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segunda-feira, 27 de abril de 2020

Para encontrar a paz - "Tudo depende de teus passos" Thich Nhat Hanh

O seguinte texto de autoria do monge zen Thich Nhat Hanh estava pregado essa semana (agosto/2016) num mosteiro budista na Espanha, onde estava sendo realizado um retiro de meditação.

Um dos participantes e amigo pessoal publicou na Internet o original em espanhol junto da foto da folha que foi pregada no mosteiro (abaixo), e me permitiu compartilhar aqui. 

É um pequeno grande lembrete sobre a presença e a apreciação da paz no momento presente, na autoria do passo de cada um. 
Ao ver a foto pela primeira vez, e ler a mensagem naquela foto, tirada no mosteiro, por alguns segundos imaginei a foto e me senti momentaneamente lá, no alto, no ermo e no verde, em silêncio, quase podia ver os monges desacelerando o tempo com seus passos calmos, e descansei na imagem.
 
Eis a foto e a mensagem (a tradução segue logo abaixo):
 Crédito: Reginaldo Menezes (agosto de 2016).
A semente da plena consciência se encontra em cada um de nós, mas nos esquecemos de regá-la. Acreditamos que só seremos felizes no futuro, quando conseguirmos uma casa, um carro ou um doutorado. Mantemos uma luta em nossa mente e em nosso corpo e não sentimos a paz e a alegria que temos ao nosso alcance neste preciso instante: o céu azul, as folhas verdes e os olhos de nosso ser querido.
O que é mais importante? São muitas as pessoas que passam em provas e compram casas e carros, mas seguem sendo infelizes. O mais importante é encontrar a paz e dividi-la com os demais. E para encontrá-la, podemos começar a caminhar com calma. Tudo depende de teus passos".
— Thich Nhat Hanh, em "O Longo Caminho Leva à Alegria: Um Guia para a Meditação Andando"

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

solidão: uma doença?

"A solidão é a doença do nosso tempo"
Thich Nhat Hanh

Para uns, a evitação do estar sozinho pode se manifestar ao ligar a tevê. Assim, ela fica falando sozinha e nos “dá a impressão de ter alguém em casa”. 
Para outros, é a necessidade de programar um encontro no fim-de-semana, para evitar que se fique sozinho em casa no sábado ou domingo, ou ainda qualquer evento esportivo ou cultural “porque se não ficaria em casa sem fazer nada”...
Para outros ainda, talvez se manifeste ao acessar o celular ininterruptamente, evitando assim o silêncio ou o vazio (assista Louis C.K. falando disso), ou mesmo buscar numa relação conjugal o preenchimento do desconforto de estar sozinho. 
Há várias maneiras de sentir e evitar, das menores às maiores, e talvez a mais moderna de todas seja estar ocupado — “estamos ocupados e ficamos ocupados o dia todo para nos conectarmos, mas isso não ajuda, não reduz a quantidade de solidão em nós”, diz Thich Nhat Hanh.

Leia mais sobre esse tema acessando:
http://oficina-de-filosofia.blogspot.com.br/2013/10/a-capacidade-de-ficar-so-e-capacidade.html





sábado, 26 de outubro de 2013

que alimento estamos servindo à nossa alma?

Atenção à percepção, a cada momento!


Numa fria noite de inverno, voltei para casa depois de caminhar pelas colinas e descobri que todas as portas e janelas da minha ermida haviam sido escancaradas pelo vento. Quando saí, eu não as havia trancado. Um vento gelado soprara pela casa, abrira as janelas e espalhara os papéis da minha escrivaninha por toda a sala. Eu imediatamente fechei as portas e janelas, acendi a luz, recolhi os papéis e os arrumei com cuidado sobre a escrivaninha. Depois acendi a lareira e logo as achas crepitavam, trazendo o calor de volta ao aposento.
As vezes, no meio de uma multidão, nós nos sentimos cansados, desanimados e solitários. Podemos ter vontade de nos retirar dali para que sozinhos possamos nos reaquecer, como eu fiz fechando as janelas e me sentando diante da lareira, protegido do vento frio e úmido. Nossos sentidos são nossas janelas para o mundo, e às vezes o vento passa por elas e perturba tudo que há em nosso íntimo.
Alguns de nós mantêm as janelas abertas o tempo todo, permitindo que os sons e os suspiros do mundo nos invadam, nos penetrem e exponham nossos eus tristes e perturbados. É que sentimos frio, medo e solidão. Você alguma vez já se flagrou assistindo a um programa horrível na televisão, sem conseguir desligar o aparelho? Os ruídos estridentes e as explosões dos tiros o transtornam. Mesmo assim, você não se levanta para desligar a televisão. Por que se torturar dessa forma? Você não quer fechar suas janelas? Tem medo da solidão do vazio e do isolamento que pode encontrar quando olhar para si mesmo sozinho?

