domingo, 12 de dezembro de 2021

Tilopa - Examine-se - A Meditação Mahamudra

 

Muito interessante o vídeo abaixo, abordando de forma bastante sintética e profunda, a essência dos conselhos do grande Mestre Tilopa, mestre de mahamudra e de tantra, que viveu na região de Bengala, Índia e Bangladesh, entre os séculos X e XI (988 a 1069 d.C). 

Tilopa é reconhecido como o fundador humano da linhagem Kagyu do budismo tibetano.

Tilopa ofereceu a Naropa, seu discípulo, um dos mais importantes ensinamentos sobre meditação por meio de um pequeno poema, chamado gnad kyi gzer drug (Seis Palavras de Conselho”)*:

Não lembre. Deixe de lado o que passou.

Não imagine. Deixe de lado o que pode vir.

Não pense. Deixe de lado o que está acontecendo agora.

Não examine. Não tente descobrir nada.

Não controle. Não tente fazer nada acontecer.

Repouse. Relaxe agora mesmo, e repouse.

* (A tradução baseia-se na tradução do tibetano para o inglês, de Ken McLeod)

Os conselhos de Tilopa se baseiam no conceito tradicional de atenção plena ou mindfulness: a consciência plena da experiência do presente momento, com tolerância e equanimidade.

(fonte: https://plenamente.eu/os-seis-conselhos-de-tilopa-para-a-medita%C3%A7%C3%A3o-5768adf2fdc7)


Tilopa - Examine-se

 

Quem foi Tilopa?

Nascido em Bengala (Índia), Mahasiddha Tilopa (988 - 1069), foi um monge budista, guru tântrico, grande líder e um poeta-iogue. 

Como um brâmane e monge budista, Tilopa alcançou o posto de sacerdote pessoal do rei, no entanto, fugiu para fixar residência entre os pescadores de Bengala, abandonando sua casta Brahmin para viver entre os pobres. 

Tilopa gradualmente assumiu uma vida monástica, fazendo votos e se tornando um erudito. Como um iogue praticante Tilopa estudou com vários professores diferentes, e mais tarde como mestre, combinou e fundiu várias linhagens de instrução. 

Tilopa é creditado por conceituar o Mahamudra - método de meditação, que envolve um conjunto de práticas espirituais que aceleram o processo de obtenção de Bodhi ou iluminação. 

A meditação Mahamudra, embora altamente avançada, ainda é simples e prática, pois o que é identificado e meditado é a essência da própria mente.

 

 

Algumas citações:

“As nuvens que vagam pelo céu não têm raízes, nem lar, Nem os pensamentos distintos flutuando pela mente. Uma vez que o eu-mente é visto, a discriminação para”. - Tilopa. 

 “As aparências do mundo não são o problema, é o apego a elas que causa sofrimento”. Tilopa. 

 “Você deve se esforçar pela unidade do Samsara e do Nirvana. Olhe no espelho de sua mente, que é deleite eterno”. Tilopa. 

“O tolo em sua ignorância, desprezando Mahamudra, Não conhece nada além de lutar no dilúvio do samsara. Tenha compaixão de quem sofre de ansiedade constante! Doente de dor implacável e desejo de liberação, siga um mestre, Pois quando a bênção dele toca seu coração, a mente é liberada”. Tilopa.

 

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Eckhart Tolle - Você não é a sua Mente...

Você não é sua mente... então, quem/quê é você??

Abaixo você terá acesso a uma sequência de dois vídeos do famoso escritor Eckhart Tolle, tratando basicamente sobre "o que somos" e sobre "o que não somos."

Mais um ótimo trabalho de edição do Canal "Corvo Seco". Desfrutem... e meditem:

Eckhart Tolle, pseudônimo de Ulrich Leonard Tolle, é um escritor alemão e orador espiritual. Aos 29 anos, depois de vários episódios depressivos, passou por uma profunda transformação espiritual, dissolveu sua antiga identidade e mudou o curso de sua vida de forma radical. Os anos seguintes foram dedicados ao entendimento, integração e aprofundamento desta transformação, que marcou o início de uma intensa jornada interior. 

Em seu livro, “O Poder do Agora”, relata as respostas obtidas através dessa busca, explicando que, quando nos alinhamos ao momento presente, uma nova percepção da realidade surge, muito mais pura, profunda e poderosa.

 Você não é a sua mente

Neste vídeo acima e também no vídeo abaixo, você encontrará trechos do livro: “Practicing the Power of Now”, “The Power of Now”, e citações de Eckhart Tolle. 

 

 

 

QUEM você É?

