-a-liberdade/?utm_source=Assinantes+do+Dharmalog&utm_campaign=fe695de700-RSS_EMAIL_CAMPAIGN&utm_medium=email&utm_term=0_eb93933aad-fe695de700-296231497

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Carma e Renascimento

Carma e Renascimento

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Pergunta: A teoria do carma é empírica e científica ou é aceita com base na fé?
Resposta: A idéia de carma faz sentido de diversas maneiras, mas há um certo mal entendido sobre o que o carma é. Algumas pessoas pensam que carma significa sina ou predestinação. Se alguém é atropelado por um carro ou perde muito dinheiro nos negócios, dizem: “Bem, que azar, esse é o carma dela”. Essa não é a idéia budista de carma. De fato, essa é mais a idéia da vontade de Deus – algo que nós nem entendemos nem temos qualquer controle sobre.