Mostrando postagens com marcador morte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador morte. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de março de 2022

Alan Watts - Morra Antes de Morrer

É fato: Tudo que conhecemos neste mundo vai se dissolver, vai desaparecer até não deixar qualquer rastro. A transitoriedade de tudo que conhecemos é irrefutável... ninguém pode contestá-la...

O problema é que resistimos à ideia da impermanência, da transitoriedade, da morte, e, consequentemente, da dinâmica da própria vida. Como não queremos aceitar a transitoriedade de tudo que existe, consequentemente não aceitamos bem a ideia da morte. Como não compreendemos o sentido da vida, tampouco compreendemos a razão da transformação, das mudanças e da morte...

Importantíssimo refletir sobre a morte. Quando a compreendermos, passaremos a ter acesso a uma compreensão de uma dimensão mais profunda de nossas próprias existências neste "mundo que passa". Compreender o sentido da vida e da morte passa pelo entendimento do motivo pelo qual estamos aqui. Mas, primeiro de tudo, temos de compreender "quem somos nós". Se não sabemos quem ou o quê somos, de nada adiantaria tentar entender qualquer outra coisa.


 Abaixo segue o vídeo com citações de Alan Watts, mais uma excelente produção do canal Corvo Seco:


Citações e trechos do livro “The Essence of Alan Watts”. Alan Wilson Watts (1915 - 1973) foi um filósofo britânico, escritor, palestrante e um dos pioneiros na divulgação da sabedoria oriental ao ocidente. 

Baseando-se em uma grande variedade de tradições (como a filosofia chinesa, o hinduísmo, o budismo, o taoísmo e a ciência moderna) Watts sintetiza os principais ensinamentos que permitem o indivíduo a encontrar-se com sua profunda natureza. 

Com grande lucidez de pensamento e simplicidade na linguagem, Watts apresenta respostas ao mal-entendido fundamental, o mistério central da existência, a realidade sobre quem somos nós. 

Como um grande intérprete das disciplinas orientais, Watts difundiu que nossa concepção sobre nós mesmos é um mito; sendo as entidades que chamamos de “coisas separadas” meramente aspectos ou características de uma mesma unidade. 

 

 

“A religião quer garantir o futuro depois da morte, e a ciência quer garantir o futuro até a morte e adiar a morte. Mas 'amanhã' e 'planos para amanhã' não têm sentido nenhum a não ser que se esteja em pleno contato com a realidade do presente, já que é no presente e só no presente que se vive. Não existe realidade a não ser a realidade presente, de forma que, mesmo que vivêssemos por eras infinitas, viver para o futuro seria estar enganado eternamente”. - Alan Watts

“Acordar para quem você é requer desapego de quem você imagina ser”. Alan Watts. 

“Então... Não existe absolutamente nada de errado em estar doente ou morrendo. Quem disse que você precisa sobreviver? Quem te deu a ideia de que é necessário continuar sempre em frente? Nós não podemos dizer que é uma boa ideia que tudo sobreviva... porque se permitíssemos que todos vivessem para sempre, nós enfrentaríamos uma superpopulação. 

Então de alguma forma, morrer é um ato honrável, pois dá lugar a outros. Nós podemos observar mais detalhes sobre isso e perceber que se pudéssemos adiar nossa morte indefinidamente... Nós não continuaríamos a adiá-la para sempre. Porque depois de um certo ponto nós perceberíamos, que esta não é a forma na qual gostaríamos de sobreviver... 

Por qual outro motivo teríamos filhos? Porque as crianças nos permitem sobreviver de uma outra forma. Como se estivéssemos passando a tocha, para que você não tenha que carregá-la o tempo todo. Chega um momento em que você pode se entregar. E dizer: Agora é a sua vez! É um arranjo muito mais interessante para a Natureza... Continuar o processo da Vida, através de indivíduos diferentes, ao invés de ser sempre o mesmo indivíduo. Porque com cada novo indivíduo que ganha Vida, a Vida é renovada. 

