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domingo, 11 de setembro de 2022

Bhausaheb Maharaj - Sadhana - A Disciplina Espiritual

 Na vida, ninguém atinge o autoconhecimento instantaneamente, sem disciplina. Disciplina, é óbvio, não é tudo... Mas tudo depende da continuidade da prática. E a continuidade da prática depende de disciplina... Além disso, a prática deve ser realizada com sinceridade e de todo o coração... Só assim haverá avanço...

Mas a mente é extremamente inconstante... ela não gosta de meditar. Entenda: A mente pode ir onde quiser,... é da natureza dela divagar... mas o que não se deve fazer é segui-la ou persegui-la... se fizer isso, depois de algum tempo, ela retorna por si mesma... só então a meditação vai começar.

Então, a regularidade da prática nos permitirá compreender a natureza dos impulsos mentais e ganharíamos equilíbrio mental, aprenderíamos a discriminar o essencial do não essencial e então experimentaríamos a paz.

Ainda assim, apesar de todo o esforço resultante da disciplina, deve-se agir com o máximo cuidado e diligência no cumprimento de nossos deveres mundanos... não se deve evitá-los por preguiça. Devemos, assim,  conciliar seus deveres mundanos com a prática espiritual, examinando sua conduta a cada passo.  Ainda assim, com toda a nossa prudência, não devemos deixar de observar que só a vontade de Deus prevalece...

A prática constante da meditação é a chave para a fusão entre nosso ser e Deus.  



Bhausaheb Maharaj ou Venkatesh Khanderao Deshpande (1843 - 1914) foi o fundador de sua tradição “Inchagiri Sampradaya”, difundida por seu discípulo Siddharameshwar Maharaj, mestre de Nisargadatta Maharaj e de outros grandes professores. 

Nascido em Umdi na Índia, ainda criança, Bhausaheb desenvolveu uma profunda devoção ao Senhor Hanuman e costumava realizar adoração diariamente em um templo próximo. Aos quatorze anos conheceu seu guru Sri Nimbargi Maharaj. 

Com um coração bondoso, Bhausaheb dedicou sua vida ao seu Sadguru e a Deus. Em 1875, após seu despertar, ele foi autorizado por Nimbargi a continuar sua linhagem. Ao partir, seu Mestre Nimbargi lhe pediu para espalhar os ensinamentos por toda parte. 

Assim, Bhausaheb estabeleceu seu Ashram em Inchgiri, uma vila perto de Umadi, e começou a realizar suas atividades espirituais. Logo, Inchgiri tornou-se famosa e um local de atividade espiritual. 

Os ensinamentos de Bhausaheb Maharaj são chamados de Jnana-Marga e Nama-Yoga. Em qualquer situação que um aspirante possa se encontrar, Maharaj costumava instruí-lo a continuar sua meditação, da melhor maneira possível e a viver de acordo com os princípios: 

1. Dhir - atitude resoluta e duradoura na vida. 

2. Udar - nobre e generosa magnanimidade de coração. 

3. Gambhir - visão séria e atenciosa ao enfrentar a vida. 

 

Bhausaheb Maharaj - Sadhana - A Disciplina Espiritual

 

“Perdão, Compaixão e Paz concederiam felicidade. Tanto na vida mundana quanto na espiritual, o Senhor concedeu alguns de Seus poderes ao homem. Portanto, ele deve entreter o perdão, a compaixão e a paz em suas atividades mundanas. O Senhor não possui nem grandeza nem pequenez. Ele é inteiramente dependente de Seus devotos. Sua grandeza ou pequenez é percebida pelas pessoas, observando o comportamento de Seus devotos. Portanto, os devotos devem expressar perdão em seu comportamento, tanto na vida mundana quanto na espiritual. Mesmo um pingo de perdão daria intenso deleite tanto à vida mundana quanto à espiritual. Portanto, atos constantes de perdão resultaria em satisfação, deleite e glória em ambos os caminhos. Essas virtudes também dariam um impulso ao Caminho do Conhecimento. A exibição de perdão, compaixão e paz no comportamento dos devotos inspiraria as pessoas a adorar o Senhor com devoção reverente. Portanto, um buscador do Caminho do Conhecimento deve desenvolver essas virtudes”. Bhausaheb Maharaj. 

