quarta-feira, 29 de abril de 2020
o sonho que vivemos...
“Não há necessidade de uma saída!
Você não vê que uma saída é também uma parte do sonho?
Tudo que você tem que fazer é ver o sonho como sonho.”
— Sri Nisargadatta Maharaj (1897-1981), sábio indiano de Advaita Vedanta
“Cada clara e cristalina manifestação do mundo inteiro é um sonho; esse sonho não é nada mais do que todas as coisas que são absolutamente lúcidas.
A dúvida de uma pessoa sobre isso é em si mesma um sonho; a confusão da vida é um sonho também.
Neste preciso momento, todas as coisas são um sonho, estão dentro de um sonho, ou expõem um sonho. Conforme estudamos as coisas, raízes e caules, ramos e folhas, flores e frutos, luzes e cores – todas são um grande sonho.
Nunca confunda isso com o estado de sonho da mente.”
— Dogen Zenji (1200-1253), mestre japonês do Zen-Budismo
Dicas de Eckhart Tolle para o autoconhecimento
PENSAMENTOS SELECIONADOS DE ECKHART TOLLE
O autor aborda de forma
brilhante, as principais características da nossa essência e do nosso ego. A
partir da compreensão de quem somos, conseguimos compreender melhor o que nos
impede de experienciar o "Agora", e, portanto, de conhecer a nós mesmos
e sermos felizes verdadeiramente.
Sugiro a leitura da
obra na íntegra. Tolle ensina técnicas praticáveis no dia a dia:
Existe uma linha fina entre honrar o passado e se perder nele
Existe uma linha fina entre honrar o passado e se perder nele. Por
exemplo, você pode se conscientizar e aprender a partir dos erros que
você cometeu, então se mover e mudar o foco para agora. Isso é chamado
de se perdoar.Deixar ir requer força e muita coragem. Muitas vezes deixar as coisas ir é um tipo maior de grandeza do que se defender ou agarrar-se à situação.
Você é um ser humano, não um ser-fazendo
Na pressa do nosso dia a dia, todos nós pensamos demais, desejamos demais, buscamos demais e esquecemos de apenas apreciar o ser.🔻Pare de se definir e definir os outros🔻
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Para encontrar a paz - "Tudo depende de teus passos" Thich Nhat Hanh
O seguinte texto de autoria do monge zen Thich Nhat Hanh estava pregado essa semana (agosto/2016) num mosteiro budista na Espanha,
onde estava sendo realizado um retiro de meditação.
Um dos participantes e amigo pessoal publicou na Internet o original em espanhol junto da foto da folha que foi pregada no mosteiro (abaixo), e me permitiu compartilhar aqui.
É um pequeno grande lembrete sobre a presença e a apreciação da paz no momento presente, na autoria do passo de cada um.
Ao ver a foto pela primeira vez, e ler a mensagem naquela foto, tirada no mosteiro, por alguns segundos imaginei a foto e me senti momentaneamente lá, no alto, no ermo e no verde, em silêncio, quase podia ver os monges desacelerando o tempo com seus passos calmos, e descansei na imagem.
Um dos participantes e amigo pessoal publicou na Internet o original em espanhol junto da foto da folha que foi pregada no mosteiro (abaixo), e me permitiu compartilhar aqui.
É um pequeno grande lembrete sobre a presença e a apreciação da paz no momento presente, na autoria do passo de cada um.
Ao ver a foto pela primeira vez, e ler a mensagem naquela foto, tirada no mosteiro, por alguns segundos imaginei a foto e me senti momentaneamente lá, no alto, no ermo e no verde, em silêncio, quase podia ver os monges desacelerando o tempo com seus passos calmos, e descansei na imagem.
Eis a foto e a mensagem (a tradução segue logo abaixo):
Crédito: Reginaldo Menezes (agosto de 2016).
A semente da plena consciência se encontra em cada um de nós, mas nos esquecemos de regá-la. Acreditamos que só seremos felizes no futuro, quando conseguirmos uma casa, um carro ou um doutorado. Mantemos uma luta em nossa mente e em nosso corpo e não sentimos a paz e a alegria que temos ao nosso alcance neste preciso instante: o céu azul, as folhas verdes e os olhos de nosso ser querido.O que é mais importante? São muitas as pessoas que passam em provas e compram casas e carros, mas seguem sendo infelizes. O mais importante é encontrar a paz e dividi-la com os demais. E para encontrá-la, podemos começar a caminhar com calma. Tudo depende de teus passos".— Thich Nhat Hanh, em "O Longo Caminho Leva à Alegria: Um Guia para a Meditação Andando"
papel da mente na meditação e no despertar
Se você usa a frase “praticar os ensinamentos”, a seguinte sequência é
assumida: há algum objetivo que deve ser
alcançado, que há uma rota ensinada por alguém, alguma prática, para chegar a
esse objetivo, e que você então usa sua mente para se mover
vigorosamente em direção a esse objetivo.
