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quarta-feira, 8 de julho de 2020

Que é a vida?


  Eis uma questão básica: a vida



Uma das mais evidentes dificuldades do ser humano é compreender o que é vida. 
Cada área do saber humano, cada fonte de conhecimento, qual filtro ou lente, arrisca, a seu modo, um conceito.

Cada ciência particular (seja ela humana ou natural), tem sua própria resposta. Além disso, dentro de cada ciência particular, várias teorias coexistem com suas próprias respostas singulares.

A Religião, do mesmo modo. Cada qual, seja monoteísta, politeísta, panteísta ou animista, arrisca sua resposta. Assim também procede a Filosofia, e a Arte.

Todos ensaiam respostas, mas nossa mente não é capaz de discernir qual a melhor, ou pelo menos qual delas mais se aproxima da verdade. Nossa mente também nos engana. O que nos parecia um bom conceito ontem, hoje já não nos serve mais.

Para emitir um conceito que denote real compreensão de um tema, precisamos conhecer profundamente o assunto, certo? Do contrário, mergulhamos no vasto e nebuloso labirinto da opinião.

Se a vida pudesse ser definida a partir de critérios fisicalistas ou materiais, poderíamos dizer se trata de um fenômeno que anima a matéria. Assim, quando um íon modifica a composição de qualquer composto químico, aí estaria um sinal de vida. Mas conceituar algo pela sua aparência fenomênica, nos parece ingênuo e superficial, tal qual seria definir nosso sol como “um círculo quente e brilhante”. Ainda que estejamos utilizando um telescópio ou um microscópio eletrônico, o que nos garante que estamos de fato observando a vida, e não apenas um fenômeno provocado por ela?

A Biologia debate se a vida implica em ter ou não ter células. Fosse assim, vírus e príons não seriam formas de vida, pois são desprovidos de células. O vírus, dizem, é uma estrutura à base de proteínas, cujo interior apresenta alguns filamentos de DNA ou RNA, contendo aquelas informações essenciais para sua replicação, que ocorre somente quando encontra o ambiente adequado, dentro de outra certa célula hospedeira. Já os príons nem DNA ou RNA possuem. Bem menores que os vírus, são proteínas que conseguem desorganizar o metabolismo da célula hospedeira, cansando-lhe finalmente à morte. Poderiam ou não ser considerados formas vitais?

Bom... o ser humano também possui DNA e RNA, e tampouco sobrevive fora do organismo vivo que é o planeta. Antes, modifica e é capaz de destruir seu próprio ecossistema pela reprodução descontrolada e depredação indiscriminada do meio que o cerca... comportamento muito similar aos temíveis vírus e príons.

Não, nenhum critério, científico ou não, explica o que é a vida ou os seus limites. O movimento também indica a presença de vida, mas tampouco encerra seu significado. Como há movimento em qualquer átomo, seja ele componente do ar ou da pedra, então isso já é suficiente para sabermos que, com maior ou menor evidência, a vida permeia realmente tudo que há, indistintamente. Simplesmente não há morte em sentido absoluto. Apenas movimento e, consequentemente, transformação, renovação... e mais vida, sempre. Os próprios buracos negros, tidos como regiões siderais inóspitas e caóticas, hoje já se sabe, são berço de novas estrelas e novos mundos.

A mesma vida ‘sabe’ os meios de infinitamente se perpetuar, em infinitas formas... Encontra até os meios de produzir o pensar, o sentir e o sonhar. Mais um pouco e ela aprende a pensar-se, como estamos nós a fazer nesse exato momento em que eu aqui escrevo e você aí me lê!

Então essa mesma vida, vejam só, aprendeu a se autocontemplar, a partir do espelho da autoconsciência... outro mistério!

Mas o que/quem a ensinou? Como a vida aprende? Sendo o movimento, sinal inequívoco da vida, o que o teria gerado primordialmente? A vida move-se por si mesma? Ou seria Deus que a move? Mas, que é Deus, senão algo/alguém indefinível que tampouco conhecemos, exceto por meio de fenômenos naturais? Deus e vida são sinônimos? Ambos incompreensíveis em seus insondáveis desígnios, incomensuráveis, onipresentes. A única certeza? nossa ignorância.

