terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O autoconhecimento e as metas para sua vida


Você conseguiu realizar todas suas metas para este ano? Quais são seus objetivos para 2018? O Bom Dia TOP recebeu o professor Silvio Motta, que falou sobre metas e a importância do autoconhecimento. Assista o vídeo aqui

o mais corajoso, o mais forte, o mais feliz...


realizando Deus...


“Para realizar Deus você tem que querê-Lo tanto quanto um homem se afogando quer ar”.
~ Paramahansa Yogananda (1893-1952), yogue indiano (Kryia Yoga)








“Encontre Deus. Esse é o único propósito da vida. Terá nascido em vão quem, tendo alcançado um nascimento humano, tão difícil de conseguir, não tente realizar Deus nesta vida.” 
~ Sri Ramakrishna (1836-1886), mestre yogue indiano, guru de Swami Vivekananda

a descartável ética de cada dia



Podemos viver em sociedade descartando a ética?


Olá! 
Hoje quero falar com vocês sobre ÉTICA!
Hoje em dia todo mundo fala em ética profissional, em ética na política, em ética nos relacionamentos, mas...

Você sabe mesmo o que é ética?

Ética quer dizer o conjunto de princípios que vão orientar nosso comportamento em grupo, em sociedade.
Ou seja, é a ética que nos mostra como é possível definir bons e maus comportamentos.
Isso vale para nossos relacionamentos familiares, profissionais. A ética serve para o patrão, serve para o empregado, serve para o cliente, enfim... ninguém escapa, desde que dotado de consciência e discernimento mental sobre o mundo em que vive.
Ética serve para o povo e serve para quem serve o povo, ou seja, para os políticos e demais funcionários públicos.
Numa sociedade democrática, não há ética sem respeito.
Também não haverá ética sem igualdade. Igualdade que não é entendida aqui no sentido cultural, já que todos somos "diversos" culturalmente falando.
A igualdade a qual nos referimos aqui é a igualdade jurídica, aquela que define os mesmos direitos e deveres para todos... para todos os detenham as possibilidades biológicas de desempenho e desenvolvimento.

E sem a ética? 

Sem ela, nossa sociedade seria caótica, já que cada um, independente do poder político, econômico ou da força física que detivesse, poderia fazer o que bem entendesse. Evidentemente, os mais fortes ou mais poderosos poderiam escravizar, abusar e explorar os mais fracos, sem qualquer consequência e a seu bel prazer.

Mas não é assim... não deve ser assim. Sabemos todos que uma ação boa gera boas consequências. A ação ruim vai gerar más consequências! É isso que nos ensina a Ética, e depois a lei.
É a ética que deveria nortear a criação das leis, mas nem sempre, ou quase nunca isso acontece.
É a ética que deve nortear a criação das políticas públicas, a criação e aplicação dos projetos políticos nas diferentes áreas vitais de uma sociedade, da Educação e da Saúde Pública até o Saneamento básico e a Segurança Pública... Mas quase nunca isso acontece.

Sem a ética, voltamos à Idade da Pedra, onde vale a vontade dos espertalhões. Aliás, tem dias que temos a impressão que ainda não saímos de lá...
Uma sociedade que se diz civilizada, valoriza a ética! Valoriza a ética nas mínimas ações do cotidiano.
Assim, quem valoriza a ética, valoriza sim seu bem estar, mas também e principalmente o da coletividade.

E como fazemos isso? 

Podemos começar dentro de casa, respeitando aqueles que estão mais próximos de nós.

Depois, respeitando quem encontramos pelo nosso caminho, não nos apossando daquilo que não nos pertence, respeitando os demais no trânsito, no supermercado e demais espaços públicos...

Respeitando o outro, como a gente gostaria de ser respeitado. É simples!

Não se constrói uma nação sem ética. 
Que tal começar fazendo a nossa parte?