E então, relembra o quão fascinante são as coisas do dia-a-dia para uma criança. Porque elas não enxergam tudo sob a ótica da sobrevivência e do lucro. Quando começamos a pensar em tudo sob a ótica da sobrevivência e do lucro, como fazemos, as formas dos arranhões no chão deixam de conter magia. A maioria das coisas, na verdade, perdem a magia. 

Então, no curso da Natureza, quando deixamos de ver a magia no mundo, nós não estamos mais fazendo nossa parte no jogo da Natureza de reconhecer a si mesma. Não há mais sentido... e então morremos. E então algo diferente nasce, com uma perspectiva completamente diferente. 

Não é natural para nós, querer prolongar a vida indefinidamente, mas vivemos em uma cultura, onde nos foi dito de todas as formas possíveis que morrer é algo terrível, e isso é uma grande doença da qual sofre nossa cultura”. Alan Watts. 

“Como seria ir dormir e nunca acordar? A maioria das pessoas razoáveis simplesmente dispensa esse pensamento. Elas dizem, “Você não pode imaginar isso”, dão de ombros e dizem “Vai ser o que vai ser”. Mas eu sou uma dessas pessoas teimosas que não se contentam com uma resposta dessas. Não que eu esteja tentando descobrir algo além, mas eu sou totalmente fascinado pelo que seria ir dormir e nunca mais acordar. 

No mundo oriental, existem diferentes ideias sobre isso. A principal ideia oriental é geralmente conhecida como reencarnação, atravessar uma vida após uma vida em uma série interminável. 

A coisa mais fascinante sobre isso, é que a morte não é o fim da consciência. Em outras palavras, estamos iludidos por uma espécie de fantasia. Se você acha que a morte é como a escuridão sem fim, o nada sem fim, isso é o nada inconcebível, porque não somos capazes de ter alguma ideia e muito menos a sensação do nada, a menos que isso possa ser comparado a sensação de alguma coisa. Essas duas coisas andam juntas. O que quer dizer, que o vazio criado pelo desaparecimento de um ser, pelo desaparecimento de seu sistema de memória, seria simplesmente preenchido por outro ser”. Alan Watts.

 

livros de Alan Watts na Amazon: 