A Metafísica também se pergunta sobre o porquê da vida. Por que o ser humano? Por que as imperfeições, as misérias morais e materiais?

Seja no campo da Arte, da Ciência, da Religião ou da Filosofia, a vida se admira, se perscruta, se comove, se conscientiza de si, em infinitas, terríveis e magníficas formas.
Só a vida em si mesma permanece, enquanto a forma eternamente se desvanece.

Essa mesma impermanência abençoa com igual cuidado, tanto a estrela mais brilhante e distante, quanto o mais íntimo pensamento ou sentimento. A vida é aparente movimento, mas também aparente solidez e quietude.
Impermanência e eternidade: eis o paradoxo da vida.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

o real sentido daquilo que fazemos (seja o qual for)

o verdadeiro significado do trabalho (qualquer trabalho)


Conta a história que um certo viajante, chegando próximo a um prédio ainda em construção, passou a dialogar separadamente com três dos construtores que ali trabalhavam. Todos faziam tarefas semelhantes e aos três o viajante fez a mesma pergunta: o que você está fazendo? 
O primeiro disse o óbvio: “Estou assentando tijolos”. 
O segundo conseguia notar algo além e respondeu: “Levantando uma parede”. 
O terceiro, contudo, respondeu animado: “Construindo a catedral da minha cidade”.

x - x - x - x - x - x
 


Neste breve conto antigo, ficou bem ilustrada a importância de aperceber-nos do sentido daquilo que fazemos... 
A relevância de se compreender o propósito daquilo que se faz, independente do que seja, ou do contexto no qual se encontre, é algo muito valioso, por várias razões:
se algo dever ser feito, deve ser bem feito; mas a motivação para assim fazê-lo depende do quanto vejo, do quanto enxergo, além do meu próprio nariz. Qual é a minha perspectiva? Qual é o meu ângulo de visão das coisas? necessito compreender por que faço o que faço!
Quando tiver clara essa dimensão, essa profundidade de compreensão, nesse exato instante, saberei, primeiro, se devo continuar fazendo o que faço, do modo como faço;
Por fim, haverá em mim a gana, a coragem e a tenacidade para dar cabo da tarefa, não importam as condições, nem o preço que pagarei para poder concluí-las!


domingo, 9 de julho de 2017

Quando foi que nascemos?


Nós Jamais Nascemos

Excelente vídeo produzido pelo diretor espanhol Sergi Castella, que transformou uma carta escrita em janeiro de 1957 de Jack Kerouac para sua então ex-esposa Eddie Parker.
Castella transformou as palavras de Kerouac em “We Were Never Born” (Nós Jamais Nascemos), vídeo feito em 2010 e patrocinado pela fabricante de bicicletas catalã Dosnoventa Bike. 


Para pontuar o texto dessa carta, Castella escolheu duas canções: “Gonna Cut You Down”, tema de domínio público na versão inspirada de Johhny Cash, e “Time”, um dos carros-chefe de “The Dark Side of The Moon”, do Pink Floyd. 

Segue trecho da carta escrita por Ti Jean: 

“Tenho um bocado de coisas para te ensinar agora, no caso de nunca mais nos vermos, relativas à mensagem que me foi transmitida embaixo de um pinheiro na Carolina do Norte em uma noite fria e enluarada de inverno. 

 
Diz-se que nada nunca acontece, então não se preocupe. 
É tudo como um sonho. 
Tudo é êxtase, no interior. 
Nós só não sabemos disso por causa de nossas mentes pensantes. 
Mas em nossa verdadeira essência da mente sabemos que tudo está certo lá dentro. 
Feche seus olhos, deixe suas mãos e terminações nervosas relaxarem, pare de respirar por 3 segundos, escute o silêncio que está por trás da ilusão do mundo, e você se lembrará da lição que esqueceu, e que foi ensinada na imensa e suave nuvem da Via Láctea inumeráveis mundos atrás e nunca mais depois disso. 
Tudo e uma só coisa desperta. Eu a chamo de Eternidade Dourada. É perfeito. 
Nós nunca realmente nascemos, nós nunca iremos realmente morrer. 
Isso não tem nada a ver com a ideia imaginária de um “eu” pessoal, outros “eus”, muitos “eus” em todos os lugares: “Eu” é apenas uma ideia, uma ideia de mortais, que ocorre a todas as coisas que são uma coisa. 
É um sonho que já acabou. 
Não há nada a temer e nada a agradecer. 
Eu sei disso por olhar as montanhas por meses a fio. 
Elas nunca mostram nenhuma expressão, são como a vacuidade do espaço. 
Você acha que a vacuidade do espaço irá algum dia desmoronar? 
As montanhas irão desmoronar, mas a vacuidade do espaço, que é a essência universal da mente, o vasto despertar, vazio e consciente, jamais desmoronará porque jamais nasceu”.