 

Adquira os livros de Eckhart Tolle através do link na Amazon: O Poder do Agora: https://amzn.to/3xJ0fEL 

Praticando o Poder do Agora: https://amzn.to/2QHR3zX 

O Poder do Silêncio: https://amzn.to/3ePAWIt 

Um novo mundo - O despertar de uma nova consciência: https://amzn.to/3horUoD 

 

"Nada lá fora vai conseguir lhe trazer satisfação, exceto por um tempo e de modo superficial. Mas talvez você precise passar por muitas decepções antes de perceber essa verdade". Eckhart Tolle 

"Você vai perdoar a si mesmo ao reconhecer que ninguém pode agir além do seu nível de consciência". Eckhart Tolle 

"É necessário estar relaxado e em paz com a falta de entendimento, é assim que as respostas chegam". Eckhart Tolle 

 

Música: Chris Collins - Blissful Healing.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Ramana Maharshi - Como Meditar - a Auto-investigação (Atma-Vichara)

Mais dois excelentes vídeos publicados pelo canal "Corvo Seco": "Como Meditar" e "Permaneça no Coração", ambos do Mestre R. Maharshi.  

Elucidam de forma simples e sintética a arte do autoconhecimento a partir da meditação advaita conhecida como Vichara (auto-investigação).  


 

Trechos do livro “True Happiness”, editado por Arthur Osborne. 

Bhagavan Sri Râmana Mahârshi (1879 - 1950), foi um mestre de Advaita Vedanta e um famoso santo do sul da Índia, considerado um dos maiores sábios de todos os tempos. Seus ensinamentos, simples, profundos e lúcidos, estão registrados em um grande número de livros. 

A essência dos seus ensinamentos é o "Vichara" (auto-inquirição), ou investigação... 

Assim, por meio de questionamentos como: "Quem sou eu?", ou, "De onde surge o pensamento 'eu'?", descobre-se a "Verdade, a nossa real natureza". 

Ramana nos alerta que não se trata de mero questionamento verbal, mecânico, mas de trazer sempre ao foco da atenção, por meio desse questionamento, a sensação de "eu sou", que é a única coisa real, visto que "todas as outras coisas mudam e passam, enquanto esta consciência do eu permanece"

O objetivo de “Atma Vichara”, “Self-enquiry” (auto-inquirição ou auto-investigação) é eliminar as falsas ideias sobre o Eu e o ego, levando a pessoa à realização não-dual da Realidade. 

Atma-Vichara não deve ser considerada uma 'prática de meditação que ocorre em certas horas e em certas posições', mas que deve continuar durante as horas de vigília, independentemente do que se esteja fazendo. 

Sri Ramana Maharshi não via conflito entre o trabalho e a auto-investigação e afirmava que, com um pouco de prática, isso poderia ser feito em quaisquer circunstâncias.

 

Ramana Maharshi - Como Meditar

 

Ramana Maharshi - Permaneça no Coração

 

 

Livro de Ramana Maharshi na Amazon: 

Pérolas de Sabedoria: https://amzn.to/3og4XW4 

 

“Qual a utilidade do conhecimento sobre tudo o mais, se você não conhece quem você é?” Ramana Maharshi. 

“Até o ambiente que o rodeia não é de sua escolha; ele está lá, tal como deve ser. Você deve se erguer acima dele e não se envolver.” Ramana Maharshi. 

“Procure a mente. Ao ser procurada, ela desaparece.” Ramana Maharshi.


terça-feira, 16 de novembro de 2021

Troquemos de mestres - Flávio Siqueira

Troquemos de mestres

 

Flávio Siqueira



Me disseram na escola que o ser humano é o único animal racional. Com o tempo passei a desconfiar que talvez não fosse verdade. Bastava observar os animais, todos eles, e perceber algo além dos instintos, um tipo de comunicação sutil, expressões de inteligência, diferente dos humanos, mas não por isso inexistente, muito pelo contrário.


Mas e a tal racionalidade do bicho homem? Havia mais impulsos do que reflexão, mais instinto do que consciência, mais reflexos condicionados pela própria cultura do que escolhas ponderadas, equilibradas, racionais.


Enquanto os chamados "seres irracionais" vivem em equilíbrio com o planeta, nós, os "racionais" desenvolvemos algo que chamamos de "vida moderna", uma cultura completamente predatória, seja em relação à natureza, seja em relação ao semelhante.


Nos autodestruímos por impulso, aceitamos condicionamentos que frequentemente nos deslocam para terras estranhas, terras que não parecem com nosso chão, outro habitat que, com o tempo, passa a ser nosso.
 

Me refiro a artificialidade das relações, a superficialidade dos sentimentos, a compulsão por distrações, a necessidade de "alegrias" incessantes; nosso medo da solidão, nosso pânico do sofrimento, nosso terror diante da morte.
 

Antinaturalmente passamos a vida tentando negá-la, construímos uma bolha de distrações tentando pensar que seremos eternos, homens e mulheres gargalhantes que dominarão o planeta, os animais, e, se possível, os semelhantes mais fracos. Por que não?
 