“A meditação deve ser realizada, pelo menos uma hora pela manhã e uma hora à noite. Nossa determinação deve ser firme ­ inabalável. O processo adequado a ser adotado deve consistir em uma postura firme, olhar fixo na ponta ou no topo do nariz, repetição mental do Nome junto com a respiração. Por último, a meditação deve ser realizada com amor sincero e alegria. Tal meditação, remove as dificuldades e caprichos mentais, aumentaria nossa devoção e, pela graça do Senhor, nos permite alcançar Sua realização e bem-aventurança. Uma hora de manhã e uma hora à noite sem falta. Isso eliminará todas as impressões impuras recebidas por nossa mente nos assuntos mundanos em que estamos envolvidos durante as onze horas anteriores. Então começaremos a perceber nossas deficiências e aprenderemos a discriminar entre o essencial e o não essencial. Nosso ardor pela meditação crescerá e começaremos a amar a Deus e Seu Nome. Esse amor então aumentará gradualmente e finalmente culminará em “Devoção de Amizade” com e de "Autoentrega" ao Senhor. O buscador, depois disso, lança todo o seu fardo sobre Ele. Uma tão absoluta autoentrega atrai a graça do Senhor e capacita o buscador a desfrutar da bem-aventurança. Esses são os estágios ascendentes da devoção, para os quais a fé firme é o principal requisito. Se assim fizermos a meditação da alma duas vezes, todos os impulsos mentais desaparecerão automaticamente. E logo começaremos a perceber que nosso mestre interno é atraído para nós por sua própria vontade”. Bhausaheb Maharaj. 

“Se a aprendizagem não for apoiada pela Auto-Realização, a pessoa se tornará uma presa do egoísmo. Mas se for baseado na Auto-Realização, se tiver o respaldo da Auto-Realização, preencherá todos os quadrantes com a retumbante glória da devoção a Deus. Nada além da Auto-Realização pode conferir esse poder ao aprendizado. Recentemente, encontrei vários santos, mas não encontrei sequer um que saiba, como você sabe, o que realmente significa a Auto-Realização. Portanto, muito poucos conhecem a real grandeza da Auto-Realização e, consequentemente, a real grandeza do Seu Eu Sagrado”. Bhausaheb Maharaj.

“Aqueles que se conscientizam de seus vícios e se arrependem sinceramente de seus erros passados são purificados por meio de seu arrependimento sincero. E então, aos poucos, adquirem bons sentimentos, pensamentos e ações. Assim é a purificação interna através do arrependimento: ‘Eu sou um pecador; Eu sou uma pessoa má, vil! Na minha infância e juventude, cometi más ações por ignorância. Por isso, misericórdia de mim, ó Senhor! Me perdoe!’ Se uma pessoa nutrir tais sentimentos e for abrasada por intenso arrependimento, seu coração será automaticamente purificado. E aquele cujo coração está purificado não precisa de palavras de conselho. Ele deve esquecer seus pecados passados e não deve mais se preocupar com eles. Ele deve, a partir de então, continuar meditando no Nome Divino. Em nossa vida mundana, o perdão desempenha um papel importante. É nosso dever sagrado perdoar as faltas dos outros e fazê-los felizes. Isso eliminará nosso egoísmo e desenvolverá nossa caridade, que é muito útil na vida espiritual para seu progresso. Mesmo um pouco de prática desta virtude traria felicidade a todos”. - Bhausaheb Maharaj. 

sexta-feira, 5 de março de 2021

"a importância da prática constante"... Controle a mente e o Inferno será Paraíso (Ramana Maharshi)

Interessante excerto do livro "Crumbs From His Table”, de Ramana Maharshi, publicado por

 

“Controle a mente e até mesmo o Inferno será Paraíso pra você. Todo o resto que se fala de solidão, viver na floresta, etc, é mero papo furado”.
SRI RAMANA MAHARSHI

Para atingirmos alguma possibilidade de ver a verdade e/ou atingir a iluminação, e até lá, nossa obrigação é com a prática. Quantas vezes teremos que ouvir isso?

Aqui está o grande sábio indiano Sri Ramana Maharshi (1879-1950) para nos lembrar mais uma vez. Num pequeno livro de 56 páginas lançado originalmente em 1936, intitulado “Crumbs From His Table”, Sri Ramana aparece respondendo questões de um discípulo, duas delas transcritas e traduzidas abaixo pelo Dharmalog.