terça-feira, 22 de outubro de 2013

a capacidade de ficar só e a capacidade de amar

Nesse trecho o psicólogo, sociólogo e filósofo alemão Erich Seligmann Fromm (1900-1980) parece estar falando de algo parecido com a meditação: “o exercício de sentar-se em posição repousada, fechar os olhos e tentar ver em frente deles uma tela branca, tentar remover os pensamentos e imagens, acompanhar a própria respiração". 

A concentração pode ser um aliado na meditação, já que a mente do homem ocidental parece estar cada vez mais errática e dispersa, mas não há um real medicamento para evitar a solidão, a não ser enfrentá-la . 

Fromm fala em “ficar só sem ler, sem ouvir rádio, sem fumar, sem beber”, e a gente pode adicionar “sem TV, sem Internet, sem celular, sem cachorro, sem gato” etc. Isso caso quisermos sermos capazes de amar.

Abaixo, segue o trecho da obra:

“A concentração é bem mais difícil de praticar em nossa cultura, em que tudo parece agir contra a capacidade de concentrar-se. 

O passo mais importante no aprendizado da concentração é aprender a ficar só consigo mesmo, sem ler, sem ouvir rádio, sem fumar, sem beber. Na verdade, ser capaz de concentrar-se significa ser capaz de ficar só consigo mesmo — e esta capacidade é precisamente uma condição da capacidade de amar. 

Se me ligo a outra pessoa porque não posso suster-me por meus próprios pés, ele ou ela podem ser um salva-vidas, mas a relação não é a de amor. Paradoxalmente, a capacidade de ficar só é a condição da capacidade de amar. 

Quem quer que tente ficar só consigo mesmo descobrirá quão difícil isso é. Começará a sentir-se inquieto, nervoso, ou mesmo a experimentar considerável ansiedade. Estará disposto a racionalizar sua má vontade em continuar com essa prática pensando que ela não tem valor, é simplesmente tola, toma muito tempo, e assim por diante. Observará também que lhe vêm à mente todas as espécies de pensamento, que tomam conta dele. Ver-se-á a pensar em seus planos para o resto do dia, ou numa dificuldade no trabalho que tem a fazer, ou aonde ir à noite, ou em qualquer número de coisas que lhe encherão a mente — em lugar de permitir que ela se esvazie. 

Seria útil praticar uns poucos e muito simples exercícios como, por exemplo, sentar-se em posição repousada (nem espreguiçada, nem rígida), fechar os olhos e tentar ver em frente deles uma tela branca, tentar remover todos os pensamentos e imagens que interferem, tentar acompanhar a própria respiração; não pensar a respeito dela, nem forçá-la, mas simplesmente acompanhá-la — e, ao fazê-lo, senti-la; tentar, além do mais, ter o senso do seu “Eu”; 
eu = mim mesmo, como o centro de minhas forças, como o criador de meu mundo. 

Dever-se- ia, pelo menos, fazer esse exercício de concentração todas as manhãs durante vinte minutos (se possível, mais) e todas as noites antes de deitar-se. ”.

~ Erich Fromm (“A Arte de Amar”, pág. 84)






FONTE:
http://dharmalog.com/2013/10/21/paradoxalmente-capacidade-ficar-so-condic%CC%A7a%CC%83o-capacidade-amar-erich-fromm-classico-arte-amar/