Atenção à percepção, a cada momento!
Numa
fria noite de inverno, voltei para casa depois de caminhar pelas
colinas e descobri que todas as portas e janelas da minha ermida haviam
sido escancaradas pelo vento. Quando saí, eu não as havia trancado. Um
vento gelado soprara pela casa, abrira as janelas e espalhara os papéis
da minha escrivaninha por toda a sala. Eu imediatamente fechei as portas
e janelas, acendi a luz, recolhi os papéis e os arrumei com cuidado
sobre a escrivaninha. Depois acendi a lareira e logo as achas
crepitavam, trazendo o calor de volta ao aposento.
As
vezes, no meio de uma multidão, nós nos sentimos cansados, desanimados e
solitários. Podemos ter vontade de nos retirar dali para que sozinhos
possamos nos reaquecer, como eu fiz fechando as janelas e me sentando
diante da lareira, protegido do vento frio e úmido. Nossos sentidos são
nossas janelas para o mundo, e às vezes o vento passa por elas e
perturba tudo que há em nosso íntimo.
Alguns de nós mantêm as
janelas abertas o tempo todo, permitindo que os sons e os suspiros do
mundo nos invadam, nos penetrem e exponham nossos eus tristes e
perturbados. É que sentimos frio, medo e solidão. Você alguma vez já se
flagrou assistindo a um programa horrível na televisão, sem conseguir
desligar o aparelho? Os ruídos estridentes e as explosões dos tiros o
transtornam. Mesmo assim, você não se levanta para desligar a televisão.
Por que se torturar dessa forma? Você não quer fechar suas janelas? Tem
medo da solidão do vazio e do isolamento que pode encontrar quando
olhar para si mesmo sozinho?