Que tipo de racionalidade nos faz pensar que somos os únicos seres pensantes na terra? Alias, o que nos faz pensar que de fato pensamos?
 

Talvez esteja na hora de elegermos outros mestres. No lugar de ideologias políticas, os mestres gatos nos ensinarão como relaxar e viver em paz. Prefiro trocar os debates sobre ética e moral pela fidelidade dos cães que não fazem nenhuma distinção entre um mendigo e um banqueiro.
 

Os mestres pássaros ensinam como viver no presente, alimentando-se do que o dia chamado hoje reserva, livres em suas melodias que saúdam as manhãs.
 

Não quero mestres homens. Pessoalmente me inspiro com as mestres formigas, que de alguma maneira se organizam para construção de seus formigueiros, carregam pedaços de folhas, pedrinhas, trabalham incessantemente sem que uma se coloque em superioridade em relação à outra.
Sou discípulo dos peixes, os que vivem pacificamente em um mundo desconhecido para mim e, talvez por isso, de alguma maneira, ainda preservado. Namastê, mestres minhocas! Vocês que cuidam da terra, que trabalham silenciosamente sem necessidade de aplausos ou reconhecimentos. Perdoe por suas irmãs esmagadas sem nenhuma razão por nós, os seres racionais.
 

O que seria dos pobres e dependentes humanos sem o trabalho de vós, mestres abelhas? Haveria equilíbrio se os sábios sapos não existissem? Será que nós, avançados e sábios animais racionais, os únicos racionais, existiríamos sem o trabalho das senhoras, mestres baratas, que convertem nitrogênio em fertilizantes?
 

Nossa irracionalidade nos levou para muito longe de casa. Admiramos nossas construções, aplaudimos nossa insanidade projetada em sistemas autodestrutivos, chamamos uns aos outros de "mestres" e deixamos de enxergar que há consciência em todo o planeta, a terra fala, os bichos ensinam, tudo se conecta, se comunica.

Troquemos os mestres, sejamos humildes, suficientemente abertos para aprendermos com seres mais simples, justamente por que esses não se corromperam com a própria luz. São filhos da terra, irmãos uns dos outros, vivendo entre nós com sua silenciosa sabedoria, presentes enquanto não destruímos tudo em nome de nosso progresso.


Namastê mestre bicho do alface! Perdoe os humanos. Temos sido a mais eloquente expressão da irracionalidade animal.


terça-feira, 9 de novembro de 2021

Intervenção, Vontade do Ego; Atrito, Conflito - Krishnamurti


Intervenção, Vontade do Ego; Atrito, Conflito

Para compreender (…) ou experimentar a realidade, tem de haver discernimento. Discernimento é esse estado de pensamento-sentimento integrado, no qual cessam toda ansiedade e escolha. (…) O desejo condiciona o pensamento-sentimento que, assim, torna-se incapaz de discernimento direto. 
(Palestras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 53)

Portanto, o indivíduo tem de considerar, em primeiro lugar, quais as tendências e ansiedades que continuam e perpetuam o processo do “eu”. (…) Porque todo desejo age como empecilho ao discernimento; toda ansiedade deturpa a percepção. (Idem, pág. 53)
 
Toda ansiedade e qualquer experiência que dela nasça, constituem o processo automantenedor do “eu”. Esse processo do “eu”, com seus desejos e tendências, cria o medo e daí surge a aceitação do conforto e da segurança que a autoridade oferece. (…) Existe a autoridade do exterior, a autoridade de um ideal e a autoridade da experiência ou da memória. 
(Idem, pág. 53-54)
 
Expondo isto por palavras diferentes, direi que existe a vontade de desejo, que é esforço, e a vontade de compreensão, que é discernimento. (…) A vontade de desejo está sempre em busca de recompensa, de lucros, e assim cria os seus próprios temores. A moral social baseia-se nisso (…) 
(Palavras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 55-56)

O indivíduo é a expressão da vontade de desejo, e, no processo de sua atividade, o desejo cria o seu próprio conflito e sua tristeza. Daí o indivíduo tenta escapar indo para o idealismo, para as ilusões, para as explicações e, desse modo, mantém ainda o processo do “eu”. Começa a existir a vontade de compreensão quando o desejo e suas experiências, sempre recorrentes, deixam de existir. 
(Idem, pág. 56)

Se houver correta compreensão do fato de que não pode existir verdadeiro discernimento enquanto persistir a vontade de desejo, essa mesma compreensão faz com que o processo do “eu” seja destruído. (…) Porém, a própria percepção do processo do “eu”, o discernimento de sua insensatez, de sua natureza transitória é que o destrói. 
(Palestras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 56)