Torne-se o que Você É: https://amzn.to/3ySB9D3 

O que é Tao?: https://amzn.to/3r556x0 

A Cultura da Contracultura: https://amzn.to/3wDwB1O 

Mito e Religião: https://amzn.to/3BnoQQt 

A Sabedoria da Insegurança: https://amzn.to/3e9qb4j

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Vivendo e aprendendo




Nasce-se, e nascendo, vive-se. E vivendo, aprende-se. Aprende-se muito, desde muito cedo, é certo.
Vive-se para se aprender a viver, é o que parece. Aprende-se a arte de viver ou se aprende a ciência do viver: pensar, sentir e agir...
Merecer viver, eis a questão! Fazer-se digno da vida, eis o sentido, pode ser.
Compreender o significado da vida, apreender sua significação, pressentir as regras relativas e intuir as leis absolutas. Vive-se e se aprende a viver sempre. Com erros, acertos, desacertos, arranjos, jeitos e trejeitos.
Pode se aprender a ser? Ou já nascemos sendo?
Aprende-se ensinando, e mesmo sem querer se aprende também.
Tempo: grande círculo no qual giramos, aparentemente nos movemos. Será que saímos do lugar? Mas não é ele, tempo, que se move e passa... nós é que, talvez, estejamos nos movendo.
Tempo que é mestre, carrasco, amigo e enganador, também é, às vezes, só tempo perdido.
Eternidade: ausência de tempo, ausência de movimento, sem início, nem fim.
Para sentir-se fora do tempo, livre do tempo, é preciso apenas parar. Na ausência de movimento, cessa o tempo. Mas onde é que há movimento?
Na mente há muito movimento. Cada pensamento, cada lembrança, cada imagem projetada, um movimento.
A dualidade: Outro mestre na vida. Discernir o justo no injusto, o bom gosto no pior desgosto, a alegria bem no fundo da tristeza, a ânsia e a apatia, o ânimo e o cansaço, beber o caldo e engolir o bagaço.
Compreender a dualidade é esperar no desespero, é ver loucura na sanidade, involução na evolução, é ver progresso quando há regresso.
Tudo é vida que segue. E vai, até concluir a parábola e retornar ao ponto de partida. Para que mesmo se nasce e se morre?
E para que se ganha e se perde?
A luta é sabor da vida, às vezes salgado, às vezes doce, ora amargo, ora azedo, e ainda não é tudo. Espera-se mais da vida, além da decepção e das vitórias vãs. Espera-se mais que quimquilharias e bugigangas, juntadas na estante como troféus.
Mas tudo isso que chamamos 'vida', qual antecâmara e vestíbulo da realidade, é apenas a nossa pré-escola. Temos ainda muito que aprender.
Quando se aprende a 'morrer' ainda vivendo, é que se começa a viver, e a aprender, desaprendendo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Assassinatos de índios no Brasil hoje

Assassinatos de índios crescem 130% em 2014, aponta relatório

Aliny Gama
Do UOL, em Maceió
junho/2015

O relatório "Violência contra os Povos Indígenas no Brasil", elaborado e divulgado pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário), nesta sexta-feira (19), apontou o crescimento de 130% no número de índios assassinados em 2014.
O dado alarmante mostra que 138 índios foram mortos no ano passado, sendo 16 casos envolvendo mulheres. Já em 2013 foram registradas 53 mortes violentas.
As mortes foram ocasionadas, em sua maioria, por violações aos direitos das comunidades indígenas no país descritos em "conflitos extremamente graves".
O estudo detalha que parte das mortes foram resultado de conflitos internos, em função do uso de bebidas alcoólicas em áreas indígenas. Também há registros de assassinatos em decorrência da situação de confinamento populacional. Somente no Mato Grosso do Sul existem 40 mil pessoas confinadas em pequenas reservas. O relatório diz ainda que ocorreram outras mortes por "conflitos fundiários ou de conflitos com madeireiros que invadiram terras indígenas já demarcadas".
"A dor, as ameaças, as invasões, as torturas, as agressões cotidianas expressam as condições a que os povos indígenas continuam sendo submetidos", destaca o presidente do Cimi, Erwin Kräutler, que também é bispo da Prelazia do Xingu.

domingo, 29 de novembro de 2015

assassinato de líderes indígenas no Brasil

CIDH condena assassinato de líderes indígenas no Brasil

Em Washington (EUA)
junho/2015
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou nesta quinta-feira (4) o assassinato de três líderes indígenas defensores dos direitos humanos nos Estados do Maranhão e da Bahia, informou a organização pan-americana em comunicado.

A CIDH relatou que no dia 26 de abril, Eusebio Ka'apor foi assassinado na terra indígena do Alto Turiaçu, no Maranhão, após se atingido por "disparos nas costas por parte de pessoas encapuzadas".

Eusebio Ka'apor participava do "movimento contra a presença de madeireiros ilegais em seus territórios", cujo trabalho levou ao fechamento de todas as operações de exploração ilegal de madeira na região em março de 2015.

A CIDH assegurou que "a informação disponível" indica que o nome de Eusebio Ka'apor estava em uma lista de pessoas que seriam assassinadas pelos madeireiros.

Outro assassinato condenado pela CIDH é o de Adenilson da Silva, um líder indígena que trabalhava como agente de saúde em sua comunidade e que foi assassinado por três pistoleiros encapuzados perto da Serra das Trempes, na Bahia.