A mensagem dele — de que nossa obrigação é com a nossa própria prática — não só serve à pessoa que lhe perguntou há quase um século, num pequena cidade do sul da Índia, mas também serve a nós, que não temos colinas de montanhas isoladas para nos aquietarmos. “Sua obrigação está na prática“.


 

Eis o texto abaixo (o livro completo, em inglês, está neste link.)


SOLIDÃO É UM ESTADO DE CONSCIÊNCIA

 
Pergunta: Quando passei uma ou duas horas na colina, algumas vezes encontrei uma paz melhor do que aqui (no Ashram), o que me faz pensar que um lugar solitário é mais condutivo para o controle da mente.


SRI RAMANA MAHARSHI: Verdade, mas se você tivesse ficado lá por mais uma hora, você teria visto que aquele lugar também não lhe deu a calma que você fala. Controle a mente e até mesmo o Inferno será Paraíso pra você. Todo o resto que se fala de solidão, viver na floresta, etc, é mero papo furado.


Pergunta: Se a solidão e o abandono da casa não fossem necessários, onde então estava a necessidade para Sri Bhagavan vir aqui (na montanha Arunachala para meditar em solidão) quando tinha 17 anos?


SRI RAMANA MAHARSHI: Se a mesma força que pegou isso aqui (referindo-se a si mesmo) também lhe tirasse da sua casa, então de todas as maneiras, você deixe isso acontecer, mas é inútil abandonar sua casa como um esforço seu, particular... Sua obrigação está na pratica, na prática contínua de auto-investigação.”

(do livro “Crumbs from His Table“, 1936)


dharmalog

segunda-feira, 20 de abril de 2020

filme Poder Além da Vida (O Caminho do Guerreiro Pacífico)


O Caminho do Guerreiro Pacífico” é uma excelente leitura, baseada em fatos reais
Além disso, o livro ganhou em 2006 sua versão cinematográfica (link para assistir, no final), conhecida no Brasil com o nome Poder Além da Vida (há uma versão também em pdf disponível na internet caso prefira e-book).  

A obra escrita por Dan Millman (norte-americano que já publicou 13 livros em estilo auto-ajuda) é quase uma autobiografia (já que o autor admite que algumas passagens são ficcionais). 

Assim, o protagonista descreve sua vida desde que era um jovem ginasta que se preparava para as Olimpíadas, passando pelo encontro com seu inusitado e misterioso orientador “espiritual” (o qual aos poucos transmite seus ensinamentos). Nos conteúdos práticos e filosóficos que vai recebendo, se observa muito das filosofias orientais e, em especial, da filosofia budista.

A obra é inspiradora e já foi traduzida em vinte idiomas. Seu enredo apresenta um protagonista que, apesar de muito jovem, já era atleta de sucesso, tanto nos Estados Unidos, como no exterior. 
Apesar do sucesso nos esportes e na escola, Millman sentia que faltava algo em sua vida. Despertado certa madrugada por um pesadelo, ele vai até um posto de gasolina, onde encontra um velho que ele mesmo apelida de “Sócrates”. A partir de então, o protagonista inicia sua odisseia espiritual rumo ao confronto consigo mesmo (identificado como seu verdadeiro e maior inimigo). Aprendemos rapidamente que o maior obstáculo para nosso progresso somos nós próprios e que o autoconhecimento é fundamental para nossa autorrealização íntima.

A obra e o respectivo filme, de forma leve e bem-humorada, nos auxiliam a entender a aplicação de conceitos filosóficos profundos,  bem como a compreender melhor o papel dos desafios em nossas vidas.

Com clareza e simplicidade, importantes temas são pincelados: a iluminação espiritual, o propósito da vida, o medo da morte e do fracasso, a ansiedade, a importância do autocontrole e da disciplina, a impermanência e os paradoxos da vida humana


Evidentemente, o filme não é tão detalhado quanto a obra escrita. Além disso, o livro apresenta alguns desfechos distintos em várias passagens, quando comparados ao filme. O certo é que vale a pena ver o filme, tanto quanto ler o livro. 






 🔺Ficha técnica:🔻