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quinta-feira, 30 de julho de 2020

Nova Consciência ~ II por Eckhart Tolle

Alguns trechos extraídos da obra de Eckhart Tolle O Despertar de Uma Nova Consciência

- O tempo e o Agora: a origem do sofrimento

- O ego e a verdadeira identidade



O tempo, ou seja, o passado e o futuro, é onde o falso Eu, fabricado pela mente, vive. 
E o tempo está na nossa mente. Ele não é algo que tenha uma existência objetiva “ali fora”. É uma estrutura mental necessária para a percepção sensorial, indispensável pelos propósitos práticos,  é sensorial ,mas também é o maior obstáculo ao autoconhecimento.  

O tempo é a dimensão horizontal da vida, a camada superficial da realidade. 
Mas há ainda a dimensão vertical da profundidade, à qual só temos acesso através do portal do momento presente. Assim, em vez de nos concedermos tempo, devemos removê-lo. Retirar o tempo da nossa consciência é eliminar o ego. É a única prática espiritual verdadeira.

Quando falo da eliminação do tempo, não estou, é claro, me referindo ao tempo do relógio, que é usado com propósitos práticos, como marcar um encontro ou planejar uma viagem. Seria quase impossível atuar nesse mundo sem esse tempo convencional. O que estou propondo é a eliminação do tempo psicológico, que é a preocupação interminável da mente egóica com o passado e com o futuro e sua resistência a entrar no estado de unicidade com a vida e viver alinhada com a inevitável condição do momento presente de ser o que é.

Sempre que um NÃO habitual à vida se transforma num SIM, toda vez que permitimos que esse momento SEJA COMO É, dissolvemos tanto o tempo quanto o ego

Para que o ego sobreviva, ele deve tornar o tempo – o passado e o futuro – mais importante que o Agora, a não ser por um breve instante logo após obter o que deseja. Contudo, nada consegue satisfazê-lo por muito tempo. Há duas maneiras de sermos infelizes: Não alcançando o que desejamos é uma. Alcançando o que desejamos é outra.

O Agora assume a forma de qualquer coisa ou acontecimento. Enquanto resistimos a isso internamente, o mundo é uma barreira impenetrável que nos separa de quem somos além da forma, que nos afasta da Vida única, sem forma, que nós somos. 

Quando dizemos um SIM interior para a forma que o Agora adquire, ela própria se torna uma passagem para o que não tem forma. A separação entre o mundo e Deus se dissolve.

Quando reagimos à forma que a Vida assume no momento presente, tratando o Agora como um meio, um obstáculo ou um inimigo, fortalecemos nossa própria identidade formal, o ego. Disso resulta a atitude reativa do ego. Ele se vicia em reagir. Quanto maior nossa disposição para manifestar uma reação, mais vinculados nos tornamos à forma. Quanto maior a identificação com ela, mais forte é o ego. Nosso Ser então deixa de brilhar através da forma – ou só faz isso vagamente.


Por meio da não-resistência à forma, aquilo em nós que se encontra além da forma emerge como uma presença de total abrangência, um poder silencioso muito maior do que a identidade de curta duração que temos na forma pessoal emerge. 

Ele é mais profundamente quem nós somos, do que qualquer outra coisa no mundo da forma. Quanto mais limitada, quanto mais estreitamente egóica é a visão que temos de nós mesmos, mais nos concentramos nas limitações egóicas – na inconsciência – dos outros e reagimos a elas. 

Os “erros” das pessoas ou o que percebemos como suas falhas, se tornam para nós a identidade delas. Isso significa que vemos apenas o ego dos outros e, assim, fortalecemos o ego em nós. Em vez de olharmos “através” do ego deles, olhamos “para”o ego. E quem está fazendo isso? O ego em nós.

As pessoas muito inconscientes sentem o próprio ego por meio do seu reflexo nos outros. Quando compreendemos que aquilo a que reagimos nos outros também está em nós (e algumas vezes apenas em nós), começamos a nos tornar conscientes do nosso próprio ego. 
Nesse estágio, podemos também compreender que estamos fazendo às pessoas o que pensávamos que elas estavam fazendo a nós. Paramos de nos ver como vítimas. 

Nós não somos o ego. Portanto, quando nos tornamos conscientes do ego em nós, isso não significa que sabemos quem somos – isso quer dizer que sabemos quem NÃO SOMOS. Mas é por meio do conhecimento de quem não somos que o maior obstáculo ao verdadeiro conhecimento de nós é removido.




quarta-feira, 15 de abril de 2020

Despertar, iluminação...o que isso significa?


(...) Despertar não significa que 'você despertou', significa que há apenas o despertar. Não há “você” que está desperto, só existe pura consciência. Enquanto você se identificar com um “você”, quer esteja acordado ou não acordado, você ainda estará sonhando. Despertar é despertar do sonho da existência de um “eu separado”, é a revelação que existe apenas consciência (...)


 

(...)“A Iluminação é um processo destrutivo, tanto quanto construtivo. Não tem relação com 'se tornar feliz ou melhor'. Iluminação é a desconstrução da mentira. É ver através das pretensões. É a erradicação completa de tudo que se acredita ser verdade.
Adyashanti




sexta-feira, 3 de abril de 2020

Tempo e espaço: o que são? - Eu e o outro: o que somos?

 

O objetivo desta reflexão é compreender um pouco mais sobre a natureza da consciência, bem como do tempo e do espaço (fenômenos subjacentes à percepção que temos do mundo).

 

Tempo e espaço são reais e independentes da noção de ego? Eles existem independentes de nossa própria percepção corporal?

 

 

 

O que é "mundo exterior" e "mundo interior"?


Existe um espaço objetivo, além de nossa percepção corporal e mental??

  Existe um tempo e um espaço objetivos, que pudessem existir por si só, situando-se além de nossa experiência subjetiva de percepção?

Noutras palavras: tempo e espaço são realidades que independem do sujeito?

Sem nosso corpo-mente, algo pode ser experimentado? 

E como diferenciaríamos exterior e interior se fôssemos pura consciência, sem corpo/mente que nos permitisse interpretar fenômenos?



Sobre a real natureza do tempo e do espaço

Preliminarmente, façamos uma breve reflexão sobre a natureza do tempo, do espaço e do mundo tridimensional: 

Quase todos nós "experimentamos" (em nosso atual nível de percepção/consciência) um único paradigma, dentre tantos possíveis: o paradigma do mundo físico, condicionado pela 4ª dimensão, que conhecemos como tempo/espaço, sobre a qual temos frequentemente, apenas uma vaga percepção.

Ocorre que nossa "experiência" sensorial nos diz que a realidade material é tridimensional, e que o tempo e o espaço são duas "realidades" objetivas, certo? 

Mas, e se estivermos enganados? E se nossa "realidade" for bem diferente disso que acreditamos que é? E se o tempo e o espaço forem uma ilusão?

Há muitos físicos, filósofos e místicos afirmando que é nossa consciência, em constante movimento que nos dá a sensação ilusória do tempo que passou, e do tempo que ainda virá... Vamos tentar compreender bem isso?

Observe como tudo que chamamos de passado, nada mais é do que um conjunto de "recordações", de memórias subjetivas acumuladas. Estão na mente (subjetiva), e não fora dela. Tais memórias, costumamos chamar de 'ego', ou 'eus psicológicos'. 

E o que chamamos de futuro? Nada além de um conjunto de projeções ou imaginações que poderiam ser facilmente classificadas como alucinações... mais uma  vez, todas elas baseadas em experiências passadas. Isso é fato: embora aparentemente dotados de mente sã, estamos alucinando quase o tempo todo! E o mais incrível: isso acontece tanto de dia, como de noite, enquanto sonhamos ou temos pesadelos.

Geralmente pensamos no tempo como algo objetivo e mensurável, já que aparentemente o experimentamos como "algo que flui" (embora ninguém consiga defini-lo ao certo). 

A essa aparente fluição chamam de passado, presente e futuro. Então criamos um aparelho para "medir objetivamente" o fluir desse tal tempo: o relógio. Esse instrumento certamente tem sua utilidade prática no dia a dia, mas... podemos efetivamente dizer que ele mede objetivamente isso que chamamos "tempo"? 
Nossa vida comum agora está organizada em compromissos que passam a ser "cronometrados", mas poucos reparam que o mover desses ponteiros não evidencia a existência de qualquer tempo concreto, objetivo. Um relógio faz apenas a "medida do movimento", parafraseando o famoso filósofo grego Aristóteles (evidentemente, sem movimento, não é possível se falar em tempo. Se o universo fosse imóvel, não haveria tampouco percepção de tempo)... 

Assim, o relógio não mede tempo objetivo algum, mas apenas tenta traduzir em linguagem humana, a duração ou a frequência do movimento dos corpos ou fenômenos percebidos mentalmente. 
Noutras palavras, tenta medir a frequência com que fenômenos naturais sofrem transformações, ou se repetem, permitindo a comparação e a rotulação destes mesmos fenômenos com outros semelhantes.

Vejam como é fácil perceber a falácia do tempo considerado objetivamente (existente de forma independente de nossa percepção):


domingo, 28 de maio de 2017

Dicas para compreender a mente e o Ser

A mente costuma criar muitos problemas.  
Mas prá quem ela os cria?

A mente poderia criar problemas para você se você não tivesse interesse nela?
A mente traz problemas para você... mas quem é "você"?
você responde seu nome... mas quem deu este nome?
você não é seu nome...
você pode ter consciência de seu corpo...
então seu corpo não é você...
você pode observar sua mente -pensamentos, emoções-
logo, sua mente não é você.
quando um pensamento surge, quem o percebe já estava aqui antes dele surgir.

O pensamento não estava. Ele vem e vai embora.
E você permanece aqui.
Você (o Ser) não é objeto dos sentidos.
Você já está aqui antes de qualquer pensamento. Você é mais rápido que o pensamento mais veloz.
Então você não é o pensamento, nem o corpo.
Você está aqui para observá-los: a personalidade, as memórias...
Então você é outra coisa.

domingo, 17 de julho de 2016

Dicas sobre a mente, o pensamento e o Ser: Mooji

A mente costuma criar muitos problemas. Mas prá quem ela os cria?

A mente poderia criar problemas para você se você não tivesse interesse nela?
A mente traz problemas para você... mas quem é "você"? 
você responde seu nome... mas quem deu este nome?
você não é seu nome...
você pode ter consciência de seu corpo; então ele tampouco é você...
você pode observar sua mente -pensamentos, emoções- logo, ela não é você.
quando um pensamento surge, quem o percebe já estava aqui antes dele surgir. O pensamento não estava. Ele vem e vai embora. E você permanece aqui.
Você (o Ser) não é objeto dos sentidos. Você já está aqui antes de qualquer pensamento. Você é mais rápido que o pensamento mais veloz.
Então você não é o pensamento, nem o corpo. Você está aqui para observá-los : a personalidade, as memórias...
Então você é outra coisa.
A memória é algo muito poderoso porque para muitos, suas vidas se resumem a um conjunto de memórias. Para muitas pessoas, quando falam é basicamente sobre o passado (memória).
Pergunto:
Você pode falar sem memória? sem projeção? você pode falar sem esperança (expectativa)? sem passado? sem futuro? sem julgamento?
Quando puder falar assim, então é algo novo.
Tudo que está na sua memória... jogue fora!
Jogue fora tudo e você ainda está aqui. 
Enquanto "quê" você está aqui?
Você pode jogar você fora? Por acaso, você poderia livrar-se de você?

O Tempo
O que é o tempo sem você?
Você é aquele que observa o tempo.
Por acaso o relógio sabe que horas são? Você é que o percebe (o tempo).
O tempo não está consciente de si mesmo...
a distância não está consciente de si mesma...
o pensamento não está consciente de si mesmo.
Nenhum pensamento trabalha para si mesmo.

Onde exatamente você está?
se você não é o corpo, quem é você?

Se tomasse uma droga que momentaneamente fizesse com que não conseguisse mais identificar seu corpo, você acha que seu corpo sabe que é seu?

A mente vai fazer barulho com qualquer brinquedo, com qualquer alimento que você der a ela. A mente não tem como crescer sem o combustível que você dá a ela.
O alimento da mente é o seu interesse por ela... é a atenção que dispensa a ela.
Ela vive a partir de você! Temos que saber disso.
O barulho (da mente) se alimenta da sua atenção.
A mente tira seu poder, da sua crença, da sua identidade (identificação).
A identidade energiza a mente. Para tirar poder dela, mantenha sua atenção na neutralidade. 
Os pensamentos (positivos ou negativos) que receberam muita energia de você tem um magnetismo tremendo (e assim parecem poderosos). Mas um pensamento não pode ser poderoso se não há identidade (identificação)...
Se o você não acredita nele... se não lhe dá reconhecimento... atenção...
quanta realidade pode ter esse pensamento?
Por isso, quanto mais seus pensamentos se tornarem neutros, ou quanto mais você manter sua atenção neutra, tanto mais a paz prevalecerá, não a paz e a felicidade que tem uma história (sobre algo), mas a alegria, a felicidade de Ser. 

O corpo funciona por si mesmo.
O pensamento também surge espontaneamente. Se os pensamentos surgem, isso em si não se chama pensar. O pensar começa quando a identificação encontra o pensamento e começa a criar... isso é pensar.
Mas mesmo o surgimento do pensamento não significa nada em si se você se identifica com a pura consciência.
Para onde a atenção aponta, aquilo se torna experiência.
Então, observa a experiência, mas não se identifique com ela... permaneça em paz.
Isso é ir além da forma: não fascinar-se com as coisas ou com o pensamento que advém a partir destas coisas. 
Enquanto está fascinado, sente como se tais pensamentos fossem muito íntimos.

Não é fácil a nossa mente aceitar que já somos consciência. Você já é a pura consciência.
Veja essas flores aqui: são belas, tem seu perfume, você pode reconhecê-las e admirá-las... Você pode perceber cada coisa sem criar "relacionamento especial" com as coisas.
Ser feliz é muito simples. O difícil é deixar ir seus apegos e condicionamentos, porque temos afeição a eles.

(trecho do Satsang de Mooji em Belo Horizonte, 2009)