"A informação indica que quando foi atacado estava com sua esposa, seu filho de um ano e sua filha de 15 anos, e que sua esposa recebeu tiros nas pernas e nas costas. Sua esposa e seu filho foram hospitalizados", afirmou a organização pan-americana.

O terceiro caso é o do ativista de direitos humanos Gilmar Alves da Silva, que se dirigia em sua motocicleta para o povoado de Pambú, situado no território da comunidade indígena Tumbalalá, quando foi alvejado por disparos de duas pessoas não identificadas que estavam em um automóvel.

"A informação recebida indica que a Polícia Militar localizou o automóvel e as armas utilizadas para assassiná-lo, mas que os responsáveis ainda não foram detidos", indicou a CIDH.

A comissão pediu ao Estado brasileiro que investigue "com devida diligência" esses assassinatos, julgue e puna os responsáveis.

Além disso, a comissão exigiu às autoridades competentes o acompanhamento de "todas as linhas lógicas de investigação, incluindo a possibilidade de que esses assassinatos tenham sido motivados pelas atividades desses líderes indígenas como defensores dos direitos humanos".

Além disso, a CIDH recomendou ao Brasil adotar "medidas sem demora" para proteger a vida e a integridade dos povos indígenas, seus líderes e seus defensores, respeitando sua identidade cultural, perspectiva, e concepção de direitos.

sábado, 17 de outubro de 2015

Crianças indígenas morrem de gripe e desnutrição

 

Crianças indígenas morrem mais de gripe e desnutrição





 RUBENS VALENTE
em ATALAIA DO NORTE (AM)



Infecção e fome explicam quase um quinto das mortes de crianças com menos de um ano entre 2000 e 2012.
Taxa de mortalidade infantil entre índios em 2012 foi mais do que o dobro da média nacional no mesmo ano 



A pequena Ingrid, filha do cacique da etnia mayoruna Antônio Flores, líder de uma aldeia com seu sobrenome no Vale do Javari (AM), teve apenas quatro dias de vida.
Na manhã do último domingo de março, dia 29, após o velório com parentes que vieram de aldeias a muitas horas de viagem pelo rio Solimões, o corpo do bebê foi enterrado em Atalaia do Norte (AM). A laje do túmulo foi improvisada com tijolos retirados do muro do cemitério.
A Folha presenciou a cena quando o cacique, falando em sua língua e traduzido por um primo, interpelou o enfermeiro no velório. Para Flores, a culpa pela morte foi o excesso de soro dado à criança no hospital de Tabatinga (AM). A causa oficial da morte foi infecção generalizada decorrente de problemas na gravidez.
A perda que atingiu a família se repetiu tragicamente em todo o território nacional entre 2000 e 2012. Dados do Ministério da Saúde obtidos pela Folha com a Lei de Acesso à Informação revelam que gripe e fome mataram 1.156 crianças indígenas de até um ano de idade no país, do total de 7.149 mortes no período.
Combinadas, as duas causas responderam por 16% de todos os óbitos, quase um quinto. As mortes por gripe representaram 13% do total, mais do que o dobro da média nacional para infecções respiratórias no período 2000-2011 na população brasileira de zero a cinco anos.
Entre os guaranis-caiuás, no Mato Grosso do Sul, 40 morreram de desnutrição, respondendo por 17% de todos as mortes do gênero entre os bebês indígenas no país, embora a etnia corresponda a 5% da população de índios brasileira. Outras 107 crianças xavantes morreram de gripe, ou quase 12% do total nacional.


SEM CAUSA

Os números indicam a persistência de alto número de mortes entre os ianomâmis. A taxa de mortalidade infantil saltou de 76 em 2000 para 150 em 2005, oscilou para 146 em 2011 e chegou a 133 em 2012.
A taxa de mortalidade infantil entre os índios em 2012, de 38 mortes para mil nascidos vivos, foi mais do que o dobro da taxa nacional observada nesse mesmo ano (15).