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Caos versus Eros, na Educação

Não é preciso ser experto para constatar a falência do que chamam sistema educacional brasileiro.
As políticas educacionais têm se mostrado paupérrimas e obsoletas, nem adaptadas aos propósitos neoliberais, muito menos ainda comprometidas com algum projeto de transformação social.
Ao contrário, apesar dos discursos politicamente corretos e de dados estatísticos questionáveis, o que se vê é uma prática sistemática de desvalorização do profissional da educação, que já vem de muitos ontens. A ordem é desmoralizar... iniciando pela filosofia e terminando com o educador.
Mudanças pontuais aqui e ali, aliadas a uma remuneração ridícula e a péssimas condições de trabalho são a receita certa para o desastre. Estamos em rota de colisão com o caos... Assim, não importa que filosofia ou pedagogia seja adotada: todas fracassarão. E todos sabem disso, o que nos leva à questão seguinte: a quem e por que interessa o caos na educação?  
Cada um pode tirar suas próprias conclusões, considerando a necessidade de se manter a imensa massa mergulhada na 'inapetência ética' que caracteriza nossa época. O cidadão de segunda categoria não pode receber uma instrução escolar tão ruim que ele seja incapaz de obedecer a instruções relativamente complexas num ambiente cada vez mais 'tecnológico', nem tão qualificada a ponto de torná-lo um sujeito crítico,  apto a refletir e a exercer plenamente a cidadania. 
Filosoficamente falando, o pano de fundo é uma crise muito mais ampla que costumamos chamar de “crise de paradigma”. Há uma crise visível em todos os âmbitos: na religião, na ética, na política, no sistema financeiro e... na educação, é claro.
O que não é facilmente visível é a sua causa. É aí que entra a filosofia! Enquanto uns se ocupam com o visível, com o diagnóstico de sintomas (papel das ciências), a filosofia vai em busca da causa oculta, da raiz do fenômeno, busca pelos porquês. Se fracassamos na compreensão dos porquês, fracassamos no resto.
Todo bom educador tem que ser um pouco filósofo às vezes. Só assim ele continua vivo como professor, e escapa de tornar-se um funcionário burocrático. A transdisciplinaridade, apontada como solução para a crise, só representa solução quando se liga a uma ampla reforma do pensamento.
A inteligência que só é capaz de ver o mundo fragmentado é míope e, minando as possibilidades de reflexão, torna-se irresponsável, amoral e incapacitada de compreender o contexto em que vivemos hoje.
Mas, quem educará os educadores?
O filósofo francês Edgar Morin defende que “é necessário que se auto-eduquem”. Ninguém vai nos presentear a autonomia da alma, nem tampouco a capacidade de questionar e de mudar nossa própria realidade. Esqueçam!
Ora, o poder está diluído e circula por toda a rede de relações humanas, já alertou M. Foucault. Não está apenas na esfera política ou na esfera econômica. Pelo professor também circula um poder: o poder de educar é formidável, tem potencial para transformar mentes. Querem desacreditar o professor de sua alquimia, de seu poder magnífico.
Quem somos nós, professores?
Qual nosso papel?
Afinal, a quê viemos??
Vamos preferir passar o nosso tempo destilando nosso ódio e mágoa pelo sistema? Temos um projeto de mudança do nosso entorno? O que temos produzido? O que temos oferecido ao mundo?

Educação e Cidadania
O treinamento puramente técnico não é suficiente. O cidadão tem o direito de saber como funciona sua sociedade, a razão do procedimento técnico no qual ele está sendo instruído, de refletir sobre as implicações positivas e negativas da tecnologia, de conhecer seus direitos e deveres, conhecer sua história.
Todos merecemos uma compreensão de nós mesmos enquanto seres políticos, sociais, culturais. Como lembrou Morin, este é um dos papéis da transdisciplinaridade: “formar cidadãos capazes de enfrentar os problemas de seu tempo”.
O educando é um ser que está construindo sua identidade... e isto pressupõe liberdade, autonomia. Por isso, não é possível voltar à escola de 40 anos atrás.
Quem ainda nutre este sonho, precisa acordar logo. Não adianta dizer: ah! No meu tempo a escola era boa... Não era! E também não adianta dizer que melhorou: mentira! Piorou, e muito!
A auto-educação docente é a chave.
É necessário e fundamental que a filosofia volte a dialogar com as ciências particulares e estas, com a filosofia.

Por fim, é indispensável pensar que o educador precisa ser "possuído" por eros: deve transpirar amor à ciência que ensina e amor à pessoa para quem ensina!
O amor ainda é a única forma de escaparmos da armadilha de sempre pensarmos "o outro como mero objeto para atingirmos um fim", ou ainda, apenas como fonte de conflito, como gostava de ressaltar Sartre.

Urge que nos auto-superemos, transcendendo nossa própria condição atual de mera engrenagem de um sistema que mostra todos os sinais de fadiga e corrosão.

Silvio Motta Maximino -
Professor de Filosofia da Educação e Antropologia

Texto publicado no dia 04/01/2009  no caderno JC Cultura, do Jornal da Cidade (Bauru)
(revisado em julho/2011)