A mente quer estar no controle desta operação. Quer ouvir o mestre, o guru, o professor, entender o que lhe é pedido e então usar a si mesma para se mover na direção prescrita.
Tudo isso está errado.
A mente não é o veículo que se usa para executar os ensinamentos; ao contrário, ela é o obstáculo que previne a pessoa de diretamente experimentá-los.
A única coisa útil e produtiva que a mente pode fazer é desaparecer.
Sri Ramana Maharshi sempre disse que seus ensinamentos verdadeiros foram dados em silêncio. Aqueles que estavam receptivos foram os que conseguiram sair do caminho mental, permitindo que as emanações silenciosas de Sri Ramana operassem neles.
Num dos versos do seu poema filosófico Ulladu Narpadu, escreveu:
A mente quer estar no controle desta operação. Quer ouvir o mestre, o guru, o professor, entender o que lhe é pedido e então usar a si mesma para se mover na direção prescrita.
Tudo isso está errado.
A mente não é o veículo que se usa para executar os ensinamentos; ao contrário, ela é o obstáculo que previne a pessoa de diretamente experimentá-los.
A única coisa útil e produtiva que a mente pode fazer é desaparecer.
Sri Ramana Maharshi sempre disse que seus ensinamentos verdadeiros foram dados em silêncio. Aqueles que estavam receptivos foram os que conseguiram sair do caminho mental, permitindo que as emanações silenciosas de Sri Ramana operassem neles.
Num dos versos do seu poema filosófico Ulladu Narpadu, escreveu:
“Quem pode meditar naquilo que é só o que existe? Não se pode meditar nisso porque isso não está aparte daquilo. Só se pode sê-lo.”🔻Essa é a essência dos ensinamentos de Sri Ramana.🔻
quinta-feira, 23 de abril de 2020
filme "Dark Waters – O Preço da Verdade" - resenha
O que um filme poderia dizer sobre o teflon da sua panela?
"Dark Waters – O Preço da Verdade"
O
primeiro detalhe interessante a respeito do excelente filme “Dark Waters –
O Preço da Verdade" (dirigido por Todd Haynes), é saber que foi baseado em uma
história real e inspirado no artigo Dark Waters, do romancista e
ensaísta americano Nathaniel Rich, publicado em 2016 na revista The
New York Times Magazine, intitulado “The Lawyer Who Became DuPont’s
Worst Nightmare”.
A obra cinematográfica é feliz em narrar a odisseia do protagonista Robert Bilott (interpretado por Mark Ruffalo), que já era advogado
de sucesso defendendo grandes
empresas de químicos. Ironicamente, contudo, ele acaba sendo
procurado por
dois agricultores de sua cidade-natal, angustiados porque seus animais
estavam morrendo devido a contaminação por lixo tóxico.
Ele, então, resolve iniciar
uma meticulosa investigação particular sobre as possíveis causas da intoxicação
do solo e do rio daquela região.
🔺 alerta de spoilers abaixo 🔻
É assim que Dark Waters consegue expor muito bem os métodos questionáveis da famosa DuPont, uma das empresas mais poderosas da indústria química mundial. O protagonista, graças a sua tenacidade e senso de responsabilidade social, acaba descobrindo como referida empresa não só contaminou severamente o ar, o solo e as águas da região, como também tinha prévio conhecimento dos efeitos nocivos para a saúde humana, do uso de seus produtos (a base de teflon). Por 'efeitos nocivos', entenda-se: enfermidades graves (diversos tipos de câncer), malformações e morte precoce de funcionários e milhares de clientes, sem contar os danos nefastos e incalculáveis ao meio ambiente.
Evidentemente, o exaustivo processo nos tribunais americanos acaba bem expondo como o sistema e a burocracia costumam favorecer o corporativismo empresarial. O enredo de
“O Preço da Verdade”, contudo, não o torna um filme de ação ou de suspense como
seu trailer sugere. Isso não quer dizer que a trama não seja envolvente e
emocionante, reforçando especialmente a tensão e a pressão sofridas pelos
protagonistas, ao longo de inúmeros anos de exaustiva luta contra a poderosa e
multimilionária Dupont e seu famoso teflon.
De bônus, você talvez se lembre de outro memorável filme -“Erin Brockovich” (que conta a impressionante história da mulher que acabou descobrindo e investigando vários casos graves de contaminação de água causada pela empresa Pacific Gas and Eletric Company, também nos EUA, em 1993). Enfim, se você não assistiu, fica também essa outra dica!
Embora
a questão ambiental apareça como pano de fundo, Dark Waters trata realmente é do conflito entre dois aspectos relevantes da vida em sociedade: de um lado a prosperidade (afinal, as pessoas precisam de seus empregos) e do outro, a ética (respeito para com o ser humano, em primeiro lugar).
Os políticos espertalhões sempre apelarão para o falso dilema entre esses dois aspectos, como se não fosse possível conciliar economia e bioética... sem lembrar que, quando fracassamos no respeito por nós mesmos e pelo ambiente, já fracassamos em todo o resto.
🔺FICHA TÉCNICA🔻
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