O que significa quando a filosofia oriental afirma categoricamente "Você Não Está Separado"?
Sofremos de uma alucinação, sofremos de uma sensação falsa e distorcida de nossa
própria existência como organismos vivos independentes de todo o resto do mundo... a maioria de nós tem a sensação de que "eu mesmo" é um centro separado de sentimento e ação.
Construiu-se em nós essa crença tão bizarra de que “viemos a este mundo” e que vivemos temporariamente em um saco de pele. Cremos que nosso ego é um tipo de observador isolado e
independente - para quem o resto do mundo é absolutamente externo e “outro”.
Isto é totalmente falso. Nem a neurologia, nem a
biologia, nem a sociologia podem concordar com isso. Essa sensação
predominante de si mesmo como um ego separado é uma alucinação que não está de acordo com a ciência ocidental, nem com a filosofia oriental.
Como essa farsa começa?
Alan Wilson Watts (1915 - 1973) foi um filósofo britânico, escritor, palestrante e um dos pioneiros na divulgação da sabedoria oriental ao ocidente.
Baseando-se em uma grande variedade de tradições (como a filosofia chinesa, o hinduísmo, o budismo, o taoísmo e a ciência moderna) Watts sintetiza os principais ensinamentos que permitem o indivíduo a encontrar-se com sua profunda natureza.
Com grande lucidez de pensamento e simplicidade na linguagem, Watts apresenta respostas ao mal-entendido fundamental, o mistério central da existência, a realidade sobre quem somos nós.
Como um grande intérprete das disciplinas orientais, Watts difundiu que nossa concepção sobre nós mesmos é um mito; sendo as entidades que chamamos de “coisas separadas” meramente aspectos ou características de uma mesma unidade.
“Como a onda está para o oceano, o indivíduo está para o
universo......ou seja: Eu não existo, nem há outro, nem você, nem esses, não há mente, nem sentidos.
Só há um, a consciência pura. A consciência que é a base e o
substrato de todas as noções: Brahman”.
- Yoga Vasistha.
"O
mundano e o sagrado são um e o mesmo... Faça uma falsa divisão de um
processo em dois, esqueça que o fez, e depois passe séculos tentando
resolver este
enigma sobre como os dois podem se unir".
Alan Watts.
Trechos dos livros “The Book” e “The Spirit of Zen”
“Assim
como o verdadeiro humor é rir de si mesmo, a verdadeira humanidade é o
conhecimento de si mesmo. Outras criaturas podem amar e rir, falar e
pensar, mas parece ser a peculiaridade especial dos seres humanos que
eles refletem: eles pensam sobre o pensamento e sabem que sabem. Isso,
como outros sistemas de feedback, pode levar a círculos viciosos e
confusões se gerenciado de forma inadequada, mas a autoconsciência torna
a experiência humana ressonante.
Ele transmite esse "eco" simultâneo a tudo o que pensamos e sentimos,
como a caixa de um violino reverbera com o som das cordas. Dá
profundidade e volume ao que de outra forma seria raso e plano. O
autoconhecimento leva à admiração, e a admiração à curiosidade e à
investigação, de modo que nada interessa mais às pessoas do que as
pessoas, mesmo que apenas a própria pessoa.
Todo indivíduo inteligente quer saber o que o motiva, mas ao mesmo tempo
fica fascinado e frustrado pelo fato de que a si mesmo é a coisa mais
difícil de se conhecer.
Pois o organismo humano é, aparentemente, o mais complexo de todos os
organismos, e embora se tenha a vantagem de conhecer seu próprio
organismo tão intimamente de dentro há também a desvantagem de estar
tão perto dele que nunca se pode chegar a conhecê-lo.
Nisso. Nada escapa tanto à inspeção consciente quanto a própria
consciência. É por isso que a raiz da consciência tem sido chamada,
paradoxalmente, de inconsciente”.
Alan Watts.
“O
primeiro resultado dessa ilusão é que nossa atitude para com o mundo
‘fora’ de nós é amplamente hostil. Estamos sempre "conquistando" a
natureza, o espaço, as montanhas, os desertos, as bactérias e os
insetos, em vez de aprender a cooperar com eles em uma ordem harmoniosa.
‘Quem não luta não tem identidade; quem não é egoísta não tem eu’.
A atitude hostil de conquistar a natureza ignora a interdependência
básica de todas as coisas e eventos - que o mundo além da pele é na
verdade uma extensão de nossos próprios corpos - e terminará destruindo o
próprio ambiente do qual emergimos e do qual toda a nossa vida
depende”.
Alan Watts.
