sexta-feira, 12 de julho de 2013

um quarto de segundo: o livre arbítrio

Vamos revisar como os sentimentos se originam. Primeiramente, ocorre um contato direto com o estímulo sensorial, e isto serve de base para o sentimento subsequente. Por exemplo, primeiro você vê uma pessoa passando pela porta, e então reconhece a pessoa como um velho amigo ou talvez como uma ameaça; isto traz um sentimento como resposta. Uma vez que esse sentimento surge, pode por sua vez, dar origem a um desejo ou uma aversão com relação ao objeto, que não é igual ao sentimento original. 
Então, a resposta de desejo ou aversão pode levar a alguma outra coisa, como por exemplo, à intenção. Muitos desejos não resultam em intenções.
Quando sentar em meditação, você poderá notar sensações sutis e efêmeras, que são experimentadas com um certo tom de sentimento. Isso pode levar à atração, aversão ou indiferença, e esses sentimentos podem ou não dar origem a uma intenção e uma ação subsequente. 
Normalmente, essa sequência completa de eventos está unida porque nós, inconscientemente, nos identificamos com ela, ao invés de observá-la com cuidado. Por meio da aplicação da atenção plena discriminativa e cuidadosa, você pode distinguir esses eventos na sequência em que surgem.

Como explicou a psicoterapeuta Tara Bennett-Goleman, a aplicação cuidadosa da atenção plena aos sentimentos, nos oferece uma alternativa à repressão, supressão e expressão compulsiva das nossas emoções. Citando a pesquisa do neurocirurgião Benjamin Libet, Bennett-Goleman nos mostra que do momento em que surge uma intenção, a ação pretendida tem início um quarto de segundo depois. 

Tara Bennett-Goleman comenta, “Esta janela é crucial: é o momento em que temos a capacidade de seguir o impulso ou rejeitá-lo. Pode-se dizer que o arbítrio reside aqui, neste quarto de segundo.”

~ Alan Wallace – Genuine Happiness

FONTE:
http://equilibrando.me/

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo: Heidegger



“Quando o recanto mais remoto do globo tiver sido conquistado pela técnica e explorado pela economia, quando um qualquer acontecimento se tiver tornado acessível em qualquer lugar a qualquer hora e com uma rapidez qualquer, quando se puder “viver” simultaneamente um atentado a um rei na França e um concerto sinfônico em Tóquio, quando o tempo for apenas rapidez, momentaneidade e simultaneidade e o tempo enquanto História tiver de todo desaparecido da existência de todos os povos, quando o pugilista for considerado o grande homem de um povo, quando os milhões de manifestantes constituírem um triunfo – então, mesmo então continuará a pairar e estender-se, como um fantasma sobre toda esta maldição, a questão: Para quê? – Para onde? – e depois, o que?
O declínio espiritual da terra está tão avançado que os povos ameaçam perder a sua última força espiritual que (no que concerne o destino do “Ser”) permite sequer ver e avaliar o declínio como tal.
Esta simples constatação nada tem a ver com um pessimismo cultural, nem tampouco, como é óbvio, com um otimismo; pois o obscurecimento do mundo, a fuga dos deuses, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odienta contra tudo que é criador e livre, atingiu, em toda a terra, proporções tais que categorias tão infantis como pessimismo e otimismo já há muito se tornaram ridículas”.
~ Martin Heidegger (1889-1976), em 'Introdução à Metafísica'




FONTE:
http://dharmalog.com/2013/07/10/quando-a-tecnologia-e-o-dinheiro-tiverem-conquistado-o-mundo-uma-visao-de-heidegger-em-1953-por-antonio-abujamra/