 

A carta termina com um poema: 

“O mundo que você vê é só um filme em sua mente

Pedras não o veem 

Abençoe e sente-se

Pratique a gentileza o dia inteiro 

e com todos 

e você perceberá que já está no Paraíso agora

Essa é a história 

Essa é a mensagem

Ninguém a compreende

Ninguém a escuta 

Eles estão todos correndo por aí como galinhas com cabeças cortadas. 

Eu tentarei ensinar, mas será em vão

E então irei acabar em um barraco

Orando e sendo legal e cantando na frente do meu fogão a lenha

Fazendo panquecas.” 

(parte do texto retirada do site que não está mais ativo: https://www.portalbei.com.br/grings/tag/jack-kerouac/)

domingo, 16 de abril de 2017

carpe diem: O que isso realmente quer dizer?



"carpe diem": uma releitura

 

Viver como se fosse o último dia!? O que isso realmente quer dizer?

Acho que quase todo mundo já leu alguma vez esse ditado: “viva o dia de hoje como se fosse o seu último”. Noutra ocasião, li uma variante mais completa que dizia: “viva hoje como se fosse seu último dia; mas também viva hoje como se fosse o primeiro”.


‘Viver hoje como se fosse seu primeiro dia’ significa "carpe diem". Mas, de que vale tentar aproveitar o dia ao máximo, se não sabemos "como" fazê-lo? 

Veja bem: Se antes não recuperamos nossa capacidade de espanto e de admiração a tudo que nos rodeia, como vamos aproveitar realmente cada instante que se apresenta? E se for assim, de que vale viver muito, sei lá, cem ou duzentos anos? 

Mas o que é essa tal de "capacidade de espanto"? 
Observe... Ela certamente está presente em toda a criança que começa a descobrir o mundo... Está em cada pessoa que sabe explorar cada nova paisagem, cada novo cenário do seu mundo pela primeira vez... cada um deles é único, não é? Então por que tanto desdém no olhar? 

Uma criança sadia não despreza nada, nada que se lhe apresenta: pessoas, animais, árvore, céu, água, chão, ar, objeto, cheiro, cor, gosto, textura, coisas normais e coisas estranhas... tudo tem valor, nada é descartado, tudo é extraordinário! feio ou bonito, prazeroso ou doloroso, cheiroso ou não, não importa... não há preconceito.

Se refletirmos, veremos que viver intensamente o hoje é importantíssimo para o sucesso de quaisquer relacionamentos humanos, além de ser muito bom prá melhorar nosso desempenho no trabalho, para evitar acidentes, para viver melhor, em vários aspectos...

quarta-feira, 25 de março de 2015

Seja um iniciado em... você mesmo!

Seja um iniciado em... você mesmo!


se alguém vai a um centro mediúnico, antes de conjurar entidades de outros mundos ou pessoas desencarnadas, que tal incorporar alguém que há muito não ocupa seu próprio corpo? 
Diga ao médium que você deseja muito incorporar a entidade que é ‘VOCÊ MESMO’, seu Eu, sua Identidade, seu Ser.
O que acha que aconteceria nesta experiência? Quantos eus identificados com você apareceriam? Seu Ser-essência iria incorporar ali? Quem se apresentaria?
Acontece comumente: não estamos ‘em nós’! A gente não tá "na gente", boa parte do tempo! Estamos 'por aí', como se diz...  autômatos sonâmbulos! por ali, lá e acolá... e o corpo aqui... à deriva.... por vezes, a perigo.
O que acontece a uma casa vazia? O que sucede com uma residência abandonada pelo dono?
Logo aparecerão "andarilhos", oportunistas, gente estranha de toda sorte. Não faltarão elementos imundos, promíscuos, forasteiros, gentes com todo tipo de vícios... pensamentos viciantes, emoções e sentimentos viciantes e viciados, eus de querer, de desejar ‘issos e aquilos’
E atraídos pelo espaço descuidado e desvigiado, vão entrando, sozinhos ou em bando... 
Isso é o que ocorre de regra em qualquer lugarejo. Pois não é que, assim como é fora, é também dentro? 

