sexta-feira, 10 de abril de 2020

Medo, Ambição e Cólera - Krishnamurti

Medo, Ambição, Cólera, Violência, Agressividade

Como sabeis, há muito do animal em nós. Os biólogos nô-lo dizem, mas não precisamos ouvir os biólogos, se observarmos a nós mesmos e os animais. Em nós há muita animalidade. Somos autoritários, brutais, violentos, sem consideração (…), agressivos - e assim são os animais. (…)
(A Suprema Realização, pág. 179-180)

O Medo

Estivemos considerando o problema do medo. Vimos que a maioria de nós tem medo, e que o medo impede a iniciativa, porque faz com que nos apeguemos às pessoas e às coisas, da mesma forma que uma planta trepadeira se apega a uma árvore. Apegamo-nos aos pais, aos maridos, aos filhos, às filhas; às esposas e às nossas posses. (…) 
(O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 30-31)

(…) Esta é a forma exterior do medo. Estando interiormente amedrontados, receamos ficar sós. Podemos ter muitas roupas, jóias ou outras propriedades; mas, interiormente, psicologicamente, estamos muito pobres. Quanto mais pobres interiormente, tanto mais procuramos enriquecer exteriormente, apegando-nos a pessoas, a uma posição, às propriedades. 
(Idem, pág. 31)

Que entendemos por medo? Medo de que? Medo de não ser? Medo do que sois? Medo de perder, de ter prejuízo? O medo, quer consciente, quer inconsciente, não é abstrato: ele só existe em relação com alguma coisa. (…) Temos medo de estar inseguros (…) economicamente (…) interiormente. Isto é, tememos a solidão, (…) o ser nada (…) 
(Por que não te Satisfaz a Vida?, pág. 32)

Desejo falar sobre o medo, porque o medo perverte todos os nossos sentimentos, pensamentos e relações. É o temor que impele a maioria de nós a tornar-nos (…) “espirituais”; é ele que nos impulsiona para as soluções intelectuais que tantos oferecem; é ainda o temor que nos leva a praticar ações estranhas e peculiares. (…) O medo existe por si só? Ou só há medo em consequência do pensamento (…)? 
(O Passo Decisivo, pág. 234)

Assim, o que agora me cabe inquirir é como ficar livre do temor inspirado pelo conhecido, que é o temor de perder minha família, minha reputação, meu caráter, meu depósito no banco, meus apetites, etc. Direis que o temor surge da consciência; mas vossa consciência é formada pelo vosso condicionamento, pode ser insensata ou sensata; a consciência, pois, também é resultado do conhecido. (…) 
(Que Estamos Buscando?, pág. 94)

Bhagavad Gita

Pensar sobre objetos materiais
prenderá você aos objetos materiais;
Cresça preso e se tornará dependente;
Frustrada a dependência, ela se transforma em raiva:
Fique com raiva e suas ideias se misturarão;
Misture suas ideias e esquecerá o ensinamento da experiência:
Esqueça a experiência e perderá o discernimento;
Perca o discernimento e perderá a razão de viver.

(Bhagavad Gita)

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Tempo e espaço: o que são? - Eu e o outro: o que somos?

 

O objetivo desta reflexão é compreender um pouco mais sobre a natureza da consciência, bem como do tempo e do espaço (fenômenos subjacentes à percepção que temos do mundo).

 

Tempo e espaço são reais e independentes da noção de ego? Eles existem independentes de nossa própria percepção corporal?

 

 

 

O que é "mundo exterior" e "mundo interior"?


Existe um espaço objetivo, além de nossa percepção corporal e mental??

  Existe um tempo e um espaço objetivos, que pudessem existir por si só, situando-se além de nossa experiência subjetiva de percepção?

Noutras palavras: tempo e espaço são realidades que independem do sujeito?

Sem nosso corpo-mente, algo pode ser experimentado? 

E como diferenciaríamos exterior e interior se fôssemos pura consciência, sem corpo/mente que nos permitisse interpretar fenômenos?



Sobre a real natureza do tempo e do espaço

Preliminarmente, façamos uma breve reflexão sobre a natureza do tempo, do espaço e do mundo tridimensional: 

Quase todos nós "experimentamos" (em nosso atual nível de percepção/consciência) um único paradigma, dentre tantos possíveis: o paradigma do mundo físico, condicionado pela 4ª dimensão, que conhecemos como tempo/espaço, sobre a qual temos frequentemente, apenas uma vaga percepção.

Ocorre que nossa "experiência" sensorial nos diz que a realidade material é tridimensional, e que o tempo e o espaço são duas "realidades" objetivas, certo? 

Mas, e se estivermos enganados? E se nossa "realidade" for bem diferente disso que acreditamos que é? E se o tempo e o espaço forem uma ilusão?

Há muitos físicos, filósofos e místicos afirmando que é nossa consciência, em constante movimento que nos dá a sensação ilusória do tempo que passou, e do tempo que ainda virá... Vamos tentar compreender bem isso?

Observe como tudo que chamamos de passado, nada mais é do que um conjunto de "recordações", de memórias subjetivas acumuladas. Estão na mente (subjetiva), e não fora dela. Tais memórias, costumamos chamar de 'ego', ou 'eus psicológicos'. 

E o que chamamos de futuro? Nada além de um conjunto de projeções ou imaginações que poderiam ser facilmente classificadas como alucinações... mais uma  vez, todas elas baseadas em experiências passadas. Isso é fato: embora aparentemente dotados de mente sã, estamos alucinando quase o tempo todo! E o mais incrível: isso acontece tanto de dia, como de noite, enquanto sonhamos ou temos pesadelos.

Geralmente pensamos no tempo como algo objetivo e mensurável, já que aparentemente o experimentamos como "algo que flui" (embora ninguém consiga defini-lo ao certo). 

A essa aparente fluição chamam de passado, presente e futuro. Então criamos um aparelho para "medir objetivamente" o fluir desse tal tempo: o relógio. Esse instrumento certamente tem sua utilidade prática no dia a dia, mas... podemos efetivamente dizer que ele mede objetivamente isso que chamamos "tempo"? 
Nossa vida comum agora está organizada em compromissos que passam a ser "cronometrados", mas poucos reparam que o mover desses ponteiros não evidencia a existência de qualquer tempo concreto, objetivo. Um relógio faz apenas a "medida do movimento", parafraseando o famoso filósofo grego Aristóteles (evidentemente, sem movimento, não é possível se falar em tempo. Se o universo fosse imóvel, não haveria tampouco percepção de tempo)... 

Assim, o relógio não mede tempo objetivo algum, mas apenas tenta traduzir em linguagem humana, a duração ou a frequência do movimento dos corpos ou fenômenos percebidos mentalmente. 
Noutras palavras, tenta medir a frequência com que fenômenos naturais sofrem transformações, ou se repetem, permitindo a comparação e a rotulação destes mesmos fenômenos com outros semelhantes.

Vejam como é fácil perceber a falácia do tempo considerado objetivamente (existente de forma independente de nossa percepção):


sábado, 28 de março de 2020

Freud - primeiras noções do inconsciente - Netflix 2020


 Abaixo você lerá um trecho do discurso atribuído a Sigmund Schlomo Freud, no início de sua carreira como médico neurologista, diante dos seus pares (extraído do 1º episódio da 1ª temporada da nova série ficcional produzida pela Netflix).


"Sou uma casa, está escuro dentro de mim. 
Minha consciência é uma luz solitária, uma vela ao vento... 
Ela vacila, às vezes aqui, outras ali, e todo o resto está nas sombras, todo o resto reside no inconsciente, mas elas estão lá... as outras salas! cubículos, corredores, escadarias, portas, o tempo todo! 
Tudo que vive dentro de nós, tudo que perambula dentro de nós está lá!! ...operando e vivendo, dentro da casa que somos cada um de nós: instinto, eros, tabus, pensamentos proibidos, desejos proibidos, memórias que não queremos que encontrem a luz, que nós depusemos da luz...
Elas dançam a nossa volta, na escuridão, nos atormentam e interferem, elas assombram e sussurram, elas nos assustam, elas nos adoecem, elas nos deixam histéricos".