sofismas e falácias: conceito e exemplos
observação importante: este texto foi elaborado com base nos artigos filosóficos de autoria de Flora Silva, Sérgio Biagi Gregório e Fredric M. Litto, cujas referências bibliográficas seguem no final.
Retórica:
convencer ou persuadir?
Uma breve introdução
Evidentemente, não precisamos ser especialistas em lógica
para argumentar.
Fazemos isso em nosso dia a dia quase que sem perceber. Mas
é óbvio que conhecer um pouco algumas regras, torna mais fácil a tarefa de
avaliar e identificar argumentos válidos e inválidos. Grande parte dos
discursos está assentada sobre base argumentativa.
Perelman acha importante distinguir o ato de convencer do
ato de persuadir. Enquanto o ato de convencer se dirige unicamente à
razão, o ato de persuadir, visa atingir a vontade e o sentimento do
interlocutor. No primeiro, os únicos recursos são o raciocínio lógico e as
provas objetivas, aplicáveis a qualquer “auditório”. Seu caráter é, pois, estritamente
demonstrativo e atemporal (como num raciocínio matemático). Na persuasão, há liberdade para o uso de argumentos
verossímeis e seu caráter é mais ideológico, subjetivo e temporal.
O primeiro conduziria a certezas, enquanto o segundo deveria
ser capaz de levar o auditório à adesão aos argumentos apresentados.
Bom,
independente dessa questão terminológica, o fato é que a “arte de bem falar” e
de mostrar eloquência diante de um grupo de pessoas tem sido objeto de
interesse do homem há milênios.
O caráter
argumentativo da fala humana está presente desde a infância e nas questões mais
corriqueiras.
Os pais argumentam com a criança e esta argumenta com seus pais,
com todas as ferramentas de que dispõe. O namorado argumenta com a namorada, os
amigos entre si, o professor com seus alunos, o político com seus futuros
eleitores e assim sucessivamente.
A retórica está intimamente ligada à
argumentação. Retórica é bem mais que um simples conjunto de regras de
oratória. No mundo grego, a oratória tornou-se uma necessidade fundamental do
cidadão, que deveria defender suas ideias perante as assembleias. Aos poucos,
começaram a surgir os profissionais da retórica – os primeiros advogados.