Nosso mundo exterior é ‘espelho‘, um tipo de ‘projeção cinematográfica em 3D’, um ‘holograma compartilhado’ do universo interior de todos nós. Tal 'reflexo exterior' do que há e do que ocorre no ‘interior psíquico’ não é uma simples representação metafórica de algum poeta inspirado. Isso é muito mais real do que parece, não é um mero jogo de palavras. Trata-se aqui de um acontecimento real e atual; repito: não estamos aqui falando por parábolas ou símbolos.

Então, o primeiro passo é retomar a posse da sua própria casa. Parar de deixar seu corpo perambulando sonâmbulo por aí, vagando à deriva... e começar a pôr mais atenção aos intrusos pensamentos e emoções... que antes nem percebíamos não serem nós. Alertas como vigia ou sentinela, seguimos observando... observando e observando...

Ao sentinela não cabe a tarefa mental de analisar, julgar, condenar ou justificar os elementos invasores. 
Uma vez flagrados os andarilhos que ocupam nossas “salas, quartos e porões' psicológicos,  uma vez iluminados pela 'lanterna interior' da consciência, vão-se desarticulando, se desagregando e finalmente perdendo energia e domínio sobre nossa casa. 
Uma vez identificados, limpa pode ser a casa. Uma vez que essa casa esteja mais arejada e iluminada, o trabalho vai paulatinamente avançando, sem saltos fantásticos...

O objetivo fundamental de nossas vidas
Você já se perguntou sobre qual é sua missão nesse mundo?

Se não sabe qual é, se essa resposta lhe parece difícil ou complexa demais, fique tranquilo! Sua dúvida acaba agora:
Seu trabalho fundamental nesta vida consiste em limpar, e limpar, e depois limpar... e mais uma vez, limpar...

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Pelo quê você vive?


Todos os dias nos noticiários, somos informados de mortes, mazelas, dor e complicações em consequência do desejo, da ira e da ignorância.

Para ganhar status, dinheiro ou poder, as pessoas ficam iradas, invejosas e com raiva... quase tudo e quase todos se tornam adversidades e adversários... alguns matam, outros são mortos e outros desiludidos se matam a si próprios.

Há quanto tempo, há quantos milênios já não estamos repetindo esse ciclo?
A que estamos dedicando o nosso tempo?

Vamos supor que a vida humana seja de 80 anos, todos os dia dormimos 6 horas, assistimos 3 horas de TV, trabalhamos ou estudamos 8 horas, 1 hora de refeição, 30 minutos de banho, 1 hora e meia de internet, etc.

É uma suposição, mas se formos pegar esse exemplo, de 80 anos, dormimos 20 anos, 10 anos assistindo TV, 27 anos estudando ou trabalhando, 3 anos e 4 meses de refeição, 1 ano e 8 meses tomando banho, 5 anos na internet e assim por diante.

Destes anos, quantos realmente foram para nós mesmos? quantos para cuidar e ouvir o nosso Íntimo, a Deus (em nós) e a Deus (no outro)?

O desejo material, sexual, desejo de comer, de poder, de dormir, se atrapalhados ou interrompidos, ficamos nervosos, sentimos frustração e raiva. 

Porém, desperdiçar a nossa vida em função dessa raiva, não seria também perder tempo?
Se levarmos uma vida ociosa também perdemos tempo precioso.

Dedicar-se a algum propósito não está errado. Devemos dedicar nossa vida a alguma coisa, mas o importante é ter essa clareza sobre o que realmente importa nessa vida.

Seria ganhar dinheiro? Obter o poder? Dedicar-se apenas ao que se esvai com a morte?  

Pelo quê, afinal, vale a pena viver, respirar e lutar?


reflexão inspirada no texto "Namu: Dedicação ao Dharma", de Gassho, disponível em http://sobrebudismo.com.br/namu-dedicacao-ao-dharma/