Todos
temos nossas verdades. A minha não é perfeita. Como seria se perfeito
sei que não sou? A sua também não é, pelos mesmos incontestáveis
motivos. Sendo assim, por que não assumimos que, tanto a minha, quanto a
sua verdade, por mais que se fundamentem em "absolutos", são visões
parciais e, nelas, além de imprecisões, há também oportunidades para que
cresçamos uns com os outros? Nossas verdades refletem apenas o ponto
onde estamos e nada além. Não te parece mais razoável assim?
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Filosofia: Transformando dor em perguntas
FILOSOFIA:
TRANSFORMANDO DOR em PERGUNTAS
QUEM
SOU? QUEM QUERO SER? QUANTO VALE COMO
OS
OUTROS ME VEEM?
COMO
LIDAR COMIGO? COMO LIDAR COM O OUTRO?
QUEM QUERO SER?
QUERO FAZER ALGUMA
DIFERENÇA NO MUNDO?
A luta sem fim do índígena brasileiro
A luta pela demarcação das terras indígenas
Deputado distrital quer incluir o Abril Indígena no calendário oficial de Brasília para que a capital do país seja também um espaço de encontro e reencontro de todos os povos, com especial atenção para os índios| por Chico Leite | 08/05/2017 |
“Já que diversos povos vêm sendo atacados,
Sem vir a ver a terra demarcada,
A começar pela primeira do Brasil
Que o Branco invadiu já na chegada:
A do Tupinambé -
Demarcação já!
Demarcação já!…”
- Carlos Renó e Chico César
Há duas semanas Brasília recebeu, como parte do evento Abril Indígena, o Acampamento Terra Livre, que reuniu em torno de 3 mil índios de todo o país. Essas populações originárias, fruto da imensa diversidade brasileira, devem ser celebradas como parte deste Brasil profundo que teima em se manter vivo apesar de tantos genocídios e processos de colonização, que devastaram milhões.
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| Indígenas de várias partes do país se reuniram em Brasília no final de abril para protestar contra a retirada de direitos |
O ambientalista Tasso Azevedo traduz nosso sentimento:
“Em 1612, o missionário Claude D’Abbeville descreveu como os Tupinambás relacionavam as marés às fases da lua, fenômeno que só foi explicado por Isaac Newton em 1687. No Rio Negro, os Baniwa há anos registram as alterações climáticas que estão percebendo ao seu entorno com um nível de detalhes que deixaria de queixo caído os cientistas do IPCC. As imensas malocas dos Kayapó são uma aula de arquitetura e engenharia, e as intricadas armadilhas de pesca feitas de cascas e galhos pelo Enawenê-nawê, em Rondônia, ou pelos Kaigang, no Paraná, são uma obra de arte. Estes povos são a maioria viva de quase 10 mil anos de história vinculada ao território brasileiro, esse é o nosso grande tesouro. ” [i]
Atualmente, assim como ocorreu ao longo de toda a nossa história, várias populações sofrem pressões, agressões e opressões daqueles que querem depredar e explorar a qualquer custo, inclusive ilegalmente, as terras dos índios. A exemplo, o processo de ocupação territorial crônico vivido pelos Guarani-Kaiowa, no Mato Grosso do Sul, que desde a década de 1920 agonizam na luta pela demarcação de suas terras. Situação similar é vivida pelo povo Munduruku, no Pará. Por parte do poder público, várias iniciativas alicerçadas no modelo de desenvolvimento insustentável adotado causam grandes impactos nas populações indígenas, como os megaprojetos de construção das usinas hidrelétricas de Belo Monte, Tucuruí e Balbina, entre tantas outras já em operação ou em fase de implantação.
Diversos retrocessos constitucionais estão em curso. A exemplo da PEC 215/2000, que transfere para o Congresso Nacional a exclusividade de demarcação de terras indígenas; do Projeto de Lei 1.610/1996, que prevê a exploração de mineração nessas terras; do Projeto de Lei 1.216/2015, que regulamenta o art. 231 da Constituição Federal, dispondo sobre o procedimento de demarcação de terras e revogando o Decreto 1.775/1996 – restringindo, assim, vários direitos; e do Projeto de Lei 1.218/2015, determinando que sejam consideradas terras tradicionalmente ocupadas pelos índios apenas aquelas que foram demarcadas até cinco anos após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Para além dessas, outras iniciativas legislativas e executivas estão em curso, cujo resultado é a retirada de direitos dos povos indígenas.
A cura que começa por nós...
Ninguém
disse que seria fácil, há sombras no caminho e os tropeços tantas vezes
nos parecem invitáveis, há dias mais difíceis, cansaço, estreitamentos
inesperados, que no assustam, nos confundem, nos desviam.
Ser
humano é ser contraditório, é caminhar em busca de algo que se vincule
ao vazio de dentro e nos traga respostas, nos acolha, nos transcenda e
nos livre do medo.
Mas
o medo passa e não há choro que dure para sempre, nem culpa que nunca
se acabe, vazios que não sejam preenchidos, amores que jamais
correspondam, dores terminam, tristezas têm fim e o luto morre quando
finalmente entendemos que tudo se cura quando cura na gente.
Atordoados diante do fracasso
Atordoados diante do fracasso, esquecemos que não é o tempo de Deus
Ao longo das últimas décadas, "fomos às ruas clamando pelo fim da corrupção, pedindo eleições justas, combatendo o coronelismo, denunciando a tortura e lutando por justiça"| por Pedro Valls Feu Rosa | 07/05/2017 |
Contemplando nosso país, fico a pensar em quanta coisa defendemos, cada qual em sua trincheira, ao longo das últimas décadas! Fomos às ruas clamando pelo fim da corrupção, pedindo eleições justas, combatendo o coronelismo, denunciando a tortura e lutando por justiça. Praticamente imploramos por uma melhor infraestrutura e gritamos por socorro diante de índices intoleráveis de criminalidade.
Enquanto isso, envelhecemos. Passa a apertar-nos o coração a sensação de que não veremos a sociedade menos injusta ou o Brasil grande dos nossos sonhos. O desânimo bate à porta, mascarado de cansaço. É quando começamos a nos calar, contagiando as gerações mais novas, já desiludidas e carentes de esperança diante do gargalhar dos maus.
Atordoados diante do nosso aparente fracasso em melhorar este mundo, acabamos nos esquecendo de que o nosso tempo não é o de Deus, como bem o demonstrou Gandhi, do alto de sua sofrida luta para libertar o povo indiano: “quando me desespero, lembro-me de que em toda a História a verdade e o amor sempre venceram. Houveram tiranos e assassinos, e, por um tempo, pareciam invencíveis, mas, no final, sempre caíram. Os fortes só o são por um instante, como o sonho de uma tarde que dura apenas um momento. No final, são sempre destroçados. São como poeira ao vento. Pense nisso. Sempre”.
(...)
fonte:
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/atordoados-diante-do-fracasso-em-mudar-o-mundo-esquecemos-que-nao-e-o-tempo-de-deus/
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