“Veja, sair de sua mente pelo menos uma vez por dia é tremendamente
importante, porque ao sair de sua mente você volta aos seus sentidos. E
se você ficar em sua mente o tempo todo, você é mais racional. Em outras
palavras, você é como uma ponte muito rígida que, por não se permitir,
sem loucuras, será derrubada no primeiro furacão”.
Alan Watts.
“Quando
somos crianças, somos enganados pelo sentimento do ego através das
atitudes, palavras e ações da sociedade que nos cerca - nossos pais,
parentes, professores e, acima de tudo, nossos colegas igualmente
enganados.
Outras
pessoas nos ensinam quem somos. Suas atitudes para conosco são o espelho
no qual aprendemos a nos ver, mas o espelho é distorcido.
Todos
fazem todo o possível para nos confirmar a ilusão da separação, para nos
ajudar a ser falsos genuínos, que é precisamente o que significa “ser
uma pessoa real”. Pois a pessoa, do latim persona, era originalmente a
máscara com boca de megafone usada pelos atores nos teatros ao ar livre
da antiga Grécia e Roma, a máscara através (per) pela qual o som (sonus)
vinha.
Como a
pessoa é amplamente definida como separada, em um universo irracional e
desconhecido, sua principal tarefa é obter uma vantagem sobre o universo
e conquistar a natureza.
Assim
enganado, o indivíduo - em vez de cumprir sua função única no mundo -
fica exausto e frustrado nos esforços para atingir objetivos
autocontraditórios.
Em uma
avaliação exagerada sobre a identidade separada, o ego pessoal está
serrando o galho em que ele está sentado, e depois ficando cada vez mais
ansioso com a colisão iminente!”.
- Alan Watts.
extraído da obra “O Poder do Agora”- Eckhart Tolle
Às vezes levamos um choque ao descobrir uma faceta detestável em
alguém que pensávamos conhecer bem. Entretanto, é mais importante
observar essa situação em nós mesmos do que nos outros. Preste atenção a
qualquer sinal de infelicidade em você, qualquer que seja a forma, pois
talvez seja o despertar do sofrimento. Ele pode se manifestar como uma
irritação, um sinal de impaciência, um ar sombrio, um desejo de ferir,
sentimentos de raiva, ira, depressão ou uma necessidade de criar algum
tipo de problema em seus relacionamentos. Agarre o sinal no momento em
que ele despertar de seu estado inativo.
O sofrimento deseja
sobreviver, mas, para isso, precisa conseguir que nos identifiquemos
inconscientemente com ele. Portanto, quando o sofrimento toma conta de
nós, cria uma situação em nossas vidas que reflete a própria frequência
de energia da qual ele se alimenta. Sofrimento só se alimenta de
sofrimento. Não se consegue alimentar de alegria. Acha-a
indigesta.Quando o sofrimento nos domina, faz com que desejemos ter mais
sofrimento. Passamos a ser vítimas ou perpetradores. Queremos infligir
sofrimento, ou senti-lo, ou ambos. Na verdade, não há muita diferença
entre os dois.
É claro que não temos consciência disso e
afirmamos que não queremos sofrer. Mas, preste bem atenção e verá que o
seu pensamento e o seu comportamento estão programados para continuar
com o sofrimento, tanto para você quanto para os outros. Se você
estivesse consciente disso, o padrão iria se desfazer, porque desejar
mais sofrimento é uma insanidade, e ninguém é insano conscientemente.
O
sofrimento, a sombra escura projetada pelo ego, tem medo da luz da
nossa consciência. Teme ser descoberto. Sobrevive graças à nossa
identificação inconsciente com ele, assim como do medo inconsciente de
enfrentarmos o sofrimento que vive dentro de nós. Mas se não o
enfrentarmos, se não direcionarmos a luz da nossa consciência sobre o
sofrimento, seremos forçados a revivê-lo. O sofrimento pode nos parecer
um monstro perigoso, mas eu lhe garanto que se trata de um fantasma
frágil. Ele não pode prevalecer sobre o poder da nossa presença.
Nenhum
de nós é capaz de amar incondicionalmente. Antes de se incomodar, pense
comigo: Se o amor é absoluto, eu não sou e, ainda que meu sentimento
seja nobre, refletirá apenas minha própria fragmentação. Nada que sai de
mim pode ser absoluto porque sou movimento. Não ocupo todos os espaços.
Em mim há sombras, contextos, variações, ambivalências. Para amar
preciso conhecer, no mínimo ter um objeto de amor; eis uma condição! Sou
o ponto de partida do mEU amor: mEU filho, mEU cônjuge, mEU país, mEU
pai. Se não fossem mEUs, amaria? Tudo o que amo me revela. Se eu não
tiver pudores para ver, enxergarei.