“When the farthest corner of the globe has been conquered technologically and can be exploited economically; when any incident you like, in any place you like, at any time you like, becomes accessible as fast as you like; when you can simultaneously “experience” an assassination attempt against a king in France and a symphony concert in Tokyo; when time is nothing but speed, instantaneity, and simultaneity, and time as history has vanished from all Dasein of all peoples; when a boxer counts as the great man of a people; when the tallies of millions at mass meetings are a triumph; then, yes then, there still looms like a specter over all this uproar the question: what for?—where to?—and what then? The spiritual decline of the earth has progressed so far that peoples are in danger of losing their last spiritual strength, the strength that makes it possible even to see the decline [which is meant in relation to the fate of "Being"] and to appraise it as such. This simple observation has nothing to do with cultural pessimism—nor with any optimism either, of course; for the darkening of the world, the flight of the gods, the destruction of the earth, the reduction of human beings to a mass, the hatred and mistrust of everything creative and free has already reached such proportions throughout the whole earth that such childish categories as pessimism and optimism have long become laughable.”
~ Martin Heidegger, em “Introduction to Metaphysics”
A tradução em português que mais se aproxima desta em inglês, como foi publicada no blog Legio Victrix.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Entrevista com o psicanalista Erich Fromm

Entrevista de 1958 com o eminente psicanalista sobre diversos temas que continuam atuais.

por Nando Pereira

“Se você pegar o americano médio, e os estudos tem mostrado isso, ele está realmente “envolvido” apenas com seus problemas pessoais, no que tocam sua saúde, seu dinheiro e sua família. Ele não está envolvido com sua sociedade. Ele fala a respeito. Mas quando eu digo “envolvido” eu quero descrever aquilo que faz as pessoas perderem o sono às vezes. E o homem médio americano nunca perde seu sono por conta de temas relacionados à sua sociedade e seu país inteiro. Eu quero dizer, ele separou sua vida privada da sua existência como membro de sua sociedade e a deixou aos cuidados do governo e dos especialistas. (…) Nós estamos da mesma forma relegando nossa própria responsabilidade pelo que acontece, em nosso país, para os especialistas que se supõem estão cuidando dele.”
~ Erich Fromm, no programa The Mike Wallace Interview (1958)
Já evoluímos bastante de 1958 pra cá (ainda mais se você tiver lendo isso vários anos depois de publicado), mas uma boa parte do que o psicólogo e filósofo humanista alemão Erich From (1900-1980) disse ao jornalista americano Mike Wallace, em 1958, continua atual e, mais que isso, ajuda a elucidar como e porque isso tudo está acontecendo (por “isso tudo”, leia-se os grandes manifestos no Brasil e o rastro do que já passou e está passando no mundo, como o movimento Occupy). 
Além do problema “político pessoal” que vivemos, Fromm fala de vários temas, como o significado do trabalho para a vida do homem, a felicidade, a liberdade, o fracasso, a família, e, obviamente, o amor, um dos principais temas pelo qual Fromm ficou conhecido. A entrevista segue abaixo, em três partes, todas legendadas em português na fonte.

Outro trecho:
“(Os Estados Unidos estariam a perigo de destruir a si mesmo) por causa do nosso entusiasmo em dominar a natureza, em produzir mais bens materiais. Nós transformamos meios em fins. Nós buscamos produzir mais no século 19 e no século 20 em ordem a possibilitar ao homem uma vida mais digna. Mas o que realmente aconteceu é que a produção e o consumo, que parecem meios, se tornaram fins. E nós estamos malucos por produção e consumo.”
~ Erich Fromm, entrevista a Mike Wallace (1958)
FONTE: 
http://dharmalog.com/2013/07/02/video-raro-entrevista-de-erich-fromm-a-mike-wallace-em-1958-sobre-politica-liberdade-amor-e-fracasso-video/

terça-feira, 2 de julho de 2013

O treinamento da mente no cotidiano



(...)  Se examinarmos nossas vidas, veremos que a real insatisfação, angústia e mal-estar que experimentamos não são causados por condições externas, mas pela forma como reagimos interiormente a elas. Não podemos negar que as condições externas difíceis existem, mas precisamos reconhecer que alguém com algum controle sobre os processos internos da mente não vivencia a mesma impotência e sofrimento face às perdas, adversidades e doenças, comparado a uma pessoa cuja mente não foi treinada. (...)

fonte: Chagdud Gonpa Brasil, por S. Ema. Chagdud Tulku Rinpoche.