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sexta-feira, 22 de abril de 2022

Por que celebrar o Dia da Terra?

Hoje é o Dia da Terra

mas, para quê afinal precisamos de um dia especial como esse?
 
bom sinal não é.

 
O Dia da Terra tem o fim de estimular o surgimento de uma consciência política e social quanto aos problemas que nosso planeta enfrenta: descontrolada poluição do ar, da água e do solo, destruição acelerada da biodiversidade, superaquecimento do planeta, dentre outros. 
 
A data foi criada nos Estados Unidos pelo senador norte-americano Gaylord Nelson. Naquela ocasião, ocorreu um fórum ambiental que reuniu 20 milhões de pessoas, organizado para protestar contra a poluição. Tal evento foi importante para a aprovação de leis ambientais pioneiras sobre emissão de gases nocivos e proteção de espécies ameaçadas.
 
Em 2022, no entanto, a situação não é nada boa. Os alertas de que as nações não estão fazendo a sua parte e que o prazo para que as mudanças climáticas estão chegando ao seu ponto irreversível está se esgotando.
 
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU divulgou que a última década registrou o nível mais alto de gases de efeito estufa da história. Para que o aquecimento global fique dentro do limite estabelecido no Acordo de Paris (1,5 grau celsius), as emissões deveriam parar de aumentar antes de 2025, e cair 43% até 2030 (segundo o presidente da Comissão de Meio Ambiente, senador Jaques Wagner). 
 
 
Temos até 2030 para cortar emissões e limitar o aquecimento global. O relatório diz que, se não tomarmos atitude mais drástica, nós temos três anos apenas para ter ainda um ponto de retorno no processo de aquecimento global. 
 
 
As principais fontes de poluição apontadas pelo referido relatório foram os setores de energia, indústria, agricultura e o desmatamento, que no Brasil foi responsável por 46% do total de emissões. 
 
Medidas urgentes de reflorestamento e redução do uso de combustíveis fósseis, privilegiando fontes limpas como a biomassa, a eólica e a solar devem ser tomadas, antes que seja tarde demais.

sexta-feira, 5 de março de 2021

Nosso pálido ponto humano

Nosso pálido ponto humano

 

Flávio Siqueira


Olhe de novo para aquele ponto. Um corpo parado adiante. Essa é minha casa, isso sou eu. Nele, todos a quem amo, todos a quem conheço, qualquer um dos que escutei falar, cada ser humano que existiu, para mim, viveu sua vida aqui.
 
O agregado da alegria e do sofrimento, milhares de religiões autênticas, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e colheitador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor de civilização, cada rei e camponês, cada casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada mestre de ética, cada político corrupto, cada superestrela, cada líder supremo, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu aí, em mim, num grão de pó sob um raio de sol.
 
O corpo, um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, vieram eles ser amos momentâneos duma fração de corpos como esse.
 
As nossas exageradas atitudes, a nossa suposta autoimportância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são reptadas por este pontinho de luz frouxo, estendido diante do todo.
 
Somos como grãos solitários na grande e envolvente escuridão cósmica.
 
Nossos corpos são os únicos lares conhecidos, até hoje, que podem albergar o que chamamos de consciência humana.
Não há mais algum, pelo menos no próximo futuro, onde nossa espécie possa emigrar.
 
Não há, talvez, melhor demonstração das tolas e vãs soberbas humanas do que esta distante imagem do nosso miúdo mundo, nosso insignificante corpo, onde a vida acontece para nós. 
 
( Adaptação minha para o texto "Pálido Ponto Azul", de